
No negrume da noite
vagueio pela densa floresta
de árvores seculares
sinto o hálito gélido da penumbra
a acariciar o meu semblante inquieto
Não me sinto só
a saudade acompanha-me
como um corvo faminto
A lua imponente transmuta-se
na face impudica do amor
cobrindo o meu corpo afadigado
de ternura, fascínio e desejo
Encerro as pálpebras orvalhadas
e num majestoso cálice de luar
bebo-te lentamente
meu doce veneno
sinto-te lapidar minha alma
e todo o meu corpo transforma-se
na corda de uma viola
em acordos hábeis
provocando-me espasmos
de prazer fugaz.
A noite delonga-se
retardando o amanhecer
lágrimas sulcam o meu rosto
e meus lábios trémulos
teimosamente insistem
em tragar o doce veneno
que me embriaga de deleite.