Re: Faz um poema |
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pequenas livrarias
reabrem pequenos bairros florescem pequenos nadas multiplicam-se pequenos cantores riem pequenos haicais fazem uma estação pequenos poemas caem pequenas existências divinizam-se pequenos sorrisos convergem até tolstoi começou tudo com uma pequena frase
Criado em: 22/2/2012 9:48
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Re: Faz um poema |
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Faz um poema
Escreve um poema Escreve 1000 poemas ridículos verdadeiramente naif amorosos e ingénuos com frases gastas repetitivas de puro enfado acriançados niilistas religiosos e com nuances espirituais desolados criminosos poemas sexistas machistas e racistas com voyeurismo destituídos de humanismo adolescentes virados para os umbigos cheios de nada ou de sangue e vísceras e mesmo que ninguém leia ou que toda a gente leia o poema e isso nunca aconteceu nada significa o mundo fica tal e qual melhor seria fazeres pão fazeres amor com a pessoa que amas ou te sentes bem passear o cão pintar uma tela beber uma cerveja pregar boas novas cantar uma canção adoptar um mendigo conversar com um velho pintar uma casa ir trabalhar fazer as camas de lavado engraxar os sapatos comprar flores fazer uma omolete limpar a rua de folhas mortas observar os outros beber duas cervejas ir assistir a um enterro olhar as estrelas orar a Deus fabricar estantes fazer bolos comer um gelado dormir uma sesta e depois faz um poema
Criado em: 22/2/2012 11:06
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Re: Faz um poema |
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saí hoje para a rua
desolada não tinha nada que me levasse a criar algo de novo talvez um pensamento talvez uma só palavra que se elevasse num só poema ímpar bem conseguido mas nada nem mesmo os meus sentidos se abriram para este nada que me fez hoje sair para a rua a mesma rua que me conhece quando saio sozinha ou acompanhada a mesma rua que se expõe ao dia novo que principia e sempre acaba nos braços da noite e eu sem saber como começo a saber-me mais do que um simples nada ando e desando por todos os becos escuros na tentativa de encontrar uma nova rua sempre a tempo de me fazer criar algo talvez um sorriso talvez um olhar novo talvez uma sombra talvez o inverso de mim talvez o desejo de me encontrar em outras ruas e conhecê-las tal como elas me conhecem a mim sempre que saio sozinha ou acompanhada
Criado em: 22/2/2012 12:01
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"Uma longa viagem, começa com um único passo" Lao-Tsé http://novoolharomeu.blogspot.com/ http://rituaisdomomento.blogspot.com/ http://silencio-me.blogspot.com/ http://terrasaltasdogranito.blogspot.com/ |
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Re: Faz um poema |
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e agora
e agora continuam vós a ode eterna o meu grato sentimento o meu sincero obrigado
Criado em: 22/2/2012 12:02
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Re: Faz um poema |
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Grande é a formosura Dos raios do sol nascendo Grande é minha ventura De sentir ver acontecendo Grande é a minha pulsão Sinto meu coração acelerando No alto da minha colina Percebo a vida doando se Presa nesse encantamento A gente capta a gente recebe A energia do universo Uma tempestade de ternura E sem a mínima hesitação Abraça este instante mágico Que nos oferece tanta paz É iluminação... intimidade Suave inspiração...
Criado em: 22/2/2012 17:12
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Re: Faz um poema |
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Também gosto dos poetas
que não são metafóricos que olham nos olhos da realidade e dizem o que lá encontram sem filtros há uma poesia abrupta vil nisso mesmo Gosto dos poetas assim rudes vis por detrás os poetas não são como a sua poesia mas confundimos as coisas e um poema tosco e em bruto associamos a um grunho em pessoa e enganamo-nos esta poesia para mim é pessoal faz-me lembrar pessoas da família que já morreram e que contavam histórias das suas fatalidades entre um copo de vinho e um pedaço de queijo e sorriam felizes e nunca percebi porquê percebo agora lendo os poetas rudes também eles felizes por terem histórias fatais a contar em poemas de soco na barriga e felizes por terem sobrevivido a dias sem nenhuma doce poesia Gosto de poetas assim rudes vis exatamente como o bairro onde vivi por vinte e cinco anos e onde as velhas que passam se confundem com as oliveiras centenárias e por isso belas não tarda serei um velho desses e rirei contando as mesmas vis histórias com um copo de vinho e um pedaço de queijo de cabra como as estórias do meu falecido tio nos arredores de Versailles e do meu falecido pai seu irmão entre um filme de Ford e a cama Gosto de pensar nestes poetas estes conheci-os e estão dentro de mim Um dia as histórias vis vão sair cá para fora e rirão dos dias passados de boca em boca de quem as vilmente contou
Criado em: 23/2/2012 9:31
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Re: Faz um poema |
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Existem dias Que são como ruas Desconhecidas Rumam sem tino Ou destino qualquer Um oásis de estrelas Um mar de ternura Um abraço sem fim É muito gratificante Trilhar estes dias ruas... A vida é assim Dias muitas ruas Sensações sentimentos idéias Fatos são contingências Passam desvanecem Os baques e os descaminhos Acontecem nas ruas e Nos becos sem saída... Mas, A caminhada continua Os dias vivem... ruas do tempo
Criado em: 23/2/2012 12:07
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Re: Faz um poema |
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O livro é uma casa e um monte
e o que se faz a uma casa e a um monte senão habitar esse lugar e viver por lá. Mas o livro tinha 90 anos e problemas de articulações. Doía-lhe os joelhos e a coluna quando se dobrava. Um lugar já antigo e com problemas de envelhecimento. O livro é uma casa arrendada sempre a novos leitores que não param de a subverter, lendo-a sem parar e interpretando-a de diversas maneiras. O livro é uma casa e um monte sempre perto e nem sempre alcançável.
Criado em: 23/2/2012 16:57
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Re: Faz um poema |
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Um velho velho automóvel
descoberto sem portas nada que o distinga duma ruína memorial ford capri de muitos anos abandonado testemunha consentida duma era de utopia que já passou dentro os ratos coabitam procriam entre ervas verdes e húmidas de mau cheiro ratos multiplicam-se viscosos e de olhares furtivos ratos crescem como texugos Um velho automóvel parado por séculos se o século for medido em tempo de rato ecossistema de improviso na cidade velha deserta de gente e ruídos apenas a comunidade multiplicada de ratos de urbe Deixemos os ratos estes vivem no seu mundo de sobrevivência no meio do lixo no meio da leptospirose que aos ratos não afecta Ratos não têm a culpa não nasceram católicos nem têm inquisição de ratos Bichos que vivem e alimentam seus filhotes O lixo é humano O lixo é invenção humana Talvez invenção do Diabo em conjunto Os homens aceitam tudo do Diabo e algumas coisas de Deus Os ratos bem que podiam correr pelos campos se não fosse a salada suja e gorda que é uma cidade E os gatos engordariam selvagens de território dividido Várias criaturas concorrem a dividir o mundo Ratos e Baratas e várias Bactérias estão a ganhar O pobre humano a perder Voltemos aos ratos então A comunidade que vive no velho ford capri floresce e invade a cidade pela porta fácil um condomínio fechado de luxo Nem vos digo nem vos conto o que sucedeu a seguir
Criado em: 24/2/2012 9:13
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Re: Faz um poema |
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Da casa!
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(equinvocação deixística pelo amor)
o amor é um equívoco de grande a imenso é intensamente desmesurado sem limites fora de qualquer prazo é uma pedra de tropeço no meio do caminho é uma virtualidade sem fios que nos prende os movimentos e nos põe em desvarios é uma fútil dispensa que nos obriga na demanda de uma luz que nunca vimos e julgamos que vemos em cada olhar que transcendemos enfim o amor não é condição nem é opção nem é vontade nem imposição é uma deixa esquisita que eu deixo pela escrita (se um dia for poeta e amor poesia)
Criado em: 24/2/2012 10:53
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