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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
2/6/2008 9:23
De Lisboa (arredores)
Mensagens: 1044
O livro é uma casa e um monte
e o que se faz a uma casa e a um monte
senão habitar esse lugar e viver por lá.

Mas o livro tinha 90 anos e problemas de
articulações. Doía-lhe os joelhos e a coluna
quando se dobrava. Um lugar já antigo e

com problemas de envelhecimento.
O livro é uma casa arrendada sempre
a novos leitores que não param de a

subverter, lendo-a sem parar e interpretando-a
de diversas maneiras. O livro é uma casa
e um monte sempre perto e nem sempre alcançável.

Criado em: 23/2/2012 16:57
_________________
Carlos Teixeira Luis

http://carlosteixeiraluis.blogspot.com

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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
2/6/2008 9:23
De Lisboa (arredores)
Mensagens: 1044
Um velho velho automóvel
descoberto sem portas nada
que o distinga duma ruína memorial

ford capri de muitos anos abandonado
testemunha consentida duma era de utopia
que já passou dentro os ratos coabitam

procriam entre ervas verdes e húmidas de mau cheiro
ratos multiplicam-se viscosos e de olhares furtivos
ratos crescem como texugos Um velho automóvel

parado por séculos se o século for medido em tempo de rato
ecossistema de improviso na cidade velha deserta de gente e
ruídos apenas a comunidade multiplicada de ratos de urbe

Deixemos os ratos estes vivem no seu mundo de
sobrevivência no meio do lixo no meio da leptospirose
que aos ratos não afecta Ratos não têm a culpa

não nasceram católicos nem têm inquisição de ratos
Bichos que vivem e alimentam seus filhotes O lixo
é humano O lixo é invenção humana Talvez

invenção do Diabo em conjunto Os homens
aceitam tudo do Diabo e algumas coisas de
Deus Os ratos bem que podiam correr pelos

campos se não fosse a salada suja e gorda que
é uma cidade E os gatos engordariam selvagens
de território dividido Várias criaturas concorrem

a dividir o mundo Ratos e Baratas e várias Bactérias
estão a ganhar O pobre humano a perder Voltemos
aos ratos então A comunidade que vive no velho ford

capri floresce e invade a cidade pela porta fácil
um condomínio fechado de luxo Nem vos digo
nem vos conto o que sucedeu a seguir

Criado em: 24/2/2012 9:13
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Carlos Teixeira Luis

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Re: Faz um poema
Da casa!
Membro desde:
25/8/2011 19:18
De santamariadafeira.pt
Mensagens: 420
(equinvocação deixística pelo amor)


o amor é um equívoco
de grande a imenso
é intensamente desmesurado
sem limites
fora de qualquer prazo

é uma pedra de tropeço
no meio do caminho
é uma virtualidade sem fios
que nos prende os movimentos
e nos põe em desvarios

é uma fútil dispensa
que nos obriga na demanda
de uma luz que nunca vimos
e julgamos que vemos
em cada olhar que transcendemos

enfim o amor
não é condição nem é opção
nem é vontade nem imposição
é uma deixa esquisita
que eu deixo pela escrita

(se um dia
for poeta e amor poesia)


Criado em: 24/2/2012 10:53
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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
2/6/2008 9:23
De Lisboa (arredores)
Mensagens: 1044
viva paulo leminski
nunca o nada
foi tanto

viva zapata
talvez por brando

viva dylan o que canta
ensinou-me
a suplicar o poema

viva jim morrison
com ele aprendi
a alongar o zelo louco
e mais tarde deixei
de beber

viva camões
sempre habitará
a nossa ilha

viva os poetas
que nos brilham
os sapatos
são os verdadeiros

viva hilda hilst
conheci uma vizinha assim
bebia e tinha gatos
e fotos antigas belas


Criado em: 24/2/2012 15:52
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Carlos Teixeira Luis

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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
15/10/2010 15:46
De Rio de Janeiro
Mensagens: 4499
[ amnésia ]

Nem lembro quando
Parei de acreditar

Talvez,

No dia que decifrei
O código do cintilar
Das estrelas trêmulas
Nos braços da noite

As ondas do mar
Cantaram a despedida
Da verdade perdida
Na luz da aurora inocente
Que paria o dia chuvoso

A verdade deveria ser
Terra firme onde
Os pés pisam seguros
Buscando um rumo
O caminho do arco-iris

Mas,

As cores não existem
São refrações da luz
Nas lágrimas do dia
Que torna o terreno
Vacilante... areia movediça

E, na lama sombria
Da inverdade descabida
Que abarca tudo
Enterrei minhas ilusões

Passei a pensar
Palavras... metáforas
Simplesmente

Pensar é um desabitar-se
Um esquecer de si
Assim estou
Sem um Eu

Livre...





Criado em: 24/2/2012 21:42
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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
15/10/2010 15:46
De Rio de Janeiro
Mensagens: 4499
[o pecado do excessivo gosto ]


Quando se ama demasiadamente
Um livro um texto uma poesia
Interpreta se com egoísmo

Até os escrúpulos se encobrem
Nesta paixão desmedida
Toma se para si o que não é seu

Reinventa se recria se
Após capturas sucessivas
À mercê das próprias intuições

Amor... desejo
Desejo de amor

Pode ser...

Mas, todo excesso
Oculta imperfeição

Pecamos por amar...









Criado em: 26/2/2012 12:08
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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
22/3/2009 21:02
De RIO GRANDE DO SUL DE LUTO
Mensagens: 1913
Foram precisos sete vezes setenta erros crassos
dezenas de sonhos impossíveis
dois corações partidos
para ver que a raiz do problema
eram as retas paralelas

relativamente,foram precisos 1.000 arrependimentos, mais a paixão vezes a velocidade da razão ao quadrado
precisei fechar colchetes
abrir parênteses
fracionar sentimentos


cauculei bem o Valor do x
e o diâmetro das possibilidades


e descobri o infinito amor
na equação absoluta dos seus olhos
significa algo tão grande
que não pode ser contado

Criado em: 26/2/2012 20:33
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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
2/6/2008 9:23
De Lisboa (arredores)
Mensagens: 1044
grandes poemas têm aparecido por aqui, por esta altura penso não estar à altura da corrente, também porque o poema tende a mudar e a simplificar (que quer dizer muita coisa), o meu

---

temos medo
deixamos de fora
a afinidade política
deixamos de fora
o real amor
o verdadeiro ódio
que alguém um dia chamou
de estimação
como um cão
que se alimenta
se leva a fazer uma mija
e se leva às vacinas
dá-se uma festa de vez em quando
dizemos dar amor
e neste caso seria
amar e acalentar o ódio

temos medo
deixamos de fora
da poesia
a nossa real espiritualidade
deram-nos a entender
que poeta não tem religião

temos medo
deixamos de fora
o duro envelhecer
a doença
e a sua cuspidela crua

temos medo
mas como o medo
atrai
trazemos para a poesia
a raiz dos nossos medos
o sexo
a morte
o amor
a paixão
mas apenas palavras
e vivemos com elas
as palavras

temos medo
deixamos de fora
a percentagem maior
de toda a vida

só os poetas grandes
não deixam que o medo
feroz
os impeça de serem
corajosos
e trazem para a poesia
se calhar
tudo

Criado em: 27/2/2012 11:45
_________________
Carlos Teixeira Luis

http://carlosteixeiraluis.blogspot.com

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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
22/3/2009 21:02
De RIO GRANDE DO SUL DE LUTO
Mensagens: 1913
Ser poeta é estar no fundo dos olhos
esperando a bóia de letras

é atirar versos nas vidas de vidro
é cultivar loucura em baixo de pedras
para alimentar as páginas

é plantar-se em descon solos e colher solidão

é olhar-se no espelho e ver-se a imagem e semelhança
das palavras



Criado em: 27/2/2012 13:03
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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
15/10/2010 15:46
De Rio de Janeiro
Mensagens: 4499


Não sou poeta

Mas, escrevo minhas
Palavras (con )sentidas

Imaginação é vida...

Sei que uma palavra
Veste quem escreve

E que insinua outras palavras
Que dizem sentimentos
Sensações fatos acontecimentos

Quando se escreve
Quer se dizer alguma coisa
Colocar para fora algo
Que colhemos dentro de nós

Nossas experiências
Nossas vivências
Nossos sonhos
Nossos questionamentos

Mas, tudo já existe existiu
A originalidade está na
Singularidade desta escrita

Sou eu
És tu
É ele...

Vestimos nos a nossa maneira
Com um tecido doce e leve
Às vezes, esvaecido transparente
Logo após, forte profundo e espesso

Um devir constante...

Também há um estranhamento
Nas palavras que se escreve
Nem sempre elas conseguem dizer
O que queremos

Nascem os mal entendidos
Os conflitos as guerras

Mas, também

Grita se silenciosamente
E transborda se uma ternura
Também estranha com jeito de afeto

Que tímido surge nas lembranças
Sem ser uma entrega
Mais parecendo uma presença
De ausências...

Isso são as palavras
Trazem para nós qualquer coisa
Mexem com nosso intimo

Mas, não são as coisas em si
São metáforas... símbolos linguagem

Isso é que sei... só isso

Não sou poeta...






Criado em: 28/2/2012 10:36
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