Re: Faz um poema |
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O livro é uma casa e um monte
e o que se faz a uma casa e a um monte senão habitar esse lugar e viver por lá. Mas o livro tinha 90 anos e problemas de articulações. Doía-lhe os joelhos e a coluna quando se dobrava. Um lugar já antigo e com problemas de envelhecimento. O livro é uma casa arrendada sempre a novos leitores que não param de a subverter, lendo-a sem parar e interpretando-a de diversas maneiras. O livro é uma casa e um monte sempre perto e nem sempre alcançável.
Criado em: 23/2/2012 16:57
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Re: Faz um poema |
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Um velho velho automóvel
descoberto sem portas nada que o distinga duma ruína memorial ford capri de muitos anos abandonado testemunha consentida duma era de utopia que já passou dentro os ratos coabitam procriam entre ervas verdes e húmidas de mau cheiro ratos multiplicam-se viscosos e de olhares furtivos ratos crescem como texugos Um velho automóvel parado por séculos se o século for medido em tempo de rato ecossistema de improviso na cidade velha deserta de gente e ruídos apenas a comunidade multiplicada de ratos de urbe Deixemos os ratos estes vivem no seu mundo de sobrevivência no meio do lixo no meio da leptospirose que aos ratos não afecta Ratos não têm a culpa não nasceram católicos nem têm inquisição de ratos Bichos que vivem e alimentam seus filhotes O lixo é humano O lixo é invenção humana Talvez invenção do Diabo em conjunto Os homens aceitam tudo do Diabo e algumas coisas de Deus Os ratos bem que podiam correr pelos campos se não fosse a salada suja e gorda que é uma cidade E os gatos engordariam selvagens de território dividido Várias criaturas concorrem a dividir o mundo Ratos e Baratas e várias Bactérias estão a ganhar O pobre humano a perder Voltemos aos ratos então A comunidade que vive no velho ford capri floresce e invade a cidade pela porta fácil um condomínio fechado de luxo Nem vos digo nem vos conto o que sucedeu a seguir
Criado em: 24/2/2012 9:13
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Re: Faz um poema |
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(equinvocação deixística pelo amor)
o amor é um equívoco de grande a imenso é intensamente desmesurado sem limites fora de qualquer prazo é uma pedra de tropeço no meio do caminho é uma virtualidade sem fios que nos prende os movimentos e nos põe em desvarios é uma fútil dispensa que nos obriga na demanda de uma luz que nunca vimos e julgamos que vemos em cada olhar que transcendemos enfim o amor não é condição nem é opção nem é vontade nem imposição é uma deixa esquisita que eu deixo pela escrita (se um dia for poeta e amor poesia)
Criado em: 24/2/2012 10:53
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Re: Faz um poema |
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viva paulo leminski
nunca o nada foi tanto viva zapata talvez por brando viva dylan o que canta ensinou-me a suplicar o poema viva jim morrison com ele aprendi a alongar o zelo louco e mais tarde deixei de beber viva camões sempre habitará a nossa ilha viva os poetas que nos brilham os sapatos são os verdadeiros viva hilda hilst conheci uma vizinha assim bebia e tinha gatos e fotos antigas belas
Criado em: 24/2/2012 15:52
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Re: Faz um poema |
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[ amnésia ]
Nem lembro quando Parei de acreditar Talvez, No dia que decifrei O código do cintilar Das estrelas trêmulas Nos braços da noite As ondas do mar Cantaram a despedida Da verdade perdida Na luz da aurora inocente Que paria o dia chuvoso A verdade deveria ser Terra firme onde Os pés pisam seguros Buscando um rumo O caminho do arco-iris Mas, As cores não existem São refrações da luz Nas lágrimas do dia Que torna o terreno Vacilante... areia movediça E, na lama sombria Da inverdade descabida Que abarca tudo Enterrei minhas ilusões Passei a pensar Palavras... metáforas Simplesmente Pensar é um desabitar-se Um esquecer de si Assim estou Sem um Eu Livre...
Criado em: 24/2/2012 21:42
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Re: Faz um poema |
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[o pecado do excessivo gosto ]
Quando se ama demasiadamente Um livro um texto uma poesia Interpreta se com egoísmo Até os escrúpulos se encobrem Nesta paixão desmedida Toma se para si o que não é seu Reinventa se recria se Após capturas sucessivas À mercê das próprias intuições Amor... desejo Desejo de amor Pode ser... Mas, todo excesso Oculta imperfeição Pecamos por amar...
Criado em: 26/2/2012 12:08
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Re: Faz um poema |
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Foram precisos sete vezes setenta erros crassos
dezenas de sonhos impossíveis dois corações partidos para ver que a raiz do problema eram as retas paralelas relativamente,foram precisos 1.000 arrependimentos, mais a paixão vezes a velocidade da razão ao quadrado precisei fechar colchetes abrir parênteses fracionar sentimentos cauculei bem o Valor do x e o diâmetro das possibilidades e descobri o infinito amor na equação absoluta dos seus olhos significa algo tão grande que não pode ser contado
Criado em: 26/2/2012 20:33
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Re: Faz um poema |
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grandes poemas têm aparecido por aqui, por esta altura penso não estar à altura da corrente, também porque o poema tende a mudar e a simplificar (que quer dizer muita coisa), o meu
--- temos medo deixamos de fora a afinidade política deixamos de fora o real amor o verdadeiro ódio que alguém um dia chamou de estimação como um cão que se alimenta se leva a fazer uma mija e se leva às vacinas dá-se uma festa de vez em quando dizemos dar amor e neste caso seria amar e acalentar o ódio temos medo deixamos de fora da poesia a nossa real espiritualidade deram-nos a entender que poeta não tem religião temos medo deixamos de fora o duro envelhecer a doença e a sua cuspidela crua temos medo mas como o medo atrai trazemos para a poesia a raiz dos nossos medos o sexo a morte o amor a paixão mas apenas palavras e vivemos com elas as palavras temos medo deixamos de fora a percentagem maior de toda a vida só os poetas grandes não deixam que o medo feroz os impeça de serem corajosos e trazem para a poesia se calhar tudo
Criado em: 27/2/2012 11:45
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Re: Faz um poema |
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Ser poeta é estar no fundo dos olhos
esperando a bóia de letras é atirar versos nas vidas de vidro é cultivar loucura em baixo de pedras para alimentar as páginas é plantar-se em descon solos e colher solidão é olhar-se no espelho e ver-se a imagem e semelhança das palavras
Criado em: 27/2/2012 13:03
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Re: Faz um poema |
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Não sou poeta Mas, escrevo minhas Palavras (con )sentidas Imaginação é vida... Sei que uma palavra Veste quem escreve E que insinua outras palavras Que dizem sentimentos Sensações fatos acontecimentos Quando se escreve Quer se dizer alguma coisa Colocar para fora algo Que colhemos dentro de nós Nossas experiências Nossas vivências Nossos sonhos Nossos questionamentos Mas, tudo já existe existiu A originalidade está na Singularidade desta escrita Sou eu És tu É ele... Vestimos nos a nossa maneira Com um tecido doce e leve Às vezes, esvaecido transparente Logo após, forte profundo e espesso Um devir constante... Também há um estranhamento Nas palavras que se escreve Nem sempre elas conseguem dizer O que queremos Nascem os mal entendidos Os conflitos as guerras Mas, também Grita se silenciosamente E transborda se uma ternura Também estranha com jeito de afeto Que tímido surge nas lembranças Sem ser uma entrega Mais parecendo uma presença De ausências... Isso são as palavras Trazem para nós qualquer coisa Mexem com nosso intimo Mas, não são as coisas em si São metáforas... símbolos linguagem Isso é que sei... só isso Não sou poeta...
Criado em: 28/2/2012 10:36
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