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25/1/2006 13:24 De Portugal
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Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edificou, se permaneço ou me desfaço, - não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: - mais nada. *** Naquela nuvem, naquela, mando-te meu pensamento: que Deus se ocupe do vento. Os sonhos foram sonhados, e o padecimento aceito. E onde estás, Amor-Perfeito? Imensos jardins da insônia, de um olhar de despedida deram flor por toda a vida. Ai, de mim que sobrevivo sem o coração no peito. E onde estás, Amor-Perfeito? Longe, longe, atrás do oceano que nos meus olhos se alteia, entre pálpebras de areia... Longe, longe, Deus te guarde sobre o seu lado direito, como eu te guardo do outro, noite e dia, Amor-Perfeito.
Criado em: 10/7/2006 20:56
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