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Fruto caído

Tags:  palmilho estrelas    sobra desalento    solidão glacial  
 
FRUTO CAÍDO

Quebrou-se o alento criador em mim
Sofrido como ramo vergado p'lo vendaval
Palmilho estrelas, procurando luz, caminho sem fim
Passo em silêncio, numa solidão glacial.
E os sonhos que guardei desta viagem
Albergo-os no imaginário,num canto do coração.
Alheio-me da tristeza e dobro-os ainda com coragem
Faço deles o futuro, ou talvez tão só a previsão.
Às vezes me assusta o silêncio, sobra desalento
Fica-me o coração inquieto, triste,
E indolente me fica o pensamento.
Numa impotência afirmando: como me desiludiste!

Hoje, não me sinto senhora de mim
Meu sorriso é forçado sem calor humano
O rio dos meus dias, serpenteia, embrenha-se e perde-se por fim
E as horas quais pássaros de passagem, me levam ao engano.
As minhas lembranças, são junquilhos a perder de vista.
Nas margens da vida, nos meandros da alma
Saltam imagens da memória,são já infinda lista.
E por entre mimos e afagos me abandono e volta a calma.

E do fruto que parecia caído ao chão entristecido
Ainda tem o que quer que seja de triste...
Mas sai do alheamento, o dia está convidativo
E em farrapos de sonhos doces e vagos vai fingindo que existe.

rosafogo

Este poema faz parte da Antologia editada pela Câmara de LOURES em Outubro 2009,chamada
«Viva Outubro» XIV encontro de poesia.




Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira.
Johann Wolfgang Von Goethe



Autor
rosafogo
Autor rosafogo
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Texto
Data 26/09/2009 22:24:32
Leituras 257
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
poesiadeneno
Publicado: 26/09/2009 23:09  Atualizado: 26/09/2009 23:09
Colaborador
Usuário desde: 27/06/2009
Localidade:
Mensagens: 1440
 Re: Fruto caído
rosafogo,


Um poema rico em imagens do passado e do presente/futuro.

Grato por partilhar.


Beijo.

Enviado por Tópico
rosafogo
Publicado: 27/09/2009 00:14  Atualizado: 27/09/2009 00:17
Colaborador
Usuário desde: 28/07/2009
Localidade:
Mensagens: 8901
 Re: Fruto caído
È certo amigo, tenho sempre especial vontade para escrever sobre passado,presente e futuro, este último com um certa desconfiança.

Obrigado pelo apreço
rosa

Enviado por Tópico
Fhatima
Publicado: 27/09/2009 00:19  Atualizado: 27/09/2009 00:19
Colaborador
Usuário desde: 12/02/2008
Localidade: Curitiba - Paraná
Mensagens: 3382
 Re: Fruto caído
Olá Rosafogo,

Um poema rico de sentimento, expressa o passado, e o presente com grande encanto e magia nas palavras.
Gosto de ler-te!

Parabéns amiga!

Um beijinho

Fhatima

Enviado por Tópico
rosafogo
Publicado: 27/09/2009 20:56  Atualizado: 27/09/2009 20:56
Colaborador
Usuário desde: 28/07/2009
Localidade:
Mensagens: 8901
 Re: Fruto caído
Olá Fatinha

Gentil, sempre afável, lindos e saborosos de ler
teus comentários, bem hajas.

Amiga te deixo um beijinho
rosa

Enviado por Tópico
Gyl
Publicado: 27/09/2009 01:30  Atualizado: 27/09/2009 01:32
Colaborador
Usuário desde: 08/08/2009
Localidade: Belo Horizonte
Mensagens: 6685
 Re: Fruto caído
Não acredito que se quebrou o alento criador em você. Não depois de ler mais esse texto rico em rimas, vocábulos rebuscados e verbos fortes. Dotado de uma certa melancolia que chega a angustiar. Mas a arte em si é tudo. belo, belo! Beijos!

Enviado por Tópico
rosafogo
Publicado: 27/09/2009 21:00  Atualizado: 27/09/2009 21:00
Colaborador
Usuário desde: 28/07/2009
Localidade:
Mensagens: 8901
 Re: Fruto caído
Gyl, podes acreditar, ando um pouco cansada, talvez excesso de outros afazeres, era muito bom se me pudesse dedicar só à escrita, mas infelizmente, ainda sou muito solicitada para a
ajuda aos netos.

É sempre bom chegar e encontrar-te agradeço sempre
com um sorriso tuas palavras, me tratas sempre muito bem, obrigado pelo teu apreço

beijo
no coração
rosa

Enviado por Tópico
ÔNIX
Publicado: 27/09/2009 13:45  Atualizado: 27/09/2009 13:46
Colaborador
Usuário desde: 08/09/2009
Localidade: Lisboa
Mensagens: 2608
 Re: Fruto caído
Apesar do sentimento de que revestes os teus poemas, ser de certa forma, melancólico e muitas vezes de uma cor "baça", há uma luz que ilumina as tuas palavras. e me conduz a um nível mais profundo, onde reside a tua essência cristalina.

Gosto da forma como escreves sobre este e outros sentimentos, que nos trazem imagens de um mundo de-formado.

Formas de estar!


Bom Domingo

Matilde D´Ônix

Enviado por Tópico
rosafogo
Publicado: 27/09/2009 21:05  Atualizado: 27/09/2009 21:05
Colaborador
Usuário desde: 28/07/2009
Localidade:
Mensagens: 8901
 Re: Fruto caído
Minha querida Onix

Obrigada pelas tuas palavras, belas, sim na forma como analisas o que escrevo e como te entregas na amizade.
São de alguma nostalgia as palavras que escrevo sim, mas há em mim um forte laço com a Vida, e é apenas
meu jeito de soltar sentimentos.

Um beijinho de muita ternura
rosa

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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