Luso-Poemas
Registre-se agora!     Entrar

Links patrocinados



Menu de poemas

Quem está aqui

165 visitantes online (64 na seção: Poemas e Frases)

Escritores: 3
Leitores: 162

Avelar, JogonSantos, Emmanuelle, mais...

Licença

Licença Creative Commons

Proteção anti-cópia

Protegendo os seus poemas com Tynt

Contos : 

Ele e Ela

 
Ela era linda, um olhar acastanhado, a pele morena pelo sol da aldeia que incide forte nos campos onde Ela costumava levar a comer as ovelhas, o sorriso amarelado que nunca conheceu o sabor de um a pasta de dentes, os cabelos loiros, brilhavam pela montanha abaixo enquanto Ela a subia com os pés descalços.
Ele era bonito, olhar doce e azul como o mar calmo das águas do rio, a pela branca nunca tinha conhecido mais sol do que aquele que lhe entrava pela janela do escritório, o sorriso límpido e aberto, os cabelos atrapalhavam-lhe o olhar de vez enquanto quando o vento os trazia para a frente da face redonda e bela que a sua mãe tanto admirava.
Ela tinha acordado já com o sol a bater-lhe no olhar, cedo se despachou a encaminhar as 30 ovelhas na sua frente rumo ao cimo do monte. Ele acordou tarde, só às 9h é que tinha de estar no escritório, era sempre a monotonia do costume, atender clientes, atender clientes, atender clientes, sorrir, sorrir, sorrir e atender clientes. A essa hora já Ela se sentara no cimo da montanha a desejar que o dia se despachasse a findar.
Quando Ele chegou ao escritório mandaram-no pegar no automóvel da empresa para ir a uma aldeia do interior do país cobrar uma dívida, embora não querendo Ele lá foi com um sorriso no rosto, ar condicionado ligado, afastando-se cada vez mais do litoral e do cheiro a mar. Ela sozinha no cimo do monte assistiu à queda repentina de uma das suas ovelhas monte abaixo, depois juntou o rebanho e sem pressa começou a descer a montanha. Ele desconhecia os caminhos por onde se passeava, estradas estreitas, de terra batida, sempre ladeados pela erva tenra, pelo verde dos campos. Ela vinha devagar, tão devagar que de vez enquanto o sol parecia parar de girar em volta da terra só para a ver passar, até o vento inexistente passava mais rápido que Ela.
Ele perdido no meio dos caminhos, sentado em cima de um rochedo ao lado do carro, esperava que alguém aparecesse para lhe pedir informações. Ela viu o carro e ainda pensou não mais avançar mas depois lembrou-se que só por ali podia conduzir o rebanho. Ele viu-a ao longe e correu estrada acima gritando pela menina. Ela escondeu-se por detrás dos seus cabelos longos e deixou-se corar. Ele perguntou por onde deveria seguir mas Ela que conhecia de cor todos os caminhos desconhecia aquele senhor. Ele deixou-se levar pelo impulso e com o seu lenço branco limpou o rosto à menina, Ela escondeu-se ainda mais e Ele afastou-lhe os cabelos do rosto e deu-lhe um beijo, naqueles lábios que ainda ninguém provara. Ela deixou-se levar pelo sentimento que lhe ardia no peito e deixou-se cair sobre a relva verde enquanto ele a cobria de beijos pelo corpo nu, inocente e puro que nunca havia sido tocado.
O rebanho esperava-a pacientemente no pasto ao lado, a erva ali era tenra, Ela vestiu-se e encaminhou-o à corte quando a tarde já se deitava pelo corpo do homem nu, Ele nem a viu partir e quando este acordou as estrelas já lhe despenteavam o cabelo, pegou no carro e voltou à cidade com um sorriso de orelha a orelha.
Alguns meses depois Ela sabia-se grávida e com o rebanho no pasto recordava a sorriso dele e a sua delicadeza. Ele continuava agarrado ao computador da empresa, Ela era apenas uma recordação…



. façam de conta que eu não estive cá .

Autor
Margarete
Autor
Textos deste autorMais textos
Rss do autorRss do autor
EstatísticasEstatísticas
 
Texto
Data
Leituras 6206
Favoritos 0
Licença Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
Enviar este texto a um amigoEnviar
Imprimir este textoImprimir
Salvar este texto como PDFCriar um pdf
Partilhar
0
0
0
Recentes
o não barulho.
a que dói.
a segunda.
a pequena.
arma dura
Aleatórios
Interrompi-me
Anjo I
sr. absurdo.
Bom dia!
Rua
Favoritos
Um pássaro negro ferido na asa-regresso - Caopoeta
onde se lê esperança deve ler-se agonia: território banal, delimitado e sempre longe. - folhato
requisição 2 - Alexis
linha - sampaiorego
a primeira folha - Caopoeta
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Login

Usuário:

Senha:

Recordar senha



Esqueceu a senha?

Registre-se gratuitamente!

Leia também

Comentários Recentes

Luso Pensamentos

Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)
Posts relacionados, Plugin for WordPress, Blogger...