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Sonata à Três

 
Ele há de lhe enviar flores,
E eu sei, serão quase todos os dias,
Contemplando seu dia com cores,
Em tons de uma possível magia...

Porque ele há de lhe propor uma poesia,
Descrevendo uma lua que beija o mar,
No vai e vem das ondas na maresia,
E neste momento, ele também irá lhe beijar...

Ele há de seguir os seus passos,
Firmando os pés sobre suas pegadas,
E tentará ocupar todos os seus espaços,
No seu dia, sua tarde, sua madrugada...

Ele tentará lhe convencer que é amor,
Mas nem ele sabe se isso é verdade,
Pois o espinho não reconhece a flor,
A mesma flor que sangra pela humanidade...

Porque nenhuma história tem um fim,
Sem que ao menos haja um começo...
E um não nunca depende de um sim,
E não são só pedras que causam um tropeço...

Não só dos tropeços que são causadas as quedas,
E neste momento ele há de perceber,
Que os medos são como estas pedras,
Onde tombas se não puderes ver...

Porque ele faz vistas grossas,
Ao não entender uma simples razão,
Que a vida não é um mar de rosas,
E o amor não se compra com paixão...

E no seu silencio, quiçá ele entenda,
Que palavras reprimidas é o mesmo que calar,
E que o amor quebrado é uma peça que não se emenda,
E o que é emendado é mais fácil de quebrar...

E se, por acaso, eu surgir nesta história,
Não quero ser o anjo improvável do pecado,
Talvez um dejà-vú, no lapso da memória,
Que no passado caminhou ao seu lado...

E que sem querer num olhar cruzado,
Sentiu-se atraído pelo seu próprio destino,
Com um espírito pelo outro apaixonado,
Sem mesmo entender esse desatino...

Porque o futuro não nos pertence,
Mas a minha alma pode reconhecer,
E desta forma ela se convence,
Que tudo será perfeito como você...

E mesmo que ainda eu seja o outro,
Ou mesmo “um outro” no olhar do seu coração,
Navegarei ao rumo do seu porto,
E ancorarei nos teus braços de desilusão...

Pois eu já sei que ele tem me notado,
Então assim lhe cercou de proteção,
Considerando-me um mal aventurado,
Vírus enxertado no seu coração...

Então ele há de lhe enviar flores,
E serão quase todos os dias,
Mas qual delas representa amores?
Qual delas representa picardia?

Se nesta sonata a três, a música ecoa,
Pelas mãos que tocam o instrumento,
Que tem a mesma sensibilidade do pássaro que voa,
Mesmo que esse lute contra o vento...

Lutar, essa é a questão,
Mesmo que assim, haja um derrotado,
Porque o amor sempre escolhe um coração,
E é este coração que será amado...

Dei tantas voltas nesta história,
Só para dizer que lhe quero,
E para que fique na sua memória,
Que mesmo para sempre, lhe espero...

Mesmo que ele lhe cerque e lhe siga,
Mesmo que ele lhe condene com seus beijos,
Eu estarei lhe esperando neste ponto de partida,
Como que se fora meu ultimo desejo...

Mas não fico à espera de promessas,
Tão pouco traçando futuros incertos,
Ou me pondo às avessas,
Ao chorar, quando não está por perto...

Pois um dia eu vou num todo lhe amar,
E não importa quem esteja nos observando,
Quero ouvir o que o coração tem a falar,
E sentir sua pele na minha queimando...


Autor
marco_ramos
Autor marco_ramos
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Texto
Data 08/03/2010 14:53:34
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Enviado por Tópico
SerafimdosSantos
Publicado: 07/07/2010 03:47  Atualizado: 07/07/2010 03:47
Super Participativo
Usuário desde: 04/07/2010
Localidade: Brasil.
Mensagens: 121
 Re: Sonata à Três
Belo texto... e DA-LHE IMORTAL TRICOLOOOOOR!!!

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(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


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O fato é que
Daquilo que me resta
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(TrabisDeMentia)

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