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Era do rádio

Tags:  RADIO    Programas  
 
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Lembro-me que no finalzinho da década de cinqüenta, com mais ou menos oito anos eu ia ouvir rádio na casa de um vizinho que morava aproximadamente cento e vinte metros da nossa casa. Era um rádio de válvulas da marca Semp, um dos primeiros rádios fabricados aqui no Brasil. Não tenho certeza se era brasileiro. Em 1962 meu pai adquiriu um rádio de mesa da marca Pioneer, desses que possuíam uma grande pilha que pesava mais ou menos dez quilos. Na cumeeira de nossa casa foram pregadas duas ripas de aproximadamente oitenta centímetros, uma em cada lado da casa, aí foi amarrada uma antena de arames finos, bem transada. Desta antena descia pelo telhado um fio que chegava ao rádio. Havia outro fio que saía do rádio e descia pelo soalho da casa até ser aterrado no chão que era chamado de fio terra. Este rádio tinha mais ou menos sessenta centímetros de frente, vinte e cinco de lado e trinta e cinco de altura.
A gente ouviu a copa de 62 neste aparelho que era ligado duas ou três horas por dia para que a sua pilha não acabasse tão depressa. Durava em torno de quatro a cinco meses e era caríssima. Neste rádio a gente acompanhava os grandes locutores esportivos do Rádio Paulista e Carioca como Pedro Luiz, Mario Moraes, Fiori Gigliotti, Mauro Pinheiro, Valdir Amaral e muitos outros. Acompanhávamos também as duplas sertanejas como Tonico e Tinoco, Zico e Zeca, José Fortuna e Pitangueira, Pedro Bento e Zé da Estrada, Tibagi e Miltinho, Nenete e Dorinho e muitas outras do gênero. Ouvíamos também Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Miltinho, Emilinha Borba, Angela Maria e muitos outros cantores que faziam sucesso naquela época como o início da carreira de Roberto Carlos e toda a turma da Jovem Guarda. Eu sabia quase que de cor a escalação de todos os principais times do Brasil e principalmente do Estado de São Paulo. Com o evento do transistor, meu pai adquiriu no final deste mesmo ano de 1962 um rádio um pouco menor já tocado com quatro pilhas de farolete. Aí então ouvia-se rádio quase o dia todo. Até as novelas a gente seguia. Lembro-me das rádio-novelas “O homem que deve morrer”, “Três homens sem medo", “O direito de nascer” e muitas outras, mas todas eram patrocinadas pelas "Indústrias Gessy/Lever. Das séries "Juvêncio - O Justiceiro do Sertão" ( com o menino Juquinha) e de "Jerônimo- O herói do sertão"(com o moleque Saci), criaçao de Moisés Weltman. Também me lembro dos Programas da Rádio Bandeirantes, nos domingos de manhã, comandados pelo Capitão Furtado, onde cantavam duplas do Brasil todo. Também para mim são inesquecíveis os Programas “Grande Rodeio Coringa” que era apresentado por Darcy Fagundes e Luiz de Meneses na Rádio Farroupilha de Porto Alegre, todos os domingos às nove horas da noite, os humorísticos PRK-30 e Charutinho, este último na Rádio Record. Ainda recordo dos Programas de Luiz Gonzaga na Rádio Tupy do Rio de Janeiro e também do Programa onde se apresentava a Dupla Jararaca e Ratinho na Rádio Mayrink Veiga do Rio. Em 1963 meu irmão mais velho do que eu adquiriu um rádio portátil, com quatro pilhas médias da marca Semp. Este rádio era levado para todos os lados e até para a roça quando havia jogos à tarde em dias de semana. Em fim para mim o rádio era sempre uma festa no meu tempo de criança no sítio onde eu morava. Dos meus doze aos vinte anos ouvia rádio em média de oito a doze horas por dia, daí em diante com o presença da televisão, com meu trabalho e com o estudo à noite é que parei de ouvir rádio diariamente.

jmd/Maringá, 23.04.10



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João Marino Delize
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
GuiMüller
Publicado: 22/04/2010 18:57  Atualizado: 22/04/2010 18:57
Muito Participativo
Usuário desde: 23/07/2009
Localidade:
Mensagens: 98
 Re: Era do rádio
Uma crônica saudosista muito boa e detalhista. A infância é a parte mais bela da nossa vida, é nela onde tudo é incrível e simples, onde o correr e brincar sãos mais importantes que os deveres de escola. Gostei da sua crônica.

Abraços, Guilherme Fernando Müller

Enviado por Tópico
zésilveiradobrasil
Publicado: 22/04/2010 19:36  Atualizado: 22/04/2010 21:08
Luso de Ouro
Usuário desde: 18/02/2008
Localidade: Niterói (em tupi-guarani = águas escondidas) RJ/Brazil
Mensagens: 13260
 Re: Era do rádio
minha família era recém chegada da zona rural, lá não tinha rede elétrica, viemos para o subúrbio do Rio, meu pai adquiriu um moderno, 'ondas longas, médias e curtas', elétrico, igualmente valvulado, tecnologia da época, ele ainda existe na casa da minha mãe, e funcionando, o rádio ABC onde eu moleque não desprega o ouvido das histórias do Tio Jajão, e nas rádio novelas; O Anjo, e Jerônimo o Herói do sertão, e o futebol. creio que meus únicos interesses.
mas dizendo da sua crônica, um belo saudoso resgate, valorizado sobremaneira pelos detalhes de época.

fraterno abraço, João.

Silveira

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É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



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O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



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muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

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Dor que não se mede
Que vai e vem

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Com a dor vou buscando
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Quando doer que seja
Sem deixar morrer
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Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)
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