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SOBRE UM POEMA DO VINÍCIUS (O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO)

 
"Porque a sua cerveja preta
Era o uísque do patrão..."

(Vinícius de Moraes, O Operário em Construção)


lá vai severino lá vai mané
lá vai zé lá vai zeca
lá vai um brasileiro qualquer
a despencar e cair dos andaimes
lá vai farofa e cachaça
porque sem ela ninguém aguenta
lá vai benedito e rosário a rezar
o seu terço cansado
lá vai santo antônio já desesperado
de não fazer mais milagre
mas inda ontem disseram e falaram
que a coisa ia mudar

"E o operário disse não..."

e o operário conferiu cartão de ponto
mais que salário havia desconto

"E o operário disse não..."

trazendo como arma sua fome
como revólver a foice
já farto de ver os irmãos
despencando dos andaimes
:um jornal cobrindo o rosto
e quatro velas acesas
e nada na previdência

"E o operário disse não..."
com o meu erre se faz reza
e também revolução

___________

júlio (dissecação grosseira do poema épico de Vinícius de Moraes, O Operário em Construção)



Júlio Saraiva

Autor
Julio Saraiva
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Amora
Publicado: 25/04/2010 02:41  Atualizado: 25/04/2010 02:41
Colaborador
Usuário desde: 08/02/2008
Localidade: Brasil
Mensagens: 4600
 Re: SOBRE UM POEMA DO VINÍCIUS (O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO)
Um album inteiro de retratos os seu poema,
de retratos cotidianos que nos parecem sempre alheios.

Dei pra ouvir o Oswaldo Montenegro aqui dentro do seu poema, o operário diria:
"...mas quando eu morrer eu volto da morte, atazano vocês e ainda morro de rir."

Beijo, Júlio.

Enviado por Tópico
Julio Saraiva
Publicado: 25/04/2010 02:44  Atualizado: 25/04/2010 02:44
Colaborador
Usuário desde: 13/10/2007
Localidade: São Paulo- Brasil
Mensagens: 4206
 Re: SOBRE UM POEMA DO VINÍCIUS (O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO) p/Amora
chega uma hora que não dá pra aguentar. e nós, você, eu e todos, que temos arma da poesia. convém que falemos alto pra que o passado não se repita.

beijo, dorinha.

j.

Enviado por Tópico
Vania Lopez
Publicado: 25/04/2010 03:08  Atualizado: 25/04/2010 03:08
Colaborador
Usuário desde: 25/01/2009
Localidade: Pouso Alegre - MG
Mensagens: 16957
 Re: SOBRE UM POEMA DO VINÍCIUS (O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO)
As vozes se apagaram...Eu já daqui me lembrei do Chico Buarque. Belo poema. bj

Enviado por Tópico
Julio Saraiva
Publicado: 25/04/2010 07:15  Atualizado: 25/04/2010 07:16
Colaborador
Usuário desde: 13/10/2007
Localidade: São Paulo- Brasil
Mensagens: 4206
 Re: SOBRE UM POEMA DO VINÍCIUS (O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO)
escrever vaninha me encheu o saco. quero ver futebol. cansei.



beijo,j.

não tou a fim mais de escrever. quero só fumar e dormir.

j.

desculpe.tô com uma depressão terrível, depois da morte da minha mãe.

Enviado por Tópico
Henricabilio
Publicado: 25/04/2010 09:56  Atualizado: 25/04/2010 09:56
Colaborador
Usuário desde: 02/04/2009
Localidade: Caldas da Rainha - Portugal
Mensagens: 6963
 Re: SOBRE UM POEMA DO VINÍCIUS (O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO)
Um poema que é um grito de contestação - tal como o poema de Vinicius.

E a História repete-se a cada passo, pois a todo o instante existe sempre quem nos ofereça: ou aquilo que não podemos ter, ou aquilo que sempre deveríamos possuir.

A Vida não passa de um jogo viciado e nós somos prisioneiros do seu jugo.

Curiosamente aqui em Portugal, hoje comemora-se o Dia da Liberdade!...

Um abraçooo!
Abilio

Enviado por Tópico
Julio Saraiva
Publicado: 25/04/2010 10:05  Atualizado: 25/04/2010 10:07
Colaborador
Usuário desde: 13/10/2007
Localidade: São Paulo- Brasil
Mensagens: 4206
 Re: SOBRE UM POEMA DO VINÍCIUS (O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO)p/Henricabilio
ao lado de Balada do Mangue, foi o melhor poema que vinícius escreveu. e eu digo sem medo de errar pela amizade e pelo tanto que ele ensinou. eu fiz uma versão grosseira de uma obra-prima. que ele me perdoe e generoso que era, sei que já perdoou.

abração,

j.

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A folha

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Insanidade perfeita

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Aquelas,
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Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
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E as levo para as águas intermináveis dos mares
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E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
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E minha alma tenha também partido
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cascata de sonhar-me
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se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
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(RoqueSilveira)


Nós de poesia

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Nas calçadas
Ou as longas estradas
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Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



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(TrabisDeMentia)
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