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O futebol que não temos

 
Benfica – Campeão virtual
(Um género de crónica)


Algo de surreal apoderou-se da minha mente. Ando intrigado se foi um sonho ou um pensamento sabático. Mas partilho-o para que também possam entrar nele:

Domingo 9 de Maio de 2010 – 18 horas

Milhares de pessoas estão prontas para fazer a festa do título de futebol 2009/10. A decisão começa a jogar-se em dois estádios portugueses nos jogos: Benfica – Rio Ave em Lisboa e no Nacional da Madeira – Braga no Funchal. Três pontos separam Benfica e Braga, mas em caso de igualdade de pontos o título será do Braga. Portanto, ao Benfica basta-lhe empatar e ou ambos, o Braga e o Benfica se perderem também será campeão. Certo, aconteça o que acontecer, é que o Braga tem que ganhar ao Nacional que ficará com o lugar na Europa em risco.

Começam os jogos. Benfica – Rio Ave: No primeiro ataque do Rio Ave, há um cruzamento para a área do Benfica e o seu guarda-redes sai dos postes e alivia a bola com um soco. O árbitro interrompe o jogo. Chama o jogador do Benfica e mostra-lhe o vermelho directo. No estádio houve-se um broaaaaa… ninguém percebe o que se passa e rodeiam o árbitro, que esclarece, apontando para a marca da grande penalidade, que houve uma agressão, punida pela Lei, com o cartão vermelho e a consequente marca da grande penalidade. O caos instala-se. O jogador do Rio Ave parte para a bola, remata e golo. Goooolooooooooooooo. Benfica ainda será campeão com os resultados actuais.

Nacional – Braga: O guarda-redes do Nacional ao repor a bola em jogo, num pontapé de baliza, passa a bola ao avançado do Braga, que agradece e entra por a baliza adentro com a bola dominada e faz o primeiro golo do jogo. Escandalosamente. O Braga passa para a frente do marcador e com estes resultados será o novo campeão de futebol em Portugal.

Os jogos continuam. Benfica – Rio Ave: No primeiro remate do Benfica, por Cardozo, à baliza do Rio Ave o árbitro interrompe o jogo. Chama o jogador e mostra-lhe o vermelho directo. Outro vermelho directo? Pernicioso. No estádio houve-se outro broaaaaa – ninguém percebe o que se passa e juram que o jogador não abriu a boca, rodeiam, novamente, o árbitro. Que considera agressão à bola, com um pontapé violento, o que justifica plenamente a acção tomada. O árbitro é soberano!

Nacional – Braga: Nada de novo no resultado. Apenas há a registar um lance polémico dentro da área bracarense com o central – um tal que vai para um clube grande – a cometer grande penalidade que o juiz da partida não considerou.

Benfica – Rio Ave: Na luz continua o resultado de 0-1 e com mais uma expulsão. Agora foi a vez de outro jogador do Benfica, para não variar, ao que parece, por palavras proferidas ao árbitro. A bom ritmo, o treinador é o senhor que se segue. Também por protestos. A nação benfiquista está de cabeça perdida. Há mais um contra-ataque dos visitantes e resulta no segundo golo, com o avançado completamente fora de jogo. Nova crise e nova reunião à volta do árbitro. Este consulta o seu árbitro assistente, não por causa do lance polémico, mas para confirmar se ainda podem expulsar mais um jogador. Segundo as regras, a equipa, ainda poderá jogar com oito jogadores. Depois do guarda-redes, do avançado e de um médio, eis o árbitro escolhe o capitão de equipa. Mais falador e inconformado, que foi poupado à expulsão nos últimos jogos, é o contemplado.
No estádio garantem que aquele árbitro não sairá dali vivo! A Polícia de choque reforça-se. Prevê-se o pior dos piores cenários. Tudo é exagerado e imprevisto. E o jogo acaba com dos minutos de descontos. Depois de tantas paragens apenas dois minutos! E o Braga vai sagrar-se campeão português pela primeira vez!

Nacional – Braga: Jogo nos descontos. Apenas falta o apito do árbitro para confirmar o Braga como o novo campeão de Portugal. O guarda-redes do Braga sai da grande área a gritar com os colegas para que segurem a bola. Faltam um minuto para o fim.
O defesa do Braga atrasa do meio-campo a bola para o seu guarda-redes sem olhar, este adiantado não chega à bola, o central – um tal que vai para um clube grande – olha para o que fez e todos vêem a bola entrar na baliza. Auto-golo! O Braga ao cair do pano cede o empate. Os jogadores ficam estáticos. O árbitro apita para o final do jogo. É o desalento total. O Benfica é campeão com a ajuda do Braga.

É ou não é surreal? Afinal o Benfica depois de campeão virtual confirma-se como o verdadeiro e justíssimo merecedor do troféu. Contra tudo e todos. E é caso para dizer que contra os Deuses e os corruptos.

Foi um sonho ou um pensamento sabático? Mas já que entraram nele digam-me se aconteceu mesmo!

4 de Maio de 2010
Eduardo Montepuez



Eduardo Montepuez
http://montepuez.blogs.sapo.pt/

O meu último livro:

"O Espírito Tuga" - LUA DE MARFIM (2011)


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