Publicidade
Utilidades
Consultar
Outros
Quem está aqui
148 visitantes online ( 44 na seção: Poemas e Frases)
Lusuários: 1
Leitores: 147
KatlellyChrystina,
mais...
Licença
Proteção anti-cópia
|
|
|
Com os olhos pregados no infinito, no mais fundo de si, já revirados, e os bigodes suspensos pelo grito que alvoroça as pombas nos telhados,
e com o céu da boca, se aflito, mesmo à beira do fim, agoniado, e o pêlo sedoso, tão esquisito, de súbito a ficar amarrotado,
na procura apressada de outra vida renascida das sete que viveu, que não vê, não encontra, pois perdida como alma penada lá no céu
dos gatos: foi assim, quase descrente, que vi o gato morto, de repente.
Domingos da Mota
publicado também no blogue http://domingosdamota.blogspot.com |
|
«Entre a taça e o lábio muitas coisas acontecem.»
Páladas de Alexandria
|
|
|
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.
| Enviado por |
Tópico |
| Beija-Flor76 |
Publicado: 29/05/2010 22:32 Atualizado: 29/05/2010 22:32 |
Colaborador   Usuário desde: 23/02/2010 Localidade: PORTUGAL Mensagens: 2097 |
 Re: Elegia para o Gato Morto Muito inteligente este poema. De facto quando as sete vidas se perdem, nada mais há a fazer... Grande abraço poeta.
|
|
|
|
| Enviado por |
Tópico |
| fogomaduro |
Publicado: 30/05/2010 18:02 Atualizado: 30/05/2010 18:02 |
Colaborador   Usuário desde: 06/08/2008 Localidade: Mensagens: 1876 |
 Re: Elegia para o Gato Morto/Re: Beija-Flor76 Caro Poeta,
Obrigado pela leitura e pelo comentário.
DM
|
|
|
|
| Enviado por |
Tópico |
| laroche_l |
Publicado: 30/05/2010 20:39 Atualizado: 30/05/2010 20:39 |
Colaborador   Usuário desde: 26/02/2010 Localidade: Mensagens: 717 |
 Re: Elegia para o Gato Morto Uma metáfora que me vai ficar na memória. Gato indepedência, gato confiança, é essa a minha associação.
|
|
|
|
| Enviado por |
Tópico |
| fogomaduro |
Publicado: 30/05/2010 22:40 Atualizado: 31/05/2010 00:10 |
Colaborador   Usuário desde: 06/08/2008 Localidade: Mensagens: 1876 |
 Re: Elegia para o Gato Morto/Re:Laroche_I Poeta,
Felizmente que os poemas sobre gatos (ou gatas) permitem muitas leituras. Obrigado,
DM
|
|
|
|
| Enviado por |
Tópico |
| Nanda |
Publicado: 30/05/2010 23:01 Atualizado: 30/05/2010 23:01 |
Colaborador   Usuário desde: 14/08/2007 Localidade: Setúbal Mensagens: 11214 |
 Re: Elegia para o Gato Morto Domingos, quando o sopro da vida se esgota... Explêndido! Beijo Nanda
|
|
|
|
| Enviado por |
Tópico |
| fogomaduro |
Publicado: 30/05/2010 23:50 Atualizado: 30/05/2010 23:50 |
Colaborador   Usuário desde: 06/08/2008 Localidade: Mensagens: 1876 |
 Re: Elegia para o Gato Morto/Re:Nanda Cara Nanda,
Obrigado pela gentileza.
DM
|
|
|
|
| Enviado por |
Tópico |
| Margarete |
Publicado: 03/06/2010 10:53 Atualizado: 03/06/2010 10:53 |
Colaborador   Usuário desde: 10/02/2007 Localidade: braga. Mensagens: 1203 |
 Elegia para o Gato Morto ao domingos. sobre gatos recordo dois poetas portugueses. o Mário Cesariny
"Apresentar-te aos deuses e deixar-te entre sombra de pedra e golpe de asa exaltar-te perder-te desconfiar-te seguir-te de helicóptero até casa
dizer-te que te amo amo amo que por ti passo raias e fronteiras que não me chamo mário que me chamo uma coisa que tens nas algibeiras
lançar a bomba onde vens no retrato de dez anos de anjinho nacional e nove de colégio terceiro acto
pôr-te na posição sexual tirar-te todo o bem e todo o mal esquecer-me de ti como do gato"
e o Vasco Gato:
"estive tão longe de ti que não pensei sequer lembrar o teu nome percorri distâncias escuras, estradas imóveis onde circulava o peso sem cor do esquecimento e se curvavam as pedras à boca do destino
vezes houve em que dormi sem estrelas num vazio de astros que me congelava as veias e me amortecia a vida em poços de água que a vida não podia tocar - rondavam os lobos
e contava os dias, riscando a minha loucura nas folhas secas do caminho, escondendo a réstia de sonho entre as raízes ainda vibrantes das árvores rugosas conhecia por vezes o movimento quase imperceptível das grandes estações internas, o estalar da seiva, o tambor duro onde vinha cantar a melancolia
a solidão assustava-me, queimava-me a pele no vermelhíssimo lume das mãos dos mortos quero dizer-te que não mais vi ternura que os meus pés ganharam idade a um ritmo que não pude conter, acompanhar, escrever-te
sim, fiz-me não te escrever para que o meu corpo não ouvisse o vento e as ondas fossem quebrar ao centro dos oceanos para que uma palavra não pousasse no teu rosto e levasse a luz dos teus olhos e a vida nos teus lábios
arranquei de mim a morada que eras tu desisti dos pássaros, afundei barcos, lâminas, apaguei o calor dos porões como se uma vela pudesse perigosamente insistir na permanência desse mundo que era a minha voz, éramos nós
éramos nós, choro sinto no enrolar dos dedos o ínfimo do teu nome a abertura impossível de uma janela de avelãs as avelãs que nos escutavam (lembras-te?) enquanto lá fora, fora de tudo, a neve se abatia sobre o dorso antigo das nossas mães sobre a dor vencida no embalo dos bebés
estive tão longe de ti mas deixa que agora te nomeie entre as nuvens e traga para dentro de mim a pintura das tuas pálpebras o aroma que era o teu corpo nas manhãs a dois deixa que venha morrer junto de ti no ventre do amor que prometemos ao infinito"
sabes domingos gosto de elegias. tenho entre os livros favoritos a "elegia para um caixão vazio" do baptista-bastos. é um reencontro com uma parte de nós que nunca parte.
gosto muito dos teus poemas. beijo, mar.
|
|
|
|
| Enviado por |
Tópico |
| fogomaduro |
Publicado: 03/06/2010 17:43 Atualizado: 03/06/2010 17:44 |
Colaborador   Usuário desde: 06/08/2008 Localidade: Mensagens: 1876 |
 Re: Elegia para o Gato Morto ao domingos./Re: Margarete Cara Margarete,
Obrigado pelos poemas de Mário Cesariny e de Vasco Gato. A propósito de poemas sobre gatos certamente conhece o livro "Assinar a Pele, antologia da poesia contemporânea sobre gatos", organizada por João Luís Barreto Guimarães, edição da Assírio & Alvim, onde estão poemas de vários poetas portugueses como João de Deus, Fernando Pessoa, Irene Lisboa, Jorge de Sena, Sophia, Egito Gonçalves, Cesariny, Eugénio de Andrade, A. O'Neill, Fernando Echevarría, Ruy Belo, António Osório, Luiza Neto Jorge, Vasco Graça Moura, Inês Lourenço, João Miguel Fernandes Jorge, Manuel António Pina, Al Berto, Nuno Júdice, Ana Luísa Amaral, Pedro Paixão, e alguns poetas brasileiros e de outras latitudes e línguas, onde para alguns destes poetas os gatos são mesmo gatos e para outros esses gatos são mesmo gente. Quanto a elegias, também gosto de as ler e de as fazer. E li e tenho o livro que cita de BB (já agora, algumas das suas crónicas na imprensa podem ser lidas no blogue "sorumbático"). Obrigado, mais uma vez pela gentileza do comentário.
DM
|
|
|
|
| Enviado por |
Tópico |
| Alexis |
Publicado: 03/06/2010 11:33 Atualizado: 03/06/2010 11:33 |
Colaborador   Usuário desde: 29/10/2008 Localidade: guimarães Mensagens: 7388 |
 Re: Elegia para o Gato Morto e o gato independente vê-se tão só de repente...
da vida leva-se o amor que se deu e recebeu.senti-lo presente na hora da morte é tão essencial como senti-lo em vida.
quantas vidas serão precisas para se aprender isto?
o teu poema é daqueles que se impregna na mente,no espírito,como um enorme fantasma em tudo real.marcante.
abraço
alex
|
|
|
|
| Enviado por |
Tópico |
| fogomaduro |
Publicado: 03/06/2010 17:49 Atualizado: 03/06/2010 17:49 |
Colaborador   Usuário desde: 06/08/2008 Localidade: Mensagens: 1876 |
 Re: Elegia para o Gato Morto/Re:Alex Cara Alexandra,
Este poema foi dedicado ao passamento (não de um gato, mas de uma gata que ronronava cá em casa, adoeceu, e morreu), e antes de morrer soltou um miar de despedida tão aflito que ainda me ressoa nos ouvidos. Obrigado,
DM
|
|
|
|
|
Login
Texto Aleatório
Comentários Recentes
Recentes no fórum
Luso Pensamentos
Siga-nos
|