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estado terminal

 



não tirem o vento às gaivotas - sampaio rego sou eu


tenho um mundo interminável de pensamentos. mas o meu cosmos está desorganizado. estou zangado comigo – ontem não consegui falar com uma ferida que tenho dentro de mim. sangrou – o sangue desceu-me pelas mãos. queria encontrar um caminho natural para poder abandonar um corpo que sofre de lepra – as palavras. malditas pelo tamanho que tomam dentro deste mundo que habito – trazem dentro de si sentimentos que me fazem chorar. um dia. deixarei o meu corpo depois de morto a um louco que saiba esquartejá-lo – quero que arranque todas as palavras que tenho escondidas neste olhar que nunca sabe calar – dentro daquela caixa de costura haverá uma agulha capaz de coser a minha vida de retalhos – os meus amigos. esses. que apenas quando olho o mar distingo. domarão as palavras que andaram à solta. e ao mar soltarão todas as gaivotas do universo – os outros. raivosos e comidos pelo caruncho que ataca a muleta da língua. morrerão cansados de me ouvir – nesse dia. convidarei todos para o velório da puta da vida. que todos os dias me deixa cansado de ter que me coser com linhas que sendo minhas. não são minhas.
Autor
sampaiorego
Autor sampaiorego
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Texto
Data 26/08/2010 18:50:59
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o que a Bíblia já sabia... - Vania Lopez
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Alexis
Publicado: 26/08/2010 19:37  Atualizado: 26/08/2010 19:37
Colaborador
Usuário desde: 29/10/2008
Localidade: guimarães
Mensagens: 7388
 Re: estado terminal para sampaiorego
gosto sempre de te ler, sampaio.esta vez não foi excepção.
que o teu amor às palavras perdure no tempo,para nosso usufruto,embora possa implicar sofrimento.

abraço,
alex

Enviado por Tópico
sampaiorego
Publicado: 27/08/2010 01:56  Atualizado: 27/08/2010 01:56
Colaborador
Usuário desde: 31/03/2010
Localidade: algures virado para o mar com gaivotas
Mensagens: 972
 Re: estado terminal para sampaiorego
escrevo. e volto a escrever atá sangrar a dor.

obrigado alexis pelo apoio

sampaio(r)ego

Enviado por Tópico
cromeleque
Publicado: 26/08/2010 21:32  Atualizado: 26/08/2010 21:32
Da casa!
Usuário desde: 13/07/2010
Localidade:
Mensagens: 269
 Re: estado terminal
haja linhas.

cumprimentos

Enviado por Tópico
sampaiorego
Publicado: 27/08/2010 01:59  Atualizado: 27/08/2010 01:59
Colaborador
Usuário desde: 31/03/2010
Localidade: algures virado para o mar com gaivotas
Mensagens: 972
 Re: estado terminal
linhas nas palmas da mão tenho muitas. algumas fundas pra caralho - mas a escrita vai escorrer pelo canal da dor

abraço

sampaio(r)ego

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 27/08/2010 01:40  Atualizado: 27/08/2010 01:40
 Re: estado terminal
meu caro sampaio, eu nem sei se a vida é uma puta, ou se é um proxeneta e nós as putas.

grande abraço

Enviado por Tópico
sampaiorego
Publicado: 27/08/2010 02:00  Atualizado: 27/08/2010 02:00
Colaborador
Usuário desde: 31/03/2010
Localidade: algures virado para o mar com gaivotas
Mensagens: 972
 Re: estado terminal
não sei. dentro deste corpo existe de tudo - só ainda não encontrei este filho da puta que me faz doer a escrever

abraço, obrigado pela companhia

sampaio(r)ego

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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