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arma dura

 



. façam de conta que eu não estive cá .








que fazer quando tudo arde. com a sala inacabada. o corpo às voltas e a aflição. não perguntar à consciência quais são os limites da fuga. ir, sem olhar para trás. o destino é morrer. é quando a porta se abre que a cabeça se fecha. já nada pensa, nem a sombra. uma mulher vê-o cruzar a rua, a barriga apertada junto ao cinto das calças. está nua, camisola curta. a mulher respira e chama o filho que conhece então o rosto do pânico e chora. a mulher corre.ele de braços abertos.sempre de braços abertos. descalço.que fazer quando tudo arde. fechar os olhos é subitamente encontrar o teu rosto. deixo cair o corpo no passeio. um pássaro pequeno, vejo, vem ao meu encontro. é o lugar de ver o corpo imóvel. mas onde encontrar a raiz do medo quando o corpo volta por onde fugiu. assim cresce uma árvore ininterrupta. não haver grades no céu nem se ouvir sequer o tempo, talvez a não existência de pequenos pássaros. como vês maior é o precipício e a queda quando o corpo não sabe fugir. se o rosto o dissesse quando regressa, corpo ao colo, pânico no ventre. talvez depois crescesse menos.









Autor
Margarete
Autor Margarete
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Texto
Data 01/09/2010 22:40:59
Leituras 939
Favoritos 2
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a segunda.
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arma dura
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hoje desenhei uma história dentro de mim - sampaiorego
onde se lê esperança deve ler-se agonia: território banal, delimitado e sempre longe. - folhato
requisição 2 - Alexis
linha - sampaiorego
a primeira folha - Caopoeta
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
sampaiorego
Publicado: 02/09/2010 10:56  Atualizado: 02/09/2010 10:56
Colaborador
Usuário desde: 31/03/2010
Localidade: algures virado para o mar com gaivotas
Mensagens: 972
 Re: arma dura
muitas vezes fico distraído com as tuas palavras. mas aqui estou. sempre a ouvir o que tu dizes de ti - sempre dizes muito

beijo

sampaio(r)ego

Enviado por Tópico
cleo
Publicado: 13/09/2010 07:17  Atualizado: 13/09/2010 07:17
Luso de Ouro
Usuário desde: 02/03/2007
Localidade: Queluz
Mensagens: 3925
 Re: arma dura
Não sei se tu se o mestre, mas que dizer da prosa quando ela se ergue, magnífica, perante os nossos olhos deslumbrados?
"Que fazer quando tudo arde?" e as nossas palavras são tão poucas para dizer do que sentimos...
De maneira que nos deixamos ficar, como pássaros inanimados, prostrados sob um chão de malmequeres, incapazes de nos levantar e fazer com que nos ouçam antes que nos julguem mortos e nos cavem uma sepultura com o intuito de nos enterrar ainda vivos.

Um beijo

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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