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Crónicas : 

A minha vizinha

 
Viver em comunidade não é fácil. Há quem nasça com essa vocação e pense no bem-estar geral em simultâneo com o bem-estar individual, podendo até, muitas vezes, pôr o bem-estar da comunidade à frente do seu próprio. Também há quem aprenda a ser assim, muitas vezes influenciado pelos vizinhos que acabam por se tornar amigos. Os problemas surgem quando algum indivíduo, membro dessa comunidade, não o sabe fazer. Nem quer aprender.
Apetece-me falar um bocado do meu prédio. Quer dizer, não do prédio onde eu vivo, mas sim dum prédio imaginário, onde se juntam histórias de mau convívio. Neste prédio, que tanto pode ter apartamentos como utilizadores, há de tudo para todos os gostos.
A minha vizinha acha-se dona do prédio. Então, tudo o que os outros decidam que vá contra a sua opinião, é boicotado por ela. Pode até nem ser nada de especial e ela até pode nem sequer ser afectada pela decisão. Mas se ela não concorda, então não se faz. Mesmo que ela seja a única a estar contra.
Tenho outra vizinha que não mede o que diz. Não tem qualquer pejo em ofender os outros, com ou sem razão. Acha que a qualidade é definida por ela e que, se ela não gosta, os outros também não podem gostar.
Já a vizinha do andar mais acima gosta, basicamente, de embirrar. Se está um dia de sol, ela diz que está de chuva. Se está frio ela diz que tem calor. Abrir as janelas nem por isso que faz corrente de ar. Mas se as deixamos fechadas então falta-lhe o ar.
Quanto à do andar de baixo, é a moralista de serviço. Não quer prejudicar ninguém, todos temos direito a opinião, não vale a pena discutir porque haveremos de chegar a um consenso… Mas, quando lhe pedimos que pague o que deve, faz-se de esquecida.
Subimos mais um andar e encontramos a vizinha que quer ser o centro das atenções. Mal de quem não a mimar com um olá ou uma visita. Anda no elevador para cima e para baixo à procura de quem a veja para poder aparecer. E quando não lhe dizem nada, daqui d’el rei que vem a casa abaixo.
Se descermos um piso, teremos à nossa espera a víbora, aí, perdão que me enganei, neste piso temos a vizinha que só sabe dizer mal. De tudo e de todos. Preferencialmente pelas costas porque, pela frente, diz bem do interlocutor. O que fica sempre bem, como é óbvio.
Estava a esquecer-me da vizinha do último andar. Esta jovem passa por nós no prédio e parece que todos lhe devemos e ninguém lhe paga. Nem um bom dia, nem um pequeno cumprimento. E, se for caso disso, até fecha a porta na cara dos vizinhos.
Já a vizinha do andar térreo defende, com unhas e dentes, que não tem nada a ver com o telhado. Afinal, com tantos andares por cima da casa dela, não faz sentido que lhe estejam a dizer que tem de tratar do telhado.
A vizinha do lado por mais que lhe peçam que tenha cuidado quando leva o lixo à rua, ou quando o cão sai de casa, ela não quer nem saber. Suja as escadas e o elevador com os pingos do lixo ou o cão faz as suas necessidades antes de chegar à rua e quem quiser que limpe.
Poderia continuar a falar-vos das minhas vizinhas. Destas que não sabem nem querem saber como se vive em comunidade. Nestas que vivem no meu prédio, no teu prédio ou até num qualquer site da internet. Porque os casos acima descritos podem-se passar tanto num prédio, como num site, como num emprego. Basta que haja uma comunidade. E pessoas que não a respeitam.
Não é difícil viver com os outros. Difícil é conviver com pessoas como as minhas vizinhas. Se respeitarmos os outros, se aceitarmos que podemos ter opiniões diferentes, se soubermos ouvir, se… quer dizer, no fundo, tantos ses resumem-se a respeito. Pelos outros. E ai sim, se todos se respeitassem e se dessem ao respeito, a vida em comunidade seria bastante mais agradável.


Stone
***********

Pedra Filosofal
O sonho comanda a vida...


http://stoneartportugal.blogs.sapo.pt/

Nota final – as histórias acima são, infelizmente verídicas. No entanto a vizinha a que me refiro tanto pode ser uma senhora como um senhor. Esta crónica não tem destinatário especial nem recado nenhum escondido.
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Pedra Filosofal
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Ledalge
Publicado: 09/11/2010 18:42  Atualizado: 09/11/2010 18:42
Colaborador
Usuário desde: 24/07/2007
Localidade: BRASIL
Mensagens: 6880
 Re: A minha vizinha
Concordo plenamente, Magda, se cada um fizer a sua parte tudo ficará bem. Gostei demais de revê-la!

Beijo

Enviado por Tópico
cleo
Publicado: 09/11/2010 19:16  Atualizado: 09/11/2010 19:16
Luso de Ouro
Usuário desde: 02/03/2007
Localidade: Queluz
Mensagens: 3855
 Re: A minha vizinha
A crónica que todos deveriam ler!
Ah grande Magda!!!

5 estrelas, mesmo.

Enviado por Tópico
Avozita
Publicado: 09/11/2010 21:15  Atualizado: 09/11/2010 21:15
Colaborador
Usuário desde: 08/07/2009
Localidade: Casal de Cambra - Lisboa
Mensagens: 4526
 Re: A minha vizinha
Todas as vizinhas daqui, dali,
deste ou daquele lugar, deveriam
ler e saber interpretar, este
espectacular texto, sempre oportuno.

Beijo
Antonieta

Enviado por Tópico
Hisalena
Publicado: 09/11/2010 22:23  Atualizado: 09/11/2010 22:23
Colaborador
Usuário desde: 30/09/2007
Localidade: Leiria
Mensagens: 627
 Re: A minha vizinha
Ai que bom que era que cada vizinha desta vida ficasse na sua janela e fizesse a sua parte! Se todos trabalhassem pelo bem comum a via seria tão mais fácil, a vida tão mais simples e o déficit tão mais pequeno :)
Belo poema... permite-nos toda a espécie de analogias e deixa-nos voar o pensamento.Parabens!

Enviado por Tópico
AntóniodosSantos
Publicado: 27/12/2010 20:28  Atualizado: 27/12/2010 20:37
Colaborador
Usuário desde: 10/12/2008
Localidade: Lisboa
Mensagens: 1001
 Re: A minha vizinha
Minha Querida Amiga

Uma crónica que é uma verdadeira metáfora, da realidade social...
Infelizmente é o egoismo, a falta de respeito pelo próximo, que estarão na base de tanta incompreensão e tanto conflito...

Esperando que em 2011, possa haver mais compreensão e Paz... são os nossos Votos...

Com estima e Amizade
António

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)
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