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PEQUENA HISTÓRIA DE UM NATAL URBANO

 



Júlio Saraiva

na antevéspera do natal
durante uma batida da polícia
no centro velho de sampa
o menino jesus foi preso
fumando uma pedra de crack

- sabe com quem tá falando?!
ele vociferou
- sou o filho de deus
o policial se riu
e aplicou um tapa no rosto
encardido do menino jesus
e mesmo ele sendo menino
o policial
meteu-lhe as algemas nos pulsos

- sou o filho de deus
repetiu o menino jesus na delegacia
o delegado estava bêbado
e mesmo ele sendo menino
mandou que trancassem
o menino jesus numa cela comum
com presos adultos & perigosos

os presos adultos & perigosos
curraram o menino jesus
mesmo ele sendo menino
mesmo ele se dizendo filho de deus

na noite seguinte
para desespero de seus pais
maria & josé - este carpinteiro desempregado
o menino jesus
não apareceu para a missa do galo
onde ele devia nascer de novo

o anjo não pode abrir a faixa
onde se lia
: "Glória in excélsis Deo"
o menino jesus também não esteve presente
à ceia
organizada pela comunidade da
favela de heliópolis

_______________

júlio
Autor
Julio Saraiva
Autor Julio Saraiva
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Texto
Data 18/12/2010 17:59:38
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Karla Bardanza
Publicado: 18/12/2010 18:06  Atualizado: 18/12/2010 18:06
Colaborador
Usuário desde: 24/06/2007
Localidade:
Mensagens: 3455
 Re: PEQUENA HISTÓRIA DE UM NATAL URBANO/para o meu Ju
O que aconteceu com este menino Jesus é a nossa tragédia urbana diária, meu amor.Você fala por todos os meninos que se chamam Jesus ou não e que estão por ai, esperando apenas uma única atitude para que possam renascer.

Te adoro meu poeta.

Karla B

Enviado por Tópico
Julio Saraiva
Publicado: 18/12/2010 18:10  Atualizado: 18/12/2010 18:10
Colaborador
Usuário desde: 13/10/2007
Localidade: São Paulo- Brasil
Mensagens: 4244
 Re: PEQUENA HISTÓRIA DE UM NATAL URBANO/para a minha karla
é um pequeno retrato do que acontece neste país chamado brasil.

beijo, meu amor.

j.

Enviado por Tópico
Nanda
Publicado: 18/12/2010 18:28  Atualizado: 18/12/2010 18:28
Colaborador
Usuário desde: 14/08/2007
Localidade: Setúbal
Mensagens: 11214
 Re: PEQUENA HISTÓRIA DE UM NATAL URBANO
Júlio,
A triste realidade das favelas.
Bj
nanda

Enviado por Tópico
Julio Saraiva
Publicado: 18/12/2010 18:57  Atualizado: 18/12/2010 18:57
Colaborador
Usuário desde: 13/10/2007
Localidade: São Paulo- Brasil
Mensagens: 4244
 Re: PEQUENA HISTÓRIA DE UM NATAL URBANO p/nanda
minha linda,]

isto é um pequeno retrato das grandes cidades do meu país.

beijo,

j.

ps: seu poema já está no blogue.

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 18/12/2010 18:37  Atualizado: 18/12/2010 18:39
 Re: PEQUENA HISTÓRIA DE UM NATAL URBANO p/ Julio Saraiva
desse/s. menino/s-deus/es a caminhar/em por aí...



Abraço, Julio!

Tão triste, quanto certo.(infelizmente, sendo)

Enviado por Tópico
Julio Saraiva
Publicado: 18/12/2010 18:58  Atualizado: 18/12/2010 18:58
Colaborador
Usuário desde: 13/10/2007
Localidade: São Paulo- Brasil
Mensagens: 4244
 Re: PEQUENA HISTÓRIA DE UM NATAL URBANO p/ Julio Saraiva
meu irmão poeta,

bem... você mora em são paulo, sabe como é. já está cansado de ver e ler essas coisas.

abraço,

j.

Enviado por Tópico
Sergio de Sersank
Publicado: 19/12/2010 02:31  Atualizado: 19/12/2010 02:31
Super Participativo
Usuário desde: 13/01/2010
Localidade: Londrina-PR BRasil
Mensagens: 156
 Re: PEQUENA HISTÓRIA DE UM NATAL URBANO
Meu caro Júlio,
Já tinha lido este poema de choque no teu excelente blog
http://currupiao.blogspot.com
que tenho o prazer de estar seguindo. Você escreve com rara maestria.
Lembro-me de ter lido aqui o comentário de um poeta
sobre certo poema de tua lavra, onde ele dizia estranhar o fato de seres, às vezes, pouco comentado.
Realmente, mas tua poesia, na minha opinião, prescinde dessas coisas. Ademais, dizer simplesmente: Gostei! Muito bem. Parabéns! será dizer pouco.
Aqui tem certa preponderância os poemas que falam de "coisa nenhuma". Amores banais, "dores de corno", etc e tal... Os poemas que fazem pensar
não motivam muitos comentários...
A poesia, afinal, é hoje, uma porcaria generalizada. Qual é o editor que se aventura a divulgar poetas novos às expensas de sua empresa?
Só se o poeta pagar antecipadamente, na maioria das vezes... E caro.

Enviado por Tópico
Julio Saraiva
Publicado: 19/12/2010 02:46  Atualizado: 19/12/2010 12:14
Colaborador
Usuário desde: 13/10/2007
Localidade: São Paulo- Brasil
Mensagens: 4244
 Re: PEQUENA HISTÓRIA DE UM NATAL URBANO p/sersank
aqui você só é comentado se comentar. é na base do compadrismo, entende? eu não compactuo da política imbecil do é-dando-que-se-recebe. aqui tem neguinho comentando até bula de remédio. eu só comento o que gosto e quem gosto.e atualmente isso está sendo muito difícil aqui.o nível é muito ruim. mas há´poetas excelentes no meio de tanta mediocridade.há poetas do porte de domingos da mota, arfemo, nanda,antónia ruivo, roque silveira, rosafogo, carlos teixeira luís, alexis, conceição b, aske - uma revelação - e alguns outros.mas perto do que há aqui,isso é muito pouco. não vou falar da karla por motivos óbvios e para não ser cabotino.este meu poema é bom demais pra este bando de babacas, que adoram os xaroposos poemas de amor e de dor-de-corno.mulher mal-comida e homem mal-resolvido, meu amigo, é foda.sem falar nos arrivistas. quanto a comentários, não me importo com isso.já tenho alguma hostória, como jornalista e como escritor. para receber "que lindo, beijinhos", melhor não receber nada. há dias, um sujeito aqui escreveu um poema tão ruim,dizendo que quem não estiver contente no luso que se mude- claro que ele não escreveu estiver porque tem um português precário. enfim, uma pá de besteiras. o poema muito mal escrito recebeu uma chuva de comentários. meu amigo, pinga oncinha vende mais que champanhe francês.
obrigado pelas suas palavras. forte abraço, sérgio.

j.

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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