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Revolucionário de Gabinete

Tags:  amor    sociedade    revolução    economia  
 
Trancado solitário em seu modesto gabinete, o amargurado economista, convencido de que perdeu seu grande amor por não poder oferecer tudo que ela merecia, mergulhou numa montanha de livros a fim de encontrar a solução para os corações de baixa renda. Uma distribuição de renda mais justa também é garantia de amores sólidos. Sabia que a maior parte dos conflitos tem como causa o dinheiro ou poderiam ser resolvidos facilmente com ele. Analisando a conjuntura econômica, os eventos cíclicos, as crises, a infraestrutura e a superestrutura social, imerso em gráficos e funções ao longo de décadas a fim de encontrar um sistema justo e perfeito, se deu conta, já com a idade avançada e a saúde precária, de que tudo que faltava à economia política era exatamente o que o seu coração recolhia, pois o amor deveria ser a grande mão invisível a guiar produção e distribuição. Todas as formas de sistemas econômicos, dos competitivos aos igualitários, estariam fadados ao fracasso sem esse elemento crucial. Amar leva a felicidade geral. É a garantia de um trabalho de qualidade. É a garantia de se querer trabalhar a favor do próximo. É o remédio da sonegação fiscal e da má aplicação de recursos públicos. No fim da vida projetou um plano que traria felicidade a todos. Onde tudo existisse em abundância e ninguém seria privado de dar uma vida digna a pessoa amada. No futuro, por suas projeções, as pessoas trocariam olhares e dividiriam os bens, não haveria dinheiro, apenas solidariedade e compreensão. E o amor não teria mais classe social.



Rodolfo G. Neves

Esta prosa poética é em homenagem ao meu tio-avô, Benoni Coutinho Neves (ver o blog Diversas Minas de Versos), poeta e economista.
http://diversasminasdeversos.blogspot.com/
Autor
Perseus
Autor Perseus
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Texto
Data 07/06/2011 14:29:09
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Umav
Publicado: 26/08/2011 21:49  Atualizado: 26/08/2011 21:49
Da casa!
Usuário desde: 10/08/2011
Localidade:
Mensagens: 386
 Re: Revolucionário de Gabinete
Dinheiro não é tudo: sólido amor a tudo supera, e nem todo dinheiro do mundo faz diferença se não há. Mas pode ajudar, claro.


Excelente blog do seu tio-avô, hein? Tá difícil atualizar meu blogroll desde que conheci tantos poetas de respeito por aqui...

Enviado por Tópico
Perseus
Publicado: 27/08/2011 04:31  Atualizado: 27/08/2011 04:31
Muito Participativo
Usuário desde: 26/03/2011
Localidade: Olinda, Pernambuco
Mensagens: 97
 Re: Revolucionário de Gabinete
Obrigado pelo comentário, Umav.
Fico feliz que tenha gostado do texto.
Abraços.

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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