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O SOPRO DA "BOA MORTE" ( FICÇÃO CIENTÍFICA )

 
O SOPRO DA "BOA MORTE" ( FICÇÃO CIENTÍFICA )
 
A cidade estava bem tumultuada, era a reunião dos aniversariantes septuagenários, no CLUBE PRINCIPAL.
Uma festa merecida para eles, afinal, a partir daquela data comemorativa dos 70 anos, renasceriam para outra vida...
Todos se juntavam para o grande acontecimento: filhos, netos, bisnetos ( se eles já tivessem ), sobrinhos, primos e apenas um amigo ( a )que fosse muito mais próximo do que os outros. Isso até gerava um desconforto da parte daqueles amigos, que não eram escolhidos para tal momento. A chegada do convite para a festa era aguardada por eles. E quando isso não acontecia, havia uma tristeza estampada na face dos amigos de tantas décadas...
*************************************

A festa era uma tradição desde o século XXII, quando a hecatombe nuclear aconteceu, e a população mundial foi reduzida a dois terços referentes ao século anterior.
As gerações que vieram depois dessa época, sofreram mutações na pele, na cor dos lábios e não possuíam mais cabelos.
A pele era desprovida de pelos, fosse qual fosse a raça, os lábios das crianças tomaram um tom alaranjado e todos eram calvos, meninos e meninas.
Mas os animais eram os que mais sofreram com a nuvem radioativa do planeta: não se reproduziam mais, ficaram estéreis...
As espécies estavam condenadas ao desaparecimento da face da Terra.
Isso agravara a fome mundial, já que os alimentos orgânicos ficaram contaminados por quase um século...
Agora, no século XXIII, a alimentação era totalmente sintética acrescida de vitaminas e proteínas, e a água era descontaminada em usinas próprias para retirada de elementos radioativos.
No mar, não existiam mais peixes, lulas, polvos...
A única predominância de vida marinha, estava nos golfinhos e baleias. Só eles conseguiram sobreviver, depois da radiação espalhada pelo orbe terrestre.
***********************************

Algumas famílias preferiam fazer a festa de seus septuagenários em casa. Todos reunidos para aquele evento tão importante. Mas nos mesmos termos de cada clube municipal:
Apenas familiares e o melhor amigo ou amiga. Era uma coisa única, e cabia apenas a quem interessasse ao aniversariante.

Dois meses antes do aniversariante completar os 70 anos, era premiado com uma viagem dentro dos destinos planejados pela família, que se juntavam para pagar o custeio disso.
E poderia levar um acompanhante consigo.
Quando voltava, a família o recebia bem e davam um almoço de confraternização com as poucas frutas, verduras e legumes que voltaram a ser cultivadas em estufas próprias para isso.

**************************************

Alfredo estava apreensivo, mesmo feliz por estar com a família naquele momento, tão esperado pela vida inteira... Ele havia escolhido sua casa para a festa, e não o clube.
As luzes foram acesas em volta da casa. Os familiares chegavam e sua melhor amiga também.
A música, era a que ele havia escolhido para o momento, o vinho servido para o brinde também. Tudo corria naturalmente...

Depois de muitas homenagens ao aniversariante, e de comerem e beberem à vontade, o bolo foi partido, o brinde fora dado, e todos foram se despedindo com alegria, mas, uma pontinha de tristeza mútua...
Era um sentimento ambíguo.
Alfredo fechou a casa, apagou as luzes, deixando apenas uma luminária que ele acendera em seu quarto, ao lado da cama, em sua mesinha, que anos antes tinha dividido com a esposa. Lembrou-se dela por um momento:
Ela havia feito os 70 anos, um ano antes dele, já havia então migrado para a nova vida... Ele se encontraria com ela certamente...
Fechou os olhos, respirou fundo, agradeceu a vida que levou, as coisas que teve, os amigos que fez, a família que formou.
Em uma oração singela se preparou para dormir.
O sopro de um vento veio pela janela...
Alfredo já dormia para acordar na outra vida, onde acharia à sua espera os entes queridos que foram antes dele...

Ele era mais um septuagenário que cumprira sua missão:
A data do aniversário de 70 anos, era a despedida do mundo, para a vida eterna, como sempre fora para todos naquela nova Terra...

Fátima Abreu



http://fatuquinha.blogspot.com/

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Autor
FátimaAbreu
Autor FátimaAbreu
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Data 18/07/2011 22:09:33
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É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
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Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
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Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
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era um doce caminhar
sem tocar o chão
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em aljôfar...

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se acontecia
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se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

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(TrabisDeMentia)

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