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DESTA COISA

 
Para Antónia Ruivo, minha amiga. Poeta do Alentejo- consagro.

este meu hábito de beber vem de longe
talvez herança do meu avô português
que vi - eu tinha só doze anos - morrer
debaixo das rodas de um caminhão
diziam na infância que eu era menino calado
e tinha manias de morte
meu pai não dizia nada
era professor de matemática
minha mãe me levou ao psiquiatra
ele achou que eu não era louco como a família pensava
aí deu no gosto de eu ser poeta
e sempre achei na puta da minha vida que mulher é tudo
por isso me casei cinco vezes
por isso nunca tive juízo
porque meu pai não dizia nada
tentei me matar duas vezes
nenhuma vingou deu certo
mamãe morreu num janeiro achando que eu era louco
papai que já havia morrido nunca disse nada
mas eu nunca aprendi matemática

______________

júlio


e



Júlio Saraiva

Autor
Julio Saraiva
Autor Julio Saraiva
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Texto
Data 07/11/2011 09:32:44
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melancolia regada a fumo - Amora
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Antónia Ruivo
Publicado: 07/11/2011 09:37  Atualizado: 07/11/2011 09:37
Colaborador
Usuário desde: 08/12/2008
Localidade: Montemor-o-novo
Mensagens: 3909
 Re: DESTA COISA
Olá amigo, gosto de te ler e este poema então tenho um carinho especial por ele, espero que as coisas estejam bem contigo, um beijinho deste lado do mar.

Enviado por Tópico
Yan_Booss
Publicado: 07/11/2011 10:02  Atualizado: 07/11/2011 10:02
Da casa!
Usuário desde: 26/08/2011
Localidade: Brasil-BR (Itinerante)
Mensagens: 359
 Re: DESTA COISA
para todos os hábitos, sejam; beber, escrever, amar e até mesmo morrer precisa-se ter um olhar doce qual puseste aqui neste poema... cumprimento-o poeta.

Yan

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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