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A Branca de Nada

Tags:  conto    betha m. costa  
 

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A Branca de Nada
by Betha Mendonça

Há muito tempo. Tanto tempo que ninguém mais lembra quando, em um povoado tão longe - que as pessoas já nem sabiam como sair de lá - vivia uma jovem chamada Branca.

Tinha a pele torrada pelo sol, olhos castanhos sem brilho e cabelos negros-noites-sem-luar. Devido o trabalho pesado nos milharais suas mãos de dedos miúdos eram duas lixas aos toques. Seus vestidos esfarrapados, de tão remendados davam a idéia que ela estava sempre pronta para uma festa junina. Sem alegria e viço - ar de vela apagada - aparentava mais que seus dezoito anos.

Morava encostada na casa de camponeses que também trabalhavam para o senhor daquele mundão de terras. Como não tinha onde cair viva nem morta e por não saberem seu sobrenome todos a chamavam de Branca de Nada.

Branca podia não ter nada por fora. Mas, como as aparências enganam, a moça tinha muito por dentro: sonhos, criatividade, sensibilidade e inteligência.

De noite enquanto o povo se reunia em volta da fogueira para contar “causos”, no seu cantinho da casa, ela lia os livros que a filha do patrão lhe emprestava. Sim Branca sabia ler: aprendera quando bem menina com sua mãe antes que uma estrela a levasse para o céu.
Numa noite fria - dessas que se sente arrepios na alma sem que se descubra o motivo - um grupo de camponeses insatisfeitos e invejosos de não serem os donos daquelas terras planejaram um incêndio onde matariam o patrão, sua família e se apropriariam de tudo que era seu.

Branca tentou avisar seu Senhor através de sua filha, porém o homem era daquelas pessoas que se acham acima do bem e do mal e desdenhou daquela a que todos desprezavam...

Julgando-a louca mandou que a prendessem em um guarda - tudo distante da casa grande. Lugar tipo sótão, onde se guardam aquelas coisas que não se quer mais e que as lembranças não deixam que se jogue no lixo.

A moça lamentou que o patrão não acreditasse nela e como cada pessoa é dona de seu destino, deixou nas mãos dele o seu e foi cuidar do dela. Com sua inteligência privilegiada e naquele lugar cheio de coisas que uma pessoa lida e criativa como ele podia fazer juntou o que precisava: um cesto grande, cordas, muitos tecidos em velho fogareiro a óleo... Em pouco tempo havia construído um balão rudimentar para partir dali.

Na manhã do dia marcado para a rebelião Branca de Nada levou seu balão para um vale, arrumou tudo com perfeição e quando o ar quente do fogareiro subiu, o balão colorido das mais diferentes estampas muito bem costuradas ia tomando forma. Ao fim da tarde, munida de algumas frutas, água e muita coragem a moça entrou no balão, cortou com um facão a corda que o prendia a terra e alçou os céus.

Ao anoitecer, lá do alto, ela viu o povo camponês com tochas nas mãos incendiar a propriedade do seu antigo patrão e barulhos de tiros que mais pareciam foguetes saudando a sua liberdade. Branca de Nada agora era dona do mundo e se tornara Branca de Tudo, tudo que o com sua força e inteligência seria capaz de conquistar.




♥ Poema & Cia


Autor
Betha Mendonça
Autor Betha Mendonça
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Texto
Data 13/02/2012 15:24:42
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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

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Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



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do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
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dos nossos papos
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em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
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Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

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Dor que não se mede
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Com a dor vou buscando
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Quando doer que seja
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Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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