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ORQUÍDEA A FLOR E O EXEMPLO!

 
 
ORQUÍDEA A FLOR E O EXEMPLO!

Não existe flor mais perfeita do que a orquídea, ela extrapola sua função ornamental quando, em paralelo com suas flores, as raízes e folhas, complementam-lhe a formosura em uma pintura com delineação cubista geometrizando os seus contornos, ora, apontando para o infinito, ora, para o rés-do-chão
Suas flores variam em diversas nuanças, tamanhos, perfumes e... Beleza! Embora pertencendo a uma mesma família elas modifiquem os seus genes diversificando as dádivas recebidas da mãe natureza, em um mostruário cativante e ...Deslumbrante !
Admirar uma flor de orquídea é como o olhar embevecido de uma mãe dirigido a um filho que esteve ausente por algum tempo, ela é tão primorosa que espaça suas produções de pétalas em períodos razoáveis, evitando, dessa forma, ser considerada trivial e oferecida (como se isso lhe fosse possível em virtude de ser portadora de uma performance ímpar)
As maiorias das suas flores apresentam cinco pétalas mais destacáveis tendo ao centro uma parte cônica com uma “fauce” igualmente em forma afunilada.
A orquídea, por fazer parte de uma família numerosa e cheia de diversidade, existe em várias partes do planeta, tendo por habitat, naturais velhas florestas onde medram em madeiras secas a ponto de, por muito tempo, ter sido confundida com trepadeira.
Segundo consta, orquídea não tem espinhos por ser resistente a eles e, como que, se oferecendo às carícias de seus admiradores, sem lesioná-los.
É uma planta muito forte, vencendo todas as intempéries desde que tenha um tempo razoável de aclimatação, mesmo assim, perdura com vida até por dias jogados em pisos de pedras, madeiras, cimento e análogos, parecendo que em seu interior, em simbiose, desfilam a vida e a sobrevivência orquestradas com a esperança de um porvir num xaxim, tronco podre de madeira ou... Um orquidário!
Sou formalmente contra viveiros para pássaros e animais, contudo, sou radicalmente à favor da necessidade de um orquidário em razão dos vegetais, dentre eles a “rainha orquídea”, não se moverem por conta própria, dessa forma, ao serem enclausuradas num viveiro, não estarão sendo escravizadas e, sim... Cuidados! Recebendo carinho, alimento, água e reconhecimento de quem muito gosta delas, além de proteção contra predadores naturais (ou não), lenhadores despreparados e eventuais incêndios que, na certa, toda vida destruiriam.
Não sei quem declamou a rosa como rainha das flores, embora não o conteste veementemente, devo lembrar que, quem o fez, também deveria ter enumerado princesas para as devidas sucessões, lembrando, igualmente, que a rosa é resultante de cuidados especiais em jardins feitos com esmero, ao passo que as orquídeas são guerreiras oriundas das florestas, grutas, serras e matagais, alimentando-se de madeira podre e sedimentos lenhosos.
No meu modesto entender, a orquídea deveria ser conduzida ao trono de rainha das flores, pela sua difícil sobrevivência na natureza e sua beleza sem par, passando a rosa a ser uma florida princesa.
Não sei quanto tempo vive uma orquídea, entretanto, sem sombra de duvida, tenho a convicção de que ela aumenta o meu tempo de vida quando a admiro e manuseio no modesto orquidário de minha casa, que considero como a nossa sala de visitas pela presença harmoniosa e bela das flores, folhas e raízes de tão linda irmã vegetal!

A FLOR E O EXEMPLO

Na aridez das glebas agrestes floresce a sinuosa flor, paramentada com requinte pela mãe natureza que, embora seja pobre naquele ermo, dá para a filha o que pode de si mesmo.
A flor, não tendo como explorar o caule seco e quebradiço amparador de suas raízes retorcidas e esquálidas sedenta de líquidos, ameniza suas formas, como a pedir clemência ao meio circunvizinho e ao "astro-rei", este último, orgulhoso e indiferente pela secura daquele deserto, assim tornado pela sua passagem diária
Mesmo sem ser atendida, a flor continua seu círculo de vida embelezando como pode a áspera vizinhança, satisfazendo-se com as migalhas de orvalho e as inconstantes e cada vez mais esporádicas chuvas.
Sua paupérrima existência ensinou-lhe como sobreviver com o mínimo necessário e, em razão disso, ela nada desperdiça, desde o adubo das raízes e folhas mortas e secas até as acumuladas e fofas fezes de insetos que peregrinam à sua volta.
A cada amanhecer, a flor prepara-se para a próxima canícula fechando o que pode de suas pétalas, e ativando a sudação para diminuir a secura dos raios solares, pacientemente, apronta-se para enfrentar os dissabores do radiante dia, não reclama não se afasta não se entrega!
Com a proximidade da tarde, ela está quase desfalecendo, sua sudação é pastosa e ressequida desenhando arabescos nas folhas de pontas e pecíolos quebradiços, mas... Está feliz! Foi mais um dia vitorioso e um embate firme, desafiante em sua humildade, esbelta e mais bela, além disso, vencera o sol, ele?...Desaparecera no ocaso passando por ela devassador e sugador, mas, apenas passou não a venceu!
Sabe que teve um átimo de ajuda para aquele combate, fornecido pela brisa filtrada dos vapores quentes, pelas ocasionais sombras dos alcantis e pelas raras nuvens passageiras e, com isso, ficou... Agradecida! Tem conhecimento de que o sol fora embora despeitado por não vencê-la tão frágil e mimosa, tão desprotegida em relação as pedreiras e areais domados e sugados por Ele, no entretanto, mesmo assim, fora a vencedora!
Agora... A noite aproxima-se célere e aconchegante, é momento de reabilitar-se em suas reservas de forças para a próxima luta, contudo, também, é hora de meditar...
Na calada da noite e no amainar dos vapores caloríficos, fica "matutando" a razão de sua vida ainda em flor...vida ?, Sim... É isto!
Enquanto se apega a vida Ela, dificilmente, sai do corpo (qualquer corpo) mesmo o de uma simples flor do deserto agreste e desaguado:
Vida é viver e não apenas passagem! É passaporte ao Jardineiro dos Tempos, viajor que conduz quando quer fazer metamorfose, mudas, enxertos ou, simplesmente... Ceifar! Não importando as intempéries, os agentes, locais... Nada importa! Só a vontade do Arquiteto e Criador, se Ele quiser, coloca a flor no infinito junto aos astros e, o sol, naqueles centímetros quadrados da planta em referência.
A cada ser animal ou vegetal fora dada uma vida, existência essa nas condições do presente doado e, ao recebedor, só caberá viver! Seja em que condição for, mas, viver para dar valor a vida até o dia da ceifa, mudança ou outra forma a critério do Jardineiro Celeste.
A flor do campo e do agreste é, em sua origem, a mesma do palácio e vitrines que, por sua vez, é a mesma dos páramos, pântanos e esgotos, não importando a reação que causem aos demais, mesmo que esta reação passe do embevecimento ao asco, da admiração ao desprezo, o que importa é a existência da vida que cada uma tenha para viver e não as emanações e motivações que possam desprender!
A flor citadina sofre o mesmo que a flor paupérrima e não mimada dos desertos e locais agrestes, só que, os impulsos negativos e as ações dirigidas a Elas, são diferentes em extensão e qualidade, todavia, a sobrevivência é a mesma desde que o caminho seja para... Viver!
Quando se tem tudo não se dá valor a nada!
Quando não temos nada, damos valor a tudo e aproveitamos o que podemos na ocasião carente!
A flor da árida, pedrejante e areenta gleba, aproveita o que pode apenas para viver!
Como seria feliz o homem se, ao invés, de procurar as estrelas para conquistá-las andasse à procura das plantas para observá-las e imitá-las! Procurando lutar pela vida e não pela vida fácil, fazendo com que, a cada dia passado, ficasse acrescido de valores e se preparando para o dia seguinte com humildade, tais e qual, a flor do campo, apenas juntando o necessário para o combate seguinte, sempre à espera do Jardineiro e das mudanças que Ele achasse de bom alvitre, isto sem nunca espezinhar o vizinho ou tomar-lhe o lugar e os bens, exemplo esse que, nunca, receberia da recatada flor.

(aa.) S/A/Baracho.
Fone 0(xx)31 3846-6567
Cel.Fabriciano. - MG.
conanbaracho@uol.com.br

 
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S.A.Baracho
 
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