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Axioma

 
Enquanto só jardins vazios os nossos olhos,
Desprovidos de quaisquer futuros,
Plenos de nada e fixos na luz noturna do adverso;
Eu fico.

Em se esperando apenas o minuto seguinte,
Posto que está na mesma incompreensão do ontem;
Calando-se cicatrizes;
Dedicando-se unicamente à dimensão do agora,
Imersos na durabilidade incontestável do dia;
Eu fico.

Enquanto nossos corações ausentes;
Nossos corpos imperfeitos igualmente livres,
Um no outro tatuado;
Nossos íntimos intocados,
Preservados no silêncio do longínquo;
Eu fico.

Pedra, Capim, Sertão insone, Água de doer.


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Amora
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 22/03/2012 13:37  Atualizado: 22/03/2012 13:37
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade: Estoril
Mensagens: 535
 Re: Axioma
Numa primeira leitura parece uma oração...
muito forte e poético este teu poema querida amora.

Beijos

Enviado por Tópico
Amora
Publicado: 19/04/2012 02:16  Atualizado: 19/04/2012 02:16
Colaborador
Usuário desde: 08/02/2008
Localidade: Brasil
Mensagens: 4318
 Re: Axioma p/ Rogério
Que bom que gostou, querido. Obrigada por vir. Beijinho.

Enviado por Tópico
Vania Lopez
Publicado: 23/03/2012 02:11  Atualizado: 23/03/2012 02:11
Colaborador
Usuário desde: 25/01/2009
Localidade: Pouso Alegre - MG
Mensagens: 16197
 Re: Axioma
água de doer...
enquanto o sertão não vira mar,
meu tim anda em coma sem ti.
E tu? abusas em poesia!
Abusada! beijo para depois!
o de agora e o de antes...

Enviado por Tópico
Amora
Publicado: 19/04/2012 02:17  Atualizado: 19/04/2012 02:17
Colaborador
Usuário desde: 08/02/2008
Localidade: Brasil
Mensagens: 4318
 Re: Axioma p/ Vânia
Sim. Água de doer.
Vamos beber?

Tim Tim!

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
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(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)
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