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MarySSantos,
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É a hora da tarde, essa que põe seu sangue nas montanhas.
E nesta hora alguém está sofrendo; uma perde, angustiada, bem neste entardecer o único peito contra o qual se estreitava.
Há algum coração em que o poente Mergulha aquele cume ensangüentado.
O vale já sombreia e se enche de calma. Mas, lá do fundo, vê que se incendeia de rubor a montanha.
A esta hora ponho-me a cantar minha eterna canção atribulada.
Sou eu que estou batendo o cume de escarlate?
Ponho em meu coração a mão e o sinto a verter quando bate.
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Gabriela Mistral, poetisa chilena, Premio Nobel de Literatura, tradução de Ruth Sylvia de Miranda Salles. Imagem do por de sol sobre as geleiras e as montanhas, obtida no parque nacional de Torres del Paine, Patagonia Chilena por Cristiano Burmester.
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