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CERCA Paulo Gondim 05/05/2012
Não me deixes só, antes que me perca Pois que aqui o mal nem é a seca Mas a pouca terra, em tanta terra Pois se há terra, há também a cerca
E como mar que se navega a esmo Não me cobre rota ou destino A terra alheia me faz tão pequenino A terra existe, mas não é minha Ela não dá pão e nem farinha
A mesma terra infértil, morta, Por muito tempo adormecida Vista de longe com olhos fundos Suspiros doídos, profundos De quem até a vida é esquecida
Não me deixes só, antes que me sirvam Como restos aos urubus que se ativam Sobre a carniça fétida da fome Nessa terra, poucas espigas se cultivam
A chuva escassa foge em sua pressa E na terra seca, a vida logo cessa Mãos ossudas estendem-se no ar Num sinistro grito, sem brecha Mais uma vez a seca, o ciclo se fecha
É assim, sem vida, sem guarida A cerca impede qualquer saída A terra cercada se faz abandono Se tem cerca, também tem dono
E a terra não dividida Em poucas mãos, possuída Se torna estéril, impura E de quem dela precisa Serve apenas como sepultura
Da série, “No Sertão, é assim”
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Paulo Gondim
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| Enviado por |
Tópico |
| Razia |
Publicado: 19/05/2012 23:46 Atualizado: 19/05/2012 23:46 |
Novo Membro   Usuário desde: 26/10/2011 Localidade: Mensagens: 7 |
 Re: A CERCA Que poema maravilhoso... consigo sentir a dor do sertanejo neste teu poema. Lindo mesmo. Abraço.
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