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Hora de partir

 
São horas de partir.

O sol dobra já as colinas do poente.
Os relógios marcam o tempo de dizer adeus.
Faz as malas e despede-te,
como quem se precipita das inadiáveis alturas
de um solitário pontão.

A casa fervilha de inquietas sombras.
Acendem-se lâmpadas frias no cais cinzento.
Os últimos ventos
dançam na penumbra das camas desfeitas.
É tarde para sonhar.

Azedam as horas no lume brando dos ponteiros.
Rangem dobradiças velhas na ferrugem dos portões
que se abatem sobre as rugas de um fôlego derradeiro.
São horas de partir.

O tempo não espera por ninguém.





RUNA
http://seguindooescoardotempo.blogspot.com/

Autor
Runa
Autor Runa
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Texto
Data 13/05/2012 20:43:21
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Favoritos 0
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Felisbela
Publicado: 13/05/2012 20:52  Atualizado: 13/05/2012 20:52
Colaborador
Usuário desde: 10/10/2011
Localidade: Portugal
Mensagens: 5423
 Re: Hora de partir P/ Runa
Belíssimo texto!

A fugacidade da vida não tem volta mesmo!

É preciso perceber quando chega a hora...de partir!

Parabéns!

Abraço poético

Felisbela

Enviado por Tópico
aquazulis
Publicado: 14/05/2012 00:35  Atualizado: 14/05/2012 00:35
Colaborador
Usuário desde: 31/07/2010
Localidade: cascais
Mensagens: 4284
 Re: Hora de partir
Haja quem rasteire esse tempo sempre apressado. Parabéns pelo seu poema.

Enviado por Tópico
danieledallavecchia
Publicado: 15/05/2012 17:43  Atualizado: 15/05/2012 17:43
Da casa!
Usuário desde: 21/08/2011
Localidade: Porto - Portugal
Mensagens: 281
 Re: Hora de partir
Olá, amigo Runa!

É verdade, o "o tempo não espera por ninguém" e "quem sabe faz a hora". Belíssimo poema, com uma reflexão que não passa despercebida do seu sentido mais imediato. Parabéns!

abraços

Enviado por Tópico
Beija-Flor76
Publicado: 15/05/2012 21:29  Atualizado: 15/05/2012 21:29
Colaborador
Usuário desde: 23/02/2010
Localidade: PORTUGAL
Mensagens: 2091
 Re: Hora de partir
Voltei sim caro amigo...a conta-gotas, andei enrredado num romance que sairá em breve.
não tenho vindo muito aqui, a qualidade já não é a mesma de outros tempos e lê-se por cá tanta barbaridade.
Vale-nos poemas como os teus e mais alguns, carregados de sentimentos, talento e garra...poucos o fazem como tu!
Ésempre um balsamo ler-te!
abraço fraterno.

Ps. Já regressei há mais de um ano a Portugal...a casa.

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A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
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Porque o vento é forte
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Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
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Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
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Tempestades

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E as lanço, na singela esperança
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vaga-lume

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(RoqueSilveira)


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(TrabisDeMentia)

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