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[… viajaste no teu inverso à deriva

 
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............................
******************************


viajaste no teu inverso à deriva,
duvidando do fim da primavera quão recolhida era,

queixume que sangrava

quando recolhias as asas dos pássaros mortos em pleno voo,

e de nada te serviam as cores soltas, que,
de tão exuberantes,
persistiam escondidas nos olhos teus,
[dos olhos meus].

Singradura que quiseste esmerilar,
mesmo nesse inverso à deriva,

e,
no dia que regressaste, naquela mansidão cadenciada,
enquanto o dia se desvanecia pelo poente,

o meu olhar aguardava-te.

Nos búzios que recolhi, voltei a ouvir a voz do mar,

[meu amor].



"Floriram por engano as rosas bravas
No inverno:veio o vento desfolha las..."
(Camilo Pessanha)

http://ricardopocinho.blogspot.com/







[“do ciclo, as palavras não têm prazo de validade. “ Riva la filotea. La riva? Sa cal'è c'la riva?” (Está a chegar. A chegar? O que estará a chegar?)]
Autor
Transversal
Autor Transversal
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Data 04/06/2012 04:32:35
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Enviado por Tópico
Nanda
Publicado: 04/06/2012 08:13  Atualizado: 04/06/2012 08:13
Colaborador
Usuário desde: 14/08/2007
Localidade: Setúbal
Mensagens: 11205
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva
Transversal,
É puro encantamento...
Beijo
Nanda

Enviado por Tópico
Transversal
Publicado: 08/06/2012 03:39  Atualizado: 08/06/2012 03:39
Colaborador
Usuário desde: 02/01/2011
Localidade: Xangri-lá
Mensagens: 2343
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva P/Nanda
viajaste no teu inverso à deriva,
duvidando do fim da primavera quão recolhida era

e assim me viajo por entre sargaços e sonhos, e assim me espraio por esse mar jamais navegado, mesmo à deriva.

Poetisa que muito estimo, agradeço-te as palavras, o comentário, o encantamento. Obrigado.

Abraço-te

Enviado por Tópico
apsferreira
Publicado: 04/06/2012 13:04  Atualizado: 04/06/2012 13:04
Colaborador
Usuário desde: 27/12/2009
Localidade: Ponta Delgada - Açôres - Portugal
Mensagens: 1516
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva
Um belo poema.
Intenso.

Enviado por Tópico
Transversal
Publicado: 08/06/2012 03:48  Atualizado: 08/06/2012 03:48
Colaborador
Usuário desde: 02/01/2011
Localidade: Xangri-lá
Mensagens: 2343
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva P/apsferreira
do fim da primavera quão recolhida era,

queixume que sangrava

e como os queixumes sangram como que querendo encurtar as distâncias que têm de ser percorridas, alguns sangram.

Poeta, agradeço-te o comentário, as palavras, pelo belo. Obrigado.

Abraço-te

Enviado por Tópico
jessicaseventeen
Publicado: 04/06/2012 20:48  Atualizado: 04/06/2012 20:48
Colaborador
Usuário desde: 04/09/2011
Localidade: Coimbra, Portugal
Mensagens: 1001
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva
Tão doce e ternurento

Você sabe falar/escrever de amor.

Beijinhos *

Jessica

Enviado por Tópico
Transversal
Publicado: 08/06/2012 03:52  Atualizado: 08/06/2012 03:52
Colaborador
Usuário desde: 02/01/2011
Localidade: Xangri-lá
Mensagens: 2343
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva P/ jessicaseventeen
Querida Poetisa Jessica:

queixume que sangrava

quando recolhias as asas dos pássaros mortos em pleno voo

e como sangram as palavras também antes dos queixumes, do amor se escreve, mas quando é o amor que escreve que se recolham as asas dos pássaros após as migrações.

Poetisa, agradeço-te o olhar, o comentário, as palavras, o doce e ternurento. Obrigado.

Abraço-te.

Enviado por Tópico
VCruz
Publicado: 05/06/2012 00:20  Atualizado: 05/06/2012 00:20
Da casa!
Usuário desde: 08/06/2011
Localidade:
Mensagens: 331
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva
Tenho vindo pouco eu sei...mas, aqui "as palavras não tem prazo de validade". E todas as vezes que venho, saio com a alma em ebulição, como broto que quer romper a terra e espiar o sol...
Um sorriso soprado...
Valéria Cruz

Enviado por Tópico
Transversal
Publicado: 08/06/2012 03:59  Atualizado: 08/06/2012 03:59
Colaborador
Usuário desde: 02/01/2011
Localidade: Xangri-lá
Mensagens: 2343
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva P/ VCruz
recolhias as asas dos pássaros mortos em pleno voo,

e de nada te serviam as cores soltas

que as palavras jamais tenham prazos de validade, no tempo e no espaço, que se fundam com o papel que voem como as aves em liberdade, que naveguem sem destino, que sejam sempre a luz que guia o poeta.

Poetisa, imagino que estejas totalmente recuperada da queda, agradeço-te essa alma em ebulição, as palavras que aqui deixas, o olhar, o sorriso. Obrigado.

Abraço-te

Enviado por Tópico
RAIODESOL
Publicado: 05/06/2012 01:27  Atualizado: 05/06/2012 01:27
Da casa!
Usuário desde: 15/12/2011
Localidade: Olimpia
Mensagens: 440
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva
Um poema que toca o âmago pela doçura e encantamento... "um olhar amoroso, fiel... que aguarda..."

Muito bom! Meus parabéns e obrigada .

Um abraço

Cellina

Enviado por Tópico
Transversal
Publicado: 08/06/2012 04:04  Atualizado: 08/06/2012 04:04
Colaborador
Usuário desde: 02/01/2011
Localidade: Xangri-lá
Mensagens: 2343
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva P/RAIODESOL
as cores soltas, que, de tão exuberantes,

persistiam


e como as cores desejavam a luz do sol em ebulição, e como os olhares ficavam cravados no outro nesta imensidão que se completava com a chegada.

Poetisa, agradeço-te as palavras, o olhar, a doçura, encantamento, os parabéns. Obrigado eu.

Abraço-te

Enviado por Tópico
Vania Lopez
Publicado: 05/06/2012 02:39  Atualizado: 05/06/2012 02:39
Colaborador
Usuário desde: 25/01/2009
Localidade: Pouso Alegre - MG
Mensagens: 14687
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva
Um olhar fiel a pétala.
Realmente as palavras aqui não têm
prazo de validade, tem imensidão!
beijo do beijo

Enviado por Tópico
Transversal
Publicado: 08/06/2012 04:08  Atualizado: 08/06/2012 04:08
Colaborador
Usuário desde: 02/01/2011
Localidade: Xangri-lá
Mensagens: 2343
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva P/Vania Lopez
persistiam escondidas nos olhos teus,
[dos olhos meus].

Singradura

e nos olhares que singram mar afora mais longe que o horizonte quase em linha recta, algumas palavras restam em sossego, quase adormecidas, esperando que o sol as aqueça, as faça regressar, prazos de validade jamais terão.

Poetisa que admiro, agradeço-te o olhar, o beijo do beijo, a imensidão. Obrigado.

Abraço-te

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 05/06/2012 03:57  Atualizado: 05/11/2012 02:39
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva
parabéns.

Enviado por Tópico
Transversal
Publicado: 08/06/2012 04:13  Atualizado: 08/06/2012 04:13
Colaborador
Usuário desde: 02/01/2011
Localidade: Xangri-lá
Mensagens: 2343
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva P/maresias
quiseste esmerilar,
mesmo nesse inverso à deriva,

no dia que regressaste,

e como se esmerilaram as palavras mesmo aquelas desconhecidas que estavam adormecidas, mesmo os sussurros do mar que se ouviam nos búzios se transformavam em suaves cantares...

Poetisa como me agrada ver-te por aqui, agradeço-te as palavras, o belo, os parabéns, o encantamento. Obrigado.

Abraço-te

Enviado por Tópico
aquazulis
Publicado: 05/06/2012 05:53  Atualizado: 05/06/2012 05:53
Colaborador
Usuário desde: 31/07/2010
Localidade: cascais
Mensagens: 4238
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva
Na hora que o amor regressa o mar e a terra unem-se em louvor. Outro poema maravilhoso. Parabéns, caro amigo.

Enviado por Tópico
Transversal
Publicado: 08/06/2012 04:18  Atualizado: 08/06/2012 04:18
Colaborador
Usuário desde: 02/01/2011
Localidade: Xangri-lá
Mensagens: 2343
 Re: [… viajaste no teu inverso à deriva P/aquazulis
no dia que regressaste, naquela mansidão cadenciada,
enquanto o dia se desvanecia pelo poente,

e é nos regressos que se querem partidas novamente, enquanto os dias se desvanecem pelo poente. A preia-mar então, fustiga os barcos ancorados, são avisos que descuramos sempre.

Poeta Amigo, agradeço-te as palavras, o comentário, os parabéns. Obrigado.

Abraço-te

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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