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de partida

 
.



não tirem o vento às gaivotas - sampaio rego sou eu


deitado no tempo
....................pouso os olhos
...................................numa janela acesa de um mar azul gaivota


distal
.......os olhos
................presos a uma braçada de tempo



.........................[color=FFFFFF]................e a mesa fendida sustém a maça



.......................memória


da terra pisada
...............o grito vermelho do inferno
....................................amarra-me às raízes de um pardal que não canta


desamável
..............o silêncio da maça

.........................................dentro de um mar que nunca deixou de ser azul



do caixilho
............o encontro da luz que sai com a luz que entra

..............................eu



.........
descubro o belo e o adeus
Autor
sampaiorego
Autor sampaiorego
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Texto
Data 10/06/2012 21:49:55
Leituras 179
Favoritos 1
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Vania Lopez
Publicado: 10/06/2012 22:42  Atualizado: 10/06/2012 22:42
Colaborador
Usuário desde: 25/01/2009
Localidade: Pouso Alegre - MG
Mensagens: 14672
 Re: de partida
A vontade que tenho é de esconder-me
dentro desse poema, bem assim. bjs querido

Enviado por Tópico
sampaiorego
Publicado: 14/06/2012 17:03  Atualizado: 14/06/2012 17:03
Colaborador
Usuário desde: 31/03/2010
Localidade: algures virado para o mar com gaivotas
Mensagens: 972
 Re: de partida
obrigado vãnia - sempre a fazer companhia

beijo

Enviado por Tópico
Transversal
Publicado: 20/06/2012 21:09  Atualizado: 20/06/2012 21:09
Colaborador
Usuário desde: 02/01/2011
Localidade: Xangri-lá
Mensagens: 2343
 Re: de partida
já tinha lido este texto em tempo, e hoje ao relê-lo
"descubro o belo e o adeus"

"da terra pisada
o encontro da luz
dentro de um mar azul gaivota
nunca deixou de (o) ser, distal o grito vermelho do inferno
(que) sustém a maça,
numa janela acessa
encontro a luz que entra,
desamável(?), o silêncio."

Excelente a construção. Parabéns. Obrigado.

Abraço-te

Enviado por Tópico
sampaiorego
Publicado: 09/07/2012 19:07  Atualizado: 09/07/2012 19:07
Colaborador
Usuário desde: 31/03/2010
Localidade: algures virado para o mar com gaivotas
Mensagens: 972
 Re: de partida
[peço desculpa mas não tinha o texto marcado e não sabia que tinha um comentário]

obrigado pela leitura e comentário

um abraço

sr

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 03/08/2012 20:54  Atualizado: 03/08/2012 20:54
 Re: de partida
Um belo cantar Sampaio aonde o poeta não sai da realidade retratando o adeus como se fosse belo...se calhar em delírio.
Abraços
Luzia

Enviado por Tópico
sampaiorego
Publicado: 04/08/2012 16:20  Atualizado: 04/08/2012 16:20
Colaborador
Usuário desde: 31/03/2010
Localidade: algures virado para o mar com gaivotas
Mensagens: 972
 Re: de partida
sofia mello breyner inspirou-me neste poema – a poeta num dos seus trabalhos escreve sobre uma ânfora. um objecto simples. feito na maior parte das vezes por artesões – feita de matéria prima nascida na terra. redonda. sem principio ou fim. como uma qualquer maça – a janela é o quadro. a tela que divide a vida real onde eu tenho os olhos e o infinito que de tão grande e belo aparece dissimulado de um chamamento quase irresistível. quais sereias do mar de ulisses – e o corpo necessita do belo. e este é apenas arte disponível a partir de um retrato agarrado pelo olhar – entre o ir e o ficar está a dúvida e a janela - obrigado luzia - beijo

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
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Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

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A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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