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Dizes: - “cheiras a incenso!” E eu digo-te que a tua voz exala o odor quente da morfina. E bebo dos teus lábios esse eterno demónio do fingimento, que me leva para o oriente do teu corpo no meu corpo.
A noite traz até ao nosso abismo a fragrância da volúpia que adivinho das tuas mãos. Inspiro-a, golfada após golfada e digo: - “cheiras a morfina!”
E o incenso do meu corpo estala em sulcos que percorres com o mármore dos teus lábios. Estremeço; mas agarras a minha garganta e transbordas em mim a lava da tua malícia de que bebo avidamente.
Estou impregnada do veneno da tua essência; e num abraço violento rasgo em ti a alma para que possa cobrir-nos com ela.
Mas o efeito da morfina já escasseia e o palco da nossa lascívia evapora-se e quando dou por mim, nunca lá estiveste. Mas nas paredes do meu quarto a tua voz ressoa, dizendo: - “Cheiras a incenso!”
6/06/2009
Ana Limão Ferreira
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| PS: Um especial agradecimento ao Caopoeta que me ajudou a dar à luz estas palavras. |
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| Enviado por |
Tópico |
| martisns |
Publicado: 12/06/2012 12:49 Atualizado: 12/06/2012 12:49 |
Colaborador   Usuário desde: 13/07/2010 Localidade: Mensagens: 13376 |
 Re: «Cheiras a incenso!» Um poema que tem um verdadeiro cheiro de uma imensa sabedoria, que encanto
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