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Reflexos de um palhaço

 
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Reflexos de um palhaço


Incrível como nós não damos importância para os pequenos detalhes da vida e vivendo num olhar próximo quase vendado conseguimos ver apenas o que está distante, tomados por essa quase cegueira nem percebemos quando as pessoas estão se aproximando ou se afastando de nós. Até mesmo nosso próprio reflexo passa a ser um estranho invisível e imperceptível.

Um palhacinho olhou num espelho e pensou:

Porque será que eu tenho esse reflexo de palhaço?

Essa cara pintada!

Essa boca grande!

Esse nariz vermelho!

Esse olhar inocente e curioso!

Essa roupa enfeitada e esse cabelo colorido!

Olhou e sorriu dizendo:

- Talvez eu seja o reflexo da alegria e da felicidade!

Olhou profundamente para o reflexo do espelho e falou:

- Vem brincar comigo!

O reflexo ficou confuso com aquela atitude estranha do palhaço o chamando para brincar. Como saber quando um palhaço esta falando sério ou apenas brincando? Logo respondeu:

- Vamos brincar do que?

- Brincar de adivinhar pensamentos.

- Eu só vou brincar, se você prometer que não vai brigar comigo.

- Eu prometo! Mas agora tente adivinhar no que eu estou pensando.

O reflexo saiu do espelho, olhou para o palhacinho como se estivesse olhando para si mesmo e logo eles começaram a brincar. Com a voz bem leve o reflexo falou:

- O pensamento é leve como o vento e com um pequeno sopro da imaginação é levado para longe, corre ligeiro como um raio e tem o dom de fazer os olhos brilharem como pequenas estrelinhas num céu de dúvidas. Você está pensando em brincar como qualquer criança, por isso que me chamou para brincar com você.

A precipitação do reflexo na resposta foi o condutor ideal para levá-lo ao erro. Mas como poderia o reflexo errar o pensamento do seu próprio personagem?

- Você errou! Vem comigo.

Se o reflexo prestasse ao menos um pouquinho de atenção naquele local, saberia que se tratava de um camarim, onde o real perde os sentidos e a arte dá suas primeiras pinceladas de transformação na criação.

O palhacinho atravessou uma cortina escura levando junto seu reflexo e entrou num palco rodeado de espelhos com uma grande plateia à sua espera.
O reflexo nunca tinha visto tanto espaço para brincar, assim imitava todas as ações do palhacinho que atuava olhando para ele e tentando diverti-lo.

Cada espelho possuía um formato totalmente diferente, dando um contorno totalmente diferenciado a cada reflexo, que parecia estar presente naquele palco causando um confronto inevitável de personalidades diferentes.
O palhacinho fazia caretas e cada espelho refletia a imagem à sua própria maneira. Aquela divergência extrema de figuras estranhas fazia com que o publico caísse em gargalhadas. Tantos gestos e uma variação enorme de brincadeiras se multiplicavam naturalmente sem uma pequena pausa.

Foi nesse momento que o verdadeiro reflexo do amigo se sentiu traído e resolveu se retirar do palco. Ficou nítida a reação do público vendo um reflexo deixar o espelho e partir em retirada. A cada espelho que o reflexo passava as imagens se misturavam, até atravessar novamente a cortina rumo ao camarim e voltar ao seu verdadeiro lugar de origem.

O palhacinho se espantou e foram tantas figuras de espanto que o público se assustou. A cena foi espontânea e rápida, pois o palhacinho também saiu correndo do palco, atravessou a cortina e as figuras dos espelhos perderam a vida, também perderam seus reflexos e aquelas personalidades diferentes pararam de existir.

Ele atravessou a cortina totalmente desequilibrado e feroz atrás do seu próprio reflexo. Cego em seu raciocínio e frente a frente ao espelho do camarim passou a discutir com seu próprio reflexo. Nenhuma resposta foi refletida pelo espelho, era como se ele estivesse discutindo sozinho e aquela solidão parecia um abraço fatal do abandono.

O palhacinho olhou para o teto do camarim, onde tinha um grande espelho sem imagem e perguntou:

- Você esta escondido aí?

- Sim! Mas não brigue comigo. Você prometeu!

- Então aparece que eu preciso ver você novamente.

O palhacinho se aproximou do grande espelho que havia no teto do camarim e novamente viu seu reflexo, mas agora muito mais atento aos detalhes, que valorizavam o formato do seu pequeno rosto pintado e logo perguntou:

- Por que você me abandonou no palco?

- É que naquele momento você parecia ser outra pessoa, seus gestos faziam com que seus reflexos fossem diferentes e isso me assustou.

- Eu estava apenas atuando no palco e para isso tenho que assumir a figura de outros personagens. O que você viu no palco foram apenas os reflexos da minha arte de atuar e o que você esta vendo agora é o reflexo da minha arte de viver, que não passa de apenas um garoto solitário e carente de um grande amigo por perto. De hoje em diante usarei apenas um espelho no palco, desta maneira atuaremos juntos em cada cena e em cada detalhe.

Nunca mais o palhacinho atuou sozinho, enquanto ele corre no palco, seu amigo corre no espelho. Será apenas seu reflexo atuando no espelho? Acho que não, pois como poderia ser o seu reflexo, se a cor de suas roupas são diferentes. Tem mistérios que acontecem no palco que só os segredos da arte são capazes de explicar.


Paulo Ribeiro de Alvarenga
Criador de vaga-lumes



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zzipperr
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Enviado por Tópico
belarose
Publicado: 06/09/2012 20:58  Atualizado: 06/09/2012 20:58
Colaborador
Usuário desde: 28/10/2010
Localidade:
Mensagens: 9026
 Re: Reflexos de um palhaço
Tem mistérios que acontecem no palco que só os segredos da arte são capazes de explicar.

Que lindo meu amigo,lindo texto realmente tem mistérios que estão escondidos na arte.

Parabéns pela linda inspiração!


beijos

Enviado por Tópico
Jmattos
Publicado: 06/09/2012 23:34  Atualizado: 06/09/2012 23:34
Colaborador
Usuário desde: 03/09/2012
Localidade:
Mensagens: 9130
 Re: Reflexos de um palhaço
Belo texto!Parabéns pela inspiração!

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A folha

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Porque o vento é forte
E me leva para longe.

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Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
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Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
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E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
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(RoqueSilveira)


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(TrabisDeMentia)
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