Luso-Poemas
Registre-se agora!     Entrar

Links patrocinados



Menu de poemas

Quem está aqui

144 visitantes online (73 na seção: Poemas e Frases)

Escritores: 2
Leitores: 142

D.Sousa, amacsequeira, mais...

Licença

Licença Creative Commons

Proteção anti-cópia

Protegendo os seus poemas com Tynt

Poemas -> Sombrios : 

suicidas declarados do amor …

Tags:  amor    poema    poesia    dor  
 
Ontem
tinha crostas nas costas e nas palmas das mãos
cerradas e as arvores nuas esvoaçam ramos.
Galhos golpeavam planos
em varejo constante em meu olhar...
[chorava]

Ontem a pele,
a pélvica, a dos seios,
a das pernas, a do sexo ali ao fundo da barriga,
a da alma, escorria em sangue chagada e ferida.
[flagelada, tão, mas tão dorida…]

Ontem
o vento lá fora em fustigo,
em brados sistémicos d’inclemência e de terror,
e nós aqui, amado,
enlaços,
fundidos,
moldados ao barro de um instante
“amigos-íntimos”, “quase amantes”,
náuticos mareantes de rios de pedra, no ardor
de sóis, (e)ternos refúgios, cais d’abrigo …

e risos(tantos), risos ternos de crianças…
e logo prantos, suicidas declarados do amor …

Volto agora ao silêncio
ao eco perpétuo da cal branca nas paredes
d’ombreiras tíbias e de redes rotas dependuradas
ao véu tão pálido do vazio:
- enredos d’alma resignados
em apneia de sentidos
ausentes de ti.

Ontem, amado, ontem, se te não vi … morri!



Mel de Carvalho
www.noitedemel.blogs.sapo.pt
www.noitedemel.blogspot.com (só prosa)

MT.ATENÇÃO:CÓPIAS TOTAIS OU PARCIAIS EM BLOGS OU AFINS SÓ C/AUTORIZAÇÃO EXPRESSA

Autor
Mel de Carvalho
Autor
Textos deste autorMais textos
Rss do autorRss do autor
EstatísticasEstatísticas
 
Texto
Data
Leituras 5670
Favoritos 0
Licença Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
Enviar este texto a um amigoEnviar
Imprimir este textoImprimir
Salvar este texto como PDFCriar um pdf
Partilhar
0
0
0
Recentes
ignoro
beijo de Crisfal
O relojoeiro sem tempo
o órgão do mar
"O seu a seu dono ..."
Aleatórios
… no desalento, morri ontem
Do linho alvo, a flor da carne
pestanas do silêncio
Estou de partida
mitologia 1)
Favoritos
Hoje acordei no verde musgo dos teus olhos - VeraCarvalho
Em silêncio escuto o teu dormir - rosamaria
Rios verdes - DanielaPereira
Veias - Alemtagus
Folhetins do Adeus - MariaJoséLimeira
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Vera Sousa
Publicado: 11/04/2008 09:02  Atualizado: 11/04/2008 09:02
Membro de honra
Usuário desde: 04/10/2006
Localidade: Amadora
Mensagens: 4100
 Re: suicidas declarados do amor …
Um poema extremamente triste, com palavras quase sufocantess, mas carregadinho da beleza e qualidade que já nos habituaste!

Um beijo enorme Mel

Enviado por Tópico
Pedro.Pinto
Publicado: 11/04/2008 13:44  Atualizado: 11/04/2008 13:44
Participativo
Usuário desde: 08/03/2007
Localidade: Leiria
Mensagens: 28
 Re: suicidas declarados do amor …
Simplesmente... lindo! É um poema em que me revejo por momentos.

Enviado por Tópico
Julio Saraiva
Publicado: 11/04/2008 13:57  Atualizado: 11/04/2008 14:28
Colaborador
Usuário desde: 13/10/2007
Localidade: São Paulo- Brasil
Mensagens: 4206
 Re: suicidas declarados do amor …p/Mel de Carvalho
"Os amantes se amam cruelmente/e com se amarem tanto não se vêem./Um se beija no outro, refletido./Dois amantes que são? Dois inimigos./Amantes são meninos estragados/ pelo mimo de amar: e não percebem/quanto se pulverizam ao enlaçar-se,/e como o que era mundo volve a nada./Nada, ninguém.Amor, puro fantasma/que os passeia de leve, assim a cobra/se imprime na lembrança de seu trilho./E eles quedam mordidos para sempre./Deixaram de existir, mas o existido/ continua a doer eternamente."

Prezada Mel,

Este soneto branco, de Carlos Drummond de Andrade,chamado Destruição, consta da lista dos poemas que julgo dos mais belos da língua portuguesa. Não é tão conhecido, como outras obras deste magnífico brasileiro, nascido na modesta Itabira, nas Minas
Gerais. Isto que você publicou hoje, 11-04, não fica a dever em nada a Drummond. Obrigado, Poeta do Amor, por mais esta jóia que você nos oferece.

Abraço fraterno,

Júlio

Enviado por Tópico
Liliana Jardim
Publicado: 11/04/2008 15:58  Atualizado: 11/04/2008 15:58
Luso de Ouro
Usuário desde: 08/10/2007
Localidade: Caniço-Madeira
Mensagens: 4152
 Re: suicidas declarados do amor …
De facto muito triste mas lindo, amiga.

Beijinhos

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 11/04/2008 16:11  Atualizado: 11/04/2008 16:11
 Re: suicidas declarados do amor …
Que ontem heim poetisa!
E toda essa dor levamos com a passagem da morte, nas impressões digitais desse amor que sempre estará identificada em nossa alma e nas vidas futuras, são os laços eternos que nos envolve e nos acompanham pela senda redentora.

Amei ler vc bjs

Enviado por Tópico
Mel de Carvalho
Publicado: 11/04/2008 22:16  Atualizado: 11/04/2008 22:16
Colaborador
Usuário desde: 03/03/2007
Localidade: Lisboa/Peniche
Mensagens: 1562
 Re: suicidas declarados do amor … (a tds os amigos)
Agradeço, reconhecida a cada um as vossas palavras que, e uma vez mais, são um lenitivo maior, uma mola que me impulsiona para que prossiga.

Bem hajam pelo tanto
Mel

Login

Usuário:

Senha:

Recordar senha



Esqueceu a senha?

Registre-se gratuitamente!

Leia também

Comentários Recentes

Luso Pensamentos

Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)
Posts relacionados, Plugin for WordPress, Blogger...