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não sinto saudades que as não sei sentir (se te dissesse que as sofro, fingiria)
no cais onde t’aguardo desnuda de vestes outras que não aquelas que me deste um dia rouca e já muda de gritar teu nome olho a vastidão do mar e sinto que não partiste se nunca sequer aqui estiveste
abismo-me balanço-me embrulhada ao ritmo cadenciado do verbo revisito-te humildemente bebo o sal salgado da concha da tua mão bebo-te, biblioteca d’alexandria
descalça desfolho lentamente cada vaga cada asa aberta de cada ave que desaparece e fica em mim
navego-te, amado, neste barco de papel e nele serei de ontem à eternidade somente tua
e o tempo sem tempo passa fundo profundo por dentro de si. |
Mel de Carvalho www.noitedemel.blogs.sapo.pt www.noitedemel.blogspot.com (só prosa)
MT.ATENÇÃO:CÓPIAS TOTAIS OU PARCIAIS EM BLOGS OU AFINS SÓ C/AUTORIZAÇÃO EXPRESSA
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| Enviado por |
Tópico |
| Hisalena |
Publicado: 06/05/2008 23:23 Atualizado: 06/05/2008 23:23 |
Colaborador   Usuário desde: 30/9/2007 Localidade: Leiria Mensagens: 707 |
 Re: não sinto saudades Ás vezes, por estranho que pareça, sentimos saudades de algo que nunca foi nosso, que nunca vivemos, que nunca tivemos... outras não conseguimos sentir saudade de algo que fez parte da nossa vida. Cá por mim se há saudade é porque valeu a pena, pensar ou simplesmente sonhar com algo, mas se não existe saudade é porque nunca valeu a pena. Muito bonito.
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| Enviado por |
Tópico |
| Carlos Ricardo |
Publicado: 07/05/2008 00:08 Atualizado: 07/05/2008 00:08 |
Colaborador   Usuário desde: 28/12/2007 Localidade: Penafiel Mensagens: 1629 |
 Re: não sinto saudades Ai Mel, Mel,
quanta beleza contida ou incontida, sei lá, no teu poema?! Autorize que destaque estes, tanto ou mais singulares que os outros: «no cais onde t’aguardo desnuda de vestes outras que não aquelas que me deste um dia rouca e já muda de gritar teu nome olho a vastidão do mar e sinto que não partiste se nunca sequer aqui estiveste».
Parabéns! Beijo
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| Enviado por |
Tópico |
| Mel de Carvalho |
Publicado: 07/05/2008 21:46 Atualizado: 07/05/2008 21:46 |
Colaborador   Usuário desde: 03/3/2007 Localidade: Lisboa/Peniche Mensagens: 2314 |
 Re: não sinto saudades p/ Hisalena e Carlos Ricardo Bom encontrar eco das minhas palavras em vós, amigos e poetas.
Fraterno abraço, gratíssima, Mel
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| Enviado por |
Tópico |
| Marlene |
Publicado: 11/05/2008 18:34 Atualizado: 11/05/2008 18:34 |
Da casa!   Usuário desde: 08/5/2008 Localidade: Lisboa Mensagens: 376 |
 Re: não sinto saudades Muito bonito este poema. Mostra uma grande sensibilidade e conhecimento. Adorei a referência à biblioteca de Alexandria.
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| Enviado por |
Tópico |
| Mel de Carvalho |
Publicado: 12/05/2008 09:59 Atualizado: 12/05/2008 09:59 |
Colaborador   Usuário desde: 03/3/2007 Localidade: Lisboa/Peniche Mensagens: 2314 |
 Re: não sinto saudades p/ Marlene Marlene, muito grata do seu comentário. Na verdade a grande Biblioteca de Alexandria era, como sabemos, um manacial imensurável de saberes e de emoções para quem se "atrevia" a explorá-la. Assim concebo o amor: descoberta constante e, acima de todas as coisas, o combustível do Mundo.
Um abraço maior Mel
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