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Migração

 
1.

Em voo lentos,
as sombras ferem nostálgicas,
açoitam as flores sós.
O Outono teme o frio
e os campos murcham,
tornam-se amargos
os músculos,
cansados de serem apenas
o esgar de uma magra colheita
- que a dó ceifam
com ancinhos da idade.

Os homens ignoram a sementeira,
abandonam as trincheiras pobres
e partem no pólen do momento,
em busca da terra nova
... asfaltada de fatídicos destinos.
Tinham na carne
uma rosa-dos-ventos selvagem,
nos planaltos estendem-se
lençóis de lágrimas
no pranto de uma flor
que se despede em mimos de amante.
- o rumo é além.

2.

... Junto ao tempo
ficam os mais débeis
que a migração não anuiu, olvidados
até que sonâmbulos se trucidam
e morram!
Para trás, o silêncio crispado
na boca de um petiz
que grita baixinho
no aceno de uma sedução
numa oração sem anjos.

3.

Partem!
Sem brilho,
de olhar preso ao azul.
Agradecem aos céus
quanta ingratidão a terra deu
e no imo da noite,
Deus dormita-os em seus braços.

4.

À cidade chegam homens em cardume
como núvens fora da jaula
na peugada de um Sol cobarde.
Têm gravado nas faces,
sinais camponeses, da cor do centeio
que se ceifa com as mãos afiadas,
em epidermos de uma fome,
míngua voraz...

Vêm sedentos da sorte
que as colheitas lhes negaram
à idade...
trazem medos calados nas axilas,
suam-nos disfarçados.
Ladeando os corpos virgens,
as avenidas espantam os enamorados
com máscaras de cinismo
e maldades que são crime.

5.

Vêm de muito longe
na plena desarmonia
singelamente,
sem discursos nem oradores...

6.

Entretanto, nos campos
há mulheres plantando a vida,
como se homens fossem.
Pela matina chove,
as fêmeas saem à jorna
e suam no ventre
a subitez de um filho sem pai.
... pela brancura dos bosques
circulam algumas
lavrando outros dias
nas gaivas de um poço
que à sua porta nasceu,
onde antes era insónia vulgar.

7.

É a mão de uma mãe
quem fecunda os pardos verdes,
e torna grávidos os grãos
se sémen dormentes.

Na tribo contam-se os ausentes
à volta de um braseiro
que os mais pequenitos avivam de gemidos
ouvidos jorrar saudosos...
Ousados homens que não voltam
ao sorriso das crias
- são tabu sem tóten.

8.

... Mas a seara vingará sózinha,
entre o joio do Inverno
e o piar de uma criança
que hoje labuta o gesto
num desejo que anseia florir.
Um dia os trigais serão fiéis,
filhos do mesmo arado
em que souberam amar o fruto!

9.

Na maquinal geometria do tráfego
o vício do fácil habitar
continua cobrindo o sono
dos que chegam,
na senda de uma tradição
que se sabe mortal...
é o habitar sem dor,
ou o final de nada serem,
desilusão.

10.

Nos campos pobres,
os velhos falecem na idade,
e na citadina secura dos luares
os homens envelheçem mortos
no ruído da lembrança.
... nas mãos trémulas
uma foto de rostos molhados,
de tantas saudades chorar
o cheiro da terra pura
e o riso dos campos verves
onde um dia foram vivos!






http://lampejosmorenos.blogspot.com/

Autor
José António Antunes
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É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



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(TrabisDeMentia)
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