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MAGOADO PELO AMOR

 
MAGOADO PELO AMOR

Choro no papel as lágrimas minhas,
Pois não vejo onde mais poder chorá-las.
O meu coração na tua mão tinhas...
Mas com o fero silêncio que calas,
O meu sentimento assim enfarinhas,
Das dúvidas nas indigestas valas
Sinto que o abandonas moribundo...
E, na mão ainda tens o meu mundo.

A nada podes o meu amor pesar,
Esta certeza com fé te garanto;
O meu amor por ti consegue ousar
Até o profanar do sacrossanto;
É o sabor que no sonho vem pousar,
Este sonho que fabrica o espanto.
Só tu não sentes esta maravilha
Que no meu peito para ti fervilha.

Do meu peito não vês as dores,
Nem notas o seu dulcíssimo canto;
Poderás não pisar as suas flores,
De não virar seu doce riso em pranto?
Poderás notar estas ricas cores
Que embelezam este aprazível manto,
Manto de amores que no peito levo,
E das paixões que pra ti eu escrevo?

De emoção na minha alma há torrente,
Lavas que me incendeiam de paixão
E que levam na sua lesta corrente
O amor que por ti me há no coração,
E que me espalham no sangue fremente
Essa louca chama de excitação,
Que faz a minha alma, logo ao te ver,
Dentro de mim não poder se conter.

Há mil coisas que dizer te queria,
Mas, melaço, tudo isso vou guardar
Cá no fundo, onde não há a luz do dia,
Onde não consegue o vento soprar,
Onde está a pálida e triste alegria
Dos ais que me estão a devorar.
Não vou te dizer mais nada, querida,
Mesmo ficando com a alma dorida.

Sinto que não queres o meu amor
Pois, vê-lo, mas maltratá-lo preferes;
Sinto que sentes um brando sabor
Quando este meu louco sonho tu feres;
Sabes como fazes em mim a dor,
E até parece que é isso que queres.
Força!, continua a me maltratar,
Talvez possa a minha dor acabar.

Já fiquei tão gordo de não saber
O que sentes na verdade por mim,
Ignorância cruel que faz doer
O meu coração de modo ruim.
Tem piedade, pois estou a sofrer,
Nada te pedi mais que um não ou sim.
Atende-me o clamor, apaga-me as dúvidas,
Pois de confidência tu tens-me dívidas.

Estás cega de não quereres ver
Que tenho tanto amor pra te dar,
Não queres ver que me fazes sofrer
Com isso do meu amor duvidar.
Não vês que me fazes arrepender,
Querer conseguir desapaixonar?
Queria abrir pra ti o meu coração
Pra veres o que me vai na emoção.

Sinto a alma apertada pela recusa
De não me fazeres ver o que sentes;
A minha vida na tua é reclusa,
E isso de saber me impede se mentes
Quando pretendes que do silêncio usa
Aquilo que não sai de entre teus dentes.
Se me amas como queres pretender,
Por quê nada me consegues dizer?

Por mais que não consegues te expressar
Para não adulterar teu coração,
Há tantos verbos que podes usar
Para dar a luz à tua emoção,
Mas teimas em da fala não tomar
Para exprimir a tua sensação
De te saberes por mim tão amada,
Teimas em ficar pra sempre calada.

Agora, digo: Força, vai avante,
Não pára, continua a machucar,
Não reduza a mecha nem um instante
Vai té onde a tua força alcançar.
Vai, continua a moer este amante
Que só errou ao teu amor tomar.
Vai, continua a moer-me a paixão,
Não me desejas ter numa caixão?


Marinho de Pina



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[size=small]Se te comentei, subentenda-se que gostei do texto, logo não preciso dizer que gostei.

Se não te comentei, possívelmente não te li, ou então não sei dizer nada sobre...

 
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Marinheski
 
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 03/04/2007 16:55  Atualizado: 03/04/2007 16:55
 Re: MAGOADO PELO AMOR
Amigo poeta, gostei de sua composições em oitavas camonianas. Muito bem composto, com disposição de rimas inteligentes, com um conteúdo muito bom. Parabéns, godi.
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