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é no silêncio

Tags:  noite    silêncio  
 
é no silêncio
do teu olhar gelado
que me dispo
peça a peça
camada sobre camada, sobreposta,
em gestos títeres
de boneca vidrada a porcelana fina.

é no silêncio dum palco mal iluminado
p’la lua madrugada ali ao lado no umbigo escuro do rio
que me deito, em cama áspera e nua,
nos lençóis do teu caminho…
indefesa, desarmada,
pagã em espera.

e tu chegas, como punhal icónico
rasgando a terra…

envolvo-me na ternura que me resta
recubro-me aos flumes vagos de desalento
afasto negrititudes ao pensamento,

… suspiro lágrimas exangue,
ébria p’lo pó de ilusórias estrelas cadentes,
e pinto de sonhos o cinzento das paredes expostas
às intempéries em cores aquosas de claras aguarelas,

… e, no silêncio,
me entrego em magrezas de palavras
e desejos escarlates d’abismos siderais.

em monocórdico gemido,
à mó empedernida dum moinho de vento
sem albas velas,
abro, uma a uma, pernas às palavras,
enquanto mutilo braços d’asas
à levitação plena da alma …

é no silêncio que tu te escusas
de ler um volume antigo,
papiro originário onde registo, um a um,
cada momento,
da meteorologia angustiosa e triste
dos meus mais íntimos sinais.

[…e no silêncio …concluo que não sei sequer
se quero ou sei, voar mais... um pouco mais,
ou se, diminuta ... desisto.]



Mel de Carvalho
www.noitedemel.blogs.sapo.pt
www.noitedemel.blogspot.com (só prosa)

MT.ATENÇÃO:CÓPIAS TOTAIS OU PARCIAIS EM BLOGS OU AFINS SÓ C/AUTORIZAÇÃO EXPRESSA

Autor
Mel de Carvalho
Autor Mel de Carvalho
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Texto
Data 08/09/2008 15:51:24
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
n_era
Publicado: 08/09/2008 17:41  Atualizado: 08/09/2008 17:41
Participativo
Usuário desde: 07/09/2008
Localidade:
Mensagens: 20
 Re: é no silêncio
Só no silêncio as coisas podem valer a pena.

Muito bonito o poema!

xD

Enviado por Tópico
Nanda
Publicado: 08/09/2008 17:49  Atualizado: 08/09/2008 17:49
Colaborador
Usuário desde: 14/08/2007
Localidade: Setúbal
Mensagens: 11231
 Re: é no silêncio
Melzinha,
Triste mas muito melodioso.
Beijinhos
Nanda

Enviado por Tópico
Mel de Carvalho
Publicado: 08/09/2008 18:42  Atualizado: 08/09/2008 18:42
Colaborador
Usuário desde: 03/03/2007
Localidade: Lisboa/Peniche
Mensagens: 1563
 Re: é no silêncio p/ N_Era e Nanda
A ambas o meu obrigada maior.

Beijo da Mel

Enviado por Tópico
Liliana Jardim
Publicado: 08/09/2008 18:58  Atualizado: 08/09/2008 18:58
Colaborador
Usuário desde: 08/10/2007
Localidade: Caniço-Madeira
Mensagens: 3971
 Re: é no silêncio
Soberbo como sempre, minha amiga
Um pouco triste...

[…e no silêncio …concluo que não sei sequer
se quero ou sei, voar, mais... um pouco mais,
ou se, diminuta ... desisto.]

Beijinhos Mel
Tudo de bom para ti

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 08/09/2008 19:08  Atualizado: 08/09/2008 19:08
 Re: é no silêncio
Gostei bastante do que li aqui...
Um silêncio que nos leva por caminhos flutuantes...

"envolvo-me na ternura que me resta
recubro-me aos flumes vagos de desalento
afasto negrititudes ao pensamento,"


Beijos
Dolores

Enviado por Tópico
VónyFerreira
Publicado: 08/09/2008 20:13  Atualizado: 08/09/2008 20:13
Colaborador
Usuário desde: 14/05/2008
Localidade: Leiria
Mensagens: 15054
 Re: é no silêncio
O mais belo poema que tive oportunidade de ler nestes últimos tempos.
Adorei, Mel. Parabéns e um beijo
Vóny Ferreira

Enviado por Tópico
Mel de Carvalho
Publicado: 08/09/2008 22:50  Atualizado: 08/09/2008 22:50
Colaborador
Usuário desde: 03/03/2007
Localidade: Lisboa/Peniche
Mensagens: 1563
 Re: é no silêncio p/ Dolores, Vony, Liliana Maciel e demais
a todos vos agradeço o estímulo das vossas palavras.
Abraço da Mel

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(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
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Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
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Da minha própria loucura
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(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
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Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
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em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
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(gera)



Só saudade

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Dor que não se mede
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(amasol)



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Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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