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ABANDONO

 
Dentro de mim houve um dia,
Repleto de áurea alegria,
Um outro eu que hoje mora
Distante, pois foi embora
Perdido em melancolia.
Ficou tão somente a saudade
Que desde a mais tenra idade,
Covarde lhe perseguia.

E como foi isso? Ora, pois!

Foi sem dizer aonde ia
Numa noite em que chovia
À cântaros; Que maçada:
Sozinho na madrugada
Partiu frente à ventania
Deixando no abandono
O peito que era dono
Daquele um que partia.

E o que levou consigo?

Levou a fotografia
D’um riso que pertencia
A um passado distante,
Uma graça emigrante
Que lhe fugira da vida
Fazendo entristecida
Sua doce fantasia.

Não havia outra saída?

Não. De fato não havia.
Era triste em demasia.
Como ave que não voa,
Harmonia que destoa,
Quimera que não pode ser.
No tal amor queria crer.
Infelizmente já não cria.



Frederico Salvo.








Direitos efetivos sobre a obra.
http://pistasdemimmesmo.blogspot.com/

Autor
FredericoSalvo
Autor FredericoSalvo
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Texto
Data 15/10/2008 02:49:43
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Fhatima
Publicado: 15/10/2008 03:09  Atualizado: 15/10/2008 03:09
Colaborador
Usuário desde: 12/02/2008
Localidade: Curitiba - Paraná
Mensagens: 3382
 Re: ABANDONO
Olá Frederico!

Tua poesia apesar de triste traz uma conotação do amor singelo que partiu!

Parabéns!

Fhatima

Enviado por Tópico
VónyFerreira
Publicado: 15/10/2008 14:45  Atualizado: 15/10/2008 14:45
Colaborador
Usuário desde: 14/05/2008
Localidade: Leiria
Mensagens: 14963
 Re: ABANDONO
Há neste teu poema, Frederico, um misto de tristeza e ironia. Tive esse percepção mas posso estar de facto enganada. Só o saberás tu quando escreveste o que sentias.
Gostei.
Abraço.
Vóny Ferreira

Enviado por Tópico
GlóriaSalles
Publicado: 17/10/2008 23:10  Atualizado: 17/10/2008 23:10
Colaborador
Usuário desde: 28/07/2008
Localidade: Flórida Pta-SP
Mensagens: 2555
 Re: ABANDONO
Fred...

"Não havia outra saída?

Não. De fato não havia.
Era triste em demasia.
Como ave que não voa,
Harmonia que destoa,
Quimera que não pode ser.
No tal amor queria crer.
Infelizmente já não cria."

Poema triste, despedida, dor.
Mas nas entrelinhas, implicita uma certa ironia...
É muito prazeroso e intrigante ler seus poemas.

Bjos
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 22/07/2010 12:48  Atualizado: 22/07/2010 12:49
 Re: ABANDONO
Frederico,
estou a ler com muita atenção suas escritas,tão envolvente, não da vontade de parar de ler,
"Não havia outra saida", começei a ler e amei, e vou continuar...rsrs
muita paz para vc
Pastora
Ana Vidal

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É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
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E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

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sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

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Como posso explicar
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Que és a mentira
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Frase

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(TrabisDeMentia)

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