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Estúdio Raposa/ Lugar aos Outros 100/Ibernise

Tags:  poemas    Luis Gaspar    declamados  
 

 


Leitura do Programa número 100. Locução de Luis Gaspar.

INDICATIVO

Ibernise é a poeta brasileira, de cujas palavras, vamos usufruir neste programa.


MÚSICA


Como já referi por várias vezes, é enorme a distância entre a informação biográfica que me chega dos autores que disponibilizam o seu trabalho para o Lugar aos Outros. Numa ponta quem resume a sua biografia a meia-dúzia de palavras; na outra, um longo texto. Ibernise, cabe neste segundo grupo. A sua vida, a sua biografia chega-me bem recheada de eventos, episódios e sucessos.


MÚSICA


Ibernise, desde os 13 anos, idade em que se casou, repito, Ibernize casou aos 13 anos, depois de abandonar a escola e até aos dias de hoje, em que é avó, tem uma longa história de trabalho e sucesso que, estou em crer, lhe terá dado bom e extenso estofo para a sua escrita que tem sido divulgada em numerosas publicações.
Escrita, que constitui, desde sempre um dos seus passatempos favorotos.
Durante a primeira fase da suas vida, e sobretudo depois do segundo casamento aos 24 e do regresso à escola, segue uma careir ligada à engenharia agrícola.


MÚSICA


Nesta área, a da agricultura, ocupa os mais altos cargos, depois dos quais passa a dedicar-se à Educação.
Em 1998 aposenta-se de todos os lugares públicos ligados à Agricultura e Educação e passa a dedicar-se à assessoria de projectos ligados às artes e letras.
Num abrir da sua vida privada diz:
Gosto de viajar, ouvir música (banda favorita- Scorpions), assistir a filmes e shows, de ir a minha praia (Litoral da Paraíba), onde tenho grandes amigos e as mais lindas e ternas lembranças.
Gosto muito, muito,de me reunir com meus familiares e meus amigos. Amo estar com meus filhos e netos. Gosto muito de escrever, ler, dançar, descobrir e fazer coisas novas. Estou ensinando meus netos a jogar xadrez e eles já estão dando xeque-mate…


MÚSICA


Mas, Ibernise acaba por confessar que o seu passatempo favorito, é escrever poesia…
Participou em antologias nacionais e internacionais, tem e-books publicados disponíveis com download gratuito; tem dois e-books no prelo. Tem, ainda, três livros interativos publicados no meu site ibernise.com e dois livros no prelo a editar pela ABVL.
De há algum tempo a esta parte tem, também disponibilizado o seu trabalho no site Luso-Poemas.


MÚSICA


A linha de trabalho de Ibernize, está contemplada, digo eu, neste pequeno poema, uma verdadeira conduta de vida:

A paixão arde,
Mas a todos invade...
O desejo trai,
Mas a todos atrai...
O amor surta,
Mas a ninguém assusta.
A fantasia domina,
Mas a todos contamina...
E o prazer?
É a razão de viver...

Vamos, neste programa, ouvir cinco poemas de Ibernise. Os seus títulos: Amor no Carnaval, Por teu amor, Reina amizade, Ser poeta e Ciúmes.


MÚSICA


Se tu vens, reconheço, para onde vais;
Teu toque sutil e voz, deslumbramento...
E tudo se instala no enredo dos canais
E acelera o ritmo de tantos batimentos.

Percussão com domínio e assentimento
Fazes tua, minha festa em dias normais.
Se tu vens, reconheço, para onde vais;
Teu toque sutil e voz, deslumbramento.

És badalo de signos e meus carnavais;
Folia, afino e entrega de instrumentos,
Passos de dança, em que somos mais
Que o queijo e o doce... A cada evento,
Se tu vens, reconheço para onde vais...

MÚSICA

Eu bebi, bebi no rio da nossa paixão,
Verti ao teu oceano neste caminho,
Quando viajei no prazer desta ilusão
Já era tarde demais pra ser sozinha...

Mais e mais senti falta desse carinho
Como gato preso gemendo no porão
Eu bebi, bebi no rio da nossa paixão
Verti ao teu oceano neste caminho.

Cruzei espaços, criei contemplação...
Sereia em um cantar de passarinho,
Prumos desatinei diante da multidão.
Se me arremessei a ti em desalinho
Eu bebi, bebi no rio da nossa paixão...


MÚSICA

Tua luz atingiu o fundo de um poço
E afinal vivo um sonho que cultivei...
Na liberdade deste cavalgar, o fosso
No qual não cai por que o circundei...

Profundidade num plano que cerquei...
Lugar vazio e solitário, de onde ouvia
Conversas, fazia planos, me consignei
Em trocas tudo que lá comigo, só, fazia...

Às vezes saía e via o clarão lá de fora
Do sítio, vale profundo onde meu sol
Afinal raiou, e me tocou com demora...
Dentro de mim reinas amo e arrebol...

MÚSICA

Ser poeta é plagiar a verdade
Ainda que de formas diversas
Como quem lembra a saudade
Dada num poema às avessas...

Ser poeta é ser crente carente,
Obstinado ser, na adversidade
Influência e reação comovente...
Ser poeta é plagiar a verdade.

Ser poeta é refletir e realçar
Com simulacros de conversas
O ser espiritual sentir, acordar
Ainda que de formas diversas...

Ser poeta é ousar contradizer
As questões da individualidade,
No rebanho do degradado ser,
Como quem lembra a saudade...

Ser poeta é encontro, emoção...
É campo-minado, e compressa,
Que estimula e cura o coração,
Dada num poema às avessas...

MÚSICA

Na experiência mágica do amor
Pode iniciar no olhar, no topor
Busca de encontrar o próprio ser...
E continua este abastecer no conviver.

Movimento do desejo, a desejar
Fugaz, veloz,Corre, corre sem parar
Em todas as direções está a esperar
Um toque, um sorriso, um olhar...

Que motive, detone, dispare a emoção!
Que estremeça,sacuda o coração!
Que deixe o olhar marejado em festa,
Que molhado brilhe, se manifeste...

É a pulsão que, ao se movimentar,
Alimenta... Nutre a si e ao outro
Num turbilhão de emoções a fervilhar...
Tanta paixão, a se revelar...No corpo!

Alma e matéria... Volúvel no abandono
Porque, no frenezi e na entrega,
Com ciúmes logo do outro quer ser dono
E rápido o que sentiu desagrega...


MÚSICA

Acabámos de ouvir cinco poemas de Ibernise, poeta brasileira, que disponibilizou o seu trabalho e que quem desejo uma grande e feliz produção literária. Que não esmoreça o enorme entusiasmo que tem pautado a sua vida.


INDICATIVO




Ibernise
www.ibernise.com

Biblioteca de Ibernise
7 Pecados



Poemas de Ibernise no Estúdio Raposa. Programa Lugar aos Outros número 100.

1. Links para ler e ouvir na origem

http://www.estudioraposa.com/index.ph ... /2009/lugar-100-ibernise/

http://www.truca.pt/raposa_textos/lugar_100_ibernise.html

2. Para ler e ouvir em Ibernisemaria.prosaeverso.net clic neste link
http://www.ibernisemaria.prosaeverso.net/audio.php?cod=19404
http://www.ibernisemaria.prosaeverso.net/blog.php




Autor
Ibernise
Autor Ibernise
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Texto
Data 13/02/2009 01:33:58
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Antónia Ruivo
Publicado: 13/02/2009 12:48  Atualizado: 13/02/2009 12:48
Colaborador
Usuário desde: 08/12/2008
Localidade: Montemor-o-novo
Mensagens: 3909
 Re: Estúdio Raposa/ Lugar aos Outros 100/Ibernise
beijinhos no teu coração, vou voltar com mais calma para reler, Clique para ver a imagem original em uma nova janela

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 13/02/2009 15:33  Atualizado: 13/02/2009 15:33
 Re: Estúdio Raposa/ Lugar aos Outros 100/Ibernise
Parabéns pela reconhecida e merecida homenagem a quem engrandece as letras com seus escritos: tu.
Bjins, Betha.

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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