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Textos -> Humor :  Uma história com pés e cabeça
 
"Sei quem és
sei que habitas no limiar
do sonho e da memória
sei pensar-te.
No abismo para além da porta
fui marinheiro de todas as viagens"
...
O maior poeta vivo, como ele gosta de se auto-intitular, meu amigo, conhecido por Marco, que o Gonçalves não é para aqui chamado, é uma daquelas pessoas que nos marca.
Senhor de um reino tão distante, quão distante está de nós, comuns mortais, a sua poesia, Marco, de correio quase nunca respondido, é um daqueles seres a quem Deus teve dificuldade em catalogar...
Fê-lo entre um repasto de costeletas grelhadas, por um Judas que não se sabia traidor e, um cordeiro morto, que era dono delas, e habitava nos olhos d'água de um taberneiro, encantado com o milagre...
Para essa espécie de bodas de Canã,(é assim que se escreve? -corrige-me Valdevino...), sem brasileiras contratadas,(perdoem-me as luso-descendentes do outro lado, não é por mal...),Cristo chamou o meu amigo Marco, ciente de que aquilo correria mal por certo, mas ficava sempre bem, e era politicamente correcto, ter um bardo inflamado a cantar a desdita noite, em que doze fieis apóstolos, perdão...onze, mais uma massa humana que gritava - Olé, Cristo, Olé, Olé, Cristo Olé..., decidiram assistir à taça UEFA dos tempos antigos, numa espécie de mesa que não era redonda...
Reza a história que o Gabriel Alvis também fora convidado para relatar a grande final, porém uma forte dor abdominal, causada pelo mesmo dendê que tramou o SherlocK Holmes no livro do jô Soares, impediu-o de chegar a tempo ao grande palco...
Foi entre oliveiras, que na altura não eram milenares, que Cristo, partindo o pão e esquecendo-se da fêvera, (Madalena estava ocupada...), servindo o vinho, disse...- Há entre nós alguém que me vai traír esta noite...
Marco, que já tinha bebido dois copos e conhecia a vida do taberneiro de fio a pavio, gritou: - Eu não sou, que paguei as cotas!
Umas velhas de Guimarães, trajando a rigor, cachecol e tudo, que fazia frio , gritaram do topo norte: - Mata que é traidor, o gaijo estudou aqui na Universidade, mas é de Braga...
Cristo, que já começava a mostrar algum embaraço, tratou de pôr água na fervura, dizendo: - Calma. meus amigos, o povo é sereno... É sereno o carago...gritaram as velhas de Guimarães, abraçadas a uma fotografia do Pimenta Machado que dizia em legenda: "Traíste-nos pelo bem, nunca serás esquecido..."
A situação estava a complicar-se e corria-se o risco, face à forma como a romana comunicação social escrevinhava, de aquele momento que havia sido preparado com tanto cuidado, poder degenerar numa batalha campal, impedindo o real propósito da concentração...
Cristo, tomando a palavra a custo (teve que a molhar com um copito de Monserraz, perdão, Barrabaz...), pediu aos onze mais um, sem esquecer as velhas, o Pimenta Machado, a Fátima Felgueiras, a Maria Madalena, os tribunos romanos; que prestassem atenção às palavras do Marco Geodésio daquela noite, que era o meu amigo Gonçalves, que não só foi para ali chamado, como aproveitando a deixa, levantou a sua voz tunitruante sobre os presentes, disparando sobre a bancada romana, onde Judas já se encontrava dissimulado:

Nesta noite de falácia
Um traidor nos viu
ninguém cala a desgrácia
desta noite que nos traíu
Da água fizeram vinho
e que palhete
só não houve brasucas
neste estranho beberete
As velhas do Restelo
cortaram a palavra ao Cristo,
mas para elas de galhardete
aí vai disto...

Dizendo isto, baixou as calças, mostrando as brancas nádegas, onde se podia ler a marcador:
U.E.F.A. - "Us Estudantes Faltam às Aulas...

Perante isto, esse Cristo que amamos, não teve outro remédio senão assistir ao jogo cabisbaixo no peão e, os pregos desse momento, perduram para sempre na memória de uma gente que não viu o dito jogo, devido à forte pancadaria gerada, nem deles reza a história...

Nota 1: Marco, perante isto, assume-te, verdadeiramente como o maior poeta vivo e mostra-te no Luso.

Nota 2: Travis não me excomungues por causa da minha "dementia"

Nota 3: Valdevinoxis - caça as gralhas que tenho o Word avariado...





O meu último livro:
«Diário de Maria Cura» - Romance
Temas Originais - Coimbra 2009
www.joseilidiotorres.blogspot.com

Autor
josetorres
Autor josetorres
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Texto
Data 17/05/2007 00:52:35
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
JSL
Publicado: 17/05/2007 19:01  Atualizado: 17/05/2007 19:01
Colaborador
Usuário desde: 10/5/2007
Localidade: Minho
Mensagens: 696
 Re: Uma história com pés e cabeça
"Sei quem é
sei que habita no limiar
do sonho e da memória
sei pensá-lo.
No abismo para além da porta
é marinheiro de todas as viagens"

desculpem o ultraje mas "sei quem é"

Já tive oportunidade de ler alguns contos e, os teus amigos Gaspar e Marcos, amigos são.

Ao primeiro vou-lhe ofercer um poema ao vivo no sábado e ao segundo vou desafiá-lo para um duelo no palco.

Claro que a ele devo esta imagem maravilhosa do palco quando diz:

"Tudo se resolvia num palco desde que houvesse a possibilidade de desistir e fosse cumprido esse desejo". Claro que o Marco "conta" isto mesmo "á maior poeta vivo". No entanto ele que se cuide porque, desista eu ou desista ele vamos ter que conversar num duelo em palco.

Conto contigo para contar todos os contos deste mundo que precisamos contar ao mundo.

Desde que o Halley se me atropelou a veia que passei ao limbo. Quase cartesiano voltei ao nada e agora não me obriguem a recomeçar. Aquele se me ...diz tudo.

No encontro surrealista invoquei um conto maluco que devo contar-te um dia ... um improviso que roubei não sei onde.


Deu-me gozo ... não sei onde.

Consegui aprender a não escrever por isso agora tudo são esboços de aprendiz ...

Só assim sou "algo feliz"...


Enviado por Tópico
goretidias
Publicado: 19/05/2007 18:58  Atualizado: 19/05/2007 18:58
Colaborador
Usuário desde: 08/4/2007
Localidade: Porto
Mensagens: 1432
 Re: Uma história com pés e cabeça
Linguagem intrigante, mas divertida!
Quanto às gralhas, a gente perdoa as costoletas e afins... da próxima, não diga nada. Pelo conteúdo do texto, poderia ser simplesmente um recurso estilístico que até vinha a propósito.
Gostei muito do texto... arrojado... interessante. Parabéns!
Um abraço

Enviado por Tópico
josetorres
Publicado: 20/05/2007 18:31  Atualizado: 20/05/2007 18:48
Colaborador
Usuário desde: 28/2/2007
Localidade: Minho
Mensagens: 5080
 Re: Uma história com pés e cabeça P /goretidias
Esta minha história com pés e cabeça tem costoletas e costeletas. São ambas grelhadas, com uma folha de loiro louro e umas gotas abundantes de limão ou limon, tanto faz...
Emendei, todavia no texto a costoleta pela sua homónima costeleta... ( a sua, dela...),não é que a segunda me entre melhor, é somente porque no meu tasco das letras, a palavra é um travesti.
Quando está bem vestida, ninguém lhe liga...quando se despe, toda a gente assobia...
O seu assobio ( da costeleta...) entrou-me pelo ouvido direito e saiu pelo esquerdo, pelo caminho ficou o cheiro...
Um abraço apertado nas costelas( as suas...)

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)



Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)