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Um dia de trabalho

 
O som do despertador tirou-a de um sono bom e de um sonho idem. Ainda que lhe fosse difícil deixar o conforto da cama e o calor dos cobertores, havia a necessidade de enfrentar o frio que fazia lá fora, não havia como deixar de sair de casa e enfrentar mais um dia de trabalho. Vagarosamente levantou-se e, dirigindo-se ao banheiro analisou suas possibilidades no tocante a roupas e, de antemão sabendo que não havia muito que escolher,optou pelo basico jeans e camiseta, afinal não seria mesmo com essa roupa que trabalharis e afinal, trabalhando como balconista de lanchonete e tendo que auxiliar nas despesas de casa não sobrava muito pra quase nada. Depois de um banho rápido (esta frio), um café acompanhado de um pedaço de pão com qualquer coisa, corre pelas ruas ate o ponto do onibus torcendo para que o mesmo não esteja nessa manha, como de habito, lotado, esperança que logo se esvai ao ver a fila de pessoas que, assim como ela todo os dias espremem-se e são espremidas nos onibus e trens de uma cidade grande. Dentro do onibus, sacolejando daqui e dali, sendo empurrada a cada parada, a cada “freiada”, ela ate tenta não pensar no desconforto, tenta ate levar na “esportiva” as “encostadas” disfarçadas em desequilíbrio, tenta ate fazer de conta que não percebeu aquela mão “boba”, ate porque qualquer atitude em contrario, somente dará margem a comentários desairosos e piadinhas de mau gosto e, hoje decididamente ela não esta com humor para manifestações desse tipo. Com um tempo de atraso desce do veiculo e se “arrasta” ate a lanchonete, afinal, duas horas de onibus não é fácil. Assim que entra, dirige-se ate o vestiário, não sem antes ser alvo de olhares e mais olhares, seguidos dos tradicionais comentários, enfim, quando optou por aceitar aquele trabalho, sabia que em algum momento passaria por esse tipo de constrangimento, de certa forma e ate onde entendia... dava para levar numa boa, nos primeiros dias se chateava mais, agora não, estava calejada e, precisava trabalhar, como dizia sua mãe “nesse mundo minha filha, tem de tudo, tanto tem gente boa, como tem gente ruim”. Coloca seu uniforme, penteia os cabelos, prende-os em um “coque”, coloca uma touca, olha-se no espelho, gosta do que vê, retoca a maquiagem com um pouco mais de brilho e vai para mais uma jornada.

- Alice, que moleza minha filha, a mesa 7 ta ocupada e não tem nada em cima dela, vamos lá, deixa de enrrolação.
- Já estou indo... só um minutinho


Autor
PedroGeraldo
Autor PedroGeraldo
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Data 01/08/2009 19:56:52
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
arfemo
Publicado: 01/08/2009 23:37  Atualizado: 01/08/2009 23:37
Colaborador
Usuário desde: 19/04/2009
Localidade:
Mensagens: 4850
 Re: Um dia de trabalho
...Texto bom, gostoso, este pequeno conto do labor quotidiano mesclado de sonhos.

Abraço fraterno


arfemo

Enviado por Tópico
PedroGeraldo
Publicado: 02/08/2009 20:25  Atualizado: 02/08/2009 20:25
Colaborador
Usuário desde: 07/03/2009
Localidade:
Mensagens: 1351
 Re: Um dia de trabalho
Grato Arfemo pelo carinho de sempre para com as coisas que escrevo. Abraços

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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