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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
    <lastBuildDate>Mon, 20 May 2013 01:50:53 +0200</lastBuildDate>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>Indie - Bruno Sousa Villar</title>
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      <description>&lt;br /&gt;O amor dura rigorosamente 3 minutos e 30 segundos,&lt;br /&gt;mais ou menos a duração dos limites do que pode ser&lt;br /&gt;entendido de uma clássica canção pop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos áureos foi um hit com direito merecido a muito airplay,&lt;br /&gt;circulava exaustivamente em repeat pelas vagas hertzianas,&lt;br /&gt;fez furor e culto, angariou groupies dirigentes de um clube de fãs&lt;br /&gt;respeitosos e devotos da sua discografia e das apresentações ao vivo&lt;br /&gt;que guardavam religiosamente bootlegs caseiras de raridades, lados-b&lt;br /&gt;e inéditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era indie rock dançável mais ou menos alegre mais ou menos triste&lt;br /&gt;mais ou menos absurdo como sempre vi os pavement.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje quando se vasculha a montanha de pó frio da memória em&lt;br /&gt;busca dos discos preferidos percebe-se que a fnac já não os vende&lt;br /&gt;remetidos foram ao fundo de catálogo de uma label que mal subsiste&lt;br /&gt;no mercado fonográfico actual, à custa da carolice pelas velhas preciosidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se procurarmos pacientemente será possível desencantar&lt;br /&gt;um exemplar imaculadamente conservado de um&lt;br /&gt;7 polegadas amarelo limão; uma peça de coleccionador&lt;br /&gt;que jamais soará no gira-discos doméstico dos puristas do vinil,&lt;br /&gt;destinada a engrossar a prateleira da estante de um acervo&lt;br /&gt;de um museu de vícios privativos e intransmissíveis. </description>
      <pubDate>Tue, 04 Nov 2008 23:04:01 +0200</pubDate>
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      <title>Guarda-Medo e a doença da chuva - Bruno Sousa Villar</title>
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      <description>&lt;br /&gt;Chove miudinho sobre o miúdo aflito&lt;br /&gt;sem conseguir abrir o guarda-chuva&lt;br /&gt;larga-o num canto do passeio &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;continua a chover sobre o miúdo já não&lt;br /&gt;aflito de mãos tensas nos bolsos e &lt;br /&gt;gola do casaco verde&lt;br /&gt;erguida convicta :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tenho medo, guardo todo o dia limpo&lt;br /&gt;nos bolsos das minhas calças pretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais a mais, o cabelo protege-me do medo&lt;br /&gt;invadir a cabeça e a pele o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gripe é como um regresso por uns dias a mim&lt;br /&gt;ao espreguiçar solar dos domingos ao monólogo doméstico &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em cujas janelas em cujas vidraças &lt;br /&gt;o medo já não molha &lt;br /&gt;o medo seco agora queima &lt;br /&gt;à espreita à espera ameaça.</description>
      <pubDate>Fri, 31 Oct 2008 19:53:14 +0200</pubDate>
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      <title>Jacarandá - Bruno Sousa Villar</title>
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      <description>&lt;br /&gt;Floração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei a folhagem do jacarandá que morria no centro da praça despovoada&lt;br /&gt;e pensei no holismo da cor ; também me sentia&lt;br /&gt;azul-púrpura o sangue definhante nos vasos nas veias nas artérias&lt;br /&gt;nos tecidos nos órgãos no todo organismo pensei no jacarandá&lt;br /&gt;o jacaranda reflectia-me como um espelho azul-púrpura de mil ramos &lt;br /&gt;agitando-se ao vento discutindo com o ar e eu discutindo com o jacarandá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discutir é etimologicamente sacudir:&lt;br /&gt;como os romanos faziam sacudindo as folhas &lt;br /&gt;para atestar da solidez das raizes, &lt;br /&gt;o jacarandá moribundo sacudia-me&lt;br /&gt;e eu sacudia-o ele e eu espelhávamo-nos mutuamente se bem que ele tenha devolvido&lt;br /&gt;um reflexo de mim muito mais bonito do que aquele que lhe retribuí : &lt;br /&gt;azul-púrpura agitava-me ao vento e discutia com o ar &lt;br /&gt;que por sua vez sacudia todas as coisas &lt;br /&gt;convocando os elementos a comparecerem num debate sobre a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 28 Oct 2008 22:51:21 +0200</pubDate>
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      <title>Faixa Escondida - Bruno Sousa Villar</title>
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      <description>&lt;br /&gt;Meses a fio ouvi o disco inspirador&lt;br /&gt;De palavras de pessoas e outras texturas, &lt;br /&gt;ou seja; a seu favor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meses a fio por aquela&lt;br /&gt;casa de plantas por regar &lt;br /&gt;enquanto escrevia o disco se fez escutar &lt;br /&gt;não se recorda que voz era ou melhor a voz ainda hoje &lt;br /&gt;sabê-la-ia reconhecer só estranhou o silêncio&lt;br /&gt;depois de a música lhe dizer o que lhe tinha a dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tinha notado, ou disso jamais tinha feito caso,&lt;br /&gt;aquele silêncio no disco de cuja voz compacta riscada &lt;br /&gt;de tão tocada de tão ouvida, &lt;br /&gt;aquele silêncio foi uma surpresa, &lt;br /&gt;um acidente de percurso &lt;br /&gt;no curso de água das faixas diluídas entre si, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela raridade calada que o tocava sempre &lt;br /&gt;que conhecia o melhor tema do disco &lt;br /&gt;na faixa escondida.&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Mon, 27 Oct 2008 11:52:40 +0200</pubDate>
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      <title>Encontros - Bruno Sousa Villar</title>
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      <description>Plagiei o dicionário.&lt;br /&gt;Ignorância&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do latim. ignorantia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.f.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estado de quem ignora;&lt;br /&gt;falta de saber, de ciência,&lt;br /&gt;desconhecimento; imperícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do Lat.   poeta &lt; Gr.  poietés, o que faz, o autor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;adj. e s. m.,&lt;br /&gt;que ou aquele que faz versos;&lt;br /&gt;o que tem inspiração poética ou carácter idealista;&lt;br /&gt;sonhador;&lt;br /&gt;o que traduz em verso o sentimento do belo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;encontro	 | s. m.&lt;br /&gt;1ª pess. sing. pres. ind. de encontrar	&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    s. m.,&lt;br /&gt;    acto de encontrar;&lt;br /&gt;    choque, embate, encontrão;&lt;br /&gt;    combate, recontro, duelo;&lt;br /&gt;    desafio desportivo;&lt;br /&gt;    colisão;&lt;br /&gt;    oposição, contradição, obstáculo, dificuldade, estorvo;&lt;br /&gt;    comparação;&lt;br /&gt;    cotejo;&lt;br /&gt;    balanço, compensação, liquidação;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Brasil,&lt;br /&gt;    confluência de rios;&lt;br /&gt;    (no pl. ) apoios dos arcos extremos de uma ponte;&lt;br /&gt;    (no pl. ) os ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ignorar o poeta, aquele que traduz em verso o sentimento do belo&lt;br /&gt;negas-te ao encontro com quem te quer amar ou matar.&lt;br /&gt;De qualquer modo,depois do encontro aquele que traduz em verso o&lt;br /&gt;sentimento do belo,abandona-te e vai sozinho para casa com uma ou&lt;br /&gt;duas mortes, a segunda a dizer para a primeira : fica mais um pouco.&lt;br /&gt;não morras ainda. &lt;br /&gt;E a razão é como que uma agência &lt;br /&gt;de encontros matrimoniais arranjados,&lt;br /&gt;onde se finge que se não é feio, louco ou serial-killer.</description>
      <pubDate>Sat, 20 Sep 2008 01:00:14 +0200</pubDate>
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      <title>Divórcio  - Bruno Sousa Villar</title>
      <link>http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=53449</link>
      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há o amor &lt;br /&gt;para dois&lt;br /&gt;no momento&lt;br /&gt;das partilhas&lt;br /&gt;quem leva o&lt;br /&gt;quinhão maior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não será o amor&lt;br /&gt;nem sequer um de dois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem será premiado&lt;br /&gt;depois será um cigarro&lt;br /&gt;deixado a arder e as&lt;br /&gt;cinzas a divorciarem-se &lt;br /&gt;do papel &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;num litígio resignado&lt;br /&gt;como um poema &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;elo mais fraco da memória.&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Fri, 19 Sep 2008 22:01:05 +0200</pubDate>
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      <title>Génese - Bruno Sousa Villar</title>
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      <description>&lt;br /&gt;As palavras nasciam dele para o exterior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;circulavam do corpo à órbita de si e&lt;br /&gt;ele sentia-se tonto,atordoado pelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;reverso dos regressos das palavras que se&lt;br /&gt;dispersavam dos olhos elefantes &lt;br /&gt;evasores em fúria demencial do que &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;havia nele de circense,não conseguia voar &lt;br /&gt;embora tentasse mil e um mecanismos &lt;br /&gt;pensados idealizados construídos &lt;br /&gt;para o efeito,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por ser&lt;br /&gt;pássaro nasciam das palavras &lt;br /&gt;que lhe nasciam&lt;br /&gt;as flores que supunha &lt;br /&gt;as belas capitosas carnívoras &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;palavras que o devoravam vivo &lt;br /&gt;não conseguia voar embora tentasse &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;escrever poemas acender lanternas &lt;br /&gt;ruivas nas ruas de cidades nevoentas &lt;br /&gt;de hóteis baratos,e na fuligem fumarenta &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nasciam-lhe palavras do papel que se&lt;br /&gt;escrevia para fora do sangue à órbita de si,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não conseguia voar a poesia,era síntese &lt;br /&gt;de aerofobia quando sentia os olhos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;caírem na meditação do sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Wed, 17 Sep 2008 21:24:04 +0200</pubDate>
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      <title>Videodorme - Bruno Sousa Villar</title>
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      <description>&lt;br /&gt;À alma percorre-se de zapping&lt;br /&gt;hiante: bbc vida selvagem aqui;&lt;br /&gt;telenoticiário de acidentes &lt;br /&gt;aparatosos, crises financeiras,&lt;br /&gt;lutas de lixo partidário,enfim,&lt;br /&gt;sangue, sexo e violência como nos&lt;br /&gt;filmes que valem a pena aqui :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante uma hora e pico presta-se&lt;br /&gt;vassalagem aos senhores sádicos da&lt;br /&gt;guerra,ups,quis dizer pivots.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal por mal,prefiro o silêncio dos livros,&lt;br /&gt;um bom disco,um poema que me encha o olho &lt;br /&gt;o falo de sangue; mal por mal prefiro a&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a fala dos animais-o chamado instinto. &lt;br /&gt;Como se os bichos não soubessem falar,&lt;br /&gt;como se não mostrassem os dentes &lt;br /&gt;desconfiados face a tanta bondade &lt;br /&gt;desinteressada, asquerosamente altruísta,&lt;br /&gt;quando &quot;tudo é vaidade&quot;,&lt;br /&gt;mesmo quando o sol já não brilha para&lt;br /&gt;fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os animais falam para dentro,falam como o&lt;br /&gt;sangue bombeia,o coração é um gigantesco&lt;br /&gt;país das neves de quando era jovem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desconhecedor do picador de gelo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;das palavras;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como assim : prefiro dormir &lt;br /&gt;à deriva da sombra &lt;br /&gt;de estorninho apartado do bando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal por mal prefiro a fala dos animais;&lt;br /&gt;o polígrafo da punção cravada de dentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na flor extraviada das noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto leio,medito,não apago a luz,&lt;br /&gt;não apago a luz enquanto leio : é a&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabedoria possível, seja como for &quot;canto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o corpo eléctrico&quot; da lâmpada de halogénio-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é o ecologismo viável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o olho dos livros acentra-se caçando &lt;br /&gt;tempestades enquanto danço sobre os&lt;br /&gt;cemitérios índios dos terramotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de em tempos estas emissões &lt;br /&gt;fecharem sob um ruído enlouquecedor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou seria a mira técnica?   </description>
      <pubDate>Wed, 17 Sep 2008 15:55:52 +0200</pubDate>
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      <title>Bairro Vermelho - Bruno Sousa Villar</title>
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      <description>&lt;br /&gt;Pelo &quot;empire de la lumière&quot;&lt;br /&gt;andamos todos nus,sujos,&lt;br /&gt;virtuosos viciosos corpos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;degradados com olhos ocos&lt;br /&gt;sob atenta observação a&lt;br /&gt;outros corpos nus,sujos,&lt;br /&gt;ardilosos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oferecendo irrealidades de&lt;br /&gt;sexo e suor com ou sem&lt;br /&gt;preliminares mas sempre&lt;br /&gt;cauteloso com protecção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por acção da camisa de forças&lt;br /&gt;que cega / obstrui / amordaça&lt;br /&gt;/castra os exorcismos de&lt;br /&gt;pau erecto e erupção iminente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como se não fossemos gente e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não reparamos propondo &lt;br /&gt;versos &lt;br /&gt;mais ou menos odorosos &lt;br /&gt;oferecemos os corpos sujos, &lt;br /&gt;viciosos &lt;br /&gt;contraceptivos&lt;br /&gt;retrovirais,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não reparamos &lt;br /&gt;que nos assemelhamos -&lt;br /&gt;tem sido assim desde &lt;br /&gt;os versos nas paredes&lt;br /&gt;até ao blog não sei de quem -, &lt;br /&gt;na corrupção,&lt;br /&gt;na grosseria,&lt;br /&gt;na obscenidade,&lt;br /&gt;na apoteose do&lt;br /&gt;asco,na pornografia [&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ainda que sejamos &lt;br /&gt;pornófilos não-assumidos,&lt;br /&gt;perdão, poetas, &lt;br /&gt;a falar de amor como os corpos&lt;br /&gt;dos demais engolem &lt;br /&gt;excessos corporais,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e criamos vida,afirmamos vida,&lt;br /&gt;repudiamos a dor do dogma &lt;br /&gt;na vida que criamos,&lt;br /&gt;mesmo que essa vida&lt;br /&gt;sobredita seja maldita &lt;br /&gt;seja mentira &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de tão irreal que é,&lt;br /&gt;a beleza nasce &lt;br /&gt;enforma-se também &lt;br /&gt;de fezes e urina,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o corpo que é outro infinito &lt;br /&gt;particularmente &lt;br /&gt;pestilento &lt;br /&gt;- é bonito assim.  &lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 16 Sep 2008 23:46:21 +0200</pubDate>
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      <title>Prisão - Bruno Sousa Villar</title>
      <link>http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=53011</link>
      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado na retrete estava com prisão de ventre,&lt;br /&gt;suava muito,como um poema de poros perolados&lt;br /&gt;líquidos mas nada saía&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do exterior do quarto de banho ouvia-se o arfar&lt;br /&gt;da dor intestina sentada na retrete com prisão de&lt;br /&gt;ventre e a diarreia não saía:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;maldito o fruto,pensou,enquanto chegava a mão &lt;br /&gt;suada ao rolo de papel higiénico que já não havia</description>
      <pubDate>Tue, 16 Sep 2008 17:24:19 +0200</pubDate>
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