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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>Sabes escrever? bem? és o melhor? ou um dos melhores? Se és, quero que saibas que estou muito feliz por te ter no nosso meio, a escrever - joseluislopes</title>
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      <description>.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://youtu.be/DoqQGU2ek3M&quot; title=&quot;http://youtu.be/DoqQGU2ek3M&quot; rel=&quot;external, nofollow&quot;&gt;http://youtu.be/DoqQGU2ek3M&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://youtu.be/81j2ADXjm2k&quot; title=&quot;http://youtu.be/81j2ADXjm2k&quot; rel=&quot;external, nofollow&quot;&gt;http://youtu.be/81j2ADXjm2k&lt;/a&gt;</description>
      <pubDate>Thu, 05 Jan 2012 23:41:39 +0200</pubDate>
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      <title>O Arquipélago da Insónia - António Lobo Antunes - joseluislopes</title>
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      <description>&lt;strong&gt;Momento. Assim me faço amigo de quem nunca me apertou a mão - Tão afastado, tão dentro de mim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;	os livros são uma paisagem interior &lt;br /&gt;	temos que encher os livros de silêncios&lt;br /&gt;	e o leitor ler as palavras que não estão lá escritas e no entanto estão lá &lt;br /&gt;	é uma paisagem interior&lt;br /&gt;	a angústia do homem no tempo &lt;br /&gt;	são as vozes sem nome que temos dentro de nós &lt;br /&gt;	uma procura de si &lt;br /&gt;	uma procura da natureza do homem&lt;br /&gt;	ouvir com os olhos&lt;br /&gt;	ouvir com a voz&lt;br /&gt;	o livro é feito de palavras&lt;br /&gt;	e se os grandes livros não serão todos livros doentes&lt;br /&gt;	não sei, não sei explicar&lt;br /&gt;	quando a mão é feliz o livro é uma alegria para o leitor&lt;br /&gt;	quando não estou a escrever não penso em nada&lt;br /&gt;	escrever é muito muito difícil&lt;br /&gt;	a literatura é uma coisa muito complicada &lt;br /&gt;	um deserto com vozes &lt;br /&gt;	reduzir as coisas à pedra que somos feitos&lt;br /&gt;	o livro trata do que vai escrito nele &lt;br /&gt;	a nossa vida é um pergunta perpétua&lt;br /&gt;	escrever é uma procura constante &lt;br /&gt;	o não chegar é o que faz a nossa grandeza&lt;br /&gt;	hei-de ser um principiante até morrer &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Veja aqui a entrevista&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://youtu.be/cM5bSKc3Wuc&quot; title=&quot;http://youtu.be/cM5bSKc3Wuc&quot; rel=&quot;external, nofollow&quot;&gt;http://youtu.be/cM5bSKc3Wuc&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 03 Jan 2012 19:26:25 +0200</pubDate>
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      <title>E tudo o tempo levou  - joseluislopes</title>
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      <description>.&lt;br /&gt;O medo nasce com o primeiro grito de vida. Depois, com o tempo a caminhar descontroladamente pelas mãos, descobrimos que a imortalidade não existe. Gritamos mas já não vamos a tempo de mudar nada do que está para trás. A história está feita. A foto é real, em cima da cómoda, em momentos desordenados o tempo parado, pendurado na verdade de um passpatour preenchido de sorrisos instantâneos. Afinal nunca estivemos parados. Descobrimos o que sempre soubemos nos silêncios. Estamos perturbados, questionamos se a correria é igual para todos ou se foi uma escolha nossa, talvez uma mescla de destino, sorte, azar e encontros que não controlamos. Aquela criança que ainda ontem tinha dado o grito da vida, mais não fez do que expandir os pulmões, sugou todo o ar que cabia dentro de si e nunca mais parou de correr. Correu, correu, correu sem perceber que os pés estavam sempre à frente do corpo, e os olhos, loucos pelo que viam, corriam ainda mais do que as pernas, descansavam no infinito, esperavam todos os dias o amanhecer, só eles sabiam que ainda havia muito por ver. Ver é voar para lá do corpo. Todos os corpos têm asas. Como diz um amigo meu, todos os corpos são gaivotas, vivem pousados em vento, o destino é feito pelo tamanho das asas. Chegamos onde as asas nos levam, o vento sempre existiu, a dúvida é: erro ou destino? Nunca saberemos, talvez as duas coisas, talvez a mutabilidade do corpo, talvez da mente, talvez sem saber nascemos umas quantas vezes, e estamos sempre a dar gritos de sobrevivência. E agora? Agora corremos, em sufoco, queremos chegar ainda a tempo de recolher todas as lembranças para dentro de um corpo que, sem darmos conta, está ocupado de quinquilharias. Não há espaço, só há espaço no futuro que continuará a fluir para a frente dos desejos. Temos medo de perder as mãos, os olhos, as pernas, o saber, a sensibilidade, o carinho, temos medo de perder esta forma de escrever. de dizer coisas. Não podemos perder o que resta do tempo, andamos enquanto pudermos, na praia, olhamos enquanto pudermos, os amigos, usamos as mãos enquanto pudermos, para abraçar, escrevemos enquanto pudermos, afecto, sensibilidade, paixão e alegria, por cada dia de conquista, como aquele em que demos o primeiro grito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Comentário feito a um texto publicado por uma amiga no facebook, Maria Dolores Marques &lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Sun, 01 Jan 2012 18:58:23 +0200</pubDate>
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      <title>diálogo entre um cego e um surdo - joseluislopes</title>
      <link>http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=202654</link>
      <description>&lt;br /&gt;- as palavras dizem? &lt;br /&gt;- dizem &lt;br /&gt;quer dizer&lt;br /&gt;umas vezes dizem&lt;br /&gt;outras&lt;br /&gt;dizem coisa nenhuma&lt;br /&gt;melhor dizendo&lt;br /&gt;nada acrescentam &lt;br /&gt;- não?&lt;br /&gt;- isto é:&lt;br /&gt;por nada dizer &lt;br /&gt;dizem&lt;br /&gt;- ah!&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 18 Oct 2011 15:35:23 +0200</pubDate>
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      <title>Livros de barrigas de aluguer  - joseluislopes</title>
      <link>http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=186273</link>
      <description>&lt;br /&gt;Facebook  Comenta-se uma foto de uma Amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comento também eu: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás a olhar para onde, ou para quem? Talvez estejas a pensar se realmente um livro encerra em si mesmo uma ambição final, apocalíptica, genial, o momento em que morre o homem e nasce o autor, o artista, isto é, enterra-se o amadorismo e emerge a pretensão do homem-arte que ama as letras, letras com assinatura, letras para sempre, letras imortais do homem-escritor, génio, o profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebo que a ambição é boa, e a ambição com inteligência faz parte das qualidades do homem, evita a inércia e obriga o mundo caminhar. Sem ambição, este nosso mundo, ainda estaria na pré-história. Imaginem os nossos carismáticos autores no passado, que, em vez de livros de baixo do braço, carregavam pedras para lhes permitir fazer lume. Incendiar para sobreviver em vez de incendiar para encantar, armadilhar relações, era um desastre para a arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que alcançamos até aos nossos dias deve-se à ambição, bem sei que alguma é desmedida, mas não há maneira de controlar a ambição, ou há ou não há, boa ou má, o homem quer sempre mais e mais. É assim a história do mundo, tantas vezes triste faz-nos ficar estarrecidos com o resultado do caminho que o homem dá à sua vida. É nestes momentos que somos obrigados a parar e reflectir, olhar para o homem que é nosso companheiro, camarada, amigo e que de repente se torna num estranho, um louco, um demónio e concluir que afinal o homem é capaz de tudo pela visibilidade, vaidade e riqueza. O homem quer a imortalidade, quer um lugar na História a qualquer preço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ambição o mundo era, com toda a certeza, um local sem sal, onde não apeteceria viver. Mas então o que pensar e dizer da ambição? Como dosear a ambição? Como terei eu a certeza que a minha ambição é a correcta e a dos outros exagerada, descabida e tonta. Será possível criticar a ambição, mesmo quando esta se torna numa castração daquele que deveria ser o objectivo principal do homem enquanto ser com alma, com sentimentos, com o objectivo de alcançar a suprema felicidade, para si e para todos aquele que o rodeiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ambição não pode ter limites a não ser aqueles que derivam dos conceitos filosóficos do certo e do errado, do bem e do mal. Bem sei que também muitos destes conceitos são subjectivos, o que é errado para mim pode não ser para o outro, mas obrigatoriamente temos de nos reger por alguma tabela de valores, e o melhor será ter à mão a do mundo ocidental, no meu entender a mais justa, não somos felizes agora mas acreditamos sempre que um dia ainda vamos ser. Não há regra, norma, lei para o tamanho da ambição, no entanto, esta deve sempre estar nos limites da nossa aptidão para a sua concretização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma ambição impossível seria loucura, mas uma ambição sem dificuldade seria mentira ao próprio ego. Se assim não for, então, não é suficientemente forte o nosso querer, a ambição passaria a ser assim uma coisa como ir à feira de antiguidades e comprar um ferro velho que em tempos foi útil, mas nos nossos dias nada acrescenta ao belo, serve apenas para decorar móveis do IKEA, modernos, na moda, tecnológicos, à medida dos sonhos fáceis do homem do século XXI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes móveis feitos em série, massificados, para serem baratos e facilmente renováveis, são feitos por gente que há muito tempo perdeu a dignidade da arte no trabalho, gente que num passado recente tinha nome. Falo do artesão, do homem que aprendeu uma arte à custa do tempo, tempo ganho a uma morte certa, que mais tarde ou mais cedo acabará por atirar para a terra todo o saber de uma vida feita pelo brio de quem aprendeu com sacrifício. Este homem em vias de extinção, sabe que o tempo é o seu único amigo, mas também sabe que mais dia, menos dia é ele, que numa certa noite de insónias, sem estrelas no céu, lhe diz: acabou o teu tempo de aprendizagem, agora serás apenas mais um homem como todos os outros, terás terra por cima de todos os dias que passaste a aprender. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este artesão que faz coisas, sabe que apenas pode contar com a sua teimosia para ser singular, e com as suas ferramentas para evoluir. Este artista sabe que o seu trabalho é delicado, metódico e único, é como fazer um poema com rimas emparelhadas, com concordâncias, com regras gramaticais, com elegância, com genialidade, com o belo a perder de vista, onde o trabalho representa sempre uma obra única, perfeita e eterna. Este homem, o artesão aprendeu com o seu mestre que a arte tem regras próprias, regras baseadas no fazer e refazer, todos os dias, todos os meses, todos os anos, e sempre cada dia com mais dedicação, com mais sacrifício, sorrindo para o tempo como se fosse seu dono. A este homem só o trabalho o compreende e só ele conhece todas as suas especificidades que nunca o deixam sossegar. Ao fim de mais um dia de oficina, e já depois da janela guardar a noite, despede-se da sua obra com um até já, e na última parede, aquela que fica ao pé da porta que dá para um outro mundo que nunca tem tempo para o entender, há um quadro onde todas as ferramentas têm um lugar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenhadas pelo punho, as suas impressões físicas, as mais nobres em destaque, as outras, mais longe dos olhos mas com a mesma dignidade. Ele sabe que todas são importantes, umas não são nada sem as outras, e ele também não é nada sem as suas ferramentas. Antes de recolher a sua casa onde aprendeu a descansar o corpo, com a dignidade da vida feita do pão que o diabo amassou, coloca uma a uma das ferramentas no lugar correspondente, verifica se nenhuma das tenazes com que se amarra á vida se perdeu, como o pastor conta as suas ovelhas este homem conta as suas ferramentas e deixa-as a descansar dos seus sonhos até à primeira luz do dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este homem, fazedor de sonhos, sabe que este seu quadro de utensílios é como um dicionário para o escriba, é o seu léxico, onde guarda as palavras difíceis, os verbos, as adjectivações. Ele sabe que é ali que a sua alma está encastrada, dentro dos punhos de madeira já gastos pelo tempo que leva a afagar as suas ferramentas, com carinho, com ternura, com o amor feito pelos anos que leva a encantar com o seu trabalho. Este trabalho, bonito ou feio, nunca poderá arder sem que a alma chore, nunca poderá sucumbir ao tempo sem que o próprio artesão sucumba, a vida dentro deste homem sobrevive pelo esforço das mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras coisas são aquilo a que acabamos por nunca ganhar amor, quando as adquirimos já sabemos que mais tarde ou mais cedo são para cair no lume, arder. Assim são a maior parte dos livros feitos nos dias de hoje, sem esforço, sem aprendizagem, sem carinho, sem sofrimento, sem tempo para lhes ganharmos amor, sem tempo para comunicar com o tempo que temos, nascem condenados a uma morte prematura. São assim a maior parte dos livros editados, convidamos os amigos para um nascimento que afinal é um velório. O defunteiro faz então o seu papel, é este mesmo homem que diz que não quer que ninguém morra mas quer que o negócio corra, recorre ao seu cardápio de bem dizer, e encontra com facilidade uma citação de um grande autor que fez história no mundo da arte de escrever, compara o incomparável, projecta futuros que nunca serão, adjectiva com superlativos de superioridade o que sempre foi um superlativo medíocre, enquanto a pequena plateia ajeita os sorrisos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está toda a gente feliz, o artista que escreve, o artista que imprime as palavras, mesmo aquelas que ainda não foram inventadas, os vereadores da cultura, arranjaram mais arte para trocar por votos, enfim um verdadeiro dia de festa, Deus e os santos e os romeiros felizes. Arrebentam as palmas, acenam-se as cabeças em sinal de concordância com toda a história do artista; mais uma vez as palmas iluminam todo o esplendor do momento, é o fogo-de-artifício que faltava para passarmos aos autógrafos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o homem fazedor de livros um autor é sempre um autor e um livro sempre será livro, e um punhado de euros será sempre um punhado de cultura no seu bolso. Esgota-se o tempo, na sala os sorrisos desfalecem, as vozes estão cada vez mais distantes e o mundo na rua tem a crua realidade do tempo real, em pouco mais de uma hora todos os nossos sonhos morrem. Os amigos partem, deixam ficar beijos e abraços em agonia, nas suas mãos o livro autografado com uma caligrafia trémula, moribunda, pesarosa por saber que o seu tempo está a terminar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brevemente, este livro, envolto em sonhos, juntar-se-á a mais uma centena de livros, parados na estante de todos os livros, dos que trabalharam com esforço, como o meu estimado artesão e aqueles que fruto dos tempos conseguiram tomar posse de um espaço efémero como o IKEA e ali ficarão para sempre, sem olhos, sem mãos, sem leitura e sem rosto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Mon, 16 May 2011 18:05:58 +0200</pubDate>
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      <title>Moisés ainda anda descalço, no deserto - joseluislopes</title>
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      <description>&lt;br /&gt;Pior do que apenas ter um rim, um pulmão, uma perna ou um braço é não ter cabeça. Sem cabeça não há passado, perde-se a vergonha, esquece-se a razão, iludimo-nos com o acessório. Aconteceu a Moisés enquanto guiava os cristãos pelo deserto da Galileia, alguns bons cristãos perderam a cabeça. Estas pobres criaturas, desesperados pela viagem parecer não ter fim, deixaram de acreditar no seu Deus, e nos valores que os levaram à caminhada. Revoltados fizeram num ápice um novo deus, mais bonito, mais valioso por ser de ouro, e principalmente mais presente. Este falava, dizia tudo que o povo gostava de ouvir. Agora sim, o povo podia finalmente ser feliz, com este deus não há meios que não justifiquem os fins. A festa estalou: música, dançarinas, ilusionistas e malabaristas, animais selvagens e seus domadores iluminaram a noite. Valeu Moisés, fiel aos princípios, bateu com o punho na terra que era de todos, e num gesto sensato, sacou das pedras da boa índole, atirou-as aos foliões e em voz grave disse: Vem teu inimigo humilhado? Guarda-te dele como do diabo. Deus não dorme, continuou Moisés, estas são leis para qualquer deus de uma qualquer religião, leis para um qualquer homem respeitar, seja preto, vermelho, verde ou azul.&lt;br /&gt;. &lt;br /&gt;Milhares de anos depois&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Lamentavelmente havia uma lacuna, Deus também não pode saber tudo, digo eu que gosto de ver o meu Deus parecido com os homens. Um conselho de sábios bem formados, de todas as regiões da terra reuniram e unanimemente concluíram ser necessário um aditamento à tábua das leis de Deus. Assim nasceu o 11º mandamento  Não SUBORNARÁS&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Termino com mais um provérbio:&lt;br /&gt;&amp;quot;O destino não é uma questão de sorte, é uma questão de escolha: &lt;br /&gt;Não é algo a se esperar, e sim a conquistar&amp;quot;</description>
      <pubDate>Tue, 05 Apr 2011 22:06:38 +0200</pubDate>
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      <title>Ciclo das pedras - joseluislopes</title>
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      <description>&lt;br /&gt;Rolam pedras&lt;br /&gt;Rolam sem parar&lt;br /&gt;Rolam sem ninguém as ver&lt;br /&gt;Rolam agitadas donas de montanhas&lt;br /&gt;Mas rolam&lt;br /&gt;Rolam&lt;br /&gt;Todos os dias rolam&lt;br /&gt;Rolam inchadas&lt;br /&gt;Rolam papéis &lt;br /&gt;Rolam livros&lt;br /&gt;Rolam prosas&lt;br /&gt;Rolam rimas&lt;br /&gt;Rolam até palavrões &lt;br /&gt;Mas rolam&lt;br /&gt;Rolam&lt;br /&gt;Todos os dias rolam&lt;br /&gt;Rolam paridas&lt;br /&gt;Rolam inveja&lt;br /&gt;Rolam cobiça&lt;br /&gt;Rolam piadas&lt;br /&gt;Rolam maldades  &lt;br /&gt;Mas rolam&lt;br /&gt;Rolam&lt;br /&gt;Todos os dias rolam &lt;br /&gt;Rolam quadradas &lt;br /&gt;Rolam cegas&lt;br /&gt;Rolam porque o outro rola&lt;br /&gt;Rolam por rolar as pedras &lt;br /&gt;Rolam arrogantes&lt;br /&gt;Rolam uma&lt;br /&gt;Rolam duas&lt;br /&gt;Rolam três&lt;br /&gt;Rolam de três em três&lt;br /&gt;Rolam cem&lt;br /&gt;Rolam mil e três &lt;br /&gt;Rolam de quando em vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas rolam&lt;br /&gt;Rolam&lt;br /&gt;Todos os dias rolam&lt;br /&gt;Rolam do rolar as donas &lt;br /&gt;De tanto rolar&lt;br /&gt;Apagaram as montanhas&lt;br /&gt;As nuvens&lt;br /&gt;As árvores &lt;br /&gt;Os lagos&lt;br /&gt;Os rios&lt;br /&gt;Os peixes&lt;br /&gt;A terra &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas rolam&lt;br /&gt;Rolam&lt;br /&gt;Todos os dias rolam&lt;br /&gt;Mataram os olhos&lt;br /&gt;Os ouvidos&lt;br /&gt;As mãos&lt;br /&gt;A boca&lt;br /&gt;O nariz &lt;br /&gt;O coração&lt;br /&gt;Como pedra rola&lt;br /&gt;Devagar&lt;br /&gt;Mais devagar&lt;br /&gt;Mas ainda rola &lt;br /&gt;Rola&lt;br /&gt;Só sabe rolar&lt;br /&gt;Cada vez mais só &lt;br /&gt;No seu rolar&lt;br /&gt;Sem sol&lt;br /&gt;Sem paixão&lt;br /&gt;Rola como palavra inútil&lt;br /&gt;Um dia&lt;br /&gt;Deixa de ser pedra&lt;br /&gt;Deixa de rolar&lt;br /&gt;Deixa de viver&lt;br /&gt;Restará pó &lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Thu, 31 Mar 2011 17:54:27 +0200</pubDate>
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      <title>pai - joseluislopes</title>
      <link>http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=180070</link>
      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje é o meu dia - sou pai. sou pai com sorrisos. com abraços. com beijos. com carinho. com amizade. é tão bom ser pai - um dia. mais tarde. muito mais tarde. no meu sofá. trémulo no olhar. vou contar uma história. feita no tempo desta família que guiei até ao meu outono. vou dizer aos meus netos que os meus filhos também são pais. bons pais. porque o meu pai era um grande pai - estou feliz. recordo o meu pai em março. recordo a sua bondade com o mundo. com os homens. a tolerância. a amizade. a alma com que dizia as coisas simples. eu tão novo complicava tudo. jovem . mas filho sempre  estou feliz. estou feliz porque ainda tenho memória. sei agora que sou também eu fruto desse tempo das palavras segredadas com afecto. com amor. com saber. com caminho  sou pai hoje. sou pai para sempre. serei pai mesmo depois do sol cair. adoro ser pai  dia feliz meu pai onde quer que estejas. hoje um teu neto trouxe-me moletinhos de s. josé. como eu fazia no passado. estão em cima da mesa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Sat, 19 Mar 2011 17:04:44 +0200</pubDate>
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      <title>Valentim - joseluislopes</title>
      <link>http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=175494</link>
      <description>&lt;br /&gt;Valentim, formado em amor, actualmente no desemprego, trabalha a recibo verde numa loja de conveniência. Acordou pela manhã estremunhado, ouvia incessantemente o seu nome na rádio, diziam que atirava setas embebidas de amor. Coisa estranha, ele que tudo sabia de amor nunca tinha aprendido nada do que estavam para ali a dizer. Ainda mais, como não colocavam a falar alguém com conhecimentos da matéria do amor, com canudo, com experiência em amar. Zangado, virou-se para o lado e não foi trabalhar. A loja de conveniência, única no bairro a vender artigos de o dia de namorados não abriu. Não se fez esperar o protesto da população namoradeira, ninguém já sabe namorar sem oferecer almofadas e peluches vermelhas. O desespero tomou conta da multidão. O tempo passava e este é o único dia do ano em que todos podem namorar, amar como nos velhos tempos. Os protestos subiram de tom, não havia tempo para contornar este problema, bem, alguns até sabem fazer almofadas, o que não sabem é dizer as palavras amorosas impressas a dourado nos corações que enfeitam as almofadas e peluches. Valentim levantou-se, foi trabalhar com um sorriso, esqueceu o trabalho precário, esqueceu os sacrifícios que o levaram até ao dia de hoje, ele sabe que para muitas mulheres, este é o único dia que são amadas com ternura, sabe que este é o único dia em que as palavras de amor são belas mesmo que escritas em peluches e corações da china e sabe que algumas não mais terão outro dia para se sentirem felizes, desejadas e amadas. Hoje serão deusas, serão deusas como sempre foram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é dia de S. Valentim e eu amo-te ainda mais hoje do que ontem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Mon, 14 Feb 2011 16:49:14 +0200</pubDate>
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      <title>Zero - joseluislopes</title>
      <link>http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=164672</link>
      <description>&lt;br /&gt;O capitalismo também se apresenta em lata, e agora, para decepar os resistentes, nasceu a zero, zero calorias. A Coca-Cola conquistou o mundo da escrita, as palavras tombam embriagadas de cafeína. O artista não dorme, devassa a noite em glosas marginais. Contorce-se o papel em mãos geladas. Amanhece. Solta-se o dia, e todas as palavras ensopadas, ensonadas e encravadas organizam-se em música. Começa a Tocata e fuga em ré menor, Johann Sebastian Bach. Saia um expresso rápido por favor, tenho o carro mal estacionado e um pacto de estabilidade para fazer cumprir.</description>
      <pubDate>Mon, 06 Dec 2010 22:23:32 +0200</pubDate>
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