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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
    <lastBuildDate>Sat, 25 May 2013 10:09:54 +0200</lastBuildDate>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>Casulos humanos - Manuela Fonseca</title>
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      <description>Quando as pessoas decidem sair dos seus acomodados casulos ou labirintos aprendem a ser o que sempre foram: seres humanos fragilizados. Não existem pessoas, completamente, corajosas. Todos escondemos os nossos medos atrás de cortinas pesadas que arrastamos durante uma angústia existencial que muita gente estende num divã de psicanálise, quase sempre inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuela Fonseca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Sun, 16 Oct 2011 19:15:52 +0200</pubDate>
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      <title>Hennessy&amp;#039;s - Manuela Fonseca</title>
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      <description>Estava frio naquele dia de Dezembro e eu enroscava-me na minha manta branca aos quadrados azuis enquanto ia mudando os canais da televisão.&lt;br /&gt;Não tinha nada para fazer e sentia-me aborrecida como qualquer outra pessoa que não tem ninguém para falar. Levantei-me do sofá arrastando a manta como única companheira dos dias frios da minha vida. Algo me chamava para fora de casa. Espreitei pela janela onde o sol não saudava ninguém. Talvez fosse dia de folga no universo dos deuses.&lt;br /&gt;Fui ao sótão buscar a habitual árvore de Natal e os enfeites. Escolhi outro canto da sala para montar a minha época natalícia, mais perto de mim, do meu sofá, dos meus pensamentos, das minhas perdas. Após duas horas pus-me a sentir o calor do presépio, o brilho das fitas e o encanto dos enfeites. Não havia Pai Natal! Eu nunca tinha comprado um. Faltava-me uma lareira para aquecer o meu olhar no fogo que me consumia. Faltavam-me tantas coisas&lt;br /&gt;Vesti-me e andei a pé durante 2 horas. Não procurava nada, apenas queria que o meu cabelo solto e esvoaçante ao sabor do vento que eu detestava, me adormecesse os sentidos. Ia escurecendo e a cidade iluminava-se com luzinhas de muitas cores. Era Natal! Fui à pastelaria Bénard para me abrigar do vento. Estava quentinha a sala e pedi um chá de camomila que me aqueceu a alma descoberta pelo coração. As pessoas entravam e saíam sorridentes, agasalhadas e felizes. &lt;br /&gt;Já era noite quando deixei o meu lugar vago e deambulei pela cidade até ao Cais do Sodré. Talvez jantasse no Irish Pub Hennessys Comia-se lá um delicioso prato de salmão fumado irlandês, uma comida que eu tinha aprendido a gostar há muitos anos, demasiados!&lt;br /&gt;Estava distante, embrenhada nas minhas memórias que contemplavam, extasiadas, o Tejo iluminado apenas pela lua. Sem enfeites de Natal. Sem presépios.&lt;br /&gt;- Boa noite, menina&lt;br /&gt;Apertei o cachecol, enfiei as mãos nos bolsos do casaco e nem precisei de olhar para trás.&lt;br /&gt;- O António por aqui?&lt;br /&gt;Há mais de seis meses que o destino não nos facultava um novo encontro. Sentia saudades daquele senhor, das poucas pessoas sábias e inteligentes que tinha conhecido.&lt;br /&gt;- Vim ver o Natal à rua. Esse olhar vazio sempre presente no seu rosto, Beatriz &lt;br /&gt;Virei-me para ele e sorri. Éramos duas pessoas estranhas e sós.&lt;br /&gt;- São as escolhas da vida que nos fazem olhar o mundo no intenso afogamento do nada. Outras vezes, nem tempo temos para escolher. O destino impõe-se e desfaz-nos os sorrisos.&lt;br /&gt;Comecei a caminhar medindo as pedras da calçada, olhando o Tejo como só eu o sabia olhar. O António acompanhava-me neste silêncio de almas.&lt;br /&gt;- Talvez vá jantar ali ao Hennessys. Gostava que viesse comigo, António.&lt;br /&gt;Ele riu alto, olhei-o espantada por não lhe conhecer aquele riso solto.&lt;br /&gt;- Já sou muito velho menina, para frequentar esses lugares. &lt;br /&gt;Reparei que não trazia a sua bengala castanha. Sempre achei que ela nunca o amparara. Seria mais uma espécie de adereço.&lt;br /&gt;- Não diga isso, todos os lugares são bons para todas as idades. Tudo está na nossa cabeça&lt;br /&gt;- Acha, Beatriz?&lt;br /&gt;Claro que esta era a minha maneira de viver, de encarar o mundo na sua rotação de contrariedades. Não gostava de pessoas fúteis, do cinismo que emanava delas, do cheiro dos seus olhares.&lt;br /&gt;- Acho! O António é uma pessoa genuína, de conversas cheias, com quem apetece estar nas recordações compulsivas das nossas vidas. Aceita o meu convite?&lt;br /&gt;Sorriu com carinho, passou a mão pelo meu cabelo e ficou a olhar-me demoradamente. Como um pai que olha para a sua filha adivinhando o que lhe vai na alma. De novo, senti-me inquieta.&lt;br /&gt;- O que o Tejo guarda nas suas profundezas que tanto a faz sofrer, Beatriz?&lt;br /&gt;Quase desfaleci ao toque inquietante daquela pergunta. O frio trespassou-me o olhar e retalhou-me o gesto que ficara parado nas águas do rio.&lt;br /&gt;- Um diaTalvez um dia me conte, menina&lt;br /&gt;E foi caminhando no seu andar lento deixando-me uma lágrima de saudade.&lt;br /&gt;Entrei no Irish e escolhi um lugar recatado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuela Fonseca&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Sat, 08 Jan 2011 18:58:22 +0200</pubDate>
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      <title>Filho da Lua - Manuela Fonseca</title>
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      <description>Que poderei eu fazer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A não ser deixar queimar o medo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em fogo secreto que acendo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E calar este silêncio na cor da noite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizimar horas que me separam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em distâncias baloiçadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandonadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez um dia escale a sua montanha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mais íngreme do mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixar que o vento me rasgue&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrisos rasteiros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que escorreguem as solidões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por penhascos agrestes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contemplando a península estendida até Lisboa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prateada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse dizer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que sinto agora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu soubesse achar o caminho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Filho da Lua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seus pensamentos irrequietos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na travessia do Tejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria a autora do seu destino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se eu soubesse andar para trás&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subir aos calvários e trazer nas mãos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calor do olhar da Filha da Terra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como num livro que tivesse escrito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentada nas estrelas de um jardim céltico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdido e encontrado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos olhos que vi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, Filho da Lua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu soubesse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuela Fonseca&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 19 Oct 2010 19:29:36 +0200</pubDate>
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      <title>O castigo - Manuela Fonseca</title>
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      <description>Senti na alma o castigo&lt;br /&gt;De uma solidão interior&lt;br /&gt;Atravessei o tempo &lt;br /&gt;Nas dores comuns&lt;br /&gt;De um silêncio rasgado&lt;br /&gt;Que sempre arrisquei&lt;br /&gt;Ao virar da esquina&lt;br /&gt;Nessa viragem&lt;br /&gt;Rasgada no silêncio&lt;br /&gt;Encontrei-me no tempo&lt;br /&gt;Surgiu o amor&lt;br /&gt;Soltando as amarras&lt;br /&gt;Da alma sofrida&lt;br /&gt;No castigo da solidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dueto: Maria Antonieta Oliveira &amp; Manuela Fonseca&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Sat, 16 Oct 2010 07:48:24 +0200</pubDate>
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      <title>AMIZADE - Manuela Fonseca</title>
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      <description>Recuso-me a ser aprisionada seja por quem for. Dou o meu melhor como mãe. Preocupo-me com os meus pais pela idade avançada e o receio do meu anunciado sofrimento, um dia. Sou uma cidadã que não se escraviza à sociedade. Vivo o meu mundo à parte. Sento-me no chão numa almofada oriental, cruzo as pernas entrando no Eu de Mim diante do meu jardim Zen e da minha Fonte, colocando um CD de meditação no meu leitor. Fecho os olhos e (re) vejo-me numa pedra salgada ao lado de possantes cataratas e verdes arbustos que só existem por ali... O incenso de Opium e todo este ritual ajuda-me a ser uma pessoa melhor. A liberdade desses momentos desenha-me o sorriso da alma que se reflecte no rosto. É disto que preciso para ser feliz, para nunca deixar morrer o outro lado da mulher que existe em mim. Um pouco selvagem e livre? Talvez &lt;br /&gt; Talvez um dia, também te conte outras coisas&lt;br /&gt;Já vai longa a missiva, perdoa-me minha querida amizade. Mas quando falo contigo é como se estivesse a pensar alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até sempre*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuela Fonseca</description>
      <pubDate>Wed, 29 Sep 2010 16:33:24 +0200</pubDate>
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      <title>Mancha Humana - Manuela Fonseca</title>
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      <description>Decorria o ano de 1803. &lt;br /&gt;Tropas britânicas atacavam &lt;br /&gt;Dezenas de aldeias africanas &lt;br /&gt;Na tarde quente &lt;br /&gt;O silêncio era rasgado &lt;br /&gt;Pelos gritos dilacerantes de criaturas &lt;br /&gt;Cuja vida era ceifada &lt;br /&gt;Num golpe cruel e inesperado &lt;br /&gt;O Sol torrava &lt;br /&gt;Centenas de corpos inanimados &lt;br /&gt;Espalhados em tropel &lt;br /&gt;Pela savana africana &lt;br /&gt;Em ritual lento e uniforme &lt;br /&gt;O batuque soava &lt;br /&gt;Incessante &lt;br /&gt;Anunciando o luto que pairava &lt;br /&gt;Sobre o continente negro &lt;br /&gt;Homens, mulheres e crianças &lt;br /&gt;Corriam espavoridos &lt;br /&gt;Embrenhando-se &lt;br /&gt;Na densa floresta virgem &lt;br /&gt;Derrubando a ânsia desmedida &lt;br /&gt;De escapar à morte &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o Monstro arrancado &lt;br /&gt;Dos Sóis que hão-de vir &lt;br /&gt;Seja o perfil de Satanás &lt;br /&gt;Revestido da cor do Luto &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aldeias e tribos inteiras &lt;br /&gt;A serem chacinadas &lt;br /&gt;Enquanto ali aos teus pés &lt;br /&gt;Jorrava o sangue ainda quente &lt;br /&gt;De uma jovem negra &lt;br /&gt;Atrozmente mutilada &lt;br /&gt;E mais sangue negro corria veloz &lt;br /&gt;Por toda a estepe angolana &lt;br /&gt;Vindos de todas as direcções &lt;br /&gt;Doíam-te os gritos &lt;br /&gt;Os passos confusos &lt;br /&gt;E o choro de crianças &lt;br /&gt;Invocando o nome de Mãe &lt;br /&gt;Já morta &lt;br /&gt;Com a tenra voz &lt;br /&gt;Impregnada de angústia &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caíste então, de joelhos &lt;br /&gt;Choraste lágrimas de impotência &lt;br /&gt;Ergueste os braços &lt;br /&gt;E gritaste: &lt;br /&gt;- Só peço uma única razão! &lt;br /&gt;Nada havia a fazer contra a fúria solta &lt;br /&gt;Das Bestas Humanas! &lt;br /&gt;Era o Medo! Era o Luto! Era a Fome! &lt;br /&gt;Era tão-somente, a requintada calamidade da guerra &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suplicando misericórdia ao deus da tua religião &lt;br /&gt;Bamboleaste o teu enorme corpo suado &lt;br /&gt;Ao ritmo do antigo ritual de feitiçaria &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a última imagem que me resta de ti meu irmão &lt;br /&gt;O resultado psicológico de tal façanha &lt;br /&gt;Contrária à moral e às leis da Natureza Humana &lt;br /&gt;Firmou-se numa impressão violenta &lt;br /&gt;De desgosto e repulsão &lt;br /&gt;Que tu e eu jamais esqueceremos! &lt;br /&gt;E por aí, num canto homicida do Planeta &lt;br /&gt;A besta continua a declamar: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu seja país de moléstia &lt;br /&gt;Morte, doença nefasta &lt;br /&gt;Onde não cresce a giesta &lt;br /&gt;Nem o terror se afasta &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lutemos, Senhor! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuela Fonseca &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1988) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 28 Sep 2010 19:07:48 +0200</pubDate>
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      <title>Não te detenhas em mim - Manuela Fonseca</title>
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      <description>Não te detenhas em mim&lt;br /&gt;Deixa apenas que me enrosque&lt;br /&gt;No teu sofá verde água&lt;br /&gt;E poise o rosto no teu colo&lt;br /&gt;Sentindo as tuas mãos&lt;br /&gt;Deslizarem pelo meu cabelo&lt;br /&gt;Que escorrega sem pressa&lt;br /&gt;Descobrindo os meus ombros&lt;br /&gt;Despidos de sedas orientais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitar-te-ei todas as noites&lt;br /&gt;Sem nunca me veres&lt;br /&gt;Mas sempre me sentirás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuela Fonseca</description>
      <pubDate>Mon, 30 Aug 2010 08:40:40 +0200</pubDate>
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      <title>Na intensidade dos gestos - Manuela Fonseca</title>
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      <description> Na intensidade dos gestos&lt;br /&gt; Só sei navegar&lt;br /&gt; Pela ausência do mar&lt;br /&gt; Que há muito tempo&lt;br /&gt; Me deixou em choro&lt;br /&gt; Compulsivo&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Navego em teu olhar&lt;br /&gt; Descubro segredos tardios&lt;br /&gt; Pardos de entender&lt;br /&gt; Palavras esculpidas&lt;br /&gt; Sentadas à beira da vida&lt;br /&gt; Que abriste docemente&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Num golpe profundo&lt;br /&gt; Parti o meu navegar&lt;br /&gt; E logo me perdi&lt;br /&gt; Arrependi&lt;br /&gt; Arrefecendo o horizonte&lt;br /&gt; Rude de caminhos&lt;br /&gt; Fraco de sorrisos &lt;br /&gt; Forte de outros amores&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Diante do meu último olhar&lt;br /&gt; O teu rosto fui buscar&lt;br /&gt; E a partilha era feita de ternura&lt;br /&gt; Onde eu já não cabia&lt;br /&gt; Nas vidas em que fui navegar&lt;br /&gt; Para a ti te as entregar&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Manuela Fonseca&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Fri, 20 Aug 2010 08:03:55 +0200</pubDate>
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      <title>Hoje choveu sobre a minha infância - Manuela Fonseca</title>
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      <description>Hoje choveu sobre a minha infância. Todos os vestígios que os meus pés deixaram no chão desapareceram. Tento lembrar-me dos meus antepassados. Alguns retratos da minha mente vêem-me à memória, quantidades indeterminadas de imagens. A praça cheia de produtos naturais no centro de Moscavide. As árvores que dormiam ao peso do calor, como a mão quente da minha avó que se colava à minha para não me perder de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá na minha terra quem marcava o lento ritmo da vida era o sol, as conversas de vizinhas, as noites de S. João e os Dezembros frios ou chuvosos. Talvez por isso, a minha recordação se concentrasse num rio. Ligeiro o flutuar das águas onde as minhas lembranças se incubavam. Onde a clareza do meu ser era mais translúcida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na terra do meu avô eles pescavam, elas lavavam a roupa e as crianças brincavam por ali. Era outro rio Nas suas margens vivas, existia um vasto aglomerado de canas doces. Quando eu era pequena, deitada sobre uma cama de palha, contei todas as estrelas do céu e agora não conseguia lembrar-me de quantas eram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lágrima arrastou-me para a verdade de que tudo era inocência. Talvez porque a maldade na terra do meu avô ou na minha se encontrava disfarçada. Eu era uma criança (para essa criança estas memórias) e hoje era tudo tão vago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o sol não iluminava nem esta nem a outra parte de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol pairava oscilante na outra margem e a chuva continuava a cair persistente, sobre a minha infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num ímpeto, agarrei em algo e escrevi uma ode metálica que começou com o processo de formação do barulho ao ranger dos meus dedos. Desesperada desci até à liberalidade do silêncio, até ao que de mais profundo tem a recusa das nascentes. Aí a água gelava, o coração estremecia e o vento arrancava as raízes do carvalho-lusitano. Assim as aves não podiam germinar e a paz não arriscava o voo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A passos largos aproximei-me do tempo das coisas secretas, cavalguei para o lado dos segredos e das mãos dadas onde eu desejei embriagada em perfume, que não mais chovesse na minha infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuela Fonseca</description>
      <pubDate>Mon, 16 Aug 2010 16:34:41 +0200</pubDate>
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      <title>Feliz Aniversário, Rosa Maria Anselmo! - Manuela Fonseca</title>
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      <description>Neste dia 29 de Julho&lt;br /&gt;Nasceu uma menina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quantos anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não me lembro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa a memória dos anos&lt;br /&gt;Importa o dia de hoje em que completas mais um&lt;br /&gt;E que seja sempre um dia feliz&lt;br /&gt;Encostada aos que mais amas&lt;br /&gt;Com aquele sorriso&lt;br /&gt;Que só pertence aos que o sabem valorizar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Ó Poetas, e agora que vos deixo eu de mim&quot;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo-vos aqui uma data a comemorar&lt;br /&gt;De uma grande amiga desta casa&lt;br /&gt;De uma menina-poeta, hoje&lt;br /&gt;Sim!&lt;br /&gt;Porque hoje é ela uma menina acabadinha de nascer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A que horas nasceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não me lembro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Aniversário, Rosinha!!!&lt;br /&gt;Com aquele abraço especial e um grande beijinho da tua amiga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelita*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29/07/2010</description>
      <pubDate>Thu, 29 Jul 2010 07:45:41 +0200</pubDate>
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