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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
    <lastBuildDate>Sat, 13 Jun 2026 16:16:51 +0000</lastBuildDate>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>O HOMEM QUE RECUSOU O OURO</title>
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      <description>O HOMEM QUE RECUSOU O OURO&lt;br /&gt;Ninguém sabia ao certo o nome dele. No bairro chamavam&#8209;no apenas o Descalço, embora até tivesse sapatos — gastos, tortos, sobreviventes de guerras que nunca travara. Trabalhava na estiva do porto da cidade, carregando caixas que pesavam mais do que os seus sonhos. Recebia uma miséria, dormia pouco, comia pior, e ainda assim caminhava com uma dignidade silenciosa que irritava os mais cínicos.&lt;br /&gt;Numa madrugada húmida, enquanto atravessava o matagal junto ao rio para cortar caminho, tropeçou em algo duro. Primeiro pensou que fosse uma raiz. Depois, que fosse um pedaço de ferro velho. Mas quando afastou a terra com as mãos, viu um brilho impossível.&lt;br /&gt;Uma barra de ouro.&lt;br /&gt;Depois outra.&lt;br /&gt;E outra.&lt;br /&gt;E outra.&lt;br /&gt;Quando terminou de escavar, tinha diante de si uma tonelada de ouro puro, empilhada como se os deuses tivessem decidido brincar ao contrabando.&lt;br /&gt;O Descalço ficou a olhar para aquilo longos minutos. Não sorriu. Não tremeu. Não gritou. Apenas suspirou — um suspiro tão fundo que parecia vir de todas as gerações de pobres antes dele.&lt;br /&gt;— Que nojo, murmurou.&lt;br /&gt;Não era o ouro que o enojava. Era o que o ouro fazia às pessoas. Vira homens bons tornarem&#8209;se cobras. Vira famílias destruídas por heranças. Vira colegas de trabalho venderem a alma por um aumento de cinquenta euros. Vira políticos, banqueiros, empresários — todos a curvarem&#8209;se diante do mesmo altar brilhante.&lt;br /&gt;E ele, que nada tinha, tinha pelo menos a liberdade de não ser escravo disso.&lt;br /&gt;Passou a mão pela testa, suja de terra, e tomou a decisão mais improvável da sua vida: não queria ser rico. Não queria carros, casas, viagens, relógios, champanhe, nada. Não queria transformar&#8209;se naquilo que desprezava.&lt;br /&gt;Então fez o que qualquer pessoa sensata consideraria loucura: empurrou a tonelada de ouro de volta para o buraco, cobriu-a com terra, alisou o chão com o pé e seguiu caminho para o trabalho, onde o esperavam mais caixas, mais gritos do capataz, mais cansaço.&lt;br /&gt;Mas caminhava leve.&lt;br /&gt;Levíssimo.&lt;br /&gt;Como se tivesse enterrado não ouro, mas um demónio.&lt;br /&gt;Durante semanas, o Descalço passou pelo mesmo sítio sem olhar para o chão. A tentação não o chamava. O ouro não tinha poder sobre ele. E isso, para ele, era a verdadeira riqueza.&lt;br /&gt;Um dia, ao regressar do turno, encontrou o capataz a discutir com dois homens engravatados. Tinham detectado “movimentações suspeitas” no terreno. Procuravam algo. Falavam de drones, de mapas térmicos, de investigações.&lt;br /&gt;O Descalço passou por eles, indiferente, e continuou o seu caminho.&lt;br /&gt;Sabia que, mais cedo ou mais tarde, alguém encontraria o ouro. E sabia também que quem o encontrasse ficaria condenado — à ganância, à paranoia, à violência, à miséria dourada que acompanha os ricos de espírito pobre.&lt;br /&gt;Ele, pelo contrário, tinha ganho algo que nenhum metal podia comprar: a certeza de que não precisava de nada para ser livre.&lt;br /&gt;E nessa noite, ao deitar-se na sua cama estreita, sorriu pela primeira vez em muitos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ajsn2&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Thu, 04 Jun 2026 18:03:36 +0000</pubDate>
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      <title>Jubileu de Diamante  - Guyana </title>
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      <description>Homenagem aos 60 anos de independência da Guyana  - Jubileu de Diamante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guyana um país de muitas disputas coloniais, europeias ( holandeses  e Britânicos),  sua herança cultural, d&#039;antes da chegada dos holandeses habitado pelos povos indígenas originários denominados Ameríndios por 12mil anos, povos como Arawak, Caribe, Wapishana, Makushi, Patamona e Wai Wai que habitavam as florestas, rios e savanas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viviam da caça, pesca, agricultura e biodiversidade&lt;br /&gt;Uma mescla de holandeses, Britânicos, afro-caribenha e indígenas oriundos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;País que hoje &lt;br /&gt;Em sua ordem cronológica há uma marca histórica de inúmeros povos fazendo parte integrante de sua história cheia de bravura...&lt;br /&gt;Nos primórdios haviam coloniais,&lt;br /&gt;povoados, vilarejos, cidadelas e cidades...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje um país que representa um&lt;br /&gt;Repositório de tesouro guardado em seu subsolo rico, seu combustível econômico é o  petróleo e minérios contidos no legado deixado por seus antepassados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma miscigenação racial, que  baseia-se em suas características culturais e  dar-se de inúmeras etnias que compartilham sua língua, religiões e tradições formatando a identidade coletiva de seu povo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a cultura dos nativos que já há muito habitavam seu território uma mistura histórica que deram origem a um povo guerreiro que lutaram por sua independência em 26.05.1966...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Localizada nos confins da Amazônia, abrangente Parque amazônico das Guianas tropicalmente úmida ao norte da América do Sul, na tríade fronteira da coragem e da fé&lt;br /&gt;que superam distâncias e vidas &lt;br /&gt;no Monte Roraima que é a janela da esperança que imortaliza a bravura dos que lutaram pela sua independência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Jubileu de diamante vem selar a sua trajetória defendendo cada palmo de seu chão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que seus precursores a defenderam com sangue suor e muito sacrifício dando ao seu povo a Liberdade duradoura em seu receptáculo de amor e vida a sua Pátria muito amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ray Nascimento</description>
      <pubDate>Tue, 26 May 2026 02:10:02 +0000</pubDate>
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      <title>&quot;A Casa Fala&quot; </title>
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      <description>&quot; A Casa Fala&quot;&lt;br /&gt;Projeto A Casa fala - Casa Petita Brasil - Patrimônio Histórico de Boa Vista-Roraima &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;A Casa Fala&quot;&lt;br /&gt;Uma linguagem mística esperançosa &lt;br /&gt;dos sonhos que ultrapassam gerações&lt;br /&gt;nas paredes de um templo intimo&lt;br /&gt;de verdades que são o farol da bonança &lt;br /&gt;vivificada a cada fusão de amor e cultura&lt;br /&gt;edificada pela pedra fundamentada &lt;br /&gt;pelos antepassados dos minérios e fazendas&lt;br /&gt;que ecoam em cada poro da família Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De forma piramidal &quot;A Casa Fala&quot;&lt;br /&gt;a linguagem de seu sanctum celestial&lt;br /&gt;d&#039;onde há os mistérios sandâlizados&lt;br /&gt;entre as primícias do invisível &lt;br /&gt;indelevel-mente apoemada &lt;br /&gt;pelo perfume primaverial &lt;br /&gt;antigo do ambiente &lt;br /&gt;nos porões dos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de forma piramidal&lt;br /&gt;Verticalizada no infinito&lt;br /&gt;No envelo do incenso&lt;br /&gt;De sândalo e mirra&lt;br /&gt;&quot;A Casa Fala&quot; e ecoa pelas obras-primas&lt;br /&gt;simbolizadas em cada parede vertical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;A Casa Fala&quot; &lt;br /&gt;A linguagem familiar &lt;br /&gt;do galardão alcançado &lt;br /&gt;do legado deixado por cada habitante&lt;br /&gt;que por ela passou e que até hoje&lt;br /&gt;habita em toda sua extensão &lt;br /&gt;magistal-mente organizada &lt;br /&gt;como se todas as noites esperasse a visita &lt;br /&gt;de seus donos e senhores do antepassado&lt;br /&gt;Não, não existe sentimentos&lt;br /&gt;do Pisando ou comendo&lt;br /&gt;No e ou/ o pão da vergonha&lt;br /&gt;Na anuência contida&lt;br /&gt;pois, são deveras herdeiros de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;A Casa Fala&quot;&lt;br /&gt;Vai-se levando a vida&lt;br /&gt;Sem pretensão a não ser viver &lt;br /&gt;em paz profunda&lt;br /&gt;Com os seus e com meus escritos&lt;br /&gt;na prosa poética que escorre pelos dedos &lt;br /&gt;da voz das mãos da poetisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;By Ray Nascimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Projeto A Casa Fala - Casa Petita Brasil - Patrimônio Histórico de Boa Vista-Roraima </description>
      <pubDate>Fri, 22 May 2026 19:49:45 +0000</pubDate>
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      <title>Vilarejo</title>
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      <description>O vilarejo da juventude sonha como quem respira, sem perceber, sem pedir licença.  &lt;br /&gt;Ali, tudo parece nascer de um sopro: o cheiro de padaria quente, a poeira dourada que dança no ar, o rumor das manhãs que se abrem como um livro antigo.  &lt;br /&gt;Os jovens caminham pelas ruas estreitas com a alma acesa. Carregam nos bolsos pequenas centelhas: um desejo que ainda não tem forma, uma coragem que mal aprenderam a nomear, um brilho que insiste mesmo quando o mundo parece grande demais.  &lt;br /&gt;As janelas, sempre entreabertas, deixam escapar murmúrios de futuro.  &lt;br /&gt;E cada casa, com suas paredes gastas, guarda um segredo: sabe que aqueles passos inquietos não ficarão ali para sempre, mas,  ainda assim acolhe, como quem segura água nas mãos só pelo prazer de sentir o frescor.  &lt;br /&gt;As tardes chegam com uma luz que parece inventada.  &lt;br /&gt;Os meninos sobem nos telhados para ver o horizonte, não porque esperam algo, mas porque pressentem e as meninas trançam histórias no vento, e o vento, vaidoso, leva cada palavra para longe, como se quisesse espalhar aquele sonho pelo mundo inteiro.  &lt;br /&gt;No vilarejo, até o silêncio tem música.  &lt;br /&gt;É um silêncio que pulsa, que promete, que guarda o instante antes do voo.  &lt;br /&gt;E a juventude, inquieta e luminosa, cresce dentro dele como uma chama que não se apaga.  &lt;br /&gt;Porque ali, naquele pequeno lugar que cabe na palma da memória, o sonho não é fuga, é raiz.  &lt;br /&gt;E cada jovem, ao partir, leva consigo um pedaço de céu que aprendeu a inventar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 05 May 2026 21:22:40 +0000</pubDate>
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      <title>Carris sem destino.</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=383575</link>
      <description>A locomotiva parte sem destino e sem passageiros, simplesmente parte. Segue sem rota, sem norte aparente. Quando atravessa caminhos e vales, desperta nela um desejo ardente de nunca ter partido, de ter deixado a sua mente fechada numa gaveta sem respostas.&lt;br /&gt;A locomotiva, quando para na estação que lhe foi destinada, sonha, ou melhor, desespera pelos passageiros prometidos. Mas parte, uma vez mais, com as carruagens mergulhadas em silêncio profundo.&lt;br /&gt;Quando a noite já vai alta, deseja perder-se na imensidão daquela floresta tropical que, antes de renascer, já era suportada pela fé. Em momentos de crença, tudo seria perfeito, mas para a locomotiva tudo se tornara nu. Sem motivos para continuar o seu caminho de dor, angústia e melancolia, ela avança pelos carris sentindo um ódio carnal, uma raiva incontrolável sobre as injustiças aclamadas.</description>
      <pubDate>Wed, 29 Apr 2026 08:55:15 +0000</pubDate>
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      <title>Pegadas no tempo</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=383438</link>
      <description>Deixei no tempo as pegadas da minha&lt;br /&gt;solidão impressa, colorida e tatuada numa&lt;br /&gt;prece sedenta, faminta e deveras tão hermosa&lt;br /&gt;Inspirado magiquei um adágio onde cada verso&lt;br /&gt;bailando deslumbra a manhã imortalizada numa brisa airosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvitrei aos céus enamorar-me dos seus azuis apaixonados&lt;br /&gt;Asfixiar-me na fecundidade intuitiva de cada eco caricaturado&lt;br /&gt;Parafrasear todos os dialetos do amor contido numa carícia invocada&lt;br /&gt;Além onde o dia brama e penetra nos ventrículos da luz quase sufocada&lt;br /&gt;Até enfartar o linguajar do silêncio, sonorizado numa hora em derrocada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frederico de Castro</description>
      <pubDate>Sat, 18 Apr 2026 14:30:39 +0000</pubDate>
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      <title> A espera que também me escreve</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=383412</link>
      <description>Eu não escrevo quando quero; escrevo quando algo dentro de mim decide falar. Por isso, aprendi a não violentar o tempo da inspiração. Em vez disso, preparo o cenário como quem espera algo sagrado, ainda que invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela mesma cidade, no dia seguinte, voltei à cafeteria. Desta vez, entrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhi uma mesa próxima à janela. Gosto de ver o movimento sem necessariamente fazer parte dele. Pedi o café forte, sem açúcar, e deixei o livro aberto diante de mim, embora eu não estivesse exatamente lendo. Eu amo a leitura, mas há dias em que as palavras dos outros servem apenas como companhia, não como destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O café chegou. Segurei a xícara com as duas mãos, como quem busca aquecer não apenas os dedos, mas alguma parte mais funda de si. Soprei levemente, observando a fumaça subir em espirais delicadas, quase como pensamentos que ainda não se formaram por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inspiração não vinha. E eu já não me desespero por isso. Houve um tempo em que a ausência das palavras me parecia abandono; hoje, entendo: o silêncio também escreve, só que por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado de fora, a brisa de outono atravessava a rua com uma elegância discreta. Algumas folhas se desprendiam das árvores e dançavam no ar antes de tocar o chão. Eu acompanhava esse movimento com uma atenção quase devocional. Gosto disso — do que não precisa de aplauso, do que simplesmente acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solitude não me assusta. É ali, naquele espaço onde ninguém exige nada de mim, que me encontro mais inteira. Não há performance, não há pressa. Apenas presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folheio o livro sem realmente avançar na leitura. Meus olhos, vez ou outra, desviam para as pessoas ao redor. Observar é um dos meus hábitos mais íntimos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um casal discute em voz baixa, mas com olhares que gritam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem sozinho digita no celular com urgência, como se o mundo dependesse daquela resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas amigas riem alto, despreocupadas, alheias a qualquer julgamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não julgo. Eu recolho. Guardo gestos, expressões, silêncios interrompidos. Sei que, em algum momento, tudo isso encontrará forma dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino o café. A inspiração ainda não chegou, mas algo dentro de mim está sendo preparado — eu sinto. Eu não sou feita apenas das palavras que escrevo, mas também das que espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanto-me com calma, ajeito o livro contra o peito e lanço um último olhar pela janela. A brisa continua. E, por um instante breve, quase imperceptível, uma frase me atravessa — leve, como folha em queda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Há silêncios em mim que não são ausência… são gestação.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrio. Não anoto. Algumas palavras gostam de amadurecer antes de nascer no papel.&lt;br /&gt;Primeiro Texto &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=383166&quot; title=&quot;https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=383166&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=383166&lt;/a&gt;</description>
      <pubDate>Thu, 16 Apr 2026 01:37:49 +0000</pubDate>
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      <title>Uma sombra sem aura.</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=383410</link>
      <description>Nascido a 22 de junho de 1988, Dante Belmonte é um homem que habita as frestas do tempo. Atualmente com 37 anos, o seu percurso não se mede por marcos ou conquistas públicas, mas pela lenta acumulação de silêncios e pela observação rigorosa daquilo que a maioria deixa passar. Residente em Lisboa, percorre as ruas da cidade, mantendo sempre uma distância prudente que lhe permite ver o mundo sem ser absorvido por ele. Para Dante, a cidade não é um cenário incomum, mas um labirinto de histórias anónimas onde ele escolhe ser apenas mais uma sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua infância foi moldada pelo ritmo de uma casa antiga, onde os livros acumulavam mais tempo do que leitores. Cresceu entre o cheiro a papel guardado e o som metálico de máquinas de escrever que já ninguém usava. Dante começou a sua primeira coleção, não de objetos mas de singelas observações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele ambiente vazio não era algo a ser preenchido, mas sim compreendido. Para o jovem Dante, a escrita surgiu não como um talento, mas como uma ferramenta de sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&#8203;Ao longo das últimas décadas, Dante Belmonte cultivou a escrita como um momento introspetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que surge agora não é uma simples ambição literária súbita, mas anos de rascunhos, cadernos rabiscados e papéis soltos. Textos esses que nasceram na noite ou na pausa de um dia longo, escritos sem a pressão do olhar alheio e sem a preocupação de seguir correntes ou modas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este autor &#8203;reflete uma filosofia de vida muito clara. Para Dante, vivemos numa era de excessiva exposição, onde tudo parece exigir um brilho artificial, uma aura que muitas vezes esconde o vazio. A sua escrita é apresentada na sua forma mais bruta e honesta e não pede licença para ser sentida. Dante escreve para quem ainda valoriza a pausa, para quem sabe que uma frase curta pode carregar o peso de um dia inteiro e para quem não tem medo de encarar o que habita no avesso das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&#8203;O heterónimo Dante Belmonte não procura o reconhecimento da sua identidade, mas a libertação dos seus textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ele, o que importa não é quem segura a caneta, mas a marca que ela deixa no papel.</description>
      <pubDate>Wed, 15 Apr 2026 23:54:12 +0000</pubDate>
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      <title>O Café sem Açúcar</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=383166</link>
      <description>&lt;br /&gt;Passei hoje por uma cidade que conheço há muitos anos.&lt;br /&gt;Seus moradores são eloquentes, quase devotos da literatura. Caminham entre livros e ideias como quem reconhece seus semelhantes e parecem preferir a companhia dos que falam a mesma língua das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei em uma cafeteria. Preferi ficar do lado de fora. Há algo na tarde que me chama para o ar livre quando tomo café. Gosto dele forte, sem açúcar como quem aprecia a verdade das coisas sem adorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me em silêncio e observei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um deles estava rodeado de mulheres. &lt;br /&gt;Todas inclinadas na direção de sua presença, disputando pequenos gestos de atenção. Pensei sem malícia, apenas com um leve sorriso interior: são tietes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei com meu café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo não me incomodava. Curiosamente parecia incomodá-lo. Eu sabia que ele me observava. Mesmo cercado de atenções, parecia não conseguir sair daquele centro de admiração onde estava preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me levantei para sair, ouvi uma voz atrás de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tome um café comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para trás. Era ele agora de pé, como quem precisa tornar visível o próprio gesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inclinei-me em agradecimento e expliquei que não poderia aceitar. Havia muita aglomeração para um café e eu não demoraria ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ele veio até minha mesa e disse com um brilho tranquilo na voz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu já pedi o café e me adiantei em dizer que sabia como você gosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorri diante da ousadia delicada. Aceitei, mas adverti que seriam apenas poucos minutos. Tinha um compromisso e não poderia demorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele concordou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se e começou a fazer muitas perguntas. Perguntas curiosas, atentas, quase investigativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondi poucas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por desinteresse, mas porque há conversas que prefiro deixar respirar no espaço do silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebi o café devagar. Entre perguntas e respostas curtas, percebi algo curioso &lt;br /&gt;Talvez ele estivesse menos interessado nas minhas palavras do que no fato de eu não disputar as dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas presenças inquietam mais quando não pedem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminei o café. Agradeci com a leve inclinação de quem reconhece o gesto, mas não o transforma em promessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despedi-me com a serenidade de quem sabe que certos encontros pertencem apenas àquele instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voltei à tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ar livre, ao silêncio e ao gosto firme do café que prefiro. Forte, inteiro e sem açúcar.&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Fri, 27 Mar 2026 18:01:14 +0000</pubDate>
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      <title>Para ser grande </title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=382452</link>
      <description>Para ser grande sê tu,&lt;br /&gt;e no outro por igual.&lt;br /&gt;Não te envaideças perante&lt;br /&gt;ninguém nem te diminuas&lt;br /&gt;quando te olhas de olvido,&lt;br /&gt;pois que assim todo o momento&lt;br /&gt;de dúvida e de incerteza&lt;br /&gt;é como um espelho oblíquo e traiçoeiro,&lt;br /&gt;que te escurece a mente e&lt;br /&gt;tolda-te a alma e o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se deixas que a erva daninha medre,&lt;br /&gt;todo o jardim, por mais que dele&lt;br /&gt;cuides, fenecerá como se a Lua&lt;br /&gt;abraçando o Sol, e já cai o breu.&lt;br /&gt;Assim põe só o melhor de ti,&lt;br /&gt;sendo naturalmente tu, em tudo que tens&lt;br /&gt;e dás a mostrar…, entanto não&lt;br /&gt;deixes que a Ira te tome ou destrua&lt;br /&gt;teu intento primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deuses, com pés de barro, vede-os cair&lt;br /&gt;por onde passas…. E se trouxeres um amigo&lt;br /&gt;pela mão, mostra-lhe que ele é dono&lt;br /&gt;e senhor do seu caminho,&lt;br /&gt;pois só dessa forma passarás além de ti&lt;br /&gt;e por gratidão te tomarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge Humberto&lt;br /&gt;02/02/2026&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Thu, 05 Feb 2026 12:53:46 +0000</pubDate>
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