NUVENS NEGRAS

 
NUVENS NEGRAS
 
HÁ NUVENS NEGRAS QUE PASSAM
HA NUVENS NERGRAS QUE FICAM
HA NUVENS NEGRAS QUE DEVASSAM
AS PÁGINAS DA NOSSA VIDA

A. DA FONSECA
 
NUVENS NEGRAS

Amanheceu uma Esperança

 
Hoje o sol acordou vermelho
Eu jamais havia visto algo assim
As ruas de paralelepípedos estavam tomadas
Por vozes de reconhecimento
Eles eram jovens
Havia um grito em seus pensamentos;

Eles marchavam com uma certeza
De que a coragem cairia como chuva
As luzes de mercúrio estavam acesas
Estava amanhecendo uma esperança em nossos corações;

Eu precisava acreditar que era possível
Então eu também era jovem...

Todos os sonhos que passaram pela minha cabeça
Eu jamais havia sentido algo assim
Tomamos a cidade proibida
Reviramos velhos livros da história
Eu acreditava ser possível;

As nossas mãos ainda estão feridas
Mas jamais desistiremos
Porque o sol ainda brilha
Porque ainda somos jovens;

Se você luta pelo seu amor...
Não desista até o entardecer
Se as luzes ainda estiverem acesas
Nós jamais desistiremos;

Estava amanhecendo uma esperança em nossos corações
Eu acreditava ser possível
Então eu também era jovem.

Produzido por Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Agosto de 2011 no dia 20.
 
Amanheceu uma Esperança

MENINO DE RUA

 
MENINO DE RUA

Um menino me diz!
Pra me ajudar
Dá-me o sapato pra engraxar?
É que eu preciso
Ganhar um tostão
Pra que na mesa de amanhã
Não venha faltar o pão...
O leite não é preciso
Não tenho irmão pequeno
É que eu sou filho adotivo
E trabalho pro meu sustento...
Ande logo tio!
Antes que me assalte a fome
Será que eu pedi a Deus
Que nascesse na casa de pobre...
Quase não tenho brinquedo
Não tenho estudo
Não tenho futuro
A única coisa que tenho
É um caixote nas costas
E aniversário no mês de outubro...
A senhora minha mãe me espera
Ansiosa por minha chegada
Sem dinheiro na mão
Eu não volto pra casa...
Engraxa bom moço!
Já está anoitecendo
Sou menino de rua
E sem a grana tua
Vou dormir no sereno.

Escrito por Marcelo Henrique Zacarelli
Maio de 2002 no dia 20
Itaquaquecetuba (SP)

Não tenho estudo
Não tenho futuro
A única coisa que tenho
É um caixote nas costas
E aniversário no mês de outubro...
 
MENINO DE RUA

Viagem sem Sentido

 
Naquela tarde cinzenta e fria de inverno
Logo após o enterro de minha amada;
Caiu sobre mim a penumbra em meu quarto
Escureceu a consciência, congelo-me a alma;
Restaram-me pensamentos retorcidos do passado
Um cântico fúnebre ecoou em meus ouvidos
Os jardins tornaram-se mais empobrecidos
Fazendo-me sentir o amargo perfume das rosas em desespero;
Estas mesmas rosas enfeitavam uma viagem sem sentido
A terra tragou parte de meu corpo, cuspiu a dor no intimo de minha alma
Furtou um sentimento sóbrio, minha sina que agoniza no silêncio;
A história contra diz a própria estória...
Você se perdeu em meio às cinzas, se vestiu de negro
Embriagou a lucidez, despiu-se dos meus olhos e desapareceu
Tua voz calou o meu desejo de gritar
Não se pode colher sem antes poder plantar;
Tristeza que ficou pelos caminhos que passar
Não há com quem dividir a dor, ossos quebrantados que restou
Não me falem nada sobre amor, não quero lembrar o que passou;
Onde quer que eu vá te levo no olhar, em meu viver, meu pesar...
Como a semente que nunca Morre, vive você dentro de mim
Vou esperar o dia em que os túmulos vomitarão os seus mortos
As entranhas das celas que acorrentam sentinelas
Vou aguardar ansioso o silêncio das tumbas se quebrarem
Como o cair da folha sobre a chuva;
Enquanto viver a esperança de encontrá-la dentro de mim
Não será sepultada com teu corpo.

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Itaquaquecetuba, Setembro de 2001 no dia 25.
 
Viagem sem Sentido

FALSO AMOR

 
FALSO AMOR

Meu corpo reclama tua mão
Meu sorriso uma questão!
Questão de tempo pra envolver
Pra te amar ou esquecer...
Ir a busca da compreensão
Mas na minha indecisão
Eu me entreguei
Nossas roupas pelo chão
Eu confessei
São mentiras tão sinceras
Pra iludir
Pra ficar e te encarar
Talvez fugir...
Sou criança sem segredo
Sem brinquedo
Sou mulher
Não tenho medo
Pois teu corpo
Eu já conheço...
Só queria te dizer
Que a saudade está comigo
Por quem possa parecer
Já que tento e não consigo
E preenches o meu peito
Um vazio em meu seio
Tão estranho e absoluto
A solidão me deixa mudo
Falar de amor é complicado
Mesmo sendo um falso amor
Eu te quero do meu lado.

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Setembro de 2002 no dia 15 Itaquaquecetuba (SP)

São mentiras tão sinceras
Pra iludir
Pra ficar e te encarar
Talvez fugir...
 
FALSO AMOR

CORAÇÃO EM PEDAÇOS

 
CORAÇÃO EM PEDAÇOS

As tuas manhãs têm um sol frio
Um outono displicente e tímido
Teu caminhar faz sombrio
O pensamento de um menino
Vazio, inibido e indeciso...
Estas manhãs que eu aspiro
Imagino e me sacio
De vontades e tardes covardes
Onde o fel é meu caminho
Sombras não podem me seguir
E duvidam do meu existir
Quem dera estes bilhões de átomos
Que se tornou meu coração em pedaços
Em meu peito matéria voltaria a ser
As manhãs não voltariam a me ver
Por quê a noite sorriu a se decompor
Na morte absoluta em que encontrei meu amor.

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Abril de 2009 no dia 12
Village Itaquá (sp)


De vontades e tardes covardes
Onde o fel é meu caminho
Sombras não podem me seguir...
 
CORAÇÃO EM PEDAÇOS

DESILUSÃO

 
DESILUSÃO

Há tempos ouvi dizer
De estórias que... Por alguém morrer
Ou viver... Sem alguém, se perder...
O amor com saudade do ódio
O bem e o mal, por sinal!
Juntos em um mesmo objetivo
No coração pulsar, furtar, sofrer...
Como ouvi dizer, há tempos...
O amar, o trair se enganar...
No olhar que cega este meu duvidar
Desenganos... Hó quantos
Sorrisos profanos, e desilusão...
Quando se senti escapar pelas mãos
Uma vida, uma saudade, uma lida...
Da perversa soma subtraída
Os anos de quem amei ou odiei
Nos versos desta poesia recitei
Sei que ainda vou amar odiar e sofrer
Como há tempos ouvi dizer.

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli / Dezembro de 2008 no dia 12

Desenganos... Hó quantos
Sorrisos profanos, e desilusão...
 
DESILUSÃO

Tempo de Esquecer

 
Quanto tempo faz, há quanto tempo...
Só a saudade dentro do meu peito pode me dizer
Quanta falta sinto de você;
Dos tempos que ouvia dizer que me amavas
As lágrimas que se afogavam em meus lábios quando me beijava
Só o tempo poderá dizer...
Se bem que o ditado da vida nos ensina que um dia tudo passa;
Você passou e transformou minha maneira de sentir
Pergunto, onde anda você agora?
Onde estão perdidos aqueles sentimentos que por dentro nos corroia?
Será que a distancia poderá apagar nossas chamas?
Só de lembrar os teus olhos nos meus, como que fazendo promessas de um dia me amar;
Ainda me alimento do passado, e nem o tempo parece capaz de me fazer esquecer
Hoje posso ver as cicatrizes que o destino me reservou
Como é gostoso sonhar com você mesmo não podendo tocar o teu corpo
Ele me parece tão real, por que sinto meu suor misturar teu perfume
E ao acordar sinto o lençol encharcado por vontades consumidas
Sei que o tempo fará com que os jardins floresçam, porém a minha alma em flor murchará com a ausência do calor do teu corpo;
O vento passa e carrega consigo as minhas lágrimas, meu rosto se desfigurou, inexistiram em meio às multidões de pensamentos;
O tempo que faz nascer, faz morrer, faz amar, faz sofrer...
Você me amou e me fortaleceu, ensinou-me o caminho nos momentos de incerteza
Deixou-me, como em um dia de outono, as folhas em palavras se perderam...
Agora na dor pude entender o caminho a seguir;
Quanto tempo faz, há quanto tempo...
Hoje quero sonhar e não mais acordar;
Se há tempo para todas as coisas, hoje é tempo de esquecer
Porque eu preciso simplesmente existir.

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Itaquaquecetuba, Julho de 1993 no dia 17.
 
Tempo de Esquecer

O DOCE DO FEL É O AMARGO DO MEL

 
O DOCE DO FEL É O AMARGO DO MEL

Pintei teus lábios profanos
Com tintas aborrecidas de amargura
Confundi-te com a ternura
Com os pecados de meus anos...
Eu te pintei loucamente
No quadro de um eloqüente
De sorrisos perdidos em vão
Na borra severa do zarcão...
Eu quis te imaginar por inteiro
Na tela selvagem do meu olhar
Quis pecar, tocar, me perturbar!
Este artista é mesmo um insano
De olhares guaches que sofrem este pano...
Lamento se minha alma adsorve
Pela minha veia incólume
Ao me confrontar com a tinta
Do amargo ilusão da retina...
Estou em decline com a criação
Deste estúpido poeta Platão
Desvia me o pincel por um momento
Ludibria a vaidade do meu pensamento
Entorpecido por um lábio que não é meu
Fernanda não és minha...
És pintura fraudulenta de um réu
És o doce de um fel
És amargo de um mel.

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Dezembro de 2008 no dia 01
Village Itaquá
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Este artista é mesmo um insano
De olhares guaches que sofrem este pano...
 
O DOCE DO FEL É O AMARGO DO MEL

MEIO QUE SEM QUERER

 
MEIO QUE SEM QUERER

Porque te olho assim
Meio que pela metade
Observo-te com medo
Meio que incompleto;
Porque te quero assim
Quase que não querendo
Descobrir-me
E ter que aceitar
Que o que sinto é amar...
Porque escrevo assim
Meio que desconfiado
Deste meu sentimento
Esta poesia meio que contrariado
Forçarão-me palavras
Que meio sem querer
Saltam dos meus dedos.

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Fevereiro de 2009 no dia 17

Porque te quero assim
Quase que não querendo
Descobrir-me
E ter que aceitar
Que o que sinto é amar...
 
MEIO QUE SEM QUERER