Esqueço-me

 
Mesmo sem sair de casa sinto o vento que percorre as ruas à minha procura. E aconchego-me um pouco mais nesta minha cama de sonhos nunca partilhados… Oiço a voz da chuva a chamar por mim num desafio de coragem e ainda assim o calor dos lençóis e das mantas da minha cama prendem-me propositadamente.
Estou entre o querer ir e o querer ficar!
Pergunto-me de que vale ir ao encontro dessas questões da natureza e, na mesma pergunta, embargo o meu desejo de ficar num espaço em que já não tenho tempo para sonhar…

Sinto-me em falta noutro local. Nesse momento de alguém que queira o apoio que posso oferecer ou que, simplesmente, só queira um dos meus sorrisos que esbanjo pela vida fora.

Mas teimoso, fecho os olhos, e numa reviravolta estratégica adormeço devagar…
Esqueci-me de tudo e de todos! Até de mim…
 
Esqueço-me

Nova Cultura

 
A cultura do umbigo é a nova arma de quem não quer evoluir em sociedade, mas só dentro do seu EGO…
 
Nova Cultura

PALMOS OU METROS?

 
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A LINGUA É COMO O HOMEM, NÃO SE MEDE AOS PALMOS.

DE A, DA FONSECA
 
PALMOS OU METROS?

Sou Feliz

 
Sou feliz, as vezes e em outras, estou procurando o caminho…
 
Sou Feliz

perdido no espaço

 
Hoje nada tenho para partilhar - sobra-me um silêncio - dos olhares e das luzes solitárias das noites frias…
Hoje não quero alegrias nem tristezas… nem me quero a mim!
Se me virem por aqui - ou por aí - mandem-me para casa.
Mais tarde quando estiver em mim saberei agradecer-vos…
 
perdido no espaço

sou palhaço assumido...

 
Querelas levaram-me ao paraíso… e lá senti-me efémero.
Então perguntei ao meu umbigo: - Que procuro eu?
Sem que conheça a resposta – sentíreis-me idiota – O Ser das ideias em prol dos ideais…

No passado fui um palhaço do circo da vida…
 
sou palhaço assumido...

Hoje não...

 
Hoje não vou apoquentar as palavras, mesmo que o teu sorriso não cesse, ou que te laves em lágrimas não permitirei que algo aconteça ou que tudo aconteça.
Hoje não vou apoquentar as palavras, ficarei fechado no silêncio dentro mim, de olhos vendados como um prisioneiro de uma guerra que nunca existiu…
Hoje não vou apoquentar as palavras, não me peçam nem me gritem, porque não me importa, hoje nada me importa mesmo.
Desculpem! Não vos direi nada, nem mesmo que, hoje não vou apoquentar as palavras…

(Foto de: Piotr Kowalik)
 
Hoje não...

Sou Livre de Brincar, Sentir ou Sonhar!

 
Brinco com as palavras como uma criança que brinca na inocência com um qualquer brinquedo em que constrói o seu segredo ou mostra o seu prazer sem enredo…
São palavras que correm pelo meu rio da imaginação, roubo-as e devolvo-as porque as quero apenas durante a brincadeira que me pode entreter ou desafiar como um jogo em que queremos jogar e ganhar…
Não as compro porque são de graça e na graça das palavras consigo sorrir com elas e na alegria que existe jogo até ao infinito que me faz chorar na busca da compreensão do sentido que quero entender… não que elas queiram transmitir-me algo porque sou eu que quero entender o seu sentimento á minha maneira, porque cada um é livre de brincar, sentir ou sonhar!

Sei onde as palavras moram, como um segredo bem guardado e sempre que me apetece brincar vou tocar á sua porta, timidamente, pedindo-lhes para brincarem… e os anos passaram, fui perdendo todas as outras brincadeiras e aqueles que comigo brincavam também foram em direcções opostas… resta-me hoje a amizade de algumas palavras, o conselho sábio de outras e a brincadeira de quase todas. As palavras são as minhas melhores amigas, o meu melhor sentimento ou a minha maior ilusão… são o que são, que me importa se sou livre de brincar, sentir ou sonhar!
 
Sou Livre de Brincar, Sentir ou Sonhar!

Solidão II

 
Anoitece. O Sol… fugiu-me com uma despedida tímida. Ainda contemplei as cores que vestia nessa viagem do adeus. Essa relação cor de fogo que partilhamos como nossa, extinguiu-se no silêncio dos sentimentos. Amanhã voltarás! Vou deixar-me ficar, nesta praia deserta, à espera que uma onda qualquer me traga noticias tuas. Talvez um dia… voltes numa canoa de alegria e assim afastes a solidão de mim…
 
Solidão II

Ao Meu Anjo

 
Hoje chego cansado. De tanto lutar com as palavras ditas. Ditas ao meu rebanho que nos montes andou impávido e sereno sem que o som das minhas palavras fizesse o mais pequeno ardor aos seus ouvidos.
Cansa-me. Esta mania na forma de desprezo cansa-me. Empurra-me para uma solidão que não quero. Só tu, minha santa amada, saberás compreender. Mesmo que a distância nos mantenha separados a compreensão estará sempre em nós.
É para ti que deixo o melhor do dia, uns beijos campestres!
Tu hoje mereceste! Em boa verdade mereces sempre…

(in - Diário de Um Pastor)
 
Ao Meu Anjo