QUANDO EU ME FOR EMBORA

 
QUANDO EU ME FOR EMBORA

Quando eu me for embora, levarei comigo

a madrugada e de meu pai, suas mãos rudes,

com que moldava, a golpes incisivos,um tronco
frágil

insubmisso, sempre em sentido vertical.

De minha mãe, não esqueço, a ternura que mandava, disfarçada,

por entre o pão suado e a manteiga. Assim cresci.

Quando eu me for embora, também não esquecerei, os luares

que percorri, envolto em ti, sem precisar de

leito. Assim cresci.

Mais tarde, pouco mais, hei-de lembrar-me daquilo que não fiz.

Mas quando eu me for embora, é porque morri, cá dentro,

por não saber cuidar de ti, amor-perfeito.

arfemo
 
QUANDO EU ME FOR EMBORA

No Silêncio...

 
No Silêncio...
 
 
No Silêncio...

No silencio da noite que não passa
Minha'álma sai a procura da tua
O frio é intenso e me trespassa
Um vento que assobia lá na rua

Sozinha converso com a solidão
Que escuta atenta como irmã
Olho o relógio e já é de manhã
Desabafei coisas do meu coração

Respiro lavo o rosto e escovo os cabelos
Por segundos penso diante do espelho
Meus sonhos estão presos em castelos

O sol já acordou e está brilhando
Por ser sábio lhe peço um conselho
Desisto ou continuo sonhando?

♫Carol Carolina
 
No Silêncio...

O Grito

 
 
Dizem por aí
Que se diz muito em poucas palavras
Às vezes acredito
Penso que sou poeta
Iludo-me
E quero acreditar
Que sou fenomenal
Único
E mesmo sem falar
Basta-me um gesto
Para ser um génio do amor
Translúcido
Penso eu.
Então digo-me:
É verdade
Não escrevas
Não fales
Sorri apenas
Alguém acreditará que és especial.

Mas depois
Já nu
De tanto meditar
Escolho um mundo:
Redondo
Azul
Com mares
Com alma, sol e sal
Cheio de gente como eu
Aqueles que são poetas só às vezes
Esfrego os olhos
E vejo
Lá no fundo
Onde a luz é escassa
E as sombras são vida
O choro
Esse…,
Que nunca se ouve
É onde os poetas de verdade se tornam homens
Onde nascem as dores
As desilusões
As emoções
As perdas
As saudades
As pessoas perdidas
Os tempos passados
Ou mesmo um grande esforço
Para se ser aquilo que nunca se será
E aí…
Sinto a falta das palavras.

Revejo os sons
Do que poderiam ser palavras faladas
Mas afinal são vaidades
De apenas terem tempo
Para o ego

Descubro então
Que afinal
Os poetas nada dizem
Eles
Dizem que dizem
Porque escrevem
Mas não transpiram
Não ofegam
Não sorriem
Não tocam
Não negam
Não gemem
Não olham
São papel…

Mas eu
Homem deste mundo
Redondo
Azul
Com mares
Com alma, sol e sal
Cheio de gente como eu
Esgotado para todos estes poetas
Digo-lhes:
Digam-me na cara
Nos olhos
Nesta alma que chora
Nesta vida que também é vossa
Digam-me
Apenas mais que uma palavra
Mesmo que seja
Gosto de ti

Mas não
Não…
Desculpem
Não chega
Eu quero mais
Quero que falem
De vocês
De mim
Do vizinho
Do irmão
Do vosso amigo
Do meu amigo
Do mundo
Do vosso mundo
Quero-vos sentados
Quero-vos ao meu lado
Quero esse vosso olhar
Mesmo feio
Ou bonito
Não interessa
Só quero que não escrevam
Quero que falem
Não se calem
Falem
Sejam poetas de verdade
 
O Grito

COMUNICAR PHODAVONY

 
Um suave comentário
A quem não sente o que diz;
Quando diz, de modo vário,
Diz a coisa e o seu contrário,
Sempre dum jeito infeliz!

É que, para dizer da arte,
Há que ter arte a dizer...
Senão vá àquela parte
Ou então vá-se render.
Um conselho a reter:

Imagine que não leu...
Não sentirá que perdeu;
Pois a sua mente lerda,
Não irá sentir a perda
De esquecer o que aprendeu.

Pire-se, zarpe, baze;
Não lhe serve de catarse
É melhor se escapulir;
Mas não comente mais nada...
outro conselho a seguir;

Não se dê a essa maçada;
Vá abraçar uma almofada
E finja que vai dormir.

Mas se acaso adormecer
E acordar com tremeliques,
Saberá o que fazer:
Ponha os dedos a mexer
em cima dos apliques.

De Orléans, com amor

Joana D'Arc
 
COMUNICAR PHODAVONY

CABO DA ESPERANÇA

 
CABO DA ESPERANÇA

Quanto custou dobrar o Cabo,

Assegurar os mantimentos

E o ânimo dos Homens?

País de marinheiros, de aventuras,

Ninguém pergunta quanto custa

Dobrar o cabo da ternura.

Dobrar o Cabo, sem perder a esperança,

E ao sabor do vento navegar,

Indiferente à tempestade ou à bonança,

Ser uma ilha entre o azul e o mar.

arfemo

(reed.)
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CABO DA ESPERANÇA

MORTE DE UMA ÁRVORE...

 
MORTE DE UMA ÁRVORE...
 
Morte de uma Árvore...

Uma árvore grande e imponente
Fazia sombra , morada de passarinho
Para mim muito mais do que importante
Ficava em frente da casa do vizinho.

Venderam a casa veio outro morador
Que com certeza odeia a natureza
Uma pessoa com senso destruidor
Logo deu fim, destruindo uma beleza.

Cortou seus galhos sem ter dó nem piedade
Sobrando o caule de quem vivia a encantar
Banhou com óleo, reforçando a maldade
Assim sendo, pobre ficou sem respirar.

Mas comigo carregava uma esperança
Que não morresse, e voltasse a brotar
Numa tarde foi dada a sentença
Um machado terminou com meu sonhar.

Foram horas de intenso exercício
Do homem com o machado a golpear
Finalmente terminou o sacrifício
Fiquei triste ao vê-la tombar!

♫Carol Carolina

Foi real o que aconteceu.
Era uma árvore imensa, passava
do telhado e suas raizes não estavam
estragando nada.
Bem no dia da entrada da primavera eu
assisti e chorei de verdade, sentia
vontade de ir lá e tirar o machado do
infeliz que foi pago para fazer tal
maldade.
 
MORTE DE UMA ÁRVORE...

MEU CORAÇÃO.

 
MEU CORAÇÃO.
 
Meu coração.

Com fios dourados de carinho
Teci uma corrente de ilusão
Seus elos presos com jeitinho
Para não sofrer um arranhão

Com cuidado amarrei um embrulhinho
Dentro dele coloquei meu bem maior
Ajeitei tudo com muito carinho
Dando o que tenho de melhor

Está repleto de um sentimento
Que não quero comigo levar
Então resolvi pedir ao vento
Meu embrulhinho entregar

Quando então ele chegar
E tiveres segurado em tua mão
Neste mundo não vou mais estar
Porque te mandei meu coração!

♫Carol Carolina
 
MEU CORAÇÃO.

SOFIA

 
SOFIA

1.
À medida que o tempo humedecia,

crescia entre a areia do pecado,

cálida na substância e na idade.

Fez-se mulher: sumo de romã

em taça fria.

2.
Sacudiu graciosamente os ombros,

abotoou, lasciva, o último botão,

pegou na sacola, cingiu o corpete,

e partiu naquele dia, como nos demais,

mas jamais apareceria,

Sofia.

arfemo

rep.

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SOFIA

Nada De Nós

 
Odeio o lado vazio da cama onde me deito. Durmo de braços atados para que não transponham os limites do encaixe silencioso que o meu corpo moldou no colchão. Preciso de tréguas da dor da tua ausência que envenena cada inspirar expirado.
Porém, mal adormeço, o meu coração implora aos braços que se estiquem e te procurem na infinitude do vazio, na esperança inútil de te sentir. Acordo cada dia com o sabor caústico da saudade no peito e os braços debulhados em lágrimas. Nesse árido instante a realidade castra-me os sentidos. Não há mais beijos. Não há mais sorrisos suados. Não há mais frémitos de emoções, nem palavras exaladas em murmúrios. Nada de nós.
A inútil existência de mim remeteu-me a um vácuo mórbido que dilata a cada hora que passo sem ti.
E o vazio do outro lado da cama olha-me pétreo e inabalável.
 
Nada De Nós

TEMPO DE PARTIDA

 
TEMPO DE PARTIDA

A terra é fresca, entumecida,
O fruto escasseia ou está ausente,
Aproxima-se o tempo de partida.

Que nada impeça
O traçado oblíquo da razão,
Nem o riso da criança,
Nem a ternura de irmão.

Percorrida em traços largos,
Ao sabor do vento forte,
Por entre o Sul e o Norte,
Da minha imaginação.

Nela encontro o que procuro.

Arfemo
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TEMPO DE PARTIDA

Carta Aberta aos meus amigos lusos

 
Sigo diariamente tudo o que por aqui se vai passando neste Luso de escrita e contra-escrita. Fiquei na dúvida se deveria ou não intervir, isto é, escrever o que penso. Afinal, ao fazê-lo, estou também eu a subscrever a contra-escrita, não que esta me aflija enquanto forma de criatividade dos autores, até penso que será salutar, e se for criativa, até acaba por trazer mais diversidade a este espaço, muitas vezes carente de novas ideias e novas escritas.

O que mais me incomoda, são os ataques constantes, que diariamente surgem neste espaço. Começo seriamente a pensar que talvez não me reste outro caminho que outros colegas tomaram, sair e bater com a porta. O problema é que, e como diz o ditado,”não há nada como o primeiro amor”, e isso aconteceu comigo e com o Luso. Foi aqui que dei os meus primeiros passos a escrever para gente que desconheço, gente de outras terras e paragens com outras maneiras de ser e dizer coisas. Foi aqui meus amigos que me senti pela primeira vez escritor, bem sei que sou um escritor de letra pequena, mas mesmo assim, nem imaginam como eu fico feliz por receber um elogio. Como eu sonho e me imagino a escrever então coisas inimagináveis, e quem sabe, receber mais de mil comentários a dizer-me que as palavras são grandiosas. É este Luso dos sonhos que eu quero. Necessito de poder sonhar com cada palavra que aqui quero dizer, é aqui que eu falo para dentro de mim e digo: -José, tens que trabalhar mais, tens que ler mais, tens que te esforçar mais. É aqui que deixo lágrimas, não pensem que é só o Zé Torres que chora, eu também choro por não ter mais capacidade de escrever.

Queria tanto! Meu Deus, tantas vezes me interrogo porque não apareceu o Luso mais cedo? Talvez assim eu fosse melhor escritor, talvez assim eu conseguisse um dia editar um livro, convicto de que os meus leitores não seriam aldrabados. Ainda me lembro, do dia que aqui entrei, e nem um comentário tive. A minha vontade foi desistir, partir, afinal eu era mesmo mau! Nunca iria escrever coisa nenhuma. Apareceu o primeiro comentário, depois outro, e outros, e eu iludi-me, comecei a sonhar, e a querer escrever melhor, e sempre mais. Como estava feliz! Um dia, alguém me disse que eu sabia escrever, foi um dos dias mais felizes que eu tive no Luso, acho que me deixei ficar a olhar para a mensagem horas. Ainda hoje guardo aqui dentro o aroma desse dia, é a medalha da minha vida.

Assim cresci, assim fui melhorando na escrita, e a gratidão, essa, irá morrer comigo, para todos aqueles que me deixaram os primeiros comentários. Esses, não foram os escritores consagrados do Luso, foram os “pimbas”, aqueles que mandam flores, beijinhos e abraços. Talvez alguns não saibam escrever muito bem, talvez alguns não tenham a melhor forma de estar aqui no Luso, talvez tenham defeitos, talvez alguns graves, talvez até capazes de merecer expulsões, mas porra, foram estes que me carregaram às costas, até eu ter confiança para escrever, assim, como o faço hoje.

A esta gente, estou sempre com um obrigado na boca, são estes os verdadeiros fãs, foram estes que me disseram que eu era capaz, e me deram todo o tempo necessário para melhorar. “Obrigado a todos vós”, são as minhas palavras. Depois o tempo, o bom tempo passado a escrever, deu-me a conhecer as pessoas. Ainda mais bonita ficou a escrita, lembro-me por exemplo da Cleo, que bem que escreve, adoro ler esta MULHER! Guardo desde sempre um carinho enorme por esta colega. A Dolores! Bem, desta posso dizer que sou amigo. Porra! A escrita dá-me tanta coisa, e esta mulher das Beiras, está sempre pronta a dar tudo para me ajudar a evoluir na escrita e sempre com um carinho. Que bom é falar com ela.

Ana Martins! Mulher fantástica. A escrita arranja cada coisa! Quantas vezes falamos ao telefone e deixámos cair umas boas gargalhadas, e aquelas PMs a desejar uma boa noite. Que maravilha. Depois veio mais uma quantidade de gente como eu, que gosta de fazer amizades. Por último, pude conhecer o José Torres, frequentar a sua casa, partilhar da sua família e amigos. E aqui, deixem-me dizer que já muitas vezes discordei da sua linha de pensamento e de alguns dos seus textos. Mas meus amigos, sempre fomos capazes de falar, e do outro lado da escrita está realmente outro homem, um homem como eu com defeitos e virtudes, mas que me recebeu em sua casa com um abraço sincero. Poderia falar na Mar, como eu gosto desta miúda, nunca o avatar me tinha dito coisa nenhuma desta colega que tem a idade dos meus filhos. Ainda tão nova e com tantos sonhos.

No Arlindo Mota, que homem fantástico, como é bom saber que colho amizade por terras do Sado, ainda guardo em prateleira distinta os livros que com amizade me ofereceu. Na Alexis, na Roque Silveira, no Cristóvão que conheci recentemente e que é um colega fantástico, no meu amigo Rogério de fradelos que maravilha de amigão, na Sãozinha, que, apesar de distante, deixa-me muita saudade.

A Conceição B, a Maria João horroris causa, da Vóny, que sempre me incentivou, da Ana Coelho e do seu marido, que casal fantástico, da Vânia, que adoro, a Fátima com aquele beijo azul, sempre a fazer de mim o melhor poeta do mundo, e os meus amigos António Bernardino da Fonseca e a sua esposa Olema. Não tenho palavras para tanta amabilidade e carinho, um gesto bonito, aquela obra que guardou para mim do encontro do Luso em Dezembro. Queiram os meus amigos saber, que a partir daí, desse encontro com este casal maravilhoso, gente que gostou de mim apenas porque me leu, essa amizade estendeu-se até á minha família, mais particularmente ao meu filho. Que gratidão maior se pode ter quando alguém ajuda um filho? Gratidão, sim! Ao Luso também, o nosso luso, que afinal faz magia.

Deixem-me dizer-vos, chamem-me criança se quiserem, mas eu acredito nestas coisas, naquilo que de bom ainda há no nosso Luso. Amigos falo do Luso, falo das palavras que todos escrevem. Isto tem que acabar, esta casa não pode continuar dividida em duas facções. Todos aqui são importantes, todos fazem o Luso, todos! Os bons e os maus é que dão cor a esta casa, e nos fazem aqui voltar cada dia. Por mim aqui vos digo, eu não tenho lado, nunca terei, a todos eu devo esta minha felicidade de escrever, a todos.

Nunca me irão ler que não mais comentarei este ou aquele, mas também não contem comigo para apoiar insultos à vida pessoal dos autores. Deixo apenas uma sugestão: se realmente querem cortar relações com A ou B, o que também me parece que daí não vem mal nenhum ao mundo, usem as MPs. Afinal são os vossos assuntos, e que só a vós vos diz respeito, e que eu, enquanto utilizador deste site para escrever nada me interessa.

Caros Colegas de escrita, deixo-vos aqui estas minhas palavras para vos dizer que todos são importantes, todos contribuem para esta minha vontade de vos dizer que sem vocês eu não era nada, creio mesmo que nenhum de nós era nada sem os leitores! Eu gosto de escrever e gosto de vos sentir perto da minha escrita.
 
Carta Aberta aos meus amigos lusos

POEMA EM ABERTO (dedicado a todos os poetas do luso) reed.

 
Entrei,
Na porta estava escrito:
“Recital Luso Poetas”
A sala estava quase cheia, muitos ainda
iriam chegar para constar nessa lista
Reconheci alguns nomes:

adelaidemonteiroanamartinsalbertosalbertodafonseca
ângelalugoangélicamattosajaraujoalentajanaalexis
analyraanimarolimantoniormartinsanacoelho
antoniocasadoamanduamiciamoraarfemoavozita
bethamcostablueberrybeijaflor76bernardonbranca
camelodasquintascarloscarpinteirocarlosricardo
caopoetaceliacccintiacoconceiçãobcoletivocherry
cristovaodakiniedilsonjoséeduardasemontepuez
eunicecontentefatimaabreufatinhamussafatofhatima
franciscocarlosfredericosalvoflyglpfogomaduro
gildeoliveglóriasalleshaeremaihelenderosehisalena
henricabiliohenriquepedrohorroriscausajuliosaraiva

joseantonioantunesjoseluislopesjosésilveira
josémanuelbrandãojosetorreskryssfourkarlabardanza
ledalgelucianolilianajardimlilamarques
luisalpsimõesmarciagrossimargaretemarciaoliveira
marialuzmagentamarianamariaverdemimmassarimiriade
morenomoura365nandanitoviananorbertolopesonix
onovopoetapaulabaggiopaulogondimpaulogeraldo
poesiadenemoquidamrosafogo
re)velatarommarosadesaronrosy
roquesilveirasamanthabeduschisandrafonseca
sandrafuentessaozinhasommervillestereasoamiga
sofiaduartetâniamaracamargotrigoulyssesveríssimo
varenkavergiliovónyferreirazipper

Silencio!
O recital vai começar!

"Poesia em aberto"

Os dias não são mais brancos
São pintados pelos que aqui estão
Se tornaram de uma beleza esmagadora
E ao cair da tarde
Subitamente
As noites se tornam eternas
Os dias com suas noites
Acariciam as idéias
Como uma flecha
Esse chão onde cresço
É um chão nunca vivido
Onde os dias não se rendem
As palavras brotam
De todas as mãos
Se juntam, fluem, mudam
É um chão entre aberto
Onde o amor esta sempre pronto
Um poema escrito a várias mãos
Pois nesse solo sempre
Vai vingar mais um
É puro movimento
Almas que amam
Se alguém tentar traduzir
Não se entenderá mais nada
 
  POEMA EM ABERTO (dedicado a todos os poetas do luso)  reed.

TEU CORPO AVE CINZENTA

 
teu corpo ave cinzenta simulou um voo

ao encontro dos deuses, mundo dos ses,

em movimento pendular: ser e não ser,

cintilando ao retornar pela última vez

o corpo brotou manancial de água fresca

sobre suave tapete de plátanos em flor

sem cuidar de saber se ao partir voltaria:

eclipse ou expressão circular da geometria

teu corpo ave cinzenta aninhou uma última vez

no meu colo,e ali ficou, delicada,serena forma,


depois despertou tão naturalmente naquele dia,

que deixou a ilusão de ser eterno – não seria…?

arfemo
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TEU CORPO AVE CINZENTA

POEMA PARA... (AO ESTILO DE...)

 
POEMA PARA (ao estilo de…)

Peguei na roupa de Domingo,
afivelei no rosto uma rosa vermelha
e parti, como quem já viveu.
No caminho, aliviado das estrelas,
guardei uma lágrima de reserva,
sem saber se tu aparecerias pronta
para me receber.
Foi assim que tudo aconteceu
eu acordei tendo a meu lado
o travesseiro húmido e não tinha chovido
naquele dia.

arfemo

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POEMA PARA... (AO ESTILO DE...)

CORES DIFERENTES...

 
CORES DIFERENTES...
 
Cores diferentes...

Hoje fiquei aqui recordando
Das coisas que nos diziam em criança
E a gente ficava acreditando
Sem ter a mínima desconfiança.

Certa vez perguntei a uma vizinha
Com a pureza do meu coração
Porque sua cor não era igual a minha
Respondeu a minha indagação...

Que no dia em que ela nasceu
Era noite, profunda escuridão
E sua mamãe, coitada esqueceu
Foi dormir e apagou o lampião...

Estava tudo escuro como breu
E a cegonha, não enxergava nada
Então sua pele escureceu
Ficando assim diferenciada.

Na minha inocência de criança
A dúvida ficou solucionada
O porque de existir a diferença
Satisfeita, não perguntei mais nada.

♫Carol Carolina

Este fato aconteceu mesmo!
Perguntei a uma vizinha
chamada dona Alzira e minha
mãe ficou muito aborrecida
comigo. Ela temia que a dona
Alzira ficasse magoada.
Mas não, ela me sentou em seu
colo e explicou o que achou
certo e eu fiquei satisfeita.
 
CORES DIFERENTES...

A AMIZADE

 
A AMIZADE...

transporta-se no bojo

ou na raiz,

e, quando exígua,

está ao alcance

de uma mão,

pura,

é sua irmã,

e mesmo inerte

aperta-nos,

deixando uma marca,

húmida,

de ternura.

Arfemo

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A AMIZADE

Ode à Anta

 
Quanto mais eu rezo
Mais me assombro e me atormento.
Já fiz de tudo: Mandinga, simpatia,
Joguei letrinhas num dia de vento
E nada disso me adianta.

Por exemplo:
Persegue-me gente pequena,
Uma lenta e pesada Anta,
Uma amálgama de Hiena,
De Verme e de Jumento.

Sei que é só um Sancho Pança,
Um cérebro retardado de criança,
Cérbero ladrando, vigiando o portão
Dos infernos,
(Olha que anda a Anta a fazer versos)

A proteger uma nanica Torre
Já quase tombada
Onde uma bruxa má e podre,
Exalando vis vapores fétidos,
Vive rosnando, de mãos dadas
Com uma senhora decante,

Uma mal-cheirosa Harpia,
Ser horrendo de afiadas unhas e dentes,
Criatura velhaca de mamas pendentes,
Metida a ser a escriba mais sábia,
Cheia de semântica e de sintaxes.

Porém onde toca o seu dedo da mão,
Faz mais mal do que o cavalo de Átila
Que, diziam, onde tocavam suas patas
Não nascia mais relva no chão.

Recado para a gorducha Anta Quadrada
Que vale também para Hiena Fedida:
Vão lá vê se estou na esquina
E vê se tomam vergonha na cara.

Despeço-me com a alma ferida,
(Chega-me correr uma lágrima rara)
Daqui, do topo dessas árvores,
Dos possíveis... Covardes.

Ass: Macaco das Araras.

Para melhor compreensão do texto.

Anta:

A anta ou tapir, maior mamífero da América do Sul, é no entanto muito menor que seus parentes da África e da Ásia. Teorias recentes buscam a explicação para este fenômeno na última glaciação, quando a América teria secado demais para permitir a sobrevivência de animais de grande porte.

A anta chega a pesar 300 kg. Tem três dedos nos pés traseiros e um adicional, bem menor, nos dianteiros. Tem uma tromba flexível, preênsil e com pêlos que sente cheiros e umidade. Vive perto de florestas úmidas e rios: toma freqüentemente banhos de água e lama para se livrar de carrapatos, moscas e outros parasitas.

Herbívora monogástrica seletiva, come folhas, frutos, brotos, ramos, plantas aquáticas, grama e pasto. Pode ser vista se alimentando até em plantações de cana-de-açúcar, arroz, milho, cacau e melão. Passa quase 10 horas por dia forrageando em busca de alimento. De hábitos noturnos, esconde-se de dia na mata, saindo à noite para pastar.

De hábitos solitários, são encontrados juntos apenas durante o acasalamento e a amamentação. A fêmea tem geralmente apenas um filhote, e o casal se separa logo após o acasalamento. A gestação dura de 335 a 439 dias. Os machos marcam território urinando sempre no mesmo lugar. Além disso, a anta tem glândulas faciais que deixam rastro.

Cérbero:

A descrição da morfologia de Cérbero nem sempre é a mesma, havendo variações. Mas uma coisa que em todas as fontes está presente é que Cérbero era um cão que guardava as portas do Tártaro, não impedindo a entrada e sim a saída. Quando alguém chegava, Cérbero fazia festa, era uma criatura adorável. Mas quando a pessoa queria ir embora, ele a impedia; tornando-se um cão feroz e temido por todos. Os únicos que conseguiram passar por Cérbero saindo vivos do submundo foram Héracles, Orfeu, Enéias e Psiquê.

Cérbero era um cão com várias cabeças, não se têm um número certo, mas na maioria das vezes é descrito como tricéfalo (três cabeças). Sua cauda também não é sempre descrita da mesma forma, às vezes como de dragão, como de cobra ou mesmo de cão. Às vezes, junto com sua cabeça são encontradas serpentes cuspidoras de fogo saindo de seu pescoço, e até mesmo de seu tronco.

Harpia:

As harpias (em grego, ἅρπυιαι) são criaturas da mitologia grega, frequentemente representadas como aves de rapina com rosto de mulher e seios[1]. Na história de Jasão, as harpias foram enviadas para punir o cego rei trácio Fineu, roubando-lhe a comida em todas as refeições[2]. Os argonautas Zetes e Calais, filhos de Bóreas e Orítia, libertaram Fineu das hárpias, que, em agradecimento, mostrou a Jasão e os argonautas o caminho para passar pelas Simplégades[2]. Enéias e seus companheiros, depois da queda de Tróia, na viagem em direção à Itália, pararam na ilha das Harpias; mataram animais dos rebanhos delas, as atacaram quando elas roubaram as carnes, e ouviram de uma das Harpias terríveis profecias a respeito do restante de sua viagem. [3]

Segundo Hesíodo, as harpias eram irmãs de Íris, filhas de Taumante e a oceânide Electra, e seus nomes eram Aelo (a borrasca) e Ocípete (a rápida no vôo)[4]. Higino lista os filhos de Taumante e Electra como Íris e as hárpias, Celeno, Ocípete e Aelo[5], mas, logo depois, dá as hárpias como filhas de Taumante e Oxomene[1].

Átila:

Átila, o Huno (406–453), também conhecido como Praga de Deus ou Flagelo de Deus,[1][2] foi o último e mais poderoso rei dos hunos. Governou o maior império europeu de seu tempo desde 434 até sua morte. Suas possessões se estendiam da Europa Central até o Mar Negro, e desde o Danúbio até o Báltico. Durante seu reinado foi um dos maiores inimigos dos Impérios romanos Oriental e Ocidental: invadiu duas vezes os Bálcãs, esteve a ponto de tomar a cidade de Roma e chegou a sitiar Constantinopla na segunda ocasião. Marchou através da França até chegar a Orleães, antes que lhe obrigassem a retroceder na batalha dos Campos Cataláunicos (Châlons-sur-Marne) e, em 452, conseguiu fazer o imperador Valentiniano III fugir de sua capital, Ravenna.
 
Ode à Anta

[Qual É A Cor Do Silêncio...?]

 
[Qual É A Cor Do Silêncio...?]
 
[♥ ___________Ah...!!!]

Soubesse eu pintar as cores do amor
Pintaria minhas cores e aromas
Sonhados no teu espelho.

Rabiscaria em grafite duas asas ao vento
E ao som do silêncio
Bateria minhas asas
Tomando vida diante de ti.

Soubesse eu desenhar as cores do silêncio
Faria do meu corpo uma pintura de amor
E do teu branco intenso
O meu desejo de provar muitas cores.

Soubesse eu ver com os sentimentos
Tudo aquilo que os olhos não sentem
Faria com que minhas escritas fossem compreendidas
Mesmo quando nem eu sei ao certo o que escrever...

Queria carregar o arco-íris nos olhos
E ver todas as cores do amor
Estourarem no ar em bolhinhas de sabão.

Soubesse eu entender o meu existir...
Beijaria o teu perfume
E como abelha delicada guardaria todo o néctar do amor
Para te eternizar em mim...!

Por Ro
 
[Qual É A Cor Do Silêncio...?]

OLHARES...(Haiti)

 
OLHARES...(Haiti)

olhei para ti,
como um escultor
(que não precisa
de matéria).
basta-me a dor,
para dar corpo
às formas
na memória

arfemo
 
OLHARES...(Haiti)

O Deus Que Habita Em Mim!

 
O Deus Que Habita Em Mim!
 
O Deus que habita minh'alma,
Vem da aurora dourada
Com seus raios vivificadores
Que renovam as Esperanças e a Fé
Para um novo dia...

Vem dos lírios dos campos e
Dos jardins floridos...
Vem do crepúsculo do Sol com
Seu espetáculo de cores douradas
No horizonte...

Vem da noite enluarada
Com suas estrelas brilhantes,
Reluzentes, estrelas cadentes
E sua Lua encantada...

O Deus que habita minh'alma,
Vem do divino orvalho
Da madrugada
Com suas gotículas prateadas
Caindo sobre as flores delicadas...

Vem do lindo azul do mar,
De toda à natureza,
Das matas verdes e igarapés,
Cachoeiras e do lindo
Canto dos passarinhos
Como o canto do rouxinol e
Do bem-te-vi...
Vem dos Salmos de Davi....

O Deus que habita minh'alma
É o Deus do Amor, da mística rubra flor,
Do peregrino e trepidante beija-flor,
Dos nobres sentimentos
E enlevados pensamentos...

Vem da chuva que faz brotar...
Vem do místico arco-íris
Com suas cores sutis...
Vem da melodia
Da inspirada poesia...

Enfim, o Deus que habita em mim
É o mesmo que está em toda parte,
Em tudo e em todos,
No meu e no teu coração,
Somos filhos da mesma criação,
Do mesmo Pai Criador,
Portanto, somos todos Irmãos,
Filhos do Amor!

Elias Akhenaton
 
O Deus Que Habita Em Mim!