Tribos de Escritores de Sites da Internet (rebostagem - ¬¬)

 
Tribos de Escritores de Sites da Internet (rebostagem - ¬¬)
 
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Tribos de Escritores de Sites da Internet (rebostagem - ¬¬)
by Betha Mendonça

Esse não pretende ser um trabalho científico.É fruto da observação desta amadora presunçosa sobre a diversidade, boa em qualquer ramo da atividade humana, nos sites de literatura na grande rede.

Na escrita onde as matérias primas dos textos são imaginação, conhecimento e criatividade; a heterogeneidade de padrões, pensamentos, atitudes e outros são excelentes fontes de aprendizado. Tentarei dar face a alguns desses grupos ou tribos:

Religiosos – têm fé exacerbada e inabalável.Falam de crença, luz, esperança. A graça Divina e os poderes no Ser Supremo estão de alguma forma presente nos seus trabalhos que enchem os olhos e coração de quem os lê de paz.

Góticos – costumam usar avatares assustadores e/ou deprimentes.São profundos. Dizem das mazelas do nosso interior e da humanidade. Transitam no céu e inferno, na crença e descrença com a velocidade do Trem Bala. Suas obras, em alguns despertam consciências adormecidas, em outros (mais sensíveis) o desejo do suicídio imediato, que é controlado com a leitura dos escritores religiosos.

Comadres – são flores de criaturas. Falam da natureza, de sentimentos e sensações femininas. Aos mais letrados soam piegas e sem nenhum talento.São literalmente amigas do peito.De vez em quando têm umas rusgas seguidas de pedidos de desculpas e lágrimas.De tanto que distribuem carinhos e beijinhos entre si, nem são consideradas escritoras por alguns de seus pares que acham que essa Tropa deveria estar em sites de relacionamentos e não de literatura.

Intelectuais – escrevem como em hieróglifos.Suas letras são complicadas, com teor carismático, metafísico, difícil ao entendimento dos reles mortais.Só eles e sua inteligência acima da média conseguem compreender e discorrer sobre suas grandes obras. Não ousam sujar seus literatos olhos em trabalhos, que segundo sua ótica e medida ,não possuam pelo menos dois dedos de profundidade.Alguns têm cocientes de inteligências, sapiência e egos tão grandes que deveriam abrir sites de literatura só para eles. Nesse seleto grupo também existem os compadres que fazem entre si homenagens em formas de versos e prosas.

Novatos – são escritores que vão do medíocre ao mais puro brilhantismo. Chegam com suas letras onde já existem tribos antigas e mesmo que escrevam um texto no nível de grandes autores da literatura mundial têm leituras que não atingem nem dois dígitos. Depois de algum tempo engrossam um dos grupos já formados e vêem chegar outros que passarão pelas mesmas provações.

Populares ou Estrelas – de tão famosos no sítio na maioria das vezes nem precisam escrever um “A”. Postam um espirro e explodem o contador de acessos! Têm números espetaculares de comentários a dizer sobre o quanto o espirro é importante para limpeza da árvore respiratória, de quanto foi rítmico, belo e bem colocado aquele espirro. Alguns se emocionam e vão às lágrimas.

Ainda existem outros agrupamentos: os omissos, os mureiros, as fifis... Que são tão importantes dentro do contexto de um sítio literário internético quanto os já citados e serão matéria de outro ensaio.

Aos que se perguntam como ela pode ser tão crítica e pretensiosa, e, vir aqui “catalogar” estilos e pessoas?
Simples: olhei para dentro de mim e encontrei no meu interior um pouco de cada um deles e delas!
 
Tribos de Escritores de Sites da Internet (rebostagem - ¬¬)

O POETA A LUA E O IPÊ

 
O POETA A LUA E O IPÊ
 
Em ti me pego sempre pensando,
Olho a bela lua e começo a tecer.
Será que também esta inspirando
O poeta seus sonetos a escrever?

No farfalhar das folhas dançando,
Ela adora brincar e surpreender.
Em ti me pego sempre pensando,
Olho a bela lua e começo a tecer.

Pela janela tudo fica observando,
Por detrás do Ipê a se esconder.
No papel versos vão nascendo,
Sentinela até o poeta adormecer.
Em ti me pego sempre pensando.

Carol Carolina
 
O POETA A LUA E O IPÊ

VOCÊ TEM CHEIRO DE POESIA

 
VOCÊ TEM CHEIRO DE POESIA
 
 
Aquele teu beijo gostoso, um perfume que se exala
Beleza de uma rosa que contagia um ser
A brisa se junta aos ventos, nos acalma
Um pedaço de minha alma
Seu sorriso é como uma flor
Seu corpo traduz as fragrâncias do odor

Olhar de felicidade
Nossos silêncios se silenciam quando se tocam
Um encanto que enfeita aquele nosso caminho
Que eu percorro para chegar até seu carinho
Em busca de o nosso ninho
Uma emoção viva que exalta nossa paixão
Palavras que si transformam em sentimentos
Numa emoção

Tu és como bálsamo, uma pérola.
Você tem cheiro de poesia
Leva-me as mais belas inspirações
Você é o verso que enobrece um compor
Vós, é a essência do nosso, mais belo amor

Autor: Martisns
01.03.2013
 
VOCÊ TEM CHEIRO DE POESIA

O Descobrimento de Nós Dois

 
O Descobrimento de Nós Dois
 
Tombo ante nosso combate

Diante da saudade daquilo que sei

E também do que não provei.

És um só, mas te sabe tantos.

Poeta, marido, arauto,

louco, depravado, escravo

e isto te faz três vezes santo...

e quanto escândalo abafado

neste nosso quarto apertado

de paredes que tudo querem saber

onde a tua respiração umedece

minha mais escondida flor nua

e como um português desbravador

apertas minhas terras mais ao sul

com a tua insana fome de invasor,

me faz todos os atos, gato e sapato!

mas no final... no nosso entrave carnal

dou-te meu golpe fatal:

teu corpo num aperto oriental

e jorras para mim todo teu ouro.

Adormecendo no meu peito

Como o mais puro índio juvenil...

Daniele Dallaveccchia, 11.03.2013

Ao Jo in Távola de Estrelas
 
O Descobrimento de Nós Dois

O balanço

 
Em uma árvore no alto da colina
Tinha um balanço que hoje é lembrança.
Lá ficaram os sonhos da menina
Se balançando em fantasias de criança.

A menina até no céu cantarolava
E sua voz se espalhava na colina
Quanto mais o balanço balançava
Mais alto cantava a menina

A menina não sabia o q' era dores
Apenas se entretinha a balançar
Cantava sorrindo para as flores
E só com flores vivia a sonhar

Um dia deixou de ser criança
Mas não matou dentro del' a menina
Quer retornar pro balanço que balança
Quando o balanço já não está mais na colina.
 
O balanço

A leste das minhas mãos

 
Um dia apeteceu-me perseguir as palavras certas.
Aquelas que são feitas das coisas que nascem,
que vivem, que crescem, que fazem morrer.
Aquelas feitas da consistência dos sonhos,
do risco das asas, do prolongamento do olhar,
da fé dos silêncios, de sorrisos limpos
ou de pensamentos fáceis.
E das coisas fundas... ah, das coisas fundas,
como não querer achar a profundidade certa
onde se encontrem palavras que as saibam...?

Apeteceu-me a criação, a original forma de dizer.
Terras novas.
O puro descobrimento.
...
As palavras ardem. As palavras são cinza, são fumo a acontecer.
Queimam-me as mãos, reduzem-me ao nada, dispersam-se ao vento.
São sinais...
Só meros sinais.

Como dizer da indelebilidade dos gestos?
Como dizer da nitidez dos efeitos,
da heterocromia do olhar,
da essência das águas
que nos percorrem em grito?...
Como dizer da sede que nos fica, depois da vontade?...
Ou da fome que nos beija a boca, depois da saciedade?
Como dizer por palavras
que a vida não é feita de domínios, nem de fronteiras?
Que as frases não se reduzem a marés lavradas?
Que a vida não é feita de sinais, mas de Marcas...?

(ah, um dia ainda hei-de inventar palavras Verdadeiras...)

A vida é mar em desassossego, e as palavras que eu persigo
são a sua espuma viva
vestígios de luas a leste das minhas mãos
ilusões de vela náufraga
sangue sem pertença flutuando à deriva
pedaços de madeira onde me agarro
murmúrio indefinível dos lugares onde já fui
e onde não mais voltarei.

E o meu papel, o barco que abandonei.

...
 
A leste das minhas mãos

tenho sede de tempo...

 
tenho sede de tempo,
cai a tarde
como fruta madura
e à distância cantam os pinhais
o sol já não arde,
tocam os sinos dando sinais
e eu aqui oculta pela bruma
lembrando tudo,
tanta coisa uma a uma.

lembro o caminho da nascente,
com os risos de então
lembrança sempre presente
que não rejeito...não!

quero ser criatura
de alegria,
trazer à minha noite o luar
e eu e tu ser um só rio
a desaguar no mar...
extingue-se mais um dia
entre matizes amarelos
tenho sede de tempo
dum tempo primaveril
aquele que me vestia
a alma
e não este, que é prisão
e me corrói o rosto,
e esvazia o coração.

dá-me a mão,
vamos caminhar mais agéis
viver mais intensamente
onde o limite seja o céu
só tu e eu.
por algum tempo havemos de ignorar
o que de nós se perdeu
vivamos mais outro dia,
antes que a noite venha perturbar
ergamos nossa rebeldia

e quando a morte vier
num outro dia qualquer
pairando como um gavião,
sobre nós,
dá-me a tua mão
quando já nada haja para crer,
resta em mim a credulidade...
ainda assim vou sentir a doçura
da tua mão
na minha mão,
e levarei dela saudade.

natália nuno
rosafogo
 
tenho sede de tempo...

Os olhos de Karinna* #.#.#

 
Os olhos de Karinna

Os rubis seriam os mais caros
Se fossem da cor dos teus vitrais,
E as esmeraldas teriam valor infinito.
Assim seria com todas as pedras,
Se ganhassem o contorno de tuas pétalas azuis.

Ah!... mas o céu imita tuas persianas abertas,
Protegidas por teus cílios, tua face,
Tuas lágrimas e teus risos,
Cristais reverberando esta humilíssima poesia.

Fossem meus poemas
Da cor dos teus olhos,
Iriam dizer que sou verdadeiramente poeta,
O maior e o mais belo dos poetas.

E talvez me fosse feliz a vida,
E fosse essa gravidez azulada,
E eu creditaria.

Milton Filho/28.09.13
 
Os olhos de Karinna* #.#.#

Dançando ao som do arco íris

 
Nasce no branco das lágrimas
Nas gotas dos oceanos
Do orvalho dos lírios

Reclama-se a felicidade
Desbravam-se os mares
Cantam as aves

Abençoa-se a água tão límpida
As gotas transbordantes
Da nascente dos teus olhos
Onde brincam golfinhos

Ganharam asas e foram aves
Dançando ao som do arco íris!


Violino
 
Dançando ao som do arco íris

Aos poetas #.#.#

 
Aos poetas


Entre o que digo e o que você entende,
Há um istmo sobre esse abismo,
Um poema sombrio que nos separa.

Os teus olhos param no meio dessa ponte
E travam.
Olhos não pensam e não têm pernas,
Mas o cérebro, sim, tem asas... tensas!

Os covardes tremem diante
Da lancinante travessia,
Que não é longa, disso posso dizer.
O problema é ter que mirar o fundo
E descobrir que o fundo não tem fundo.

E ficamos assim, maltrapilhos,
Ouvindo ecos dos próprios dizeres,
Aprendendo em nós mesmos,
Nesse belo teatro de fala de(s)corada.

E para manter as máscaras (ou derrubá-las),
E para manter a esperança
Nessa comunicação insólita,
Construímos poesias, arremedos,
E viramos poetas de um mundo em chamas.

E alguns até se compreendem (ou pensam),
Raros porém,
Em momentos fugidios,
Como a um terno beijo roubado.

É assim que enviesamos as palavras,
Até virar no seu avesso, sua legítima expressão.
E a qualquer preço, estrídulos,
Arfamos no desejo de sermos compreendidos,
De sermos aceitos,
Mesmo dizendo, em lágrimas, do seu contrário.


Milton Filho/17.07.13
 
Aos poetas #.#.#

o resto são passarinhos

 
por vezes imagino o quão inútil é o meu conhecimento e meu desejo de conhecimento, e o conhecimento dos outros e o desejo de conhecimento dos outros. e imagino que não há nada entre a vida e a morte além disso mesmo, vida e morte, morte e vida, todos os dias e em todas as eras o mundo se resume nessas três palavras, vida e morte, e que me tornam quem sou até que eu parta e reste de mim apenas o que se souber de mim. não o que penso, mas o que pensam que penso, não o que sou, mas o que pensam que sou. e o que sou, de fato, além do que pensam que sou?

mas depois de idos os pensamentos sobre mim, não restará nada além de um corpo se putrefazendo, um bando de ossos baldios num saco de lona junto com outros ossos baldios, que muito provavelmente pertenceram a ditos parentes meus que serão esquecidos antes de mim, ou assim espero.

e pensar que tudo o que eu quis dizer ao começar a escrever era que você estava linda naquela tarde em que passeamos de mãos dadas rumo ao nada mais que passear de mãos dadas. e pensar que eu tinha tanto medo que o tempo chegasse, e agora só peço que passe, mesmo que eu morra antes de ver o sol nascer em seus olhos, e ver morrer a última flor da noite todas as noites quando você dorme e põe em mim todos os meus medos de anos atrás.

e pensar que poderia resumir tudo isto num poema insípido e completamente equivocado daqui a uma semana, mas que sempre traria nas vírgulas uma marca em cera abrasoando o quanto te amo, e a saudade que tenho do dia em que passeamos de mãos dadas e você acaba de dormir com a cabeça em meu colo, sabendo que mais tarde te levarei nos braços com todo o cuidado para que você não acorde num presente em que outro te segura nos braços e que o meu maior medo é que este não saiba te manter segura. mas isso já passou. o resto são passarinhos.
 
o resto são passarinhos

[Porque Amores Perfeitos Não Existem]

 
[Porque Amores Perfeitos Não Existem]
 
[Porque Amores Perfeitos Não Existem]

Num silêncio fingido
Com gosto de nuvem,
[Trago uma flor!]
Rabiscando saudade,
Com gosto de vinho tinto.

Uma brisa leve
Acaricia as flores no jardim
[Flores secas]
Mal cuidadas e mal amadas...

[Porque amores perfeitos não existem.]

Aromas de sonhos serenos
Que entram pela janela
Com cheiro de vida...
Amores, amoras, maçãs e hortelãs...

Borboletas famintas, cata ventos pardos
Bailarina [atrevida e risonha]
Que dança com a vida
Feito estrela cintilante.

[Dança feliz]
De modo que o seu dançar seja eterno
Pelo menos até nascer o sol.

Por Ro Fontana

p.s

[Tão óbvio
...e tão utópico!]
 
[Porque Amores Perfeitos Não Existem]

Carta aos desimportantes II

 
quando o poeta morrer
será louvado pelos vermes
que lhe erguerão uma estátua
no derretimento das epidermes

que dedicarão a ele e a seu tormento
um monumento

um assento lá no fim
ou extremo da mesa da desgraça
um obelisco na praça
ou jardim do apodrecimento

esse é o destino de vocês, seletos:
sofrer a invasão de vermes indiscretos.
 
Carta aos desimportantes II

Evento I - 2013

 
Aos participantes:

Já foram enviadas as listagens para votação, mas, por lapso, o nome de cada participante endereçado por mensagem privada, consta dessa lista, e o ideal seria que não constasse, já que, como é lógico, ninguém deve votar em si próprio...
Mas, para evitar todo o trabalho de reenvio, pede-se encarecidamente a cada um dos concorrentes, que não considerem o seu nome/trabalho para efeitos de atribuição de valores.

Obrigado e felicito-os a todos, pela participação neste evento!

E L-P

Tenho um poema por escrever, que diz assim:
Haja o que houver
O que eu disser
Que seja escrito
E o que eu pensar,
Que seja dito.
(Mas ainda não o escrevi, nem sei o título…)

Lusuários:

Voltamos, com um desafio que esperamos mereça o vosso interesse, criatividade e espírito de saudável e profícua competição.

O desafio que colocamos a quem quiser participar, é o de escrever, sob qualquer forma – em prosa ou poesia, conto ou cantiga, crónica ou elegia, minim ou não, clássica ou experimental – um trabalho desenvolvendo o “poemeto” acima.

Deverão deixar o trabalho nesta página, em comentário, já que a forma de apuramento do vencedor será, ainda desta vez, por votação de todos os participantes, mediada pelo administrador deste perfil.

No critério de seleção, a seu tempo, pede-se que seja considerada, isentamente, a qualidade da escrita, a originalidade/ criatividade, o título e a melhor abordagem ao “mote” (que não se exige seja glosado de forma tradicional, como já se disse, mas com a liberdade que cada um quiser).

A participação está aberta até 4 de Fevereiro de 2013. Será depois enviada a todos os concorrentes, via pm, uma lista dos trabalhos (excetuando o próprio), a que cada um dará a nota que achar justa.

Há prémios (simbólicos) para os melhor pontuados!

Quem ama pratica. Mãos à obra, amadores!

EL-P
 
Evento  I - 2013

aquarela

 
busco aquela qualidade indefinida
que se encontra nas melhores aquarelas
onde arde a luz solar e te convidas
a viagem matinal por barco a vela

e transporta além do espaço onde se abriga
solo fértil para manchas e procelas
em torrentes derramando-se aguerridas
à mão firme que pincela sobre a tela

não está no enquadramento ou nas cores
nem tampouco em seu traçado ou naquela
paisagem sempre em mente aonde fores

é a cria dos teus óleos em m'ia pena
a tornar uma moldura uma janela
onde enfim tu me encontras e me acenas

11 sílabas, tônicas 3-7-11, primos :)
 
aquarela

ANDANDO NA CHUVA...

 
ANDANDO NA CHUVA...
 
ANDANDO NA CHUVA...

Andando na chuva
Numa tarde calma
Afoguei as mágoas
Eu e minha alma

Eu e minha alma
Aqui lembrando
De coisas minhas
Continuei andando...

Continuei andando
Sem ligar para nada
Vendo meu reflexo
Na calçada molhada

Na calçada molhada
Nada para descrever
Só o coração sentindo
Não vou te esquecer

Carol Carolina
 
ANDANDO NA CHUVA...

Á-lá Amandu (uma singela homenagem)

 
Á-lá Amandu

Deus é Um, só
E eu sou Deus
E sou você
Logo’s
Todos um só Deus.

Amandu está certo!

Milton filho/01.08.13

“Não havia então ali, como não haverá jamais, nem paz, nem consolo, nem esperança: tudo em seu âmbito marcado pela desgraça era miséria, assombro, desespero e horror. Dir-se-ia a caverna tétrica do Incompreensível, indescritível a rigor até mesmo por um espírito que sofresse a penalidade de habitá-la.

O vale dos leprosos, lugar repulsivo da antiga Jerusalém de tantas emocionantes tradições, e que no orbe terráqueo evoca o último grau da abjeção e do sofrimento humano, seria consolador estágio de repouso comparado ao local que tento descrever. Pelo menos, ali existia solidariedade entre os renegados! Os de sexo diferente chegavam mesmo a se amar! Criavam a sua sociedade, divertiam-se, prestavam-se favores, dormiam e sonhavam que eram felizes!

Todavia, no presídio de que vos desejo dar contas nada disso era possível, porque as lágrimas que se choravam ali eram ardentes demais para se permitirem outras atenções que não fossem as derivadas da sua própria intensidade!”

Do livro: Memórias de um suicida

Autora: Yvonne do Amaral Pereira/
Espírito: Camilo Castelo Branco
À pg.18

Férias descanso!

Inté!
 
Á-lá Amandu (uma singela homenagem)

Perco-me em poesias

 
Perco-me em poesias
 
Eu nunca te esqueci meu amor
Fragmentos suplicantes de extremas amarguras
Escrevo a tristeza, você é esse poema
Vividos por momentos fragmentados de desilusões
Invada-me, solidão dos encantos seres

Perco-me em poesias, em seu pranto
Em emoções, pilares do amor, a dor
Em seus olhos estão a minha saudade
A quero de todo jeito, de todas as meneiras
Esqueça aquelas besteiras
Te desejo de um jeito sem fim
Sinto suas lágrimas em meu chorar
Deixo as lágrimas sairen de meus olhos
Correr pelas faces, minha alma sendo aliviada
Vivo a procura de você em mim
Há onde estas, apareça, venha minha amada
Versos em silêncios, as palavras se silenciam
Sinto você distante
Não tenha vergonha dos momentos que veio a errar
Volte para mim, ainda quero te amar

Autor: Martisns
JOSÉ CARLOS RIBEIRO
27.06.2013
 
Perco-me em poesias

penduro o silêncio no quarto

 
Começas por ler, e habituo-me
a tomar
o café já tarde pelo teu
arco-íris.

Penduro o silêncio no quarto,
e a estação
de dormir as rosas foi já há
muito;
um vento levou-a com o giz dos
pássaros
e, por isso, não me escrevas nada:
a tua noite já me morreu
e agora
tenho rosas no
céu.

O que me fizeres será um lago
coroado nos lábios;
o que me fizeres será um barco
escrito a cinza,
e depois um Inverno
para quem me viu com
a tua sombra
a imprimir
o mar
 
penduro o silêncio no quarto

Quando a Chuva Passar

 
Quando a Chuva Passar
 
O vento gela meu coração

movendo a água da chuva

Com o frio

restos de sonhos são levados

assim como os antigos amores

Sigo solitária o meu caminho

Tentando alcançar o tempo

A vida vai correndo

Durmo nas paradas

Não desejo freiar nem chegar ao fim da estrada

Quero viver

Ir em frente

Posso até pegar atalhos

Molhada, danço ao vento para me secar

Nem tudo acaba em tempestade

Sei que nos trilhos de um novo dia

irei te encontrar

Teu mistério irá me aquecer

As nuvens dissipar

Em dias de Sol e noites estreladas

iremos bailar!
 
Quando a Chuva Passar