SENDA

 
O barco da pesca
deitou-se na água,
o parco da fome
deitou-se na morte,
o fino da brisa
deitou-se no campo,
o peso da briga,
deitou-se na guerra.

A vida se vem,
a vida se vai,
da reta do bem,
amor sempre sai,

a senda persiste,
a senda desiste,
a mágica volta,
estanca na porta,
encara a besta,
na terça da sexta.

Nota do autor.
"Amor e solidão."

http://armorizzi.prosaeverso.net
http://robertoarmorizzi.blogspot.com
http://www.artmajeur.com/armorizzi
http://www.artmajeur.com/roberto
http://www.artmajeur.com/conceptual
http://arterobertoarmorizzi.blogspot.com
http://www.clubedeautores.com.br/book/120710--Meu_Anjo_Lilas
http://www.worldartfriends.com/store/621-poesiformas.html
http://www.worldartfriends.com/store/ ... rmorizzi-poesiformas.html
 
SENDA

LÁGRIMA SEM LÁGRIMA

 
O sertanejo levanta as mãos calejadas
ao horizonte infindo, no seu olhar o reflexo
de uma luz fria, desesperada, com rajadas
de assombros, de temor. Momento complexo.
 
Roga a Deus orações comedidas, engajadas
de alentos, de desejos simples, desconexo
com riqueza, com sofisticação, alijadas
de arrogância. Ora: estático, só, perplexo.
 
A paisagem cruel, tórrida e castigante,
potencializa a aflição, destitui a confiança,
arrebenta a fé, provoca dor instigante.
 
Paradoxo a tudo isso vem a matéria prima
da vida: a Fortaleza Divina, a pujança;
mesmo que derrame lágrima sem lágrima.

Fortaleza,CE, 21 de novembro de 2015.

SONETO RETRATANDO O CENÁRIO DE SECA QUE VIVE O NORDESTE BRASILEIRO.
 
LÁGRIMA SEM LÁGRIMA

Amor sem lençol

 
A beleza...
Duma praia distante!
Onde o sol cobre o mar.
Reflete a luz brilhante,
Dos olhos querendo amar!

Teu olhar...
Nessa tarde semblante,
Um canto vem entoar!
Sob o céu elegante,
Anda-me a remar.

O mar...
Com ondas rasantes,
Chama-nos para mergulhar.
A água buscando horizontes,
Na areia vem nos molhar.

Teu corpo...
Molhado nas curvas dos deuses,
Sobre o meu vem consagrar.
Desde a pele aos dentes,
Teu calor vem enxugar!

O sol...
Pinta um sorriso na nuvem!
Marcando a tarde de verão.
Nasce clareando a paisagem,
Adormece aquecendo a solidão!

O amor...
Nascente como fruto natural...
Regado sob a luz do sol.
Tornou-se ainda mais especial
Sendo consumado sem lençol!

02/03/2010

---
Van
 
Amor sem lençol

CERTEZAS DE AÇO

 
Nunca sinto saudade antes do almoço
Não acordo antes do anoitecer
Ainda me dói a dor que não sinto
De tanto falar pareço moça tagarela
Moro bem lá no alto, logo que acaba a favela
Nem canto tal mal assim: quando tem nota desafino

Não tenho medo de amar
Me encanta o segredo do mar
Aquele que desce morro abaixo
Despedaçando como águas
Só pra depois me juntar
Num canto do copo sem mágoas

Nem sei lá por tanto, por onde andas
Com que pano teceu teu pranto
Com que tempo o vento corroeu o aço
Enquanto a mão amassou o trigo, o fogo torrou a massa
E chovia suave uma tempestade de fogo em meus olhos
Matando a sede da terra e escorrendo pelos minaretes

Enquanto uma saudade ciscava dentro de mim
Assanhando um tempo que fez do meu peito morada certa
 
CERTEZAS  DE AÇO

A transmutação da água ao vinho

 
Acho que custou mas parece que o visitante entendeu o espírito da coisa. A água era tão cristalina e fresca que centenas de ovelhas desgarram-se do rebanho e passaram a caminhar por si mesmas, à procura de dinheiro. Uma delas conseguira atravessar o oceano e chegar em Nova Deli, mas deixou o cartão de pessoa física na cabine do navio. Voltou para o transatlântico quando o governo já havia decretada a falência do banco. Foi assim que não pode sequer deixar o motel outra vez sem vestir um xale branco, indumentária comum a todos os imigrantes recém chegados pelo mar. Ademais, não custava que, ao sair, desse uns trocados para um cafezinho ao faquir refestelado na cama de pregos, embalando uma naja ao som de gaita de fole.
Mas estava com sorte naquela noite. A hospitalidade dos anfitriões foi além das expectativas. Sempre ouvira falar que aquele pais tinha uma gente sem educação e agressiva. Ficou satisfeita por ter recebido tantas ofertas de emprego quanto foram as promessas de casamento. Era a vida que gostaria de ter. Poderia ser uma bobagem, coisas de somenos importância, mas naquele exato momento o corpo começou a dar sinais de cansaço, exigindo mais que um bom prato de macarrão parafuso ao alho e óleo. Por isso que todos ali sabiam que para melhor crescimento e desenvolvimento das mudas,o substrato deveria conter uma boa porção de areia lavada.
Aquelas cenas que passavam por seus olhos pasmados não foram inventadas, nem tecidas por fértil imaginação. Tudo se passou como sempre passa, considerando que até as uvas passam nos moinhos dos lagares para num ato de transmutação se tornarem o mais precioso vinho. Nem todos, é claro. Se é que me entendem...
 
A transmutação da água ao vinho

Soubesse eu que eras ténue!

 
soubesse eu que eras ténue!
brisa dos cinco elementos.
formada no rompimento dos tecidos humanos
ou em desejos momentâneos.
já idos! em Março.

vislumbrei-te sem halo.
intacta!
como a lua despida ao Outono.
e aceitaste-me com um sorriso de estrelas.

foi no hausto do instante,
inebriado pela miríade dos sentires,
que me deixei,
despercebidamente, sucumbir.
o tempo foi-se, exausto.
e nem sequer, os teus lábios provei.

Soubesse eu que eras ténue!
mas não soube.
e despojando-me das vestes artificiais,
fui pregar às areias do vento.

o voo das aves corria no fluir das lágrimas
ou na força vital que pulsa nas artérias,
e foi nas águas do deserto
que reencontrei a dupla hélice da vida.

a lembrança? deixou de estar corrompida.

falhei o teu breve partir.
mas sei-te ténue, sei-te minha.
no profundo das sequóias vermelhas.

in Comentários na face da Noite
 
Soubesse eu que eras ténue!

VERDADE DA ÁGUA

 
Onde procuro pela verdade.Encontro-a.Camuflada.
Oxalá ela fosse água.
A Aflorar,a erguer-se.
Sem querer ir contra a besta.Só ser água.
A emergir,a vir á tona.
Dizer como Arquimedes,a célebre frase "eureka"
Descobri-la. a pura.a transparente.
Verdade.

SEMEANO OLIVEIRA
 
VERDADE DA ÁGUA

SOU ÁGUA CRISTALINA

 
SOU ÁGUA CRISTALINA
 
Sou água cristalina que da terra brota
Minhas nascentes são preciosidades
Neste planeta que ainda é raridade
Pois outra vida não foi encontrada
Formando uma correnteza a fluir
Saciando a sede da humanidade
Saciando a sede das plantações
Saciando a sede de todas as nações
Saciando a sede da natureza em geral
Sem mim não haverá vida não
Cuidem das nascentes como jóias raras
Dela todos são dependentes

Temos apenas um quarto de terra
Neste planeta azulado pela água
A maior parte não se pode beber
E hoje já se fala na extinção dela
Esta fonte de vida para todos
Sem falar dos que morrem
Em muitos países pela falta dela
Aqui mesmo no Brasil temos
Lugares onde a água é escassa
Se o meu grito assim como de muitos
Fossem ecoados pela terra toda
Teriam mais consciência e cuidado
Com a água que é inutilizada
Principalmente pelas indústrias

Sou água cristalina que brilho como diamante
Quanto caio da cachoeira sob o sol radiante

Ouvimos o som dos seus ecos de socorro
Tentamos tapar os ouvidos, mas não há como
Temos que gritar em conjunto fazendo eco no mundo

Sou água cristalina
Por favor, me socorra
Não me deixe secar nem evaporar
Não tapem minhas nascentes estou morrendo
Quero ficar aqui e saciar a sede de todos
Sou água cristalina que faço a diferença neste planeta

Nascente do Rio Tietê São Paulo
 
SOU ÁGUA CRISTALINA

Volúpia

 
Num fruto de amor e de alma
cresces por volúpia na virtude,
lanças esse arrepio sem calma
e rodopias em doce queixume.

Ar perfumado de água e terra
danças por querer saber viver,
estremeces no grito da guelra
e abraças leito até amanhecer.
 
Volúpia

O nosso mundo

 
O nosso mundo
 
Um novo mundo,
Uma nova oportunidade,
De mudar?
De voltar?

Jamais senti tamanha tristeza...
Não por um inicio cruel,
Não por um desenvolvimento mortal,
Mas sim por um fim desigual!

Perante esta lua fria e majestosa
Derramo a água do juramento
Entre as folhas de um velho carvalho.

Mas não, não desisti!
Não cancelei os votos
Perdidos entre as páginas deste mundo,
Não!

Mundo virtual, humano ou imortal,
De que interessa quando
Podemos criar o nosso?

Sim, encontrei-te numa vida
Conquistei-te num mundo,
Perdi-te num outro,
Sofri, chorei e temi na terra,
E, por fim alcancei-te...
Com asas, com vida,
Com imortalidade, com amor...
No nosso próprio mundo!

O mundo do "FIM"!
 
O nosso mundo

Sempre haverá ícones

 
“ Pode haver paz em todos os lugares, até mesmo pelas frestas das janelas que não deixam passar mais que rouxinóis.”

Filampos Kanoziro

Pois bem. Dito isso, vejam bem vocês. Há de concordar cada um, que sempre haverá ícones, mesmo agora que o atacante ganhou de presente um frasco de água perfumada. Fará par com o pó de arroz. À medida que se esconderam sob o solo fresco do jardim, não precisaram pensar mais em quantos cravos seriam necessários para ferrar um tordilho. Então, que se dane a elevação dos juros acima das emoções que se pode ter ao assistir uma partida de futebol. O cinza é e será sempre cinza, embora vocês possam ver mais de cinquenta tons. Se bem que também há vários tons a serem observados nas paredes e na fumaça. Principalmente na produzida por um corpo que cai enquanto o vagabundo tocava em surdina.
E que se dane em dobro. Não é um gemido ou um olhar que vai mudar a ordem natural das coisas, nem vai tocar a alma angelical das jovens carentes e sonhadoras com emanações de fogo nos jardins da alma. Isso por que afirmo que toda alma tem encantos, recantos e jardins suspensos na leveza insustentável do querer. Jardins jamais serão como as nuvens. Querer nem sempre será separar. Uma nuvem não é feita de algodão como supúnhamos em criança. De modo que, ainda que seja possível seccionar o abdome com uma gazua, sempre há de se considerar é possível sentar-se sobre a carga transportada quando a carreta ainda não estiver na descida.
Estamos separados agora por uma costura em zigue zague já que o ponto cruz ficou ridículo. Daí a entender esses novos filmes, a distância é enorme. Não há mais histórias envolventes como antes, quando o alinhamento das construções não obedecia ordenamento dos gerentes de bancos. Certo que sempre poderemos tomar um café expresso em qualquer padaria, mas já não cabem em mim as alternativas e bravatas mais condizentes com um circo que com audição de orquestra sinfônica.
Concordo que um ícone tens qualidades consideráveis para transmitir ao atacante. Pode pegá-lo pelos braços, dar voltas no banco do jardim até ficarem suados. Ser atacante não é tarefa fácil assim como encher barris com tigela. Sempre haverá na janela uma luz piscando de oito em oito horas voltada para o quintal. Corre o risco de perder o respeito dos compatriotas e as contas de patrocínio da fábrica de bebidas mais interessada em exportar garrafas para o mercosul. É sempre assim. Aquele que morde os lábios, semeia ventos com alegria de autor de peças infantis.
 
Sempre haverá ícones

Os Quatro Elementos(Inédito)

 
Os Quatro Elementos

Sou um temporal que não escolhe tempos nem marés…

Descarrego a minha força sobre rochedos…

Não aceito compromissos nem perdões…

Venho para questionar…

Não quero ouvir o que o homem tem p`ra me dizer…

Vou esperar o tempo necessário…

Partirei tão destro quanto cheguei…

Não deixarei saudades…

Sou o Fogo que queima...

Não lamentarei a minha vida…

Sou a Água que transborda das margens...

Não lamentarei a minha morte…

Sou o Ar que desencadeia as tempestades.

Não lamentarei o tempo perdido…

Sou a Terra profanada...

Não lamentarei o sucedido…

Não nasci para perder…

Livros?

Não vos quero ler…

O que me serve de farol é o arco-íris nas tardes chuvosas.

Neno
 
Os Quatro Elementos(Inédito)

Um momento meu

 
Despi-me para ti
Dos artifícios
Da vaidade da Mulher
E brinquei na água
Tal menina
Sem maldade.

Ali, na tua frente
Estive nua
De jogos de sedução
E afoguei o ego
Na carne que despojei
Na porta da paixão.

Ficou a alma
E foi com ela
Que te senti
Navegando
Noutras marés
Longe de mim.

Desejaste o corpo
Que não tinha
Nas gotas de água
Escorrendo na pele
Que pensavas ser minha
Mas não era.

Sou para além
Do que vias.
Quis mostrar-te
O outro lado
Num momento meu
Que desconhecias.

Eu senti a alma
Tão calma
De despreocupada
Que estava
Sem pensar em ti.

Gostava de saber…

Sentiste prazer?
 
Um momento meu

Inferno

 
Inferno
 
Inferno

Tenho muito medo do abominável Inferno
Onde os lençois são de mármore quentes
Onde o homem convive com as serpentes
Não morre, mas queima no fogo eterno

Tenho muito medo do terrível Inferno
Onde há muito choro e ranger de dentes
Onde as águas que se toma são ferventes
E de uma prisão perpétua se é interno

Sobre o inferno ainda bem pouco se sabe
Porém, se a bíblia expressar a verdade
Este fato com o tempo vai se consumar

Aí, talvez, penso que seja muito tarde
E não vai resolver em nada fazer alarde
Pois na realidade não há como se salvar.

jmd/Maringá, 29.10.12
 
Inferno

Lugares

 
Lugares
 
Os lugares estão,
Ocupados por fantasmas.
Numa sofá, no vão da escada.
Repletos de histórias,
De atmosfera.
As pessoas partem, mas
Permanecem os retratos em
Momentos felizes, em...
Eternos descontentamentos.
Os sentimentos estão ali, acolá,
Em qualquer parte sobrepostos,
Sobrecarregados, saturados.
O rio leva apenas as águas,
Mas não as memórias.
Sedimentadas entre os seixos,
Reflete o sorriso distante,
Na superfície num dia de Sol.
Lugares escuros na noite,
Estão entre as taças de vinhos,
Na toalha manchada, numa nota
Deixada na mesa pro garçom.

Poema e imagem do autor
 
Lugares

Água

 
No alto nasci,
do alto fui descendo.
Logo me apercebi
que estava crescendo.

Meus irmãos afluentes
comigo o vale desceram.
Ondulámos bem contentes
e mais irmãos acolheram.

Mesmo junto a Vila Verde,
um rio já formámos.....
deram-lhe o nome de Cávado,
que belo nome arranjámos!

Muitas saudades temos nós,
do tempo em que nos encontrámos.
Agora fomos ter à foz,
e ao mar nos abraçámos.
 
Água

A ÁGUA SÓ DÁ DESPESA

 
Paris, linda e bela Cidade!
Chamam-lhe a Cidade luz
O que também é verdade.
Seus museus,seus monumentos.
Ao visitá-la tudo nos seduz.
Mas tudo náo são que ornamentos
Tudo isto é também fachada
De uma casa de exterior bem pintada
Mas por dentro tanta miséria!
Gente que trabalha e não tem casa.
Em todo o lado há os sem abrigo.
Nas bocas do metro, procuram calor.
Homens, mulheres, crianças
Todos entram na mesma dança
Ao ritmo do frio, da fome, sem amor.
Sem amor desta sociedade capitalista
Que semeia armas no mundo inteiro
Mas para ajudar os que nem água têm
Isso não pode ser. custa muito dinheiro.
O petróleo, esse sim, é bom para a humanidade,
Dizem eles, são as suas verdades
Verdades que não são as minhas.
Petróleo é fortuna, cria imposto
A água só dá despesa, é o sentido oposto

A. da fonseca
 
A ÁGUA SÓ DÁ DESPESA

Água do desejo

 
Afogo-me nas pupilas
Do teu olhar
Como pedra que se afunda
Num lago tranquilo
De mar.

Serenos círculos
Viajam na minha direcção
Envolvendo-me toda
Em completa atracção
Fatal.

Imagem da tua mente
Reflectida no meu ser
Tão real
Como a água do desejo
Que acabo por beber
Em ti.
 
Água do desejo

ahH Dois Ó

 
Num borrifar que salpica lençóis de pele
ser autor de película de longa metragem,
é chapinar no charco da colmeia de mel
por onda que se faz vaga pela amaragem.

Essa cascata de chuva na noite desperta
corrente leito onde não há ponto sem nó,
são puras as gotas de espuma nessa
tela
e são felizes num cadeado ahH Dois Ó ó.
 
ahH Dois Ó

"Water of love"

 
Saboreei a água
Da nascente duma palavra
Para desaguar o doce rio dum beijo
Indo pela corrente das águas do desejo.

Saboreei a água da palavra amor
Desde o leito até ao meu peito
Mas não matei a sede do meu querer viver
Ao fazer da paixão o meu único porto.

Desta água do amor
Baptizei-me com doses de carinho
E perfumei-me com a água-de-colónia: “Water of love”
E pousei numa ilha, cercada de amor por todo o lado.
 
"Water of love"