Poemas, frases e mensagens sobre Portugal

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares sobre Portugal

Maio De Olhos Vendados

 
 
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Maio De Olhos Vendados

em todas as madrugadas, companheiros,
há um sol que morre estampado numa nota
sem valor
e para que a luz volte a definir o dia
do que não mais regressará
é necessário que o medo,
também possa vender-se
por uma qualquer moeda
desvalorizada
e a coragem,ou a loucura de combater sem pensar,
se aposse de todos os valores
velhos ou novos
carregados de rugas que sejam o festim dos anos
carregados de recém nascidos que sejam o alvorecer
duma nova casa ....
delírio-sinónimo das estrelas que eu não sei pintar
em todos os crespúsculos
há uma lua sem fundamento
que voa sem rede que a possa amparar
que já devia ter morrido...
em verdade, companheiros,
como pode a lua surgir no céu
quando o sol de vendido
é apenas uma cega recordação?...

Luíz Sommerville Junior, 240320130601

Imagem do filme 1984
 
Maio De Olhos Vendados

POR MEU PORTUGAL

 
Uma espada crucificada na santidade
Por um mundo devasso, quase hipócrita
Uma seta no coração da liberdade
Sangrando por uma Pátria, na carótida

Oh Meu Portugal, que eras um mundo
O orgulho de Afonsos e Henriques
Como te vejo agora, abismo sem fundo
Caindo, embora a tudo te sacrifiques

Altiva o teu estandarte, recruza os mares
Expulsa o Adamastor que suga o teu viver
pois se por nós e gerações não recuperares
mais vale esquecer, de novo os Mouros chamar

Alentai, escutai! Escutai a nostra que é Patria
Caminhai com a altivez do passado honrado
Não deixeis o Graal dourado, desvelado
Vivemos só de um orgulho, do chuto na área

Mas somos mais que onze vestidos de sangue
Somos meio mundo que vive de nós expetante
Lembrai que o passado é um presente rasgado
No tempo esgotado a chorar com a mão adiante

Não! Eu esmolar por erros de outros não!
Prefiro a espada envergar, e matar o meu dragão
 
POR MEU PORTUGAL

MURALHA DE FLORES

 
Entre ruídos e despejos de arte
Uma muralha de flores de ferro
Trono de tantos reinos sempre aparte
Nos despojos humanos eu me enterro

Cavernas oriundas de outra parte
Ao gritar o silêncio assim me encerro
Entre os mundos da mente a desejar-te
E pela realidade tanto berro

Somos eras que trepam este mundo
E se apoderam de tudo sem fundo
Sanguesugas trepantes incoercíveis

Misto de tal pobreza poderosa
Rebeldes da certeza conflituosa
Entre sangue e certezas sem mais níveis

Dornelas - domingo, 09 de novembro de 2014
António Botelho
 
MURALHA DE FLORES

Não tenho nada a dizer

 
Não tenho nada a dizer
 
Imagens google

Não tenho nada a dizer,
Estou num adejar alcançável da mente;
Não vou dizer nada, rigorosamente,
nada. Eu sou o que o teu olhar vai gritar,
Consigo prever o teu dizer, o teu agir e a tua dor(...);
Ainda não tenho nada a dizer, porque só te sei estudar;
Até diria que era fácil de te ler,
mas deixo tudo por dizer.
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Agora tenho tudo a dizer!
E mais vontade de acreditar;
Sou estranha se não o fizer?
É que eu ainda não tenho nada a dizer,
Porque eu já disse tudo, dizendo isto:-
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Ainda não tenho nada a dizer,
Estou num adejar alcançável da mente;
Não vou dizer nada, rigorosamente,
nada. Eu sou o que o teu olhar vai gritar,
Consigo prever o teu dizer, o teu agir e a tua dor (...);
Ainda não tenho nada a dizer, porque só te sei estudar;
Até diria que era fácil de te ler mas deixo tudo por dizer.

Ana Carina Osório Relvas /A.C.O.R
 
Não tenho nada a dizer

"Não me Digam que Não Falei" do 25 de Abril

 
 
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"Não me Digam que Não Falei" do 25 de Abril

foi ainda ontem
nesse ontem que já não existe
que um passado vago esmaeceu até ao nada
esvaziando em diluição simultânea
todos os sonhos que quase foram realidade...
o sangue arterial..., dela !,
em vermelho e verde ... escorria
como um manto gritante
onde a flor de laranjeira se agitava
em busca da vida que, tristemente, lhe escapava ...
e ... ainda... assim ...
o monumento onde ecoava a insana risada
via-a sentada , perfumada de laranjas ,
com um cravo vermelho na lapela da alma
agora, também ela, ó ironia!,censurada !
e que queixa jovem a poetisa reclamava ?
"um espelho e um canivete" ?
mátria podia ser o nome daquela revolução
em tempo de - acabaram-se os panfletos !
mas quem conhecia melhor do que ela
o poder da palavra portuguesa ?
quem sabia melhor do que ela
espelhar toda a geografia literária
desta terra lusa ?
ai ! ...
foi ... ainda ... ontem
que a morte transbordou e vazou
para o dia de hoje
seja lá como for
ó terra leva para qualquer flor
o perfume dos corações despedaçados

(enquanto o tempo espera pela grandiosa
colecção de emoções que se revoltarão ...)

Luíz Sommerville Junior, 26042014,21:56

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"Não me Digam que Não Falei" do 25 de Abril

SECRET STORY

 
Confesso, não sou a pessoa certa para escrever o que quer que seja sobre a Casa dos Segredos. Não estou por dentro, e, por fora, o que sei, apanho em rabos de conversas no local de trabalho ou em leituras de reconhecimento, quando sobrevoo as revistas mais que revistas que por lá sobram, em frustração de inglória missão cumprida. Mas, mesmo assim, entre o desdém e a curiosidade, lá me perco, por vezes, em considerações de ocasião…

E o que eu acho, se me permitem a opinião construída sobre tão periclitantes alicerces, é que aquilo é, pura e simplesmente, a metáfora da Vida – definindo como Vida isso mesmo, o curto estágio que cada um de nós merece cá neste planeta de água e terra, voo breve ao vivo e a cores, antes de sermos condenados às profundezas do Céu.

Todos nós – admitemos, vá lá…! – cremos num ser superior que nos rege, seja na forma de um Deus de barbas doce e olhos compridos (ou de barbas compridas e olhos doces, tanto faz…), ou ainda num deus particular, que vive pequenino e incógnito dentro de nós. Tão pequenino e incógnito que só o vemos quando descemos a níveis de rés-de-dor, nunca quando nos sentimos na penthouse do nosso ego…

Dizia eu de que… todos nós fomos mais ou menos criados à volta da imagem de um Deus, pronto. Então… passem aqui para a minha perspectiva:

A toda poderosa e omnipotente produção da tal Casa dos Segredos é o deus desta minha mirabolante parábola;

– chamar-lhe-ei DIVINA ENCENADORA, representada pela VOZ.

Por outro lado, todos nós acreditamos no Diabo, mais que não seja na sua prima Tentação, aquele espiritozinho maroto que costuma assentar arraiais ao pé do nosso ouvido e nos espicaça os miolos com o seu tridente afiado… - e este papel atribuo-o à apresentadora levada da breca (e de talento, diga-se por justiça)…

- chamar-lhe-ei BIG TEASER.

A Casa, propriamente dita, será a VIDA.

O mundo cá fora… será a vida depois da Vida, claro (para não dizerem que eu falei em MORTE).


E pronto!, está completa a metáfora, e vejam lá se não é parabólica… Acompanhem-me o fio da meada, please…

A Divina Encenadora escolheu os participantes e moldou-os à imagem e semelhança de deuses e deusas. Já inoculadas com o pecado original (e duplicado, e triplicado…), claro, que dava muito trabalho ter de passar pela parte da serpente, da maçã e desse enredo todo.

Depois meteu-os a todos num falso Paraíso e deu-lhes por missão enganarem-se uns aos outros… (continuam comigo…?)

Aí os eleitos, deixam-se deslumbrar pela fictícia grandiosidade de Ser (ou parecer, enfim…), e, ainda que com a certeza de, mais tarde ou mais cedo, serem expulsos do paraíso, vivem a experiência como se houvesse amanhã. E principalmente como se não houvesse vida depois da Vida.

Quem está por dentro daquelas quatro paredes (ou destas cinco dimensões, estão a ver…?) perde completamente a noção da sua (in)significância no incognoscível palco do Universo. Quem está por dentro, pensa que NÂO HÁ VIDA CÁ FORA – a realidade temporal e emocional é tão intensa e distorcida, que ultrapassa as raízes mais altas da Grande Verdade e se perde além da consciência… E ainda bem, direi eu. Que piada teria se estivessem(os) limitados pela certeza, pela fatalidade do fim (sempre inglório, porque fugaz é a memória)…?

Mas, entretanto, para animar a Vida… temos a BIG TEASER! E é um verdadeiro acirrar de intrigas, emoções, paixões, alegrias, picardias, fantasias, alquimias, especiarias… que nos movem o interesse e lhes apimentam os dias! Ela, maestrina imparável e incomparável, mexe e remexe os cordelinhos, controla as virtudes (ou descontrola), estimula os pecados, disseca as almas, expõe fraquezas, empola riquezas… distrai, enfim, da incerteza da vida depois da Vida e da certeza que, lá fora, além do espaço e do tempo que os limita, há uma Divina Encenadora que os governa e os julga.

Ah!... esqueci-me dos santos. Aqueles que, à custa das suas próprias esmolas, vão intercedendo pelos pobres mortais. Ou lhes vão iludindo a fé…

Pois. É isso mesmo – a Vida é uma Secret Story…

Esta crónica escrevi-a no ano passado, mas serve para este ano, parábolas são intemporais...
 
SECRET STORY

TIUI...TIUI...TIUI... O PASSARINHO

 
Tiui...Tiui...Tiui...
Assim cantou o passarinho
Que um dia fez o ninho
Lá no reino dos Leões.
Indo até ao Jamor
Voou com esplendor
E alegrou corações.

Tiui...Tiui...Tiui...
Naquele prado verdinho
Que não é do Sertão
Mas de Leão ao peito
Mostrou que até tem jeito
E marcou um... dois... golinhos
E la se foi o Dragão.

Tiui...Tiui... Tiui..
Com ele o Leão cantava
Enquanto o passarinho marcava
Dois golinhos sem igual.
E ele cantou cantou
E o Sporting ganhou ganhou
A Taça de Portugal
Tiui...Tiui...Tiui...

A. da Fonseca
 
TIUI...TIUI...TIUI... O PASSARINHO

Dos Que Se Vão - Emigrantes

 
 
"Que um fraco rei faz fraca a forte gente."

(Luíz Vaz de Camões,in Os Lusíadas)

Dos Que Se Vão

Pegou na mochila
Carregada de estrelas adoecidas
De planetas descalços
De terras enfurecidas p´la influenza
De mares e marés sem abrigo
De céus em bocas famintas
D´ ares prenhes em sufôco
E ...
E ... partiu...
Não sabe quando
Nem se voltará
Não sabe se algum dia
A mochila repousará
Apenas tem a certeza
Que a lua solitária
Se deita com ele
Circunscrevendo as suas margens
Desprezando
O nascer do sol
Justamente , dentro da cavidade ...

... Onde o gelo repousa ...

Luíz Sommerville Junior, 2010
 
Dos Que Se Vão - Emigrantes

A SOMBRA E A LUZ

 
Cais sobre mim em puro pensamento
E esta revolta alastra-se por ti
P´la tua indiferença e fingimento
A escapatória que crias-te aí

No teu mundo de amigos pouco atento
Ao coração tristezas que em ti vi
O sumo dos despojos sem alento
Agora sei que de ti me perdi

Esta terra que quebra o sofrimento
Harmonia com restos de ti vivo
A sombra e a luz com mais florescimento

Lágrimas descem o Dão tão aflito
Entre rocha e terreno de cultivo
Para no mar morarem sem conflito

29 de dezembro de 2014
António Botelho
 
A SOMBRA E A LUZ

MEU LINDO PORTUGAL

 
MEU LINDO PORTUGAL
 
 
MEU LINDO PORTUGAL

Talvez sim, talvez não
Vou talvez envelhecer triste
Solitário(a) e abandonado(a)
Envelheço num pais cheio de sol
Rodeado pelo mar.
Vou envelhecer precocemente
Sem dinheiro, para os remédios comprar
Envelheço como um livro rasgado
Velho/a esquecido/a e guardado
Vou envelhecer, num país acidentado
Onde tudo que é velho, deitado fora será
Vou envelhecer neste inferno, nesta estação
Seja ela outono, inverno, primavera ou verão
Vou envelhecer , antes da hora marcada
Sem destino, sem hora, seja dia ou noite
Vou envelhecer e só para não morrer à fome
Vou ter que ser ladrão, vigarista ou aldrabão
E meus amigos, talvez tenha de mudar de nome.
Embora eu não tenha dinheiro para a luz
- Água e gás pagar
Emigrar talvez seja o remédio, para pagar ao banco
A casa que estou a morar. Envelheço num país
Muito mal governado. Por ladrões e abutres esfomeados.
Envelhecemos e vivemos todos neste Inferno.
Neste lindo Portugal, envelhecemos com sol
Mar e boa comida, com os santos populares
Sejamos velhos ou novos, envelhecemos de certeza
- Neste pais acidentado e doente.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca
 
MEU LINDO PORTUGAL

EMIGRANTE PORTUGUÊS

 
Um emigrante é um português de segunda
Cavaleiro andante que traz no peito Portugal
Pelo estrangeiro para ganhar a vida, vagabunda
E as lágrimas correm quando chega o Natal.

Traz com ele um velho fado e uma guitarra,
Um garrafão o presunto e o choriço do país
Aquece-se com as brasas da sardinha assada
E canta um fado, pois que o fado é a sua raíz.

Deixa a familia, mulher, filhos, e os amigos
Deixa a aldeia ou a vila que um dia o viu nascer
Deixa o mar deixa a praia e deixa o trigo
Do seu Alentejo onde ele queria um dia morrer

É um emigrante português que não é jamais ouvido
Mas que no seu peito alimenta do seu País a saudade.
Não esquece Portugal, mas por ele é esquecido
Pois que de lá não vem nem um pouco de amizade

A. da fonseca
 
EMIGRANTE PORTUGUÊS

REPRODUÇÃO

 
O Homem quer e esta terra reproduz
A semente que dentro de nós jaz
Uma luz que deste átrio conduz
O destino convulso que se aprás

Santa condenação que nos faz jus
Crepúsculo nascente tão fugaz
E as novas crias com negro capuz
Vivem a vida em câmaras de gás

Sonho e vida cavalgam riem unas
E despenham-se sobre baças dunas
O sonho e o vinho da terra rachada

Convento em sentimentos renegados
Embriões congelados e farpados
A bondade do mundo está manchada

13 de março de 2014
António Botelho
 
REPRODUÇÃO

EM DUETO, ARREPIO SE FEZ!

 
No abraço de poemas
Dueto em amor/amigo se fez...
A palavra acariciou o verbo.

O verbo excitado penetrou os sentimentos
Os sentimentos em fascinação...
Deles cintilaram versos.

Versos que provocaram arrepios da tez
Tremuras sentidas das rimas, à perfeição
Em unidade rítmica da mágica poesia...

Palavras em versos permitem-se
Em indireta sutileza...
A volúpia dos sentidos.

Lufague.
 
EM DUETO, ARREPIO SE FEZ!

A NOITE

 
COMO VOS DIZIA NO FORUM, VOU ESTAR AUSENTE UNS TEMPOS,
NO DIA 1 DE DeZENBRO, PUBLIQUEI O MEU PRIMEIRO POEMA NO lUSO. COMO NÃO TERI TEMPO PARA O FAZER NA DATA PRECISA, DECIDI DE O FAZER HOJE, AS MINHAS DESCULPAS.


 
Texto
Data
01/12/2007 10:45:26

Noite... Deusa dos meus desejos
Em que de Lua em Lua,
Indo de rua em rua
Dei e recebi beijos,
Destrocei corações,
Causei desilusões.
E no silencio do vazio
Também fui feliz
Nas ruas do meu País!
E mesmo se no escuro não vejo,
Noite... és Deusa dos meus desejos.
A. da fonseca
 
A NOITE

PAPOILAS DO ALENTEJO

 
O Alentejo não é só do trigo dourado
Tem as papoilas, mas que nome bonito
Tem belos sobreiros, por todos amados
E o cantar das cigarras. é canto favorito

Papoila vermelha poesia dos campos.
É ligeiro beijo de lábios bem vermelhos
Pousados à noitinha à luz do pirilampo
Não importa a idade, não há amor velho.

Uma flor tão frágil que treme aos ventos
Mas que é tão bela com sol a brilhar
Ver um mar de papoilas, belos momentos
Que não nós nos cansamos de admirar.

Flor efémera mas que em nós guardamos
A sua beleza, a sua fragilidade, a sua cor
E é com impaciência que por ela esperamos
São como as ceifeiras, a mais bela flor.

A. da fonseca
 
PAPOILAS DO ALENTEJO

Justificação popular

 
Quando surge um novo falatório na aldeia
A notícia corre e o povo comenta
Os pormenores que o povo não sabe inventa
Pois a injustificação é uma assustadora ideia

05 de setembro de 2014
António Botelho
 
Justificação popular

Sinais Do Implacável

 
Sinais Do Implacável
 
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Sinais Do Implacável

Já não há pano que agasalhe
a larga nudez
daqueles que se vestem
com a água da chuva
com a luz cega do sol
são seres transparentes
invisíveis
aninham-se em buracos
quando a cidade adormece
e desaparecem ao nascer do dia
já não esperam nada
e nada os espera
há algo de terrivelmente alucinante
na malvadez requintada
deste novo , sofisticado e inqualificável
retorno a Auschwitz

Luíz Sommerville Junior , 100720132113

Perdoem se é pouca a poesia e demasiado o incómodo .
 
Sinais Do Implacável

A INFERNALIDADE À COCA DO MUNDO

 
A infernalidade à coca do mundo,
À espera dos desejos das pessoas.
De mão beijada, mesmo lá no fundo,
Todos se entregam a este mal em proas!

Deixas o rancor mais e mais fecundo
Entre a podridão que entre a gente ecoas,
Ó gentes dessa mágoa, do submundo,
Das artes negras que dás em coroas.

Sucumbem ao mal em prole do bem,
Falsas comarcas em Jerusalém.
Sem mais diálise ou mais sentimento.

Estes miúdos querem ser graúdos
E esses graúdos querem ser miúdos,
O natural das coisas é cinzento!

19 de dezembro de 2014
António Botelho
 
A INFERNALIDADE À COCA DO MUNDO

Portugal ao contrário

 
Como se pode começar
Aquilo que já acabou
Como se pode acabar
Aquilo que não começou
Triste fado o fado nosso
O fado de um povo triste
Que nem a rezar pai-nosso
Evita este alegre despiste
O de ser ex-povo poeta
Porque virou nobre pateta

Ó meu querido Portugal
Que me dás o dia inteiro
A possibilidade de funeral
E todos os dias de nevoeiro
De afonsos sem qualquer dom
Sem segundos nem penúltimos
Porque agora sobes o tom
De sermos os primeiros dos últimos
Como cantar então a tua glória
Se só na derrota cantas vitória

Deste destino não me livro
De tanto bruxedo e feitiçaria
Narro-te em trovas de um livro
Porque é negra a tua magia
Desfeito dos teus feitos heróicos
Que te dilataram a fé e o império
Agora um punhado de paranóicos
Armados em heróis a sério
Cambada de panascos importantes
Que além do mais são praticantes

Já não acredito em querer
Que um dia vá acreditar
Na fé desse grande crer
Que me possas salvar
E me faças outra vez de novo
Filho de gente que sente
Gente de gente, gente do povo
Do povo de nação valente
E agora vai pior que mal
Numa estupidez imortal

Onde raio estão nossos irmãos
Para onde fugiram nossos amores
A quem dar as nossas mãos
Num país de desertores
Viraram-se todos ao contrário
Fugindo apressados à realidade
Montados neste triste cenário
Sem esperança na saudade
E do amigo ficou o esboço
Do inimigo a apertar o pescoço

Ó Portugal da mensagem
Já sem rosto de Pessoa
De Camões sem linhagem
Sem Porto e sem Lisboa
Virou fantasma o Viriato
Sebastião um morto-vivo
O teu povo no estrelato
Tua pátria um nado-vivo
E já nem o velho do restelo
Te idolatra como camelo

Foste castelos de tantas quinas
De reis e governantes além-mar
E agora hipotecas as salinas
Porque te esquivas ao teu mar
Foste o senhor de tanta guerra
Em busca do além-mundo
E agora enterras a tua terra
Enterrando o machado bem fundo
Que será de ti ó Portugal
Que só de besta se faz bestial

Reina e impera a estupidez
Governa a avidez e a ganância
E de olhos fechados tu não vês
Que a tua prol é ignorância
Que a votar não vota bem
Que a não votar vota mal
Porque o voto vota alguém
Que não te vota Portugal
São votos brancos, votos de chulos
São tudo votos, votos nulos

Canto-te assim o fim do império
Numa poesia de raiva e dor
Que te prova muito a sério
O tanto de tão pouco amor
E que te vê a desmaiar
Em queda tornada coma
Num hospício a tratar
E à venda na vandôma
A Europa desfigura-te o rosto
E o teu vinho sabe a mosto

Ó Portugal moribundo
A afogar-se à beira-mar
Destes mundos ao mundo
Sem o mundo nada te dar
Vais agora de vento em popa
Rumo à morte com certeza
Das migalhas fazes a sopa
Restos cozidos-à-portuguesa
Eis Portugal ao inverso
Lagutrop do meu verso



JSL
 
Portugal ao contrário

NOS OLHOS O PORTAL D'ALMA !

 
O poeta diz: os mistérios da alma serão desvendados
Mirem-se ao espelho, num mergulho profundo, além...dos olhos
Muito além do que o corpóreo possa oferecer...

Entrego-me em confiança, sou crédula que à alma é como vinho...
É preciso explorá-la, mapeá-la, porque decerto não revela sua grandeza de imediato
É necessária a peregrinação de si, ao destino do néctar divino, computo do prazer em saber-se

É mergulhar em universo intimo, nas expectativas, sem medos de frustrações
Em despir-se do ser sem afetação de suas idiossincrasias...
Num estimular de convivência própria, na força e personalidade em combinação

No olhar profundo de si, o penetrar-se, momento único de vivencia
O deleitar-se, em expressão de amor próprio, em ato, ser o descobrir
Em autoconsideração da alma, no trajar-se de equilíbrio e sabedoria

Salve o poeta, que se oferece em lítio do vinho, em taça, champanhe
Que alegra o humor, em beleza de estado de espírito...
E desvenda desejando, o sensível da grandeza d’alma!

Lufague .
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NOS OLHOS O PORTAL D'ALMA !