Poemas, frases e mensagens sobre cidade

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares sobre cidade

cidade cinza

 
A aurora ja vem embassada pela fumaça
Nuvens cinzas encobrem o azul do ceu que lentamente se escassa
Os passaros migram em silencio de luto
Pelo ar funebre que jaz em acordo mutuo
Com a evoluçao que trabalha a todo vapor
O cinza agrega o interior do coraçao que nao reside o amor
O tempo anda junto com a ganancia que traz apatia no olhar da criança
Que vive no deserto de arranhaceus sufocando o verde da esperança
A terra seca folhas caem sem o sabor da brisa
E a prova que o homem conseguiu se igualar ao tom funebre da cidade cinza
 
cidade cinza

seu lugar

 
A cidade está lá fora
O vento sopra forte
Na janela do quarto
Pode vir chuva
Luz forte do sol
Eu só admiro
Seu relaxar
Não tem ruído
Só de o seu suspirar
Ofegante, febril
Dedos entrelaçados
ela jura, é não se vá
Já é noite, voou o tempo
 
seu lugar

Mossoró e Tibau

 
MOSSORÓ E TIBAU (RN)- Neila Costa (Poesia que participa do livro \"Antologia Poética\" de poetas e escritores filhos da terra)

[size=medium]Ao escrever uma poesia homenageando minha cidade natal, Mossoró (RN), permiti que o amor e o orgulho que sinto pelo chão que me viu nascer e crescer, escorressem pelos meus versos, de modo muito intenso. Foi por isso, talvez, que David Leite, ao tomar conhecimento desse meu \"Hino\", tenha me convidado a participar da \"Antologia Poética\", onde reuniu Poetas e Escritores filhos da cidade. Assenti e aqui estão meu poema e a excelente crítica sobre o livro, favorável também ao meu trabalho, ao ser citada pelo Escritor Nelson Patriota.
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Mossoró e Tibau

Neila Costa

Mossoró
Dos dias inesquecíveis da minha infância,
Dos jogos de amarelinhas e das queimadas,
Nas velhas mangueiras, as escaladas,
E o futebol pueril com a vizinhança.

Mossoró
Das belezas da extensa praia do Tibáu,
Suas jangadas, águas azuis e relaxantes,
Dos corpos estirados ao sol, exuberantes...
Namorados de mãos dadas ao cair da tarde...

Tibau
Da típica e saborosa comida,
Do camarão e do peixe frito na tapioca,
Da água de côco, do milho verde, da paçoca,
Da coalhada, do baião de dois e da peixada.

Tibau
Dos extensos morros de areias coloridas,
Mundialmente conhecidas... e engarrafadas
Formando paisagens manualmente trabalhadas.
Cidade das rendeiras, artesanatos e bordadeiras.

Mossoró
Da minha primeira lágrima, meu primeiro amor,
Do meu primeiro beijo na pracinha, no escuro,
Das ilusões juvenis, do devaneio mais puro...
Da vida adolescente que deixei para trás...

Mossoró
Terra mãe, amada, que trago na memória,
E na alma a inspiração dos versos que faço agora...
No coração, meu amor por ti, desde outrora...
És e sempre serás o enredo da minha história.

Presença poética de Mossoró e Tibau

Nelson Patriota [ escritor ]

Que cidade não inspira admirações as mais variadas, e que pouco a pouco não se traduzam em cantos e poesias? Nem mesmo a melancólica Beócia, de triste memória na Antiguidade, se privou de seus poetas e cantores. Com mais razão, a combativa Mossoró, sempre acompanhada do aposto “Princesa do Oeste”, inspiraria louvores de vária ordem não só a mossoroenses de direito, mas também os adotivos – quer os que a adotaram, quer os que foram por ela adotadas. Ou a ambos os casos.

O livro “Mossoró e Tibau em Versos: antologia poética” (Sarau das Letras, 2014), organizado pelo poeta David de Medeiros Leite e José Edilson de A. G. Segundo, é mais uma de outras tantas antologias que a cidade de Mossoró suscita de tempos em tempos, a exemplo de “100 Poetas de Mossoró”, organizada por Caio Cézar Muniz, e com a qual compartilha um sentido fluido e elástico do termo “antologia”. Com efeito, ambos remetem mais à recolha do que a seleção, pecado aliás muito corrente nas modernas “antologias”, que, por não terem um propósito crítico, elegem como parâmetro diretivo o acervo disponível em torno do seu objeto de eleição indiscriminadamente. Isso finda por conferir a esses livros um caráter generalista e desigual, quando se cotejam seus textos mais acuradamente, colocando lado a lado poemas de gêneros e qualidades diversos; por outro lado, dá a esse conjunto díspare um verniz documental, uma vez que acolhe praticamente tudo o que considerar pertinaz ao tema.

Devido a isso, a antologia apresenta um largo espectro de gêneros que comporta versos brancos, cordéis, elegias, sonetos e outros estilos poéticos, enquanto a diversidade de autores abre um vasto leque de motivos, alguns bastante originais no tratamento do tema comum. Os exemplos são vários: o poema longo “Conversa de cangaceiros a cavalo no dia em que atacaram Mossoró”, de Homero Homem, o poema “Exercício de memória”, de Deífilo Gurgel, o cordel “De calça curta e chinela”, de Antonio Francisco, “Adoção”, de Clauder Arcanjo, “Canoeiros de Mossoró”, de David Leite, entre tantos outros.

À diferença da recolha poética levada a cabo por César Muniz, essa de David Leite e José Segundo inova ao incorporar a poesia telúrica e talássica inspirada nos encantos da praia de Tibau, extensão dos domínios afetivos dos mossoroenses; sua Pasárgada, no sentido bandeiriano. Predomina, porém, numérica e qualitativamente, a fonte de inspiração encravada nos chãos mossoroenses, como a dizer que o primeiro amor transborda de inspiração, em comparação ao amor tardio de Tibau.

A exceção é o poema “Mossoró e Tibau”, de Neila Costa, que reúne esses dois afetos mossoroenses numa ciranda de versos que se alternam em propalar ora as belezas e virtudes de um, ora do outro, numa celebração balanceada a fim de não melindrar nenhum deles. O fato, porém, de abrir e fechar o poema com evocações a Mossoró, deixa transparecer uma preferência tácita por esta cidade.[

A paixão por Mossoró transborda sem pejo no poema “Ó Mossoró! Ó Sol”, de Cosme Lemos, que vale por uma quase-elegia à Princesa do Oeste, e que logo em seus primeiros versos estabelece a ligação essencial da cidade com o astro-rei Compare-se com o poema “Mossoró, sob o sol e o vento”, de João Wilson Mendes Melo, cujo verso inicial diz: “Na cidade em que nasci e cresci / Quem governa e quem manda é o sol”), enquanto escande a solitária vogal iterativa do nome da cidade: “Ó Mossoró! Ó Sol! As consoantes mortas / Perdem-se no clarão da vogal que as consome / E acorda todo o Oeste, abrindo as tuas portas, / Para dar ao sertão o calor do teu nome [...]”.

http://tribunadonorte.com.br/noticia/ ... de-mossoro-e-tibau/290703
 
Mossoró e Tibau

É DA BAHIA

 
É DA BAHIA

Itapetinga é da Bahia
E de cá do morro
Onde fica a Universidade Uesb
Eu te vejo, eu te desejo
Eu quero estar contigo
Me dá até febre de tanto pensar
E é neste momento
Que eu me purifico pra te amar
Sou apaixonado por você
O seu calor me alimenta
Aquece a minha alma
A sua água dá mais sabor a minha vida
Quando eu ando pelas ruas
Desta cidade
Sentindo a brisa bater em meu rosto
Eu digo hé!
Vale a pena viver
Vale a pena estar com você
É Itapetinga
E é da Bahia
Alô meu país!
Brasil!
Aqui sou mais feliz.
 
É DA BAHIA

Na Noite

 
Oiço baratas na minha almofada,
com o meu arrastado pestanejar.
Oiço o sangue da noite,
o zume zume que embala a cidade.

Hoje deitei-me virada para a janela,
sem dormir, vendo um prédio sonolento,
como eu não estou.
E só não te queria à minha beira,
porque faz calor, e eu suo muito,
fico suja... amarela.

Deixo a janela aberta,
convidando melgas para me chuparem o sangue.
Deito-me na noite, sendo parte dela
esperando o seu efeito bumerangue.

Carla Venta
 
Na Noite

Versos que te dou

 
Versos que te dou
 
Versos que te dou

Versos que te dou
Quem sabe um dia, meu querido...
O tempo nos faça juntar
O meu querer
Com a tua vontade?
Nada é impossível, quando se crê!

Às vezes, sento-me na varanda do apartamento,
Observando os carros passando em disparada...
Todos com pressa de chegar...
Em algum lugar, alguém espera alguém chegar.

Olho as luzes da cidade...
Parecem estrelas a se perder
Até onde meus olhos podem alcançar.

Em cada ponto de luz,
Há alguém a sorrir ou a chorar,
Amando ou odiando,
Morrendo ou nascendo,

Existe alguém vivendo ou simplesmente
Vendo os carros e estrelas passarem...
Pensando onde estará o seu amor.

Quem sabe um dia, não mais necessitemos de palavras,
E no meu olhar eu possa falar...
Baixinho, dentro do teu coração...
Devagarinho...
Bem de mansinho, para não te assustar,
O quanto é bom te gostar.

Nesse dia, a linguagem do meu corpo te
Fará sentir o amor que acaricia a alma...
A vontade que motiva te encontrar...
A sensação gostosa de te tocar
E sentir na minha, a tua emoção,
Numa só forma de amar...

Quem sabe um dia, não mais necessitemos de palavras,
E no meu olhar tu possas sentir
O quanto é bom te amar.

Autor:

Luandabela
 
Versos que te dou

PARADAS CARDÍACAS

 
PARADAS CARDÍACAS
 
PARADAS CARDÍACAS

Coração metropolitano
Batendo britadeira
Nas esquinas poluídas
Dos meus momentos cimentados

Coordena descompassado
O não-fluir não-estático
De meu trânsito congestionado
Chove lento e engarrafado
Esfria meus estados,
Engaveta meus sentimentos

Agora mesmo
Enquanto versejo,
O músculo, acidentado, fraqueja...

Neste exato momento
Enfarta super-rápido
A estagnar meu peito
Para libertá-lo das feridas
Da vida, de seus efeitos...

Logo em seguida
Chamará um táxi
Numa paulista avenida
Para levá-lo, sem desvelo,
Entre tropas de choque
E paradas cardíacas

Avançará sem receio
Sobre todos os faróis vermelhos
Que porventura encontrar
Nessas esnobes marginais compridas

Definitivamente parará.
Morto, descerá do auto
Numa praça desconhecida
Desguarnecido de todos e tudo

Então aproveitará a noite
Se embriagando de chopp
Num fastuoso Happy-Hour
Destes cheios de comidas.
 
PARADAS CARDÍACAS

CANSEI

 
Cansei de cidade, quero mato!
Cansei de ser gente, ausente , quero ser bicho presente!
Cansei de relacionamentos mornos, quero fogo ardente!
Cansei de senhas, quero imprimir meus rastros!
Cansei de correria, quero andar em marcha lenta!
Cansei de grosseria, quero a delicadeza do beija flor!
Cansei de rotina, quero emoções que ofusquem minha retina!
Cansei de ser politicamente correta, quero ser corretamente política!
Cansei de leis e convenções, quero extrapolar os limites da imaginação!
Cansei de andar na terra, quero andar nas nuvens!
Cansei de céu fechado, quero céu aberto!
Cansei de organização bagunçada, quero a desordem organizada!
Cansei de ser acomodada, quero incomodar!
Cansei de ser escudo, quero ser protegida!
Cansei de ser misteriosa, quero ser transparente!
Cansei de culto a beleza, quero a beleza do culto!
Cansei de pé no sapato, quero pé no chão!
Cansei de solidão, quero companhias em prontidão!
Cansei de separação, quero tudo misturado!
Cansei de expectativas, quero as surpresas da vida!
Cansei de pensar, quero só meditar!
Cansei de ficar cansada, quero relaxar ouvindo as minhas ondas celebrais tentar sintonia com a orquestra universal!
 
CANSEI

Queria eu ser um quadro

 
"Queria eu ser um quadro, uma pintura com muitas cores
Que embeleza uma cidade.
Que ser simplesmente palavras perdidas no tempo
Palavras levadas pelo vento!"
( Nelson Martins )
 
Queria eu ser um quadro

Um passeio por Lisboa

 
No outro dia, por razões profissionais, sai do meu local de trabalho, algures nas Avenidas Novas e fui até ao Bairro Alto acompanhada de uma amiga que trabalha comigo e que também vive na Margem Sul do Tejo.
Quando chegamos ao jardim de S Pedro de Alcântara (ao cimo do elevador da Glória) podemos ver Lisboa de cima, em todo o seu esplendor. Estava um dia propício, nem muito solarengo nem muito cinzento. Teria dado uma foto linda. Olhei para a minha amiga e percebi, pelo seu ar espantado, que ela nunca ali tinha estado. No decorrer da conversa percebi que nem ali, nem em mais de metade de Lisboa... apesar trabalhar na cidade há quase 17 anos.
Eu, apesar de ter sempre trabalhado na mesma zona, conheço relativamente bem o resto da cidade de Lisboa. A Baixa, Alfama e a zona do Príncipe Real são as zonas que conheço melhor. Depois conheço quase toda a cidade de vista. De turista.
Os turistas pagam para vir conhecer a nossa cidade, e nós, que passamos por ela todos os dias não a conhecemos. Mas, quem aqui trabalha ou vive, paga para ir conhecer outras cidades. Não se sintam culpados. Quem vive nas outras cidades também não as conhece. Pelas mesmas razões que nós.
A vida agitada que levamos, a correria desde que nos levantamos até que nos deitamos não nos deixa tempo para visitarmos as cidades onde vivemos ou trabalhamos. Nem para estar com os amigos tantas vezes quantas desejaríamos. Nem com a família. Há quanto tempo não paramos num café ou numa esplanada a beber um café ou um refresco com um grupo de amigos, sem olhar para o relógio porque temos um compromisso logo a seguir?
Hoje a nossa vida é um contra relógio constante. A sociedade moderna é escrava do tempo. Sobram coisas para fazer depois de acabar o dia. E, por mais que se saiba que assim é, não fazemos nada para mudar. Antes arranjamos ainda mais coisas para fazer.
Tenho tentado, junto com um grupo de amigos, contrapor esta tendência. Uma vez por mês escolhemos um local diferente para passarmos o dia ou a tarde. Sem relógios, ficamos a conhecer um sítio diferente e, acima de tudo, é um dia que estamos juntos. Pode parecer pouco... mas tem sido bastante gratificante. Se calhar, se fizerem um esforço para o fazer, mesmo que seja só em família, acreditem que se vão sentir bastante bem.
 
Um passeio por Lisboa

PARADAS CARDÍACAS

 
PARADAS CARDÍACAS

Coração metropolitano

Batendo britadeira
Nas esquinas poluídas
Dos tantos momentos
Cimentados

Coordena descompassado
O não-fluir
Não-estático
Do trânsito
Congestionado

Rege
Uma chuva sistólica
Em compasso lento,
Engarrafado

Esfria estados

Engaveta sentimentos

Agora mesmo
Enquanto versejo,
O incansável
Músculo trabalhador,
Acidentado,
Fraqueja

Neste exato momento
Enfarta
Super-rápido

Seu último ato
Antes de estagnar o peito...

Liberta-se
Das feridas do dia-a-dia
Da vida não sentida
De seus neuróticos efeitos

Logo em seguida
Chama um táxi
Numa paulista avenida
Para levá-lo
Sem desvelo

Entre
Tropas de choque
E paradas cardíacas

Avança
Ignorante, sem receio
Sobre todos
Faróis vermelhos
Que porventura encontra
Nessas esnobes ruas compridas...

Debochado,
Definitivamente pára

Ainda fibrilando
Paga a corrida e
Salta do auto
Numa praça desconhecida
Desguarnecido da lembrança
De tudo e todos
Que já o fizeram palpitar

Só então,
Finalmente
Oficialmente
Ex-coração

Salvo desse batecum
Insano, agitado,
Em desvairado falsete
Pode aproveitar a noite

: Como antes nunca o fez
Ou sentiu

E se embriaga de chopp
E caipirinha
Num fastuoso Happy-Hour
Desses cheios de comidas
Gordurosas

Lá pelas tantas
No meio das putas
E das travecas
Glamurosas
Ainda tem forças
Para gargalhar

Incontida alegria
Ao lembrar
Que amanhã, de manhã
Não haverá mais um dia
De bateria, de covardia

Porque quando se morre
É quando mais se celebra
A vida
Nesta simpática fábrica
De zumbis
 
PARADAS CARDÍACAS

Sumário dos dias (republicado)

 
Por onde passaste e te perdeste
Num mar de procelas borrascosas?
Nem mesmo tu sabes protegido
Por quatro paredes que te encerram.
Lá fora o dia é sem precedentes.
Não há nada igual e os homens catam
E contam calados as ruínas
Dos corpos imotos, sem desígnios,
Co’a comprida vela esfarrapada
De um lenho repleto de naufrágios.
Quiseste transpor o bojador
E êxito lograste em tão extensa
E arriscada empresa, porém não
Transpuseste a dor da solidão,
De quem pelo mar, expatriado,
Regressou sem fé, feito em pedaços.
Calecut alguma divisaste
Ao fim da jornada para a glória;
Viste tão somente um breu profundo
De abismos e pântanos sombrios,
Que é a própria máquina do mundo;
Mares em que não discernes céus
De amorosa estrela cintilante
Que a Deusa averruma no horizonte,
Pois toda a alma nasce sempre imensa
Até se encontrar co’o mar e ver
O quanto é miúda e sem destino,
Até defrontar-se co’as metrópoles
E ver-se sem alma na rotina.
E agora de volta para casa,
Anonimamente conduzido,
Melhor compreendes o que foste,
O que és e serás na tempestade
Íntima de ser que se procura
Sempre no maralto da cidade.
 
Sumário dos dias (republicado)

Cidades de Mentira

 
Quantas mentiras
Passam por verdades.
Quanto as verdades?
Esquecidas, ignoradas.
Uma cidade coberta
De cal e fuligem.
Histórias mal contadas.
Cidade! Cidadão Kane!
Nos outdoors; sublimação.
As noites são manhãs,
Assim como nas granjas.
Confinados em
Telas de plasmas.
O mundo real;
Quase não se vê.
 
Cidades de Mentira

DO JEITO QUE JAMAIS FUI

 
DO JEITO QUE JAMAIS FUI

A cidade segue do mesmo jeito que jamais foi
Cada vez maior, incrementada em milhares de almas...
Os ruídos das calçadas avultaram-se nestes anos,
Também os roubos, as brigas, os assassinatos,
Qualquer mal intrínseco à multiplicação dos humanos...
Igualmente, a riqueza, obviamente, se multiplicou
Novos prédios altos derribaram os velhos cortiços
Conforme o local, não se vislumbra mais horizontes
E esqueça-se procurá-los em frestas ao derredor
Apenas ao meio do céu sobrevive um nubloso ponto de fuga...
A cidade, posuda, depurou as formas do que nunca muda...
E há mais crianças pedindo nos sinaleiros, rindo e chorando
E há mais vida e morte e mais pressa e preguiça
E há mais beijos e tapas e mais louvores e insultos...
Eu ouço pouco, vejo pouco, acho pouco disso tudo...
Sinceramente, sinto-me um intruso, como poucos
E sigo, um pouco, do mesmo jeito que jamais fui...
 
DO JEITO QUE JAMAIS FUI

Porto Alegre: como não te amar?

 
Das ruas que me vestes asfaltos
Eu menino poeta...
Das árvores que me abraçam
com tanta ternura
Eu menino poeta...
Das casas que me observam por trás
dos pequenos muros
Eu menino poeta...
Das praças que perfumam o meu olfato
Eu menino poeta...
Das mulheres Gaúchas que embelezam
Tu cidade Porto Alegre
Eu menino poeta...
Das bombachas do chimarrão
do churrasco Gaúcho
Eu menino poeta...
Das águas do Guaíba com um dos
Por de sol mais lindo do Brasil.
Eu menino poeta...

Porto Alegre: Como não te amar?

( Nelson Martins )
 
Porto Alegre: como não te amar?

A PRAÇA...

 
A praça.
Ah aquela praça
Naquela pequena cidade...
Onde a roda gigante girava o mundo
E por segundos esquecia que o tempo
É pai do futuro.
Naquela gangorra os pássaros se faziam amigos...
E lindos e lindos e lindos
Os sonhos de criança
Na pacata praça.
Os perfumes dali não exalam em outra praça
Em outro lugar, em outro planeta
Cheiro de mim, jasmim,
Cheiro de primavera,
Como era bela
A singeleza dos olhares atônitos.
Tudo era motivo para parar
Como se não fosse nada
Presságio de um bom sinal.
Meu amigo, meu filho,
A graça da liberdade
Inserida no contexto da praça,
Nas corridas, brincadeiras,
Pique esconde
Não se encontra mais
Nem nos becos,
Nem nos bosques,
Nem nos sonhos...
A graça que enaltece a glória
De ter vivido naquela estação
Vive no coração,
Vive na alma
Dos que ali passaram.
Igreja católica,
Mina d’água,
Namoros fogosos,
Amores proibidos,
Sexo escondido
Nas madrugadas, sobre as gramas,
Entre as flores que hoje revelam
A pureza de nossos dias...
Fotos coloridas,
Sorrisos que iluminam
O quadro da lembrança
Do que éramos nós.
Na pacata praça
Na praça do mundo.
Na mina do fundo
Do nosso coração.
 
A PRAÇA...

Chuva

 
Chuva
 
Chuva

Chove sem parar desde a madrugada
Só com guardas-chuva se pode andar
Nas ruas estão passando enxurradas
Parecendo rios que estão a se formar

No meus tempos de criança eu lembro
Soltava vários barquinhos de papel
Nas enxurradas do mês de dezembro
Nos esgotos giravam como carrossel

A chuva à tarde deve ainda continuar
E muitas pessoas ao certo irá molhar
Por estas ruas cinzentas desta cidade

E por aqui ao contrário do Nordeste
Chove e não há seca e nem peste
Que causam ao sertanejo dificuldade.

jmd/Maringá, 11.01.16
 
Chuva

ÔNIBUS

 
Dentre todos esses meios
Que tem pra se locomover
O mais usado, acham feio
Às vezes nem querem saber

É lento, mas necessário
Para muitos indispensável
Faz parte do rito diário
Do trabalhador responsável

Mas há razão na repulsa
Não é veículo sofisticado
E quem veste a carapuça
É tido como pobre coitado

Porém é útil e seguro
Serve a todas as idades
Ainda que não dê orgulho
Correm nele pelas cidades

Para entrar, tome fila
Logo, logo está lotado
Mas nas horas tranquilas
Nem parece um enlatado

Dentro, grande conflito
Todos querem acomodação
E cuidado com o bandido
Que pode roubar o tostão

Quem só anda de pisante
Não tem outra opção
É encarar o tratante
Do cobrador fanfarrão

Hoje pra mim é passado
Subi na escada da vida
Mas se o carro é enguiçado
Ainda é uma alternativa

Por isso este ledo poema
Em homenagem ao busão
Que há tempos me serviu
E nunca deixou na mão

Poema singelo, elaborado com colaboração de Caíto e Belinha.
 
ÔNIBUS

Colar de estrelas

 
Colar de estrelas
 
Colar de estrelas

Quis pegar as estrelas para lhe dar
Mesmo sabendo que não aceitaria
Assim mesmo presenteá-la queria
Fazendo-lhe destas reluzente colar

Ela tinha doze eu tinha quinze anos
Quando juntos fizemos aquela jura
Eu não achava ser cedo nessa altura
Para traçar os nosso futuros planos

Só dois anos durou aquela ventura
Quando aumentou a sua formosura
Por outro caminho então se mudou

Foi-se embora para a grande cidade
Eu fiquei chorando com a saudade
E para aquela Aldeia jamais voltou.

jmd/Maringá, 04.10.2016
 
Colar de estrelas

Poema em silêncio

 
Do alto da minha cidade
Meus versos não tem pés no chão
Sequer eles sabem quem são
Muito prazer solidão

Sou aquele que matou o tempo
Na fumaça do meu cigarro
No ar desta noite em claro
Em versos que fogem do peito

Meu caminho é perdido
Enquanto me encontro tranquilo
Sou eu mesmo meu norte
Do silêncio melhor amigo

Nasci para a liberdade
Filho da minha verdade
Aprendi a voar vendo o ceu
Em noite de tempestade
 
Poema em silêncio