Poemas, frases e mensagens sobre guerra

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares sobre guerra

GRITO

 
Hoje não quero ser boazinha
doce e apaixonada,nem fazer confissões
não quero escrever o poema perfeito
não quero alimentar desejos e ilusões

Hoje não quero ser melodia
não quero ser alucinação em noite tardia
não quero alimentar insónias
de quem me aprecia

hoje sou o lado avesso do desejo
o lado errante da alma
sou a mão trémula que rabisca no papel
sou coração sem qualquer ensejo
sou a rebelde que solta ao vento seu praguejo

Hoje virei-me do avesso
e sem nenhum apreço
grito ao mundo,que o mundo se foda
o amor,a vida, a paz, não têm preço
acabem a gerra e voltem ao começo !
 
GRITO

Noites Sós

 
Noites Sós
Noites acordadas e sós,
Terrores, partos de dor,
E desejos amordaçados,
Banho na chuva vertida.

Só de braços ternos,
Fome e sede de amor,
Danças monólogas,
Guerreiras, loucas,

Que a chuva não lava.
Nem arrefece o calor,
Sôfrego de sorrisos,
De beijos e carícias.

Danças em círculos,
Risos histéricos
E loucos ritmados
Esparramam-se no chão,
Sobre ossos convulsos,
Em résteas de vida
Pretendentes à minha carne.

Noites de fantasmas,
Fardas sujas e rotas,
Armas destruídas
E fumegantes de morte.

Noites sós, noites infindas,
Que me cercam atrozes,
E nem as estrelas no céu,
iluminam o caminho.
Até os meus passos
Ao acaso do escuro
São cativos do silêncio,

E meus olhos fitam o escuro,
De tantas noites sós,
Tentando sonhar com amor,
Afastando os demónios,
Confundindo os infernos,
E, contigo, voando aos céus.

Tantas, tantas noites sós,
Onde os sonham imperam
E me impregnam de horrores…

Lisboa, 15/07/2015.
 
Noites Sós

FALEI COM A SAUDADE

 
Estive a falar com a saudade e como triste fiquei.
Ela me falou de tanta coisa às quais já não pensava
Falou-me da minha mocidade e eu não me admirei
Dos meus tempos de menino que no jardim brincava.

Das bichas para o carvão, para o petróleo e para o pão.
Era tempo de guerra vivíamos com o racionamento.
A lamparina a óleo que pouco iluminava na escuridão
E os meus deveres escolares feitos com sofrimento.

Contou-me que me viu sofrer como as outras crianças
Que elas como eu também não tiveram mocidade
Acabada a escola era o trabalho que sem esperança
Nos escravizava que nos cansava, todos de tenra idade.

As brincadeiras eram poucas o tempo escasseava
E o pouco que recebíamos era esmola para o pão,
Era pouco mas para viver sempre um pouco ajudava
Quarenta e oito horas de trabalho e um domingo de distracção.

Era assim a vida me disse a saudade. mas mesmo assim
Hoje pensando bem a dificuldade fez de mim um homem
Nos tempos que correm vive-se melhor, é melhor assim
Mas é pena que a mocidade hoje,muito mal a consomem.

A. da fonseca
 
FALEI COM A SAUDADE

Quanto tempo já passou?

 
Quanto tempo já passou?
 
QUANTO TEMPO JÁ PASSOU?

Sussuravam folhas secas caídas
Pelo chão aos montes douradas
Eram lágrimas dos olhos saídas
Palavras murmuradas.
Quanto tempo já passou?
Havia por perto um loureiro
Tempo de guerra que à aldeia chegou.
Havia fome e pouco dinheiro.
Mas esse tempo já lá vai!?
Dele mesmo não lembro eu
Mas me contava meu pai
Do muito que padeceu.

Quanto tempo já passou?
Tempo agora tão diferente
Mas, ninguém está livre, eu não estou!?
De enfrentar guerra novamente.
É que a paz está apodrecida
A guerra no mundo não acabou
Entra-nos em casa.Como pode ser esquecida?
Quanto tempo já passou!

É longe, se agridem e matam por lá
A todo o dia a toda a hora
Que importa se não é cá?
Mas vejo gente que sofre e chora.
Notícias não quero ouvir
O coração pede que não
Esmaga-se-me o peito de se afligir
Por ver tanta maldade e agressão.

Mas é verdade, deveis sabê-lo!?
Meu pensamento é meu inimigo
Quem me dera adormecê-lo
Ao acordar encontrar um mundo amigo.
Quem ainda consegue dormir?
Com meio mundo em confusão?
Quem pode cantar, sorrir?
Nestes tempos de escuridão?

rosafogo

Este poema foi escrito no ínicio da guerra no
Iraque, guerra que era transmitida em directo
pela televisão.
Mas a guerra continua, parece não ter mais fim,
o ódio persiste em ter mais força que o amor.
Eu nasci em 1943, mesmo no tempo da II Grande Guerra Mundial.
 
Quanto tempo já passou?

UM HINO À FELICIDADE

 
UM HINO À FELICIDADE

Amigos!
Vós que tendes uma consciência
Denunciai aqueles que não a têm.
Revoltai-vos contra esta sociedade imunda
Que o planeta inunda
Com guerras, fome, miséria.
Há os que alimentam as guerras
E outros que se alimentam de terra.
Para quando ou em que século
O povo viverá feliz sem sangue derramado,
Sem a tristeza no rosto estampada,
Com terra para cultivar,
Os alimentos e assim deixar
De comer terra para viver,
Ver os meninos a crescer
Rindo, saltando, cantando
Um hino à felicidade
Ao amor e à liberdade.

A. da fonseca
 
UM HINO À FELICIDADE

faixa de gaza

 
Nas janelas os vidro baços e sobre o muro de pedras derrocadas
avencas secas no súbito esgar da partida, da fuga abrupta,
de gentes levando em braços
gestos destemidos e a mansidão doirada dos figos passas,
das frutas abertas e dos trigos
- promessas vãs de solstícios de sol tardio de paz pousado
em néctares e bagos de romãs.

na pedra das casas que foram brancas
já se não escutam risos serenos de crianças …
nos pátios das escolas, ora fechadas, de igual modo, as correrias,
nem sequer as águas correm libertas, fulminando a sede, se já é extinta,
em torno de lábios frios.

vertiginosa
a trajectória da bala não escolhe o alvo
nem se queda na fresta sombria de um olhar de poema.
a praça range em silencio de espera. a tropa avança.

na cidade que não é
num qualquer espaço da faixa de Gaza
existem ainda sonhos de quem fala demoradamente com
a correnteza inversa dos peixes na maré das águas.

um dia os homens serão pássaros sem fuligem de chumbo
por sobre as asas?

**
Nota: este poema foi feito com base da imagem que ilustra o mesmo poema em www.noitedemel.blogs.sapo.pt
 
faixa de gaza

Uma Noite Apenas

 
Uma Noite Apenas
Algum tempo, uma noite
Apenas, que me liberte
Dos demos, dos terrores,
Das torturas, e me afoite
Até à manhã fria, inerte,
Aos raios madrugadores
Do sol, quente, que me açoite
a tez e, nela, se oferte
a sudação dos amores.

Uma noite só, dormida,
De acalmias insonoras…
No olhar vago, vagabundo,
Cada imagem vivida,
Do bater, tic-tac, das horas.
No éter, fora do mundo,
onde buscam a jazida
final, almas pecadoras,
gemidos, de esgar imundo.

Uma noite longa, vã,
De libidos e desejos,
Sem sonhos nem ilusões…
Nada, nada, nem manhã
abalada por realejos,
poemas, odes, canções…
só a noite por irmã,
de preguiça, de bocejos,
sem guerras, bons ou vilões…

Só uma noite, sem penas,
(Que não sejam travesseiros),
Ódios vis, malquerenças,
Pazes falsas, rir de Atenas,
Embriaguez de guerreiros,
Deuses, musas, mesmo crenças,
Esta só noite apenas,
Por favor, arruaceiros
De hoje, quero diferença.

Lisboa, 10/08/2015.
 
Uma Noite Apenas

De mim, pouco me sei...

 
De mim, pouco me sei
a não ser aquele gesto
nu que me boceja
por entre duas frases dedilhadas,
enquanto não me amanheço

José Guerra (2013)
 
De mim, pouco me sei...

Felicidade atribulada!

 
Podia ser tudo mais simples
Se toda a gente atingisse a felicidade
Não havia tristeza no Mundo
Simplesmente reinava a verdade!
Passava a não haver guerra
E a fome já não existia
Dávamo-nos todos como irmãos
Toda a gente feliz vivia!
A humilhação e o desprezo
Passavam a respeito e humildade
As pessoas precisam disso
Para viverem em solidariedade!
Infelizmente a nossa vida
Está cheia de egoísmo e maldade
As pessoas não sabem partilhar
Não sabem o significado da palavra bondade!
A mentira e o egocentrismo
Fazem parte do nosso dia-a-dia
Nunca ninguém imaginou
Que nisto assim se tornaria!
A hipocrisia é tanta
Que fazem de tudo para na vida subir
Os ricos calcam os pobres
E os novos não deixam os idosos se exprimir!
Esta sociedade está repugnante
Dá vergonha de cá coabitar
Mas podemos fazer um esforço
Porque unidos podemos mudar!
 
Felicidade atribulada!

A GUERRA

 
A GUERRA

Cabeças prostram-se
decapitadas sobre
a imensa várzea

Corta aquele chão
um rio de olhares, de desejos em lava
rumo ao mar aberto
das bocas silenciadas

Os pensamentos escapados, sem lavra
forjam uma dantesca nuvem
imperscrutável, impensada...

As cabeças confirmam
o que a elas é predestinada:
Paradas, cerradas as pálpebras
fincam raízes muito rasas
ao solo venoso, cinabre...

Mesmo mortas, as retortas cabeças
ainda riem e choram
pelas pernas, os braços, as tetas
que não mais têm

Elas, aos milhares, milhões
n'uma seara dilacerada
cujas sementes
brotam seus interrompidos corpos
no meu, no teu... colo

Gê Muniz
 
A GUERRA

O DIA CHEGARÁ (REVISTO)

 
Olha à tua volta
E que vês tu?
De crianças sem pais
E de pais sem crianças.
E que vês mais?
Uma Terra em fogo
E todo o teu povo
De olhos esbugalhados,
Imagem do desespero.
E que fazes tu?
Continuas a guerra,
Queimas esta Terra
Que não pede que Paz.
Mas tu não és capaz
Do que impor tua arrogância,
Teu poder, tua ganância.
Tu és tu e eu não sou eu!
Mas o dia virá
Em que nós seremos nós,
Tu serás sempre tu,
E o povo será teu algoz!

A. da fonseca
 
O DIA CHEGARÁ  (REVISTO)

Bélico

 
Flores bélicas
Rebentavam em todos os canteiros.
Bellum rufava seus tambores
Nas hostes do meu quarto,
Entoando um hino
Repleto de seqüestro e assassinato.
Súbito, então, comecei
A oferecer flores e balas
Nas escolas,
Nos cinemas e teatros,
Em todas as ruas
E casas,
Em ônibus e trens.
Eram lírios e tomilhos
Furibundos,
Narcotizados
E guerreiros,
Lançados dos rifles
E bombardeiros.
E tudo parecia-me terrível e Belo
Como a lua a estuprar-lhe os amantes
E a despregar-se, como um alien,
Sangrenta, crescente,
De nossos ventres.
Colhi todas essas flores
Ao som de desesperadas cigarras
E de justiceiras espadas.
Cheguei mesmo a cultivá-las e traficá-las
Por toda África e Palestina,
Flores fétidas e clandestinas,
Como um jardineiro
A passar tudo a facão,
Como um padeiro a envenenar o próprio pão.
Era preciso cumprir minha pena,
Seviciar todos
Que me maltrataram sem pena
E me entregaram aos chacais e hienas.
Hoje não cultivo mais.
Estou em paz.
Bato ponto,
Leio a bíblia
E entrego o protocolo
A mães que carregam no colo
Filhos e pais
De futuras chacinas.
 
Bélico

Os Senhores da Guerra

 
Os Senhores da Guerra

Déspotas do destino dos povos
A palavra matar está nas vossas bocas
Caminhais lado a lado com a morte
As estrelas que trazeis ao peito
Estão manchadas de sangue
Fazeis a guerra
O terror apoderou-se dos homens
Incapazes de fugir ao destino traçado
No tabuleiro do xadrez Mundial.


Neno

"De nihilo nihil." (Lucrécio)
 
Os Senhores da Guerra

Se o Mundo fosse as Avessas

 
Se o mundo fosse às avessas;
Seriamos todos mestres, na arte de surrar;
Passaríamos nossas vidas tentando encontrar uma forma melhor de explodir outro ser humano;
Criaríamos máquinas de destruição em massa, enviaríamos nossos filhos às guerras com orgulho;
Seriamos cruéis por natureza, mataríamos por uma simples discussão, estupraríamos por simples prazer.
Roubaríamos só por querermos tal coisa;
Invadiríamos seu País, só porque lá faz mais sol;
Acordaríamos felizes, ao som da guerra, ao som das bombas explodindo;
Adoraríamos sentir o cheiro da carne humana sendo queimada pela manhã;
Seriamos pessoas doentias;
Seriamos loucos por Poder;
Mas, ainda bem...
...que não somos assim!
 
Se o Mundo fosse as Avessas

Tibete

 
Caem lágrimas,
Derramando esperanças.
Param-se corações,
Aniquilam-se multidões.

Gritos de medo, de sofrimento,
Constantemente se ouvem pelo ar,
Chegou mais um exercito de fuzilamento,
E mais vidas preparam-se para roubar.

A bala manda à condição,
Calam-se vozes da revolta,
A chacina parece a solução,
A uma paz que não tem volta.
 
Tibete

delatando

 
188 pétalas ensombradas
Casa de guerra
Província destapada
Foguetes entupindo o ouvido
A garganta borbulhando
Saliva sem sentido
E no presumível termo
Tremo em contorno
Repolho à esquerda
Firmamento de vigias
Ensurdecedoras
Fúrias fibras
Grilos

Leiam mais em http://poeta-perdido.blogspot.com
 
delatando

GUERRA E PAZ -

 
GUERRA E PAZ -
 
Guerra e Paz

Elen de Moraes Kochman

Um dia nós germinamos
duma mesma sementeira
e dela nós nos tornamos
ramificação cabal,
força, raiz axial
da videira verdadeira;
também caulificação,
-a galhaça- parte inteira
pra partilha da fração.

Temos o mesmo cariz,
prerrogativa arbitral
para fazermos o bem
ou escolhermos o mal,
e decidir de que lado
vamos ficar e com quem...
Por que escolher a guerra,
essa luta indecente
que assassina e sacrifica
o nosso irmão inocente?
Que mata por ideal,
que mata em nome de Deus,
que mata em seu próprio nome?

Se pra alguns, fazer a guerra
é motivo pra ter Paz,
desprezível é o homem
que no ódio se compraz!
Animal recalcitrante
que vive sem dedicar
amor ao seu semelhante,
Semente que foi plantada
pela mão do Criador,
o mesmo Deus e Senhor.

Não adiantam armistícios
se dentro de cada um
a guerra não for sanada,
nem tampouco artifícios
por essa paz ansiada,
se começa em nossos lares,
da guerra, as preliminares!

É tão triste e dilacera
ver criança explodida
por um míssil governado,
quanto ver um inocente
pelas ruas da cidade,
da violência, nos braços.
Também, ser assassinado,
por uma bala perdida,
pela droga consumida
que contamina seu corpo,
que transforma os seus órgãos
em descartáveis pedaços!

Maldito homem tenaz,
guerreando "em nome de Deus"!
Bendito homem da paz,
que acolhe "inimigos" seus!

Meu blogspot:
http://elendemoraes.blogspot.com.br/2 ... en-de-moraes-kochman.html
 
GUERRA E PAZ -

O sangue dos outros

 
Os elmos tristes com as mocadas sofridas pingam fluidos.
Descansa a espada no calor das tripas alheias.
Os braços possuidos por uma raiva primitiva são deuses da guerra.
De sacão a lâmina deixa o ninho vivo e o sangue volteia no ar.
A lingua sôfrega saboreia o sabor da vitima e os braços já buscam a próxima.

Na mente do artista nada existe a não ser a beleza da Vitória.
As causas do Mal nada são em tempo de luta.
A escolha foi feita egoticamente e já nada á a fazer.
Os braços gritam mudos estraçalhando carnes desconhecidas e mornas.

Um bailado mortal acontece e as peças encaixam.
A lei do mais forte continua actual e Darwin rebola de gozo na campa.
Mais uma vez o melhor venceu e um pelourinho nasce numa praça.
Os chicotes estão em exposicão e não faltam costados.

Chegam Homens esterilizados em busca de corpos frescos.
Com arte e sem sentido os sacos pretos são fechados.
Fazem-se contas á Morte e é preciso fazer alguma coisa.
Não se pode tingir um campo de vermelho sem um motivo.

Os gigantones provam o sangue alheio e temem pelo seu.
Tal qual cão que provou carne humana a vida em sociedade torna-se um risco.
Até quando conseguirão manter as mandíbulas cerradas.
Um dia chegará em que faremos brindes com o sangue de outros.
 
O sangue dos outros

CRIANÇA

 
Mora em ti, criança, toda a alegria;
Mora em teu sorriso toda esperança.
Vive em tua alma tudo que um dia
Deus por tua graça chamou de bonança.

No teu corpo frágil vive a poesia,
Nos teus olhos a inocência descansa;
O teu todo inspira doce fantasia,
No teu seio a paz forja a sua dança.

Estremece a terra, ruge a ventania;
Faz-se a guerra, brota a desconfiança,
Impera o ódio ( lástima desmedida ).

Tudo isso acaba, morre a revelia,
Pois toda essência do bem dessa vida
Vive estampada em tua face mansa.

Frederico Salvo.
 
CRIANÇA

No fio da navalha

 
No fio da navalha
 
B O L O

B ala que fura a esperança
O dio feito de amanhã
L oucura no lugar da alma
O nça no fio da navalha

F A V A

F usil que arremessa a dor alheia
A rco que trespassa o nó na garganta
V eia que entope um mar de arrogância
A nzol assassino que mata menino

B R I N D E

B astava um olhar andarilho
R aiva para incendiar o rastilho
I nveja no cunho da espingarda
N a mão gatilho pronto a disparar
D iscurso na arte de enganar
E vasiva a morte chega devagar

Maria Fernanda Reis Esteves
50 anos
natural: Setúbal
nandaesteves@sapo.pt
 
No fio da navalha