Poemas, frases e mensagens sobre literatura

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares sobre literatura

Dança das Letras

 
Dança das Letras
by Betha M. Costa

O que dizes da palavra, senhor?
Lavra poética é como uma pintura,
Longe da mão realista do feitor,
Tudo pode ser boa literatura...

Uns trabalham poemas na ditadura,
De métrica e rima, de ritmo e cor,
Outros lançam da pena sem pudor,
Sentimentos em bicas d’água pura.

Naturais ou repletas de esplendor,
Que dancem as letras livre tintura,
Como estrelas em um céu encantador!

A palavra não deve ser tortura,
Bem ou mal feita não logra o leitor,
Nem faz do néscio um sagaz doutor...

Publicado em TEXTO LIVRE
entre outros que não estou a fim de procurar.
 
Dança das Letras

Insofismável

 
INSOFISMÁVEL

Este corpo que atravessa a vida, a garganta, o tempo
atravessa o fosso, a fossa, o vento
sempre mensurável como o gado e o feno

Este corpo, irrecusável instrumento, indissoluvelmente afinado com o tempo
luta para se manter atento, pulsante e, às vezes, dormente
como porta, concha, moinho, cata-vento

Atravessa a noite, o sono, o sonho, a estação, o trem
a fronha, o cabelo, o pente

Veste caras, amores, rancores, bocas, dentes
abraços, espantos, pássaros, serpentes.

Atravessa o gozo, o abraço e a aguardente

Contudo, acorda pesado
e só não consegue atravessar a cova, a faca, a dor de dente.
 
Insofismável

AMANHECER

 
AMANHECER

Então, por não entender o canto
a ave de espanto assume a postura
do vôo que enfrenta os ventos
e gritos dilacerados assombram o cantar
do pássaro humano preso na garganta

A liberdade é só um salto
da voz que atinge a alma
em pleno vôo.

E, todos os caminhos voam
para um céu aberto
à morte do homem
e a liberdade do pássaro
solto na voz.

E todo dia se faz de repente,
sem avisos e canta a luz
do grito nascente na voz
no amanhecer
do pássaro que voa
todos os dias
nos homens

Hideraldo Montenegro

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AMANHECER

Orgia Fúnebre

 
Orgia Fúnebre
 
Gustav Doré

ORGIA FÚNEBRE

Comam-me todos os vermes
Façam a festa, se fartem
neste bacanal humano
que ofereço
Involuntariamente

Para mim,
pouco importa
os risos e os choros

-no fim
tudo é gozo
de alguém
 
Orgia Fúnebre

PRISÃO

 
PRISÃO

O riso solto
na gaiola
grita
a sua dor
de não ser

Hideraldo Montenegro
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PRISÃO

O que difere um conto de um romance?

 
Para tentar extrair esta diferença não poderia deixar de citar duas obras:
Iracema de José de Alencar e O Alienista de Machado de Assis. Porque o primeiro citado seria um romance e o segundo, um conto?
Esta questão que parece aos olhos do leitor não possuir diferença alguma é mesmo de dar um nó no cérebro de alguns escritores. Mas continuemos...
Vale ressaltar que sou tão amadora aqui quanto você com sua curiosidade aguçada. E Deus me livre dessa coisa de citar ou enumerar regras.
Mas cá entre nós, as regras são responsáveis pelo nosso primeiro passo, isso mesmo, “primeiro passo”, pois quando aprendemos a nos equilibrar abrimos mão de algumas “ditaduras literárias”, pelo simples fato de desenvolver características próprias ao escrever.
Voltando ao assunto. O que difere uma obra da outra? Seria o número de páginas?
Diria que não. Iracema e O Alienista possuem mais ou menos o mesmo tamanho. E pode um conto ter uma página ou trezentas, tanto faz. Mas não é a quantidade de páginas que irá qualificar o texto literário como conto.
O que caracteriza um conto é a trama abordada, com poucos personagens e num único espaço de tempo. Pode ser de narrativa longa ou curta, com poucos, muitos ou nenhum diálogo. Isso varia do modo criativo de cada escritor. É importante saber respeitar isso. Ninguém está obrigado a seguir os passos de “fulano”. Devemos ser receptivos. E saber aceitar a diferentes métodos de criação.
Vale ressaltar que algumas regras que servem como normas para caracterizar um conto continuam intactas, mesmo após muitas mudanças.
São elas:
• Apenas um conflito
• Poucos personagens
• Um núcleo
• Uma ação principal que desencadeará todo o resto da narrativa
• Toda a história girará em torno da trama
É a partir destas bases que será possível dizer se o conto é realmente um conto.
Edgar Alan Poe pregava que a força do conto deveria estar em seu epílogo.
Anton Tchekhov nos trouxe o conto moderno, sem epílogo e dizia que se deveria cortar o início e o fim dos contos, a fim de que causassem maior impacto aos leitores.
Chamo a atenção para os estilos “diferentes”. Ambos são considerados os gigantes da arte do conto.
É isto o que diversifica as obras, onde você não tem a sensação de “dé jà vú” ao folhear um livro.
O que caracteriza um conto é a espécie da narrativa, que devido a poucos personagens tende a ser curta.
É comum quando alguém lê um conto bom e teima que se o autor escrevesse mais tornaria a história ainda melhor. Em alguns casos sim... Em outros seria uma ruína total.
O conto deve possuir o único objetivo de surpreender ao leitor. O final sempre deve ser surpreendente, sem alardes no meio da trama...
Poderia afirmar que o que caracteriza o conto é a carga dramática carregada de suspense. Por mais que se queira estar à frente, não se deve abrir mão de causar aquela sensação de “não entre no carro, o assassino está no banco traseiro”, todo leitor aprecia esta sensação. Se o autor conseguir provocar e instigar com suas palavras, sem tornar a leitura cansativa, terá conseguido escrever um bom conto, digno de ser levado para a cama, e lá ser devorado até as últimas palavras.
Por isso digressões e descrições demasiadamente longas devem ser extremamente evitadas.
Capriche no suspense. Aguce a curiosidade do leitor.
E jamais, em hipótese alguma subestime a inteligência e interpretação de quem lê.

Por hoje é só, espero ter ajudado.

Nada do que está escrito acima deve ser levado a sério.
 
O que difere um conto de um romance?

Diálogos-IX-A NOITE

 
A NOITE

A noite é boa conselheira e temos muito
que fazer.
Sim.” A coruja de Minerva levanta voo ao anoitecer”.
Para ti, porque para outros: “a noite cria monstros”.
Defendo a primeira.
É no desenrolar da noite que o pensamento
D
E
S
C
E
aos abismos, alcançando a plenitude.
- Então, conversemos até ao amanhecer,
e que o cansaço não se apodere de nós.
- Nem outra coisa seria de esperar, de ti.
As palavras são o alimento da alma, tal como a música.
Divino. Adoro ouvir Beethoven.
A música exalta os sentidos e faz a alma vibrar.
Falemos de Bolaño.
- Queres dizer, de 2666.
- Nem mais.
A vida são dois dias e 2666 são três.


Poesiadeneno41119
 
Diálogos-IX-A NOITE

Além da Varanda

 
***Para reflexão sobre escrita, comentários e etc e tal...

Além da Varanda
by Betha Mendonça

Acadêmicos de letras pequenas,
Das poucas massagens aos egos,
Não choreis pelas vossas penas!

Uns bebem deliciosos chás de louro,
Como raro prêmio à obediência,
Por curvarem caladas suas penas.

A ponta dos seus parcos versos,
Sejam bem ou mal debruçados,
Tornam-se grandes clássicos.

Vós sois inteligentes e não omissos,
Não deixeis vossos versos tolhidos,
Pelo clero acadêmico da varanda!

A ciranda de letras bem posta,
Não há quem vos tire da mão,
É dom divino – manjar do céu.

(republicação)
 
Além da Varanda

I ENCONTRO LUSO POEMAS (Dueto Ibernise feat JSL)

 
I ENCONTRO LUSO POEMAS*

Podem ficar com o leitão e o vinho
Que eu cá em Abril vou para Anadia
Ver prosadores e amantes da poesia
Que além do horizonte fazem caminho

Rota Lusa, rota fraterna do carinho
Numa rota sem longe nem distância
Vamos todos ninguém fica sozinho
Porque a poesia merece a elegãncia

Museu mais cultura, literatura e poesia.
Do Brasil até a um todo portuguesmente
Mãos que se estendem, sem hora nem fuso

Vanda, Câmara Municipal de Anadia...
Venham de todos os fusos minha gente!
Porque vos espera o Encontro Luso!

Poema Inédito!
* Núcleo Temático Educativo. Homenagens.
Ibernise feat JSL. (Dueto).
Indiara (GO), 10.04.2008.
D.A. Reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.
 
I ENCONTRO LUSO POEMAS (Dueto Ibernise feat JSL)

Indecifrável

 
INDECIFRÁVEL

O poema que não escrevi
é feito de carne
tem nome largo
e palavras de forma

O poema que não escrevi
dorme comigo todos os dias
revira meus sonhos
torna-se insônia

O poema que não escrevi
come, bebe, faz sexo
e, às vezes, sai pelo nariz

O poema que não escrevi
vive na lama, no lixo
no luxo, na cama

O que poema que não escrevi
é macho, puta, bicha louca
-desenho que não sai da boca

O poema que não escrevi
é leve, é pluma
pesado tiro
é chumbo, é morte
é casulo, é seda
é sorte que não chega

O poema que não escrevi
Inscreve-se em mim
como cicatriz
como uma dor, um parto
um sapato apertado

O poema que não escrevi
Jamais escreverei
 
Indecifrável

Cont(r)o_versus

 
Cont(r)o_versus
 
Quero ser um fora de lei
Criar um esteriótipo
Misturar estilos literários
Dar-lhes o meu toque pessoal

Com letras contam-se contos
Crónicas do quotidiano
Tecem-se poemas e sonetos
Prosas com alma poética
Milagres da dialéctica

Já quase ninguém me atura
É que eu... sem olhar a meios
Corro o risco de ser cont(r)o_verso
Dou corpo aos meus devaneios
E quem sai ganhando
É quem ama a literatura

Maria Fernanda Reis Esteves
50 anos
natural: Setúbal
 
Cont(r)o_versus

Manifesto de Uma Amadora Careta

 
Manifesto de Uma Amadora Careta
by Betha M. Costa

Grita mundo literário. Na nova Escola o palavrão gratuito e a baixaria generalizada tornou-se arte... Viva a liberdade de expressão!

Quem mais fornica com as palavras é mais ovacionado e sob a luz da ribalta libera excretas para patética platéia neo-modernista ( ?). Haja seguidores! Uma manada manipulada de vaquinhas e boizinhos de presépio, que não está vem aí para os leitores: aqueles que não fazem parte do seu seleto grupo de “intelectuais”.

Parece que com o aumento da concorrência - e desejo de aceitação pelos “astros” ou de ser um deles - quem colocar no título e/ou corpo do texto mais palavras chulas; quem vomitar, escarrar, soltar pum, urinar e evacuar mais é o mais inteligente, o antenado, o livre pensador.

Grita mundo literário e torna-se a literatura um imundo sanitário público... Mas, cheio de mer... ,digo, “obras” de arte contemporânea!Aplausos!E fecham-se as cortinas.
 
Manifesto de Uma Amadora Careta

Monóxido de carbono

 
Odeio a poesia como forma,...
A envolver o curto sentir de,...
..., quem se apouca face ao medo.
Que se combata o fluir de ideias,
Abrace-se a negatividade do silêncio,
Detesto a pequenez de um verso,
No domínio do astral, que seja um grão,
Falando de felicidade, é nada,
Abomino rimas. Mortas por asfixia,...
..., sentencio do alto da passividade.
Odeio a poesia como abstracto,
Clara só mesmo a ignorância,
Dura, sempre a pequenez de sentimentos,
Abri os olhos para a vida, e descobri,...
Que adoro a poesia como oxigénio,...
Morte ao monóxido de carbono do concreto....
 
Monóxido de carbono

É ESTE O LUSO QUE EU AMO

 
Eu sempre gostei do Luso Poemas, pois que foi com todos aqueles que o compunham e que ainda hoje uma grande parte por cá estão, que aprendi muito.
Em poesia, aprendi o que pude, pois que não me considero um intelectual, digo em toda a simplicidade, pois que é a verdade.
Houve até quem se aproveitasse da minha franqueza, para considerar fraqueza, não, uma coisa nada tem a ver com a outra.

Sempre me bati também, pela igualdade de direitos e deveres. Nós somos como somos, uns melhores e outros piores, mas a sociedade é assim formada, cada um nasce com o seu destino traçado e quer queiramos ou não, não há volta a dar. Pode se ser instruído, mas a inteligência essa, não progressa, mantém-se, mas desenvolve-se o conhecimento.

Inscrevi-me no Luso no dia um de Dezembro de 2007. Dias passados, verifiquei que havia aqui muitos bons autores, muitos bons poetas, esfreguei as mãos de contente pois que sabia que mal grado as minhas limitações, eu poderia aprender e muito mas o que eu pensei ultrapassou as minhas ideias.
Vim para França em 1970, devido à minha profissão, tinha necessidade de aprender o Francês, e o meu tão querido português, como se diz tão bem em Portugal, deu o badagaio, começou por nem português nem francês.
Em seguida, em francês progredi, em português, retrocedi.
Ora, isso devo muito ao Luso Poemas e a todos vós, pois que em poesia não avancei muito, sim, um pouco, mas em português voltei aquilo que era antes de vir para França.
Tempos depois, algumas semanas, pude verificar que havia “guerras” no Luso, pois que havia quem defendesse que o Luso deveria de ser um site para os bons, os maus não tinham lugar.
Bati-me sempre contra tal ideia, pois que acho que um sitio que não é nosso, não temos o direito de impor regras, isso pertence ao administrador.
Tinha conseguido amizades, que com o tempo e com a minha maneira de ser, perdia-as, fiquei triste mas qual importância? bati-me como me bati por outras coisas muito mais importantes, não no Luso, mas fora dele.
Hoje, abro a Internete e não são as noticias do Mundo que me interessam, essas vêm em segundo plano, mas sim o Luso, que querem? amo a minha mulher e o maior prazer que tenho na vida é abrir os olhos pela manhã e a ver em primeiro, os meus filhos e os meus nétinhos e os meus bisnétinhos não vivem comigo, estão longe. Mas o Luso, meus amigos.... é tomar o café e catrapumba, Internet e Luso Poemas, pouco importa a hora em que me barbeio e tomo a minha banhoca, não, em primeiro está o Luso.
Sou senil como alguém de instruído (tenho duvidas) já me chamou? Não! O Luso é a minha droga e agora mais do que nunca. Depois de me ter batido pela paz neste nosso cantinho, abro o Luso e que vejo eu? Poemas de amor, poemas de reflexão, poemas de dedicatória e nem uma palavra grosseira nem uma provocação, mas tudo naturalmente de amizade.
Visito o Fórum e que vejo? Parabéns a você, apresentação de vários livros, e nem uma provocação e porquê esta mudança? Sei que todos sabem o porquê.
É este o Luso pelo qual sempre sonhei e criei inimigos, um Luso de poesia, grande poesia, media poesia e pequena poesia, mas o Mundo é assim formado, há quem tenha mais de dois de metros de altura e os que não passam de setenta centímetros e depois? Vamos matá-los porque eles nem sequer fazem a média?
Eu sei, eu sei, há quem me vá dizer que fui malcriado e até é verdade, mas não tive razão de o ser?

Uma abraço a todos

A. da fonseca
 
É ESTE O LUSO QUE EU AMO

DELICADEZA

 
DELICADEZA

Os gestos lembram
à mente
que precisam
ser contidos
quando o afago
é para o vidro


Hideraldo Montenegro
http://www.agbook.com.br/book/47928--FLORES_DE_MAIO
 
DELICADEZA

Perto

 
PERTO

Tão longe eu moro
Que não existem portas abertas
Tão longe eu moro que nem portas existem
De tão longe a paisagem só existe
E divide o espaço
Da minha distância

De tão longe
Vivo tão perto
De mim mesmo
sem Fronteiras

De tão longe
Não sou alcançado
Pelo dano que causaria
A mim mesmo

De tão longe
Vivo de janelas abertas
Sem temor
Nem mesmo do diabo

De tão longe
Vivo encontrado
Em diversos horizontes
Abertos

De tão longe
Vivo
Debruçado sobre a paz
 
Perto

MEU RECANTO

 
Tu és
o meu recanto
génese do meu encanto
tu decepas o meu pranto
no teu leito perfeito
verto o meu pasmo

Sim,
de mim
estou desterrado
e tenho as tuas palmas como aconchego
meu amor, meu antibiótico
sim,
afirmo sem medo
derreto-me no cimo lunático
do teu relevo
tal como o orvalho
uiva no caule do dia

Teu corpo é o meu leme
quando me tocas
meu cérebro treme.
ah, por favor consuma-me por inteiro
quero alojar-me no teu cancioneiro

Amo-te
amo-te docemente
amo-te LITERATURA.
 
MEU RECANTO

AS PALAVRAS E AS RIMAS, SÃO CAMINHOS TURTUOSOS

 
Continuar a escrever, será coisa que valerá a pena?
Não sei, por vezes é como subir ao alto da montanha,
Gritar, e o eco não existe. É como montar uma cena
E no fim, não haver actores para executar a façanha.

Então para quê se cansar para tentar chegar ao cume?
Procuram-se os caminhos, que nos levem lá a cima,
E não se faz tudo isto, por ter vaidade ou por ciume
Mas sim pelo gosto de escrever, e saber ligar uma rima.

As palavras, as rimas, são como os caminhos tortuosos
Que fazem sofrer aqueles que que lutam para os vencer.
Ser poeta, é como ser alpinista a mãos nuas, virtuosos
Que lutam, que sofrem, para conseguirem bem escrever.

E quantos chegam ao pico da montanha ou da poesia?
E quantos são reconhecidos como de bons escritores?
Quantos escrevem e nem sequer são lidos, são porcaria,
Sendo assim julgados, talvez porque não sejam doutores.

Mas eu considero que sim, escrever vale sempre a pena.
Como subir uma montanha mesmo que seja só pelo prazer,
Se gritar e não houver eco, é porque o mundo é uma arena
Onde não há um lugar para fazer crescer um malmequer.

A. da fonseca
 
AS PALAVRAS E AS RIMAS, SÃO CAMINHOS TURTUOSOS

Certeza

 
CERTEZA

O que desta mão resta
luz, escuridão, fresta?
Que chão pouso a memória
por onde anda o vôo
a semente, o grão?

E o mundo em volta,
volta ao começo
de tudo
tudo é apenas recordação
pouso amplidão

E o chão nos espera
em estradas já traçadas
-linhas da mão
 
Certeza

Palavras

 
PALAVRAS

A palavra é faca
é fala trapaça
é vala
quando mata
cala

A palavra é doce
é brasa
calor
verdade
calada
é dor

A palavra é cria
ação
do vento
que a mente
inventa
em movimento

A palavra é prosa
verso
universo
aberto
em construção

As palavras são
vidas
feridas
abertas
no tempo
 
Palavras